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Favelas no Brasil

Favelas no Brasil são uma consequência da alta desigualdade econômica e do grande déficit habitacional no país. O rápido êxodo rural para o espaço urbano em busca de trabalho, que normalmente não é bem remunerado, aliada à histórica inabilidade do poder público brasileiro em criar políticas habitacionais suficientes e adequadas, são fatores que levaram ao surgimento dos domicílios em favelas.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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Etimologia

A origem do termo "favela" encontra-se no episódio histórico conhecido por Guerra de Canudos. A cidadela de Canudos foi construída junto a alguns morros, entre eles o Morro da Favela, assim batizado em virtude da planta Cnidoscolus quercifolius (popularmente chamada de favela) que encobria a região. Alguns dos soldados que foram para a guerra, ao regressarem ao Rio de Janeiro em 1897, deixaram de receber o soldo, instalando-se em construções provisórias erigidas sobre o Morro da Providência. O local passou então a ser designado popularmente Morro da Favela, em referência à "favela" original. O nome favela ficou conhecido e na década de 1920, as habitações improvisadas, sem infraestrutura, que ocupavam os morros passaram a ser chamadas de favelas. O termo "aglomerado subnormal", antes conhecido como Zonas Especiais de Interesse Social, passou a ser utilizado pelo IBGE desde 2010, para designar um conjunto constituído por no mínimo 51 unidades habitacionais (barracos, casas, etc.), ocupando ou tendo ocupado até período recente, terreno de propriedade alheia (pública ou particular), dispostas, em geral, de forma desordenada e densa; carentes, em sua maioria, de serviços públicos e essenciais.

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História

Século XIX

As favelas tiveram origem na cidade do Rio de Janeiro em meados do século XIX. Transformações sociais desencadeadas por fenômenos como a decadência da produção cafeeira no Vale do Paraíba, doenças como a febre amarela, a abolição da escravidão e o início do desenvolvimento industrial no país, trouxeram muitos ex-escravos e europeus, especialmente portugueses, para a então capital do Brasil. O grande crescimento demográfico da cidade inchou sua área central, que tradicionalmente concentrava vários cortiços. O então prefeito da cidade, Cândido Barata Ribeiro, iniciou a perseguição a esse tipo de moradia, o que culminou, em 1893, na demolição do cortiço "Cabeça de Porco". Todo o processo de despejo desalojou cerca de 2 mil pessoas e um grupo de ex-moradores do cortiço conseguiu permissão para construir suas casas no Morro da Providência. Outro grupo de soldados que lutaram contra a Revolta da Armada recebeu permissão para construir moradias sobre o Morro de Santo Antônio, dando início aos primeiros aglomerados que mais tarde seriam chamados de "favelas".

Séculos XX e XXI

As favelas se formaram antes da ocupação densa de cidades e da dominação de interesses imobiliários. A primeira favela atual foi registrada no início dos anos 1920, apesar de aglomerados semelhantes existirem desde o século XIX. A crise de habitação da década de 1940 obrigou os cidadãos mais pobres das cidades a erguer centenas de barracos nos subúrbios, quando as favelas substituíram os cortiços como o principal tipo de residência para os cariocas carentes. A era de crescimento explosivo das favelas tem início nos anos 1940, quando o processo de industrialização do governo de Getúlio Vargas levou centenas de milhares de migrantes para o Distrito Federal, até 1970, quando as favelas expandiram-se para além da área urbana do Rio e para a periferia metropolitana. A maioria das favelas atuais começou na década de 1970, quando o forte crescimento econômico brasileiro durante o Regime Militar iniciou um processo de êxodo rural de trabalhadores dos estados mais pobres do Brasil em direção a regiões mais ricas, o que formou comunidades enormes em termos populacionais. Desde que esses aglomerados foram criados, mesmo que em condições diferentes, mas com resultados finais similares, o termo favela tornou-se geralmente atribuído a qualquer área empobrecida de uma cidade.

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Demografia

O Censo demográfico de 2022, conduzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou um crescimento significativo da população em favelas no Brasil. Segundo os dados divulgados, 16,4 milhões de pessoas, ou 8,1% dos brasileiros, vivem em áreas classificadas como favelas. Esse número aumentou em relação ao Censo de 2010, quando 11,4 milhões de pessoas (6% da população) viviam nessas áreas. O número de favelas também cresceu de 6.329, distribuídas em 323 municípios em 2010, para 12.348 em 656 municípios em 2022. Parte desse aumento pode ser atribuído a melhorias nos métodos de coleta de dados, especialmente em áreas de menor extensão. Nas favelas, a maioria da população é composta por pessoas pretas e pardas: os pretos representam 16,1%; e os pardos, 56,8%. Somados alcançam 72,9%. Por outro lado, os brancos, correspondem por apenas 26,6% dos moradores de favelas. A Região Norte do Brasil apresenta a maior proporção de sua população vivendo em favelas, com 18,9%. Em seguida estão o Nordeste (8,5%), Sudeste (8,4%), Sul (3,2%) e Centro-Oeste (2,4%). Em estados como Amazonas, Amapá e Pará, as porcentagens são ainda maiores, com destaque para algumas cidades, como Vitória do Jari (AP) com 69,2% de sua população em favelas, Ananindeua (PA) com 60,2% e Manaus (AM) com 55,8%. De acordo com Letícia de Carvalho, pesquisadora do IBGE, a urbanização na Região Norte ocorreu sem uma base produtiva consolidada, o que impulsionou a concentração populacional em algumas áreas.

Religião

Existem várias tradições religiosas nas favelas. Historicamente, nas favelas da cidade do Rio de Janeiro, a umbanda e o candomblé são as religiões mais proeminentes nas favelas, mas nas últimas décadas houve uma mudança em direção ao evangelicalismo, incluindo o pentecostalismo. Embora tenha havido um aumento no número de convertidos ao evangelicalismo, também há um número crescente de pessoas que afirmam não ser religiosas. Segundo o Censo de 2022, as favelas têm uma maior proporção de estabelecimentos religiosos em comparação com a média nacional. Dos 958.251 estabelecimentos em favelas, 50.934 (5,3%) são religiosos, em contraste com 2,8% no restante do país.

Infraestrutura

Os dados do Censo 2022 revelaram que a maioria das favelas brasileiras (72,5%) possui até 500 domicílios e está localizada nas proximidades das capitais estaduais. Em média, cada domicílio em favela abriga 2,9 pessoas, número semelhante ao restante do país. Aproximadamente 93,3% dos domicílios em favelas são casas. 86,4% dos domicílios nas favelas estão ligados à rede geral de abastecimento de água, e 95,9% contam com canalização de água interna. No entanto, apenas 76% dos domicílios em favelas possuem coleta de lixo por serviço regular, e em 20,7% dos casos, a coleta é realizada por meio de caçambas, percentual superior ao do restante do Brasil (8,6%). Em termos de saúde, as favelas apresentam uma proporção menor de unidades de saúde (0,3% contra 1,2% no país), e as unidades educacionais também são menos presentes, representando 0,8% nas favelas e 1,3% no restante do Brasil.

Criminalidade

O narcotráfico tem afetado o Brasil e por sua vez, suas favelas, que tendem a serem controladas por facções do crime organizado. Tiroteios frequentes entre traficantes e policiais e outros criminosos, bem como variadas atividades ilegais, levam as taxas de homicídio superiores a 40 por 100 milhabitantes na cidade do Rio de Janeiro e a taxas muito mais elevadas em algumas favelas cariocas. O uso de drogas é altamente concentrado nessas áreas administradas por gangues locais em cada favela altamente populosa. As vendas de drogas são desenfreadas à noite, quando muitas favelas realizam seu próprio baile, onde muitas classes sociais diferentes podem ser encontradas. Essas vendas de drogas constituem um negócio que, em algumas das áreas ocupadas, arrecada até 150 milhões de dólares por mês.

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Economia

Turismo

Desde meados da década de 1990, uma nova forma de turismo surgiu em cidades globalizadas de vários dos chamados países em desenvolvimento ou nações emergentes. Visitas às áreas mais desfavorecidas da cidade são características essenciais desta forma de turismo. É composto principalmente de visitas guiadas, comercializadas e operadas por empresas profissionais, por essas áreas desfavorecidas. Esta nova forma de turismo tem sido frequentemente referida como turismo de favela, que também pode ser observado em áreas da África do Sul e da Índia. No Brasil, esse novo mercado crescente de turismo se desenvolveu em algumas favelas específicas, principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, sendo a maior e mais visitada favela carioca da Rocinha. Este novo fenômeno turístico desenvolveu-se num segmento importante da exploração turística. Existem opiniões conflitantes sobre se o turismo em favelas é ou não uma prática ética. Esses passeios conscientizam sobre as necessidades da população carente que vive nessas favelas, ao mesmo tempo em que dão aos turistas acesso a um lado do Rio que muitas vezes fica escondido nas sombras. Os passeios são vistos como uma alternativa espetacular às principais atrações do Rio de Janeiro, como o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor. Elas oferecem um breve retrato das comunidades das encostas do Rio, que são muito mais do que os habitats frequentemente mal representados pelos traficantes e criminosos.

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Políticas públicas

As pessoas que vivem em favelas são conhecidos, pejorativamente, como "favelados". As favelas são associadas com a pobreza extrema e são vistas como o resultado da distribuição desigual da riqueza no país. O Brasil é um dos países economicamente mais desiguais do mundo, com 10% da sua população ganhando 50% da renda nacional e com cerca de 8,5% da população vivendo abaixo da linha da pobreza, segundo dados do governo. No século XX, o governo brasileiro tem feito várias tentativas para melhorar o problema nacional da pobreza urbana. Uma das maneiras encontradas foi a erradicação das favelas e desalojamento de seus moradores que ocorreram durante a década de 1970, enquanto o Brasil estava sob o governo militar. Estes programas de erradicação de favelas removeram à força mais de 100 mil pessoas e colocou-as em projetos de habitação pública ou de retorno para as áreas rurais das quais muitas emigraram.

Remoção e urbanização de favelas

Apesar de várias tentativas de eliminar as favelas das principais cidades do Brasil como Rio de Janeiro e São Paulo, a população pobre cresceu a um ritmo rápido, assim como as favelas modernas os abriga desde o final do século passado. Este é um fenômeno chamado de "favelização". Em 1950, apenas 7% da população do Rio de Janeiro vivia em favelas, hoje esse número cresceu para 22% dos habitantes da cidade. A atual diminuição da proporção da população vivendo em de favelas pode, em alguns aspectos, ser creditada pelo fato de que a sua raiz inicial, ou seja, a migração rural-urbana, nos últimos anos tornou-se menos atraente, quando foram feitos investimentos em todo o território rural brasileiros, o que tem melhorado as condições de vida dos trabalhadores rurais.

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Cultura

As representações da mídia sobre as favelas também servem para espalhar o conhecimento sobre elas, contribuindo para o crescente interesse nelas como locais turísticos. Nos últimos anos, a cultura da favela ganhou popularidade como inspiração para a arte em outras partes do mundo, como pode ser visto em muitas pinturas, fotografias e reproduções de moradias nas favelas.

Música

Os tipos populares de música nas favelas incluem funk, hip-hop e samba. Recentemente, o funk carioca, um tipo de música popularizada nas favelas, também se tornou popular em outras partes do mundo. Bailes funk são formas de festas dançantes que tocam esse tipo de música funk e foram popularizadas nas favelas. O popular artista de hip hop MV Bill é da Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. O Favela Brass é uma escola de música gratuita criada no Rio de Janeiro que visa dar oportunidades às crianças por meio de apresentações musicais.

Representação na imprensa

Em 26 de junho de 2002, Alberto Dines comentou no Observatório da Imprensa sobre a cobertura do jornalismo direcionado às favelas: Os 100 líderes comunitários das favelas cariocas assassinados nos últimos anos mereciam reportagens menos burocráticas do que as publicadas na última semana. Os favelados onde atuavam os conheciam. Mas o resto da sociedade precisa conhecer esses 100 caídos: gente simples, incapaz de teorizar, disposta a melhorar o mundo com o seu exemplo. Em 2018, uma das colaboradoras do jornal comunitário Voz das Comunidades (cidade do Rio), Melissa Canabrava, criticou os veículos de mídia do Brasil por só mostrarem a violência das favelas. Melissa Canabrava também criticou a cobertura da imprensa tradicional, na ocupação do Complexo do Alemão, em 2010.

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Fontes consultadas

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