Região Sul do Brasil
Região Sul do Brasil é a menor em extensão territorial entre as cinco regiões do país. Sua superfície terrestre é de 576 774,31 km², sendo maior que a superfície da França metropolitana e menor que o estado brasileiro de Minas Gerais. Está subordinada à Região Centro-Sul do Brasil. Tem três unidades federativas: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Possui como limites: ao sul, com o Uruguai; a oeste, com a Argentina e o Paraguai; a noroeste e ao norte, com Mato Grosso do Sul e São Paulo. É a única região brasileira fora da zona tropical, com oscilações visíveis no que diz respeito às estações do ano. No inverno, caem geadas e, ocasionalmente, neve. A topografia é pouco escarpada, com prevalência de um grande planalto, genericamente pouco alto.
Povos originários, vinda dos jesuítas e bandeirantes
Os primeiros moradores da região sul do Brasil eram os povos indígenas, especialmente os guaranis (mbyás), os kaingangs e os carijós. Depois, chegaram os padres jesuítas espanhóis para instruir os indígenas. Eles criaram aldeias denominadas missões ou reduções. Os indígenas, que habitavam as missões, produziam gado, dedicavam-se à agricultura e estudavam ofícios. Os bandeirantes paulistas invadiram as missões para escravizar os indígenas. Com isso, o local foi desocupado pelos indígenas e pelos jesuítas e o rebanho ficou desgarrado pelos campos. Pouco a pouco, vários paulistas foram se estabelecendo na costa catarinense. Eles criaram as vilas mais antigas do litoral, como Paranaguá, Florianópolis, Laguna e São Francisco do Sul, por exemplo.
Ciclo das tropas, lutas territoriais e acordos internacionais
Os paulistas também tinham curiosidade pela comercialização de gado. Os tropeiros, ou seja, os vendedores de gado, juntavam os animais criados soltos pelos campos. Eles conduziam os animais para comercializar nas feiras de gado, em Sorocaba. Na estrada por onde transitavam os tropeiros, nasceram povoados. Os tropeiros também fundaram as mais antigas estâncias, ou seja, propriedades de produção de animais. Os condutores de tropa foram os mais antigos devotos de Nossa Senhora das Brotas do século XVIII ao XIX. Para proteger as estâncias que haviam sido fundadas, fortalezas militares na região foram mandadas erguer pelo rei de Portugal. Nos arredores dos fortes, nasceram povoados. No decorrer de vários anos, Portugal e Espanha combateram pela conquista das terras meridionais. Os conflitos armados prosseguiram e apenas foram solucionados com a promulgação de tratados como, por exemplo, de Madri (1750), Santo Ildefonso (1777) e Badajoz (1801). Esses tratados estabeleceram as fronteiras das terras situadas na parte meridional do Brasil.
Vinda dos imigrantes, colonização recente e expansão agropecuária
A colonização cresceu grandemente com a vinda dos imigrantes. Os primeiros imigrantes eram os açorianos. Em seguida, chegaram especialmente imigrantes alemães (1824, São Leopoldo–RS) e italianos (1875, Caxias do Sul). Outros grupos buscavam a região para morar. Os imigrantes criaram colônias que se transformaram em cidades muito populosas como, por exemplo, Caxias do Sul. Os solos de terra roxa do norte do Paraná e do oeste de Santa Catarina eram as últimas regiões a serem colonizadas. O norte do Paraná foi ocupado com a fundação de colônias agrícolas. Migrantes de outros estados brasileiros e países chegaram à região para exercer a função de agricultores no cultivo de café e de cereais. No oeste catarinense, expandiram-se a pecuária e a extração da erva-mate e da madeira.
O Sul constitui a menor região do Brasil em área. Ele abrange as unidades federativas do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, os quais, reunidos, somam 576.774 km², superfície maior que a da França Metropolitana, por exemplo, o segundo maior país da Europa em área. Constituem aspectos característicos da região Sul:
Geomorfologia
Seu relevo é ocupado, em sua grande parte, por duas divisões do planalto Brasileiro: o planalto Atlântico (ou Serras e Planaltos do Leste e do Sudeste) e o Meridional. Nesta região, o planalto Atlântico é cognominado planalto Cristalino, e o Meridional é fragmentado em duas porções: arenito-basáltico e depressão periférica. A região abriga também determinadas planícies. A altitude máxima da região sul é o Pico Paraná, com 1 922 metros de altitude, situado no Paraná. Porém, o Morro da Igreja está localizado a 1 822 metros de altitude, sendo o local povoado mais elevado da região sul e onde se registrou, não oficialmente, a menor temperatura do Brasil: -17,8 °C, em 29 de junho de 1996.
Clima
No Brasil, país prevalecentemente tropical, apenas a região sul é ocupada pelo clima subtropical. Nesse clima, as médias térmicas anuais variam de 16 °C a 20 °C, entretanto, o inverno é muito frio, com geadas comuns e até queda de neve. As estações do ano mostram-se muito diversas e a amplitude térmica anual é extremamente elevada. As chuvas, em quase toda a região, são divididas com uma considerável uniformidade por todo o ano, porém, no norte do Paraná — passagem para a zona intertropical — estão reunidos nos meses de verão. É possível encontrar também aspectos tropicais nas planícies litorâneas do Paraná e de Santa Catarina, em que as médias de temperatura estão acima de 20 °C e as chuvas caem especialmente no verão.
Hidrografia
Tanto a serra do Mar quanto a serra Geral localizam-se perto da costa. Dessa forma, o relevo da região sul curva-se ao interior, e a maioria dos rios — sendo de planalto — vai de leste a oeste. Os rios estão reunidos em duas enormes bacias fluviais: a do Paraná e a do Uruguai, duas divisões da bacia do rio da Prata. Os rios mais importantes são caudalosos e possuem elevado potencial hidrelétrico, o que já está sendo aproveitado no rio Paraná, com a implementação da Usina Hidrelétrica de Itaipu (atualmente a 2.ª maior do mundo). Esse aproveitamento possibilita ao sul e ao sudeste um progressivo consumo de energia elétrica, para uso tanto doméstico quanto industrial, sendo importante a permanência dos investimentos nesse setor.
Vegetação
Quando fazemos alusão ao sul do Brasil, é comum nos recordarmos da floresta ombrófila mista ou mata de araucárias e do grande pampa gaúcho, formações vegetais características da região, apesar de não serem as únicas. A Mata de Araucárias, atualmente quase extinta, ocorre nas áreas mais altas dos planaltos no Paraná e em Santa Catarina, em pequenas áreas, junto a outras formas de vegetação. O pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia) ajusta-se melhor aos climas frios, típicos das áreas mais elevadas do terreno, e ao solo de rocha mista, como arenito e basalto, que se encontra no planalto arenito-basáltico, no interior da região. Dessa floresta são explorados, especialmente o pinheiro-do-paraná e a imbuia, usados em marcenaria, e a erva-mate, cujas folhas são empregadas na preparação do chimarrão.
A região sul do Brasil, conforme o censo demográfico de 2022, possuía uma população de 31 113 021 habitantes, sendo a terceira região mais populosa do país, compreendendo cerca de 14,70% da população brasileira e apresentando uma densidade demográfica de 51,91 moradores por quilômetro quadrado (a segunda maior do Brasil). Ao mesmo tempo, 51,28% eram mulheres e 48,72% homens, tendo uma razão de sexo de 94,99. Em dez anos, a região apresentou uma taxa de crescimento populacional de 0,74%. No censo demográfico de 2010, abrigava uma população de 27 386 891 habitantes. Conforme este mesmo censo demográfico, 84,93% dos habitantes moravam na zona urbana e os 15,07% remanescentes na rural. O Índice de Desenvolvimento Humano da região sul do Brasil é considerado alto conforme o PNUD. Segundo o último levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), com dados relativos a 2010, o seu valor era de 0,754, estando na terceira colocação ao nível nacional, depois do centro-oeste. É a terceira região mais populosa do país (depois do Sudeste e do Nordeste), concentrando 14,3% da população brasileira. Entretanto, compreende uma densidade demográfica de 51,91 hab./km², mais de duas vezes maior que a do Brasil como um todo. Seu progresso social e econômico é ligeiramente constante, tanto no campo quanto nas cidades.
Composição étnica, povos indígenas e migração
Hoje residem na região sul do Brasil pouco mais de 88 mil indígenas. Do total, 36,75% moram em terras indígenas e 63,25% vivem fora. Dentre os 40 409 habitantes, que habitam terras indígenas, 39 738 moradores têm cor ou raça indígena e 671 residentes se acham indígenas. Entre os 47 932 residentes, os quais moram fora de terras indígenas, 41 740 pessoas possuem cor ou raça indígena e 6 192 indivíduos se julgam indígenas. Segundo pesquisa de autodeclaração do censo de 2022, 21 729 713 sulistas se reconheceram como brancos, 6 499 382 pardos, 1 505 526 pretos, 120 838 amarelos e 81 478 indígenas. Em 2010, 99,76% foram brasileiros (99,63% natos e 0,14% naturalizados) e 0,24% estrangeiros. Dentre os brasileiros, 93,92% são naturais do sul (87,94% do próprio estado) e 5,31% em demais regiões. 3,67% são do sudeste, 1,06% do nordeste, 0,41% do centro-oeste e 0,17% do norte. Entre os estados de origem dos imigrantes, São Paulo possuía o maior percentual de residentes (2,50%). Este é acompanhado por Minas Gerais (0,81%), Bahia (0,32%), Rio de Janeiro (0,29%), Pernambuco (0,20%) e Mato Grosso do Sul (0,19%).
Povoamento
Com a finalidade de catequizar os indígenas, jesuítas espanhóis criaram diversas reduções no território do atual Rio Grande do Sul. Essas reduções, cuja economia se encontrava na subordinação da criação de gado e da lavoura, passaram mais tarde por sucessivas dominações de bandeirantes paulistas, que prendiam os indígenas para comercializá-los como escravos. A devastação das reduções espalhou pelo pampa os animais criados pelos missionários. Desde o século XVIII, esse gado começou a ser reivindicado por portugueses e espanhóis que povoavam a região do rio da Prata. Este conflito armado deflagrou a reivindicação pela conquista da terra e favoreceu o aparecimento de enormes latifúndios, que ainda são frequentes no extremo sul.
Religião
A religião na região Sul do Brasil é majoritariamente cristã, com o catolicismo romano sendo a denominação dominante, seguido de perto pelo crescimento expressivo do protestantismo nas últimas décadas. De acordo com dados recentes do IBGE e estudos como o "Novo Mapa das Religiões" da Fundação Getúlio Vargas (FGV), cerca de 53% da população do Sul se identifica como católica, o que reflete a forte herança cultural e histórica da colonização europeia, especialmente de portugueses e italianos. Em segundo lugar, os evangélicos representam aproximadamente 30% da população, com destaque para as igrejas pentecostais e neopentecostais, que têm conquistado muitos adeptos na região em um movimento observado em todo o Brasil.
Modo de vida e urbanização
Na região sul do Brasil há miséria, desafios habitacionais, alimentares, educacionais e médico-hospitalares. No entanto, quando confrontado com as demais regiões do país, o sul sobressai por possuir os mais altos índices de alfabetização, o mais elevado nível de segurança alimentar e a mais alta esperança de vida do Brasil. É indiscutível que, em quantidades absolutas, o Sudeste do Brasil tem o maior número de instituições educacionais, hospitalares e outros, entretanto, uma apreciação regular alega que o modus vivendi sul-brasileiro é o mais próximo de um país razoavelmente rico. Apesar da disparidade de regiões urbanizadas e despovoadas, no Sul, não seja tão intensificada quanto nas demais regiões, as cidades, principalmente Curitiba, Porto Alegre e centros urbanos do vale do Itajaí possuem elevadas densidades populacionais. As regiões mais demograficamente vazias do sul se situam na Campanha Gaúcha, em que sua economia predominante é a pecuária extensiva, responsável por contratar poucos trabalhadores.
Problemas atuais
O pior desafio enfrentado pela região sul do Brasil é habitual para todo o país: a crescente disparidade na divisão de renda. No entanto, no Sul, a dicotomia entre a abastança de poucos e os escassos recursos de muitos não é tão grande como no Sudeste ou no Nordeste. Comprova-se, somente na presença de comunidades de casebres improvisados, ou seja, favelas, nas maiores cidades, nos elevados indicadores de iliteracia em determinadas regiões, nas péssimas condições habitacionais e no atendimento médico precário. Além desses desafios, a região sul encara:
A Região Sul, composta pelos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, possui uma estrutura de governo baseada nos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário, como estabelecido pela Constituição Federal de 1988. Cada estado possui um governador eleito para um mandato de quatro anos, com possibilidade de reeleição. As assembleias legislativas são compostas por deputados estaduais, cujas quantidades variam conforme a população de cada estado: Paraná com 54 deputados, Rio Grande do Sul com 55 e Santa Catarina com 40. O poder Legislativo nos estados sulistas, assim como em outras unidades federativas, é responsável por elaborar leis estaduais e fiscalizar o Executivo local. O Poder Judiciário na região segue a organização nacional, contando com tribunais de justiça nos três estados. Esses tribunais atuam principalmente em causas estaduais e, no caso de questões de grande repercussão, possuem tribunais superiores, como o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), que abrange a jurisdição dos três estados para casos de competência federal. Além disso, os estados dispõem de tribunais eleitorais próprios, que fiscalizam e organizam o processo eleitoral, garantindo a transparência e a segurança das eleições regionais e municipais.
Unidades federativas
A região sul do Brasil compreende três unidades federativas: Rio Grande do Sul, instituído em 1737 e partilhado em 497 comunas, Santa Catarina, criada em 1738 e fragmentada em 295 cidades, e Paraná, fundado em 1853 e dividido em 399 municípios. Suas capitais, são, nesta ordem, Porto Alegre, fundada em 1772, Florianópolis, estabelecida em 1673, e Curitiba, criada em 1693. Todos os três estados são delimitados pelo oceano Atlântico, entretanto, compartilham fronteiras secas e fluviais com países vizinhos como o Paraguai, a Argentina e o Uruguai. O maior estado em área é o Rio Grande do Sul, localizado mais ao sul do país, com 281 730,223 km², e o mais populoso, em 2022, é o Paraná, situado ao norte, com 11 824 665 habitantes. O menor e o mais central dos estados é Santa Catarina, com 95 730,690 km².
Setor primário
Em boa parte do território sul-brasileiro, prevalece a criação de gado, entretanto, fonte de renda de maior lucratividade e a qual contrata maior quantidade de mão de obra é a agricultura. Os estados sulistas possuem na agricultura a essência de sua economia, malgrado o célere desenvolvimento da industrialização. Plantio agrário diversificado, alto índice de mecanização e utilização de métodos inovadores tornam a região um verdadeiro empório de alimentos, consumidos em todo o país. Sobre a agricultura, a região Sul é uma grande produtora de soja, milho, tabaco, arroz, uva, maçã, trigo, aveia, cana de açúcar, erva-mate, melancia, mandioca, feijão, tangerina, pêssego, entre outros produtos. Na soja, a maior cultura, na safra de 2023/2024, o Rio Grande do Sul produziu 18,3 milhões de toneladas e o Paraná 18,7 milhões - a Região Sul, se fosse um país independente, seria o 4º maior produtor deste grão no mundo. Os dois estados são o 2º e o 3º maiores produtores do grão no país. No arroz, O Rio Grande do Sul possuía 68% da produção brasileira em 2024, com aproximadamente 7 milhões de toneladas, e Santa Catarina produzia 11% do total nacional. No milho, em 2024/2025 o Rio Grande do Sul colheu quase 15 milhões de toneladas e o Paraná 18 milhões, sendo a Região Sul também uma das áreas onde mais se produz milho no mundo. O Sul também é o maior produtor de tabaco do país, cultura que é praticamente toda exportada. Em 2024 o Rio Grande do Sul era o maior produtor nacional, com cerca de 300 mil toneladas e exportações com valor próximo a R$ 5 bilhões. O Paraná produzia perto de 200 mil toneladas anuais. Sobre a uva, O Rio Grande do Sul é o maior produtor brasileiro e tem aproximadamente 90% da produção nacional destinada ao processamento de vinhos, sucos e espumantes. O estado produzia, em 2024, 49% das uvas do país e o Paraná produzia 4%. A maçã é quase que um monopólio da Região Sul em relação à produção brasileira - em 2024, Santa Catarina produzia quase 55%, o Rio Grande do Sul quase 42% e o Paraná quase 3% da produção brasileira. O mesmo pode-se dizer da erva-mate, onde em 2024 o Paraná era o maior produtor, e o Rio Grande do Sul o 2º maior produtor e maior exportador. No trigo, o Rio Grande do Sul e o Paraná também respondem por quase toda a produção nacional - em 2023 o Paraná produzia 3,6 milhões de toneladas e o Rio Grande do Sul, 2,6 milhões. Na melancia, o Rio Grande do Sul está entre os maiores produtores do país, principalmente no sul do estado. No feijão, desde os anos 90 o Paraná é o maior produtor do Brasil, com cerca de 650 mil toneladas em 2024. O Paraná também é um grande produtor de cana de açúcar, tendo colhido cerca de 36 milhões de toneladas em 2024. A Região Sul também produz 80% do pêssego do país. Na mandioca, o Paraná é o 2º maior produtor do país e o principal produtor de mandioca com finalidade industrial. O Rio Grande do Sul também se encontra entre os principais produtores.
Setor secundário
A região sul do Brasil é responsável por aproximadamente 20% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial nacional. A região sul está em segundo lugar no Brasil quanto à quantidade de mão de obra e à importância e capacidade de produção fabril. Este desenvolvimento é resultado de vários motivos, como bons meios de transporte, alta capacidade para gerar energia hidroelétrica, uso simples de energia de calor, grande quantidade e diversidade de recursos naturais e um público consumidor com boa capacidade de compra. Na área, são mais comuns amplos centros de fábricas que têm operações variadas, ao passo que, ao sul, a área mostra os seguintes aspectos:
Setor terciário
No decorrer do verão, turistas movimentam grandemente as praias de Santa Catarina. Florianópolis é uma das capitais mais frequentadas no Brasil, após o Rio de Janeiro e São Paulo. São atrativos também as Ruínas Jesuítico-Guaranis de São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul e o Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná, patrimônios da humanidade. As regiões serranas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina trazem turistas no inverno, os quais desfrutarão as baixas temperaturas. Em Cambará do Sul, no Rio Grande do Sul, se situa o Parque Nacional de Aparados da Serra, onde se encontra o Cânion do Itaimbezinho.
Saúde
A região sul do Brasil conta com uma rede ampla de estabelecimentos de saúde, composta por unidades públicas e privadas. Em 2022, estimava-se que existiam mais de 10 mil estabelecimentos hospitalares e ambulatoriais, com ampla cobertura pelo Sistema Único de Saúde (SUS), garantindo acesso aos serviços básicos para a população. A maioria dos municípios da região possui ao menos uma Unidade de Saúde da Família (USF), possibilitando cuidados preventivos e atendimento próximo às comunidades, especialmente em áreas rurais e periféricas. No entanto, a densidade de profissionais de saúde, como médicos e enfermeiros, varia entre os estados e tende a se concentrar nas grandes cidades, como Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis, enquanto áreas mais remotas enfrentam desafios de acesso e disponibilidade de pessoal qualificado.
Educação
A região sul do Brasil possui uma forte infraestrutura educacional, com matrículas distribuídas entre educação infantil, ensino fundamental, médio e superior. O último Censo Escolar, coordenado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), revela que, no país, a matrícula em tempo integral tem crescido tanto nos anos iniciais quanto finais, com uma tendência de aumento no ensino médio em tempo integral. Além disso, aproximadamente 91,9% dos jovens de 15 a 17 anos estão matriculados na escola, refletindo um avanço na universalização do ensino básico. A taxa de alfabetização na região é uma das mais altas do Brasil, com a escolarização para jovens de 15 a 17 anos superando 90%. Esse desempenho coloca a região como uma das mais avançadas em termos de educação básica, ao lado de outros países da América Latina, como o Chile. A taxa de analfabetismo funcional, no entanto, ainda é um desafio, com estimativas nacionais variando entre 20% e 30%, o que reflete a necessidade de melhorias na qualidade da alfabetização.
Energia
O sul é abundante em xisto betuminoso e carvão mineral, empregado para fabricar energia nas usinas termelétricas. Além desses minerais, apresenta também, em enorme quantidade, energia hidrelétrica, devido aos aspectos de sua hidrografia — rios de planalto ou caudalosos. A principal usina hidrelétrica da região sul do Brasil é a de Itaipu, aberta ao público em 1983, que utiliza os recursos hídricos do rio Paraná nas imediações de Foz do Iguaçu (Brasil) e Ciudad del Este (Paraguai). Além de atender às necessidades de iluminação pública e particular do sul do Brasil à noite, a energia de Itaipu é bastante empregada em demais regiões do país, principalmente no sudeste, mais rico industrialmente. Por ser uma hidrelétrica binacional, também o Paraguai emprega a produção de energia de Itaipu.
Transportes
O sul do Brasil é uma região razoavelmente bem atendida na área de transportes. Embora não esteja no nível infra-estrutural da Região Sudeste, conta com rodovias em quantidade razoável (embora, em certas áreas, haja baixa densidade rodoviária) e de alguma qualidade (havendo, porém, poucas rodovias duplicadas e cidades ainda sem acesso asfáltico), que chegam a concentrar 80% do transporte de cargas, além de bons portos, bons aeroportos e uma quantidade razoável de ferrovias. O destaque negativo fica para as hidrovias, que são quase inexistentes em áreas com alto potencial hidroviário. Embora quase todas as cidades da região sejam atendidas por linhas da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), o transporte rodoviário é o mais avançado. Entre as estradas mais importantes estão a BR-101, BR-116, BR-386, BR-290, BR-287, BR-285, BR-282, BR-280, BR-470, BR-277, BR-376 e BR-369. Como as outras regiões do Brasil, os transportes ferroviários e rodoviários precisam de investimentos que possibilitam a conservação das estradas já existentes e a construção de novas vias.
Segurança pública e criminalidade
A Polícia Militar e a Polícia Civil atuam nos três estados com desafios variados, incluindo déficits de efetivo significativos. No Rio Grande do Sul, por exemplo, a Brigada Militar reduziu seu contingente em cerca de 22,5% ao longo de uma década, enquanto a Polícia Civil teve um leve aumento de efetivo, embora ainda insuficiente. O Paraná e Santa Catarina também enfrentam déficits em suas corporações, com menos de 70% das vagas ocupadas em média nas forças de segurança dos três estados. As Forças Armadas também têm presença na região, com unidades do Exército Brasileiro, Marinha do Brasil e Força Aérea Brasileira contribuindo para a defesa e apoio à segurança local. O Exército, por exemplo, conta com o Comando Militar do Sul, responsável pela segurança das fronteiras e por atividades conjuntas de treinamento e cooperação com as polícias estaduais, especialmente em áreas de fronteira como o Paraná. Essas colaborações se intensificam diante de ameaças como o tráfico de drogas e armas nas regiões de fronteira com países do Mercosul.
Na culinária dos estados da região sul do Brasil, exerce influência a vizinhança com paraguaios e argentinos, além das colonizações alemã, italiana, polonesa e ucraniana. Prevalecem o churrasco, os assados de carne, o arroz carreteiro, o caldo de camarão de Santa Catarina e o barreado do Paraná. Toma-se chimarrão e vinho. A influência de países limítrofes, como, por exemplo, a Argentina, o Uruguai e o Paraguai, é famosa em um costume caracteristicamente gaúcho: o chimarrão. A infusão é feita com erva-mate e água quente quase prestes a fervilhar, colocadas em uma cuia, desta é sugada com uma bomba metálica. O folclore da região sul destaca principalmente as façanhas do gaúcho, que preza a lealdade e a masculinidade, é um excelente cavaleiro e manuseia o laço e a boleadeira com habilidade. No sul do Rio Grande do Sul, preserva-se a pilcha, que inclui bombachas, calças largas ajustadas nos tornozelos; camisa de lã; a guaiaca, faixa ampla amarrada na cintura onde carrega a faca e a garrucha; o chiripá, um pedaço de baeta preso ao corpo da cintura para baixo; o poncho, um agasalho rústico que, quando aberto, serve como abrigo improvisado para dormir; chapéu de couro ou feltro com abas largas; e um lenço colorido amarrado com nó corrediço. Ao montar, o gaúcho posiciona o poncho de modo que cubra parte do corpo do cavalo, permitindo que este compartilhe seu calor com o cavaleiro. Curiosamente, ele reserva para os arreios de seu cavalo um luxo que não se permite: freio, estribos e outras peças metálicas em prata. Em Santa Catarina, os cavaleiros bem-vestidos optam por ponchos listrados, grandes esporas e adornos prateados nos arreios.
Arquitetura e artesanato
Nas zonas rurais em torno de Curitiba, as residências típicas são construídas de madeira, quase sempre pinho, com o telhado em ângulo agudo recebido como legado da arte alemã. Na região de Guarapuava, no Paraná, tornou-se habitual um tipo de residência simples construída em madeira, com as paredes feitas de lascas de pinho e revestimento de pequenas tábuas da mesma madeira. Em Santa Catarina, as construções da região de Canoinhas eram feitas também de madeiras. A cozinha e a despensa às vezes se encontravam fora do corpo central da residência, quando se conectavam por um corredor. Na região do Contestado, eram abundantes os casebres construídos em rachões, lascas de pinho cortadas a machado, revestidos de “telhas” feitas de peças de pinho. As choupanas mais humildes possuem paredes de taquara, ou troncos de xaxim, revestidas com folhas de jerivás.
Patrimônio ecológico e festividades
O rio Iguaçu, que se origina próximo de Curitiba, capital do Paraná, percorre 1.320 km até se encontrar com o rio Paraná, na cidade de Foz do Iguaçu, localizada no extremo oeste do estado. A apenas 15 km da sua foz, o rio enfrenta um desnível e dá origem a 275 quedas d'água com alturas variadas, ao longo de uma largura de 4.800 m. Um dos saltos mais impressionantes é a Garganta do Diabo, que possui uma altura de 90 m e tem formato de ferradura. A área onde as cataratas estão situadas é o Parque Nacional do Iguaçu, reconhecido como Patrimônio Natural da Humanidade. Sua flora inclui árvores majestosas como figueiras, canela, pau-marfim e jerivá. Orquídeas e bromélias chamam para si grande número de borboletas. O parque abriga mais de duzentas espécies de aves — como tucanos, araras, tuiuiús, gaviões e beija-flores — além de mamíferos como jaguares, suçuaranas, veados, capivaras e quatis. Entre os outros atrativos do Parque estão o trecho do rio Iguaçu denominado Poço Preto, a enseada Rio Branco e o Salto do Macuco, cujas águas límpidas despencam a uma altura de 20 m, formando um pequeno lago.
Esportes
A Região Sul do Brasil é um polo esportivo significativo no país, com destaque para o futebol, esporte mais popular nos três estados: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O futebol chegou ao Rio Grande do Sul em 1900, ao Paraná em 1906 e a Santa Catarina também por volta de 1913, consolidando-se rapidamente como prática esportiva predominante. As federações estaduais de futebol foram fundadas em 1918 no Rio Grande do Sul, 1915 no Paraná e 1924 em Santa Catarina, passando a organizar os campeonatos estaduais desde então. Os maiores clubes campeões de futebol sul-brasileiro refletem a tradição e rivalidade local. No Rio Grande do Sul, Grêmio e Internacional dominam os títulos estaduais e nacionais. No Paraná, Coritiba, Athletico Paranaense e Paraná Clube são os principais clubes, enquanto em Santa Catarina, Figueirense e Avaí se destacam. Os maiores estádios da região incluem o Beira-Rio e a Arena do Grêmio (RS), a Arena da Baixada (PR) e o Estádio Orlando Scarpelli (SC).


