Burundi
O Burundi ou Burúndi, oficialmente República do Burúndi, é um pequeno país de África, encravado entre Ruanda a norte, Tanzânia a leste e a sul e a República Democrática do Congo a oeste, neste país se encontra a nascente do rio Nilo. A cidade mais populosa do país é Bujumbura, que foi a capital do Burundi até 24 de dezembro de 2018, quando a sede do governo foi transferida novamente para Guitega. Está entre os países mais pobres da África e do mundo, tendo sido classificado em 2013 como o país com o décimo menor IDH do mundo.
Em 1885, na Conferência de Berlim, as potências europeias partilham a maior parte da África. O território do atual Burundi é entregue à Alemanha. A chegada dos colonos alemães, a partir de 1906, agrava antigas rivalidades entre os hútus (maioria da população) e a minoria tútsi, que exercia um poder monárquico. Os tútsis ganham status de elite privilegiada, com acesso exclusivo à educação, às Forças Armadas e a postos na administração estatal. Após a Primeira Guerra Mundial, o Burundi é unificado com a vizinha Ruanda, ficando sob tutela da Bélgica, que mantém as prerrogativas dos tútsis. Em 1946, a tutela passa para a Organização das Nações Unidas (ONU). Em 1962, o país torna-se independente, sob monarquia tútsi. Com a saída da força militar belga, a luta pelo poder transforma-se em conflito étnico e alcança toda a sociedade. Os ressentimentos acumulados desde o período colonial explodem em 1965, quando uma rebelião hútu é esmagada pelo governo. No ano seguinte, a monarquia é derrubada por um golpe de Estado liderado pelo primeiro-ministro, Michel Micombero, que proclama a república e assume a Presidência. As décadas seguintes são marcadas por uma sucessão de golpes de Estado e intrigas palacianas entre os tutsis e pela perseguição aos hútus. Rebeliões entre 1972 e 1988 causam a morte de dezenas de milhares de pessoas.
O Burundi é um pequeno país no interior da região dos Grandes Lagos Africanos, nas margens do Rifte Albertino. É em geral um país montanhoso, especialmente a ocidente, com um planalto a ocupar a zona leste, perto da fronteira com a Tanzânia. A altitude mínima é de 772 m, nas margens do lago Tanganica e a máxima é o Monte Heha, uma montanha que atinge os 2 670 m, onde, com o derretimento do gelo, se inicia um curso de água que é considerado a nascente do rio Nilo. A altitude média ronda os 1 700 m. O clima é, em geral, equatorial de altitude, com as temperaturas médias anuais a variarem entre 23 e 17 graus com a altitude. A precipitação média anual ronda os 150 cm, distribuída por duas estações húmidas (Fevereiro–Maio e Setembro–Novembro), intercaladas por duas estações secas (Junho–Agosto e Dezembro–Janeiro).
A Política do Burundi tem lugar num quadro de uma república democrática representativa presidencial de transição, segundo a qual o Presidente do Burundi é simultaneamente chefe de Estado e chefe de Governo, e de um sistema multi-partidário. O poder executivo é exercido pelo governo. O poder legislativo é investido tanto no governo e nas duas câmaras do parlamento, o Senado e a Assembleia Nacional e o presidente é Évariste Ndayishimiye.
Imagem: United Nations Photo · BY-NC-ND · Openverse
O Burundi está dividido em 17 províncias. Por sua vez, as províncias subdividem-se em 117 comunas, e estas em 2 639 colinas (do francês, Colline). As províncias são:
Apesar dos inúmeros recursos minerais, o Burundi é um dos países mais pobres do mundo. Aliam-se à pobreza os constantes conflitos étnicos locais e entre Uganda e Ruanda. O Burundi é um país sem saída para o mar, pobre em recursos naturais e com um setor industrial pouco desenvolvido. A economia do Burundi é baseada na agricultura, que correspondia em 1997 a cerca de 58% do PIB do país.[carece de fontes?] Mais de 90% da força de trabalho concentra-se na agricultura, a maior parte da qual pratica a chamada agricultura de subsistência. Embora o Burundi seja potencialmente capaz de se tornar autossuficiente na produção de alimentos, a guerra civil, a superpopulação e a erosão do solo afastaram para longe a autossuficiência. O principal produto do país é o café, que correspondia em 1997 a 78,5% das exportações. Esta dependência do café aumentou a vulnerabilidade do Burundi às turbulências econômicas internacionais. Em anos recentes, o governo tentou atrair o investimento privado para este setor com algum sucesso. Outras exportações principais incluem o chá e o algodão cru. O Burundi é o maior mercado de banana da África.[carece de fontes?]
Religião
Fontes estimam a população cristã no Burundi entre 80 a 90%, com os católicos romanos representando o maior grupo (de 60 a 65%) e o protestantismo e anglicanismo constituindo os outros 20 a 25% restantes. Os muçulmanos constituem entre 2 a 5%, a maioria dos quais são sunitas e vivem em áreas urbanas. Estima-se ainda que o restante adere às crenças tradicionais locais ou demais religiões.
A cultura do Burundi é baseada nas tradições locais e na influência dos países vizinhos, embora tenha sido perturbada pela agitação civil. Como a principal atividade industrial do país é a agricultura, uma refeição típica burundinesa consiste em batata-doce, milho e ervilha. Devido ao seu custo, a carne é consumida apenas algumas vezes por mês. Quando vários burundineses de conhecimento próximo se reúnem para uma reunião, eles bebem impeke, uma cerveja, de um grande recipiente. Cada pessoa recebe um canudo para simbolizar a unidade. O artesanato é uma importante forma de expressão artística no Burundi e é um presente atraente para muitos turistas. A cestaria é um artesanato popular entre os artistas burundineses. Outros artesanatos, como máscaras, escudos, cerâmicas e estátuas, também são feitos. O rundi, o francês e suaíli são línguas faladas no Burundi. A taxa de analfabetismo é alta, devido à baixa matrícula escolar. Apenas dez por cento das crianças burundianas podem pagar para frequentar o ensino secundário. A tradição oral está fortemente enraizada no país, transmitindo história e lições de vida por meio de canções, histórias e poesia. Imigani, Indirimbo, Amazina e Ivyivugo são gêneros literários encontrados no Burundi.


