Pará
Pará é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está situado na Região Norte e tem por limites os estados de Amapá a norte, Maranhão a nordeste, Tocantins a sudeste, Mato Grosso a sul, Amazonas a oeste e Roraima a noroeste, além das regiões guianenses de Berbice Oriental–Corentine e Alto Tacutu–Alto Essequibo e do distrito surinamense de Sipaliwini a noroeste. É dividido em 144 municípios e sua área total é de 1 245 828,829 km², o que equivale a 14,64% da superfície do Brasil, tornando o estado o segundo maior do país e a 13ª maior subdivisão do mundo em extensão territorial. Sua capital é o município de Belém e sua atual governadora é Hana Ghassan.
O topônimo Pará vem do nome do rio Pará, derivado do termo pa’ra, que na língua tupi-guaraní significa "rio-mar" ou "rio do tamanho do mar". O termo rio-mar era como os índios denominavam o Rio Pará, uma bifurcação fluvial que serve como braço esquerdo do rio Tocantins, correndo ao sul da ilha de Marajó, que se une com as águas do rio Amazonas. Há partes do seu percurso tão largas ao ponto de não avistar a outra margem, mais parecendo um mar do que um rio. Cujo gentílico é paraense, e também amazonida parauara; um tupinismo derivado do termo para'wara que representa "o que nasceu no rio-mar".
Primeiros povos
A região da bacia amazônica já era habitada por grupos caçadores-coletores desde aproximadamente 12 mil a.C. Por volta do ano 1000 a.C. a 1000 d.C. floresceram sociedades complexas, como as que habitavam a região de Santarém (inicialmente aldeia de Tapajós) e do Arquipélago do Marajó (inicialmente região Marinatambal). Estas sociedades se destacavam pelo alto nível de hierarquia social, produção de cerâmica, e a agricultura (particularmente a plantação de mandioca). A sociedade marajoara (termo global) subdividia-se em fases distintas de acordo com níveis de ocupação e desenvolvimento social: Ananatuba, Mangueiras, Formiga, Acauã, Alta Marajoara e, Aruã. Nas duas últimas, desenvolveu-se o que chama-se de civilização (caracterizada basicamente por construção de comunidades fixas), chamada de Cacicados Amazônidas, que ia desde o Tapajós até a foz do rio Amazonas. No período de 400 a 1400 d.C., principalmente na ilha do Marajó, essas sociedades indígenas levantavam suas casas sobre morros artificiais, estrutura elevada que protegia das inundações, chamados de teso.
Colonização
Em fevereiro de 1500, a foz do Rio Amazonas foi alcançada pelo navegador espanhol Vicente Yañez Pinzón. Seu primo, Diego de Lepe, também alcançou a foz do rio Amazonas, em abril do mesmo ano. Em 1541, Gonzalo Pizarro e Francisco de Orellana, também espanhóis, partiram de Quito, no atual Equador, e atravessaram a cordilheira dos Andes, explorando o curso do rio até o Oceano Atlântico, onde atualmente encontra-se a Ilha de Marajó. A viagem durou de 1540 a 1542 e seus relatos foram concebidos pelo frei dominicano Gaspar de Carvajal. No século XVI, neerlandeses, ingleses e franceses fizeram incursões no atual Pará, ignorada por Portugal e Espanha, em busca do urucum, guaraná e pimenta. Os portugueses só começaram a se interessar pela região no final do século XVI, por ser a entrada da Amazônia e ter riquezas naturais, além do interesse de outros Estados europeus na região.
Revolução Constitucionalista do Porto e Cabanagem
O Pará apoiou a Revolução Constitucional do Porto, ocorrida em Portugal entre 1820 e 1821, levante que foi reprimido. Por manter mais relações com Lisboa do que com o Rio de Janeiro, o Grão-Pará só aderiu à Independência do Brasil em 1823. A Província do Grão-Pará ficou esquecida pelo governo imperial, fator que, junto com as péssimas condições de vida da sua população, levaram ao levante popular conhecido como Cabanagem (1835-40).
Ciclo da Borracha e República
Nas últimas décadas do século XIX e início do século XX, o Pará se integrou à economia nacional, graças ao ciclo da borracha, inserido no contexto da Revolução Industrial. Isso gerou uma prosperidade na Amazônia, que viveu um período conhecido como “Belle Époque”. Belém prosperou e foi urbanizada, ficando conhecida como “Paris n’América”: foram abertos grandes lojas e bancos e teatros, o Museu Paraense e o centro da cidade foi arborizado com mangueiras vindas da Índia. Para trabalhar nos seringais, vieram muitos nordestinos flagelados pela seca, principalmente cearenses. Com a decadência do ciclo da borracha, na década de 1910, a Amazônia, incluindo o Pará, viveu décadas de decadência econômica e empobrecimento. A partir dos anos 1950, o Pará viveu um período de recuperação econômica, com a abertura das rodovias Belém-Brasília e Transamazônica e a agropecuária e extrativismo vegetal e mineral, concentrados no sul e sudoeste do estado. No entanto, o custo ambiental do desenvolvimento foi caro, principalmente por conta do desmatamento e contaminação do meio ambiente. Além disso, surgiram muitos conflitos fundiários, resultando, por exemplo, no Massacre de Eldorado do Carajás em 1996 e no assassinato da missionária, ambientalista e defensora dos sem-terra Dorothy Stang em 2005.
Quase todo o território estadual está inserido na Floresta Amazônica, mas também se encontram no Pará campos limpos, nas várzeas de alguns rios ou na Ilha de Marajó, e de cerrados. A vegetação sofreu muito desmatamento, como consequência da construção de rodovias, agricultura, pecuária e mineração. Dentre as espécies vegetais encontradas na Amazônia paraense, estão a seringueira, maçaranduba, castanheira, malva, timbó e madeiras de lei. O estado possui médias térmicas anuais entre 24 e 26 °C, além de alto índice pluviométrico, que chega a alcançar 2.000 mm nas proximidades do rio Amazonas. A quase totalidade de sua área encontra-se na floresta Amazônica, exceto nas partes onde existem formações de campos - região do baixo rio Trombetas e Arquipélago do Marajó.
Relevo
O relevo do Pará é de altitudes modestas e formado por grandes superfícies planas e onduladas. Em torno de 86% do território estadual está abaixo de 300 m de altitude e cerca de 58%, abaixo de 200 m. Os cerca de 14% do território acima de 300 m de altitude consistem do Planalto das Guianas, ao norte, e da Serra dos Carajás e do Cachimbo ao sul. O relevo paraense é constituído das seguintes unidades: planície aluvial, platô de terra firme, encosta do Planalto Central, o Planalto das Guianas e planície litorânea. A Planície aluvial se estende pelo vale do Rio Amazonas e de seus afluentes e é uma área sujeita a inundações. Já o platô de terra firme, o qual é constituído de terrenos sedimentares (arenitos), alarga-se ao norte e sul da várzea, com um relevo de tabuleiro de até 100 m de altitude. A encosta do Planalto Central Brasileiro, na qual estão as serras dos Carajás e do Cachimbo, é esculpida em rochas cristalinas e tem relevo ondulado. O Planalto das Guianas também é esculpido em rochas cristalinas. A planície litorânea é dominada pelos tabuleiros litorâneos, os quais, muitas vezes, formam as chamadas falésias.
Hidrografia
A bacia hidrográfica do estado abrange área de 1.253.164 km², sendo 1.049.903 km² pertencentes à bacia Amazônica e 169.003 km² pertencentes à bacia do Tocantins. É formada por mais de 20 mil quilômetros de rios como o Amazonas, que corta o estado no sentido oeste/leste e deságua num grande delta marajoara, ou os rios Tocantins e Guamá que formam bacias independentes. Não há um número exato de rios no estado do Pará, pois muitos deles são afluentes e apresentam diferentes tamanhos e extensões. No entanto, o estado é conhecido por seus rios vastos e imponentes, com destaque para o rio Amazonas, que é o rio mais extenso e caudaloso do mundo, e o Rio Tocantins, que é um dos principais afluentes do Rio Amazonas, assim como os rios Tapajós, Xingu e Curuá pela margem direita e os rios Trombetas, Nhamundá, Maicuru e Jari pela margem esquerda. Os rios principais, além do Amazonas, são os rios Tapajós, Tocantins, Xingu, Jari e Trombetas.
O Pará possui uma população estimada de 8 690 745 habitantes em 2020, distribuídos em uma área territorial de 1 247 955 238 km². Dividido em 144 municípios, dentre os quais, importantes para a economia do estado são, Altamira, Ananindeua, Barcarena, Belém, Canaã dos Carajás, Castanhal, Itaituba, Marabá, Paragominas, Parauapebas, Redenção, Salinópolis, Tucuruí e Santarém.
Composição étnica
Segundo os dados coletados pelo IBGE durante o Censo 2022, 69,9% da população se autoidentifica como pardos, 19,3% como brancos, 9,8% como pretos e 0,9% como indígenas e 0,1% como amarelos. De acordo com um estudo genético de 2013, a ancestralidade da população de Belém foi assim descrita: 53,70% de contribuição europeia, 29,50% de contribuição indígena e 16,8% de contribuição africana. Em 2011, a ancestralidade da população de Belém seria a seguinte: 69,70% de contribuição europeia, 19,40% de contribuição indígena e 10,9% de contribuição africana.
Imigrantes
A presença dos portugueses no estado teve início no século XVII. Em janeiro de 1616, o capitão português Francisco Caldeira Castelo Branco iniciou a ocupação da terra, fundando o Forte do Presépio, núcleo da futura capital paraense. A fixação portuguesa foi efetivada com as missões religiosas e as bandeiras, que ligavam o Forte do Presépio a São Luís do Maranhão, por terra e subiram o Rio Amazonas. Os portugueses foram os primeiros a chegar no Pará, Deixando contribuições que vão desde a culinária à arquitetura. Os primeiros imigrantes japoneses que se destinaram à Amazônia saíram do Porto de Kobe, no Japão, no dia 24 de julho de 1926, e só chegaram ao município de Tomé-Açu no dia 22 de setembro do mesmo ano, com paradas no Rio de Janeiro e Belém. Os japoneses foram responsáveis pela introdução de culturas como a juta e a pimenta-do-reino na década de 1930; de mamão-Havaí e do melão na década de 1970. A terceira maior colônia japonesa no Brasil está no Pará, com cerca de 13 mil habitantes, perdendo apenas para os estados de São Paulo e Paraná. Eles vivem principalmente nos municípios de Tomé-Açu, Santa Izabel do Pará e Castanhal, sabendo-se que Tomé-Açu foi o primeiro local do Norte do país a receber imigrantes japoneses, por volta de 1929.
O estado do Pará é formado oficialmente pela união de 144 municípios. A última alteração feita entre seu municípios foi entre 1999 e 2012, com a criação e instalação do município de Mojuí dos Campos, desmembrado de Santarém. Atualmente existem 51 pedidos de emancipação de distritos para formação de novos municípios. Os estados brasileiros são formados por subdivisões criadas pelo IBGE chamadas de regiões geográficas intermediárias, que congregam municípios com características similares, tais como geográficas e socioeconômicas. As regiões geográficas intermediárias correspondem a uma revisão das antigas mesorregiões, que estavam em vigor desde a divisão de 1989. As regiões geográficas imediatas, por sua vez, substituíram as microrregiões. Essa subdivisão é usada para fins estatísticos, não constituindo uma entidade política ou administrativa.
O Pará é um estado da federação, sendo governado por três poderes, o executivo, representado pelo governador, o legislativo, representado pela Assembleia Legislativa do Estado do Pará, e o judiciário, representado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Pará e outros tribunais e juízes. Também é permitida a participação popular nas decisões do governo através de referendos e plebiscitos. Belém é o município com o maior número de eleitores, com 1,043 milhão destes. Em seguida aparecem Ananindeua, com 291,2 mil eleitores, Santarém (209,4 mil eleitores), Marabá (159 mil eleitores) e Parauapebas, Castanhal e Abaetetuba, com 149,5 mil, 121,2 mil e 104,6 mil eleitores, respectivamente. O município com menor número de eleitores é Bannach, com 3,1 mil. Tratando-se sobre partidos políticos, todos os 35 partidos políticos brasileiros possuem representação no estado. Conforme informações divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com base em dados de outubro de 2016, o partido político com maior número de filiados no Pará é o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), com 68 269 membros, seguido do Partido dos Trabalhadores (PT), com 60 696 membros e do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), com 41 053 filiados.
A economia é baseada no extrativismo mineral (ferro, cobre, bauxita, manganês, ouro, níquel, estanho, calcário), vegetal (madeira), na agricultura (mandioca, açaí, palma, abacaxi, cacau, pimenta-do-reino, coco, banana, soja e outros), pecuária, indústria e no turismo. O extrativismo mineral vem desenvolvendo uma indústria metalúrgica cada vez mais significativa. Em 2019, o Pará deteve a maior participação na produção nacional de alumínio (90%), manganês (69%) e cobre (64%). Possui a segunda maior participação na produção brasileira de estanho (41%), ferro (40%) e ouro (25%). Contando a produção e o beneficiamento de minerais o Pará e o líder nacional em valor de produção comercializada (48% de participação no mercado). A pauta de exportação do Pará, no ano de 2012, foi baseada em minério de ferro (59,46%), óxido de alumínio (8,19%), minério de cobre (6,06%), alumínio bruto (5,09%) e bovinos (3,60%). A concetração em indústria extrativa aumentou em 2021.
Saúde
De acordo com dados de 2009, fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, existiam, no estado, 2 742 estabelecimentos hospitalares, com 13 720 leitos. Destes estabelecimentos hospitalares, 2 057 eram públicos, sendo 1 932 de caráter municipais, 54 de caráter estadual e 71 de caráter federal. 685 estabelecimentos eram privados, sendo 631 com fins lucrativos e 54 sem fins lucrativos. 271 unidades de saúde eram especializadas, com internação total, e 2 312 unidades eram providas de atendimento ambulatorial. No mesmo ano, registrou-se que apenas 47,03% da população paraense tinha acesso à rede de água, enquanto 57,8% tinha acesso à rede de esgoto sanitário. Ainda em 2009, foi verificado que o estado tinha um total de 552,5 leitos hospitalares por habitante e, em 2005, registrou-se 7,1 médicos para cada grupo de 10 mil habitantes.
Educação
O Pará possui várias instituições educacionais, sendo as mais renomadas localizadas principalmente na Região Metropolitana de Belém e em outras cidades de médio porte. A educação do estado é tida como a segunda pior do país, comparada à dos demais estados brasileiros. No fator "educação", do Índice de Desenvolvimento Humano de 2010, o estado obteve um patamar de 0,528, ficando à frente apenas da educação de Alagoas em âmbito nacional. Sobre a questão do analfabetismo, a lista de estados brasileiros por taxa de analfabetismo mostra o Pará com a 16ª menor taxa, com 11,23% de sua população considerada analfabeta. Houve superação na taxa de analfabetismo paraense. Em 2001, o mesmo ocupava a 18ª colocação no mesmo quesito, com 28,5% de sua população tida como analfabeta.
Ciência e Tecnologia
A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Técnica e Tecnológica SECTET foi criada em 2007, como órgão da administração direta do Estado do Pará.. Tem por finalidade planejar, coordenar, formular e acompanhar a política estadual de desenvolvimento econômico, científico e tecnológico, bem como promover, apoiar, controlar e avaliar as ações relativas ao desenvolvimento e ao fomento da pesquisa e à geração e aplicação de conhecimento científico e tecnológico no Estado do Pará. Em 2016, foi concedido SECTET, a seguinte designação: Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Profissional e Tecnológica, mantendo a sigla SECTET. Para isso dispõe dos seguintes sistemas de software:. A criação da secretaria foi um marco importante para o desenvolvimento do estado, que passou a investir mais em ciência e tecnologia para impulsionar o crescimento econômico e social.
Transportes
Por sua localização geográfica na imensa planície da bacia do rio Amazonas, na parte norte, nordeste e noroeste do estado predomina a opção pelo modal de transporte hidroviário, utilizando basicamente a vital e importantíssima Hidrovia do Solimões-Amazonas, mas também a Hidrovia Tocantins-Araguaia (esta já dentro da bacia do Tocantins). Em outra medida, dado sua maior ligação com os estados do Nordeste e Centro-Oeste brasileiro, as partes leste e sudoeste do estado — desde a região sul, a sudeste (incluíndo a região de Carajás), passando pelo centro do estado até a zona da capital — estão mais sujeitas a opção pelos transportes rodoviários do que pelos hidroviários (embora não exclusivamente), com destaque para as rodovias Belém-Brasília, Alça Viária, BR-155, PA-150/PA-475, BR-222, BR-316, BR-163, Transamazônica e BR-158, principais vias de transporte das regiões paraenses citadas.
Energia
O Pará possui 4 das dez maiores usinas hidrelétricas do Brasil em capacidade instalada. Belo Monte e Tucuruí estão entre as seis maiores usinas do mundo juntamente com Itaipu. Segundo o Anuário da EPE, em 2020, o estado se destacou na produção de energia elétrica: As principais hidrelétricas são: Tucuruí (8.370 MW, no rio Tocantins), Belo Monte (11 000 MW, no rio Xingu), Pimental (233 MW, no rio Xingu), Teles Pires (1820 MW, no rio Teles Pires), São Manoel (700 MW, no rio Teles Pires), Curuá-Una (30 MW, no rio Curuá-Una) e Santo Antônio do Jari (373 MW, no rio Jari), além de várias usinas projetadas.
O Pará é segundo maior estado do Brasil em questão de território, talvez por isto exista uma grande diversidade tanto social quanto natural, podemos observar isso através da cultura regional que é na verdade uma mistura de ritmos e raças convivendo harmoniosamente. A expansão da fronteira econômica nas bordas da Amazônia, no caso paraense as regiões sudeste e sul (destacadamente Carajás), alterou não somente fatores demográficos ou econômicos, mas também deixou uma forte e distintiva marca em questões culturais, que influenciou fortemente a composição de um novo perfil cultural. O exemplo disto é a singular diferença que há entre os costumes de vestimenta, música, dialeto, culinária e visão de espaço e tempo entre as principais cidades do nordeste paraense — Belém, Ananindeua e Castanhal —, e a região de Carajás/sudeste/sul paraense. No estado do Pará, só há um feriado estadual: o dia 15 de agosto, em homenagem à adesão do Grão-Pará à independência do Brasil. Este feriado foi oficializado através da Lei n.º 9.093, de setembro de 1995, proposta pelo deputado estadual Zeno Veloso.
Dialeto
A diferença mais marcante em relação a cultura da região de Carajás/sudeste/sul paraense diz respeito ao seu modo de falar (ou dialeto). Devido a intensa migração de goianos, mineiros, maranhenses, paulistas, paranaenses e gaúchos, o dialeto local tornou-se uma mescla dos dialetos falados por cada um destes imigrantes. No meio acadêmico é conhecido por dialeto da serra amazônica (em alusão à localização da região, nas partes mais altas da amazônia) ou do arco do desflorestamento. Este dialeto é muito próximo dos dialetos nordestino, caipira e sertanejo, e muito diferente daquele falado no nordeste paraense (amazofonia).
Essências
As essências vegetais (perfumes naturais) são tradicionais da região amazônica e, muito comercializadas na feira do Mercado do Ver-o-peso, na banca de cheiro das erveiras, são os principais ingredientes do Banho de Cheiro encantado e do Cheiro de Papel, produzidos com a infusão de raízes e madeiras aromáticos ralados; os ingredientes mais conhecidos são: arruda, cipó-catinga, patexuli, japana, cumaru, alecrim, baunilha, manjerona, açucena, casca preciosa, louro amarelo, jasmim, alfazema e, priprioca. O Banho de Cheiro é muito usado na comemoração da festa junina e do reveion no estado. Uma prática ritualística ao qual se atribui o poder de atrair a felicidade, reatar amores e, abrir as portas da prosperidade ao se banhar. Enquanto o Cheiro de Papel é usado para aromatizar roupas guardadas em gavetas e armários.
Artesanato
O artesanato é marcado por peças inspiradas nas milenares civilizações indígenas e joias produzidas com matérias primas encontradas na própria natureza. Utilizam-se todos os tipos de material retirado da própria região, e representa-se por vários ramos como cerâmica, cestaria, talha, objetos de madeira, de ouriços, de conchas, cuias e outros matérias, criando um segmento importante e criativo da nossa cultura. Quando se fala em cerâmica, dois grupos se destacam: os marajoaras e os tapajônicos. Artesanato regional: Cerâmica, cuia, miriti, balata, entalhe em madeira, palha, patchouli. tururi e artigo em cheiro.
Culinária
A culinária paraense possui grande influência indígena. Os elementos encontrados na região, formam a base de seus pratos, o que deixa os gourmets maravilhados pela alquimia utilizada na produção destes pratos exóticos. Os nomes dos pratos são tão exóticos quanto seu sabor, já que são de origem indígena. Alguns dos pratos típicos da região caruru, chibé, cuscuz, maniçoba, moqueca, pato no tucupi,tacacá, tapioca e vatapá O Pará apresenta mais de uma centena de espécies comestíveis, são as denominadas frutas regionais, e em muitas vezes apresentando um exótico sabor para as suas sobremesas.
Música e dança
Trajes coloridos, sons fortes de instrumentos de percussão e muita expressividade corporal traduzem sonora e visualmente a herança folclórica paraense. Os ritmos do Pará são o calypso, carimbó, brega, marujada, siriá, lambada, lundu marajoara, tecno brega, tecnomelody, guitarrada. O carimbó ou curimbó (do tupi korimbó; de "kori": “pau oco” e "m’bó": “furado”) é uma manifestação cultural brasileira de origem afro-indígena, formado por gênero musical e dança, criado no século XVII no então Império das Amazonas/Conquista do Pará (atual estado do Pará) na então América Portuguesa/Brasil Colônia. Evoluindo como uma celebração interiorana entre amigos e familiares após pescarias e plantios acompanhado pelo batuque do tambor artesanal curimbó; do qual se originou o nome da manifestação. Desta forma, o Carimbó segue sendo um modo de vida forte e atuante nos municípios do Estado do Pará, principalmente no seu modo original, tradicional, "pau e corda", a exemplo de Mestre Damasceno e seu conjunto de carimbó Nativos Marajoara (Salvaterra), Grupo Tambores do Pacoval (Soure), Grupo Acauã (Cachoeira do Arari), Sereias do Mar (Marapanim), Os Quentes da Madrugada (Santarém Novo), entre tantos outros grupos tradicionais, que seguem em continuação do trabalho de Mestre Lucindo e Mestre Verequete., que ajudaram na popularização do Carimbó durante as décadas de 1960 e 1970, assim também como o Mestre Cupijó e o Pinduca, com o seu carimbó mais estilizado, diferente do formato tradicional.
Festas populares
As manifestações culturais são bem diversificadas, no segundo domingo de outubro a cidade de Belém recebe devotos de todo o Brasil na procissão do Círio de Nazaré, em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré. Cerca de milhões de pessoas participam de uma das maiores festas católicas do país. Entre as manifestações culturais mais apreciadas estão os folguedos populares. São festas, cheias de dramaticidade e alegria, que acontecem, tradicionalmente, em datas marcadas. O çairé, no município de Santarém, é uma festa que dura oito dias, misturando o profano e o religioso. A Marujada, em Bragança, reúne vários ritmos, dançados, basicamente, por mulheres. Tem ainda o Boi Bumbá, mistura de dança, batuque e drama, e os Cordões de Pássaros, já quase esquecidos, mas ainda encenados na periferia de Belém. No sudeste do estado, as intensas tradições nordestinas e sulistas fazem com que, respectivamente, Marabá realize os maiores festejos juninos paraenses, com arraiais em toda a cidade, além de barracas de comidas típicas e bebidas, e Tucumã realize a manifestação cultural chamada "feira dos estados", de folclore sulista, com música e tradições como o uso da bombacha e alguns traços culinários como o charque, o chimarrão e o churrasco, além de venda de comidas típicas. Também em diversas cidades do estado do Pará são realizadas feiras agropecuárias com exibição de espetáculos, cavalgadas, leilões, exposição de animais, mostra comercial e industrial, parque de diversões, rodeios e outros atrativos.


