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Afundamento do ARA General Belgrano

O afundamento do cruzador ARA General Belgrano ocorreu a 2 de maio de 1982, em consequência do ataque do submarino nuclear britânico HMS Conqueror, durante o conflito conhecido como a Guerra das Malvinas. O afundamento do General Belgrano provocou a morte de 323 marinheiros argentinos, praticamente metade de todas as baixas argentinas durante o conflito, e uma forte polémica, visto que o ataque ocorreu fora da zona de exclusão estabelecida pelo governo britânico em torno das ilhas. No Reino Unido há quem considere que a ação foi levada a cabo com o objetivo de inviabilizar as conversações de paz e aumentar a popularidade da primeira-ministra Margaret Thatcher junto da opinião pública britânica, enquanto que na Argentina muitos consideram o afundamento do cruzador um crime de guerra. Independentemente da controvérsia em torno do afundamento, do ponto de vista militar ele cumpriu o seu objetivo, pois assegurou a superioridade naval dos britânicos, decisiva para o desfecho do conflito.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 29/07/2026
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Prelúdio

Lado argentino

Em março de 1982 verificou-se um endurecimento das relações diplomáticas entre a Argentina e o Reino Unido devido às recentes e infrutíferas negociações entre os dois países sobre a soberania das ilhas Malvinas, Geórgia do Sul e Sandwich do Sul. Um incidente ocorrido na ilha Geórgia do Sul no dia 19 de março, quando um grupo de trabalhadores de uma empresa argentina contratada para desmantelar antigas instalações baleeiras na ilha desembarcou em Port Leith e içou uma bandeira argentina, foi interpretado pelos britânicos como uma provocação e levou a uma escalada de tensão entre os dois países, tendo a frota argentina ancorada em Puerto Belgrano entrado em estado de alerta e iniciado em segredo a sua preparação para zarpar com o objetivo de invadir e ocupar as ilhas. "Pediram-nos segredo total e absoluto relativamente a essa decisão, visto que o fator surpresa seria prioritário nessa manobra", comentou mais tarde o comandante Héctor Bonzo, capitão do Belgrano, sobre a primeira notificação recebida do Estado-Maior da Armada Argentina sobre a ação bélica a empreender nas ilhas Malvinas.

Lado britânico

Na sequência da invasão e ocupação das ilhas Malvinas, Geórgia do Sul e Sandwich do Sul empreendida pelos argentinos no dia 2 de abril de 1982, o Reino Unido enviou para o Atlântico Sul duas forças-tarefa da Marinha Real Britânica totalizando 109 embarcações e 15 esquadrões aéreos, com o objetivo de recuperar a soberania das ilhas: a "Força-Tarefa 324" (TF 324), comandada diretamente a partir do Comando Estratégico em Northwood pelo almirante John Fieldhouse, composta pelos submarinos nucleares (HMS Conqueror, HMS Courageous, HMS Valiant, HMS Spartan e HMS Splendid); e a "Força-Tarefa 317" (TF 317), sob o comando operacional do contra-almirante Sandy Woodward, composta pelos porta-aviões (HMS Hermes e HMS Invincible), contratorpedeiros, fragatas, navios de transporte e restantes embarcações auxiliares. No dia 12 de abril, com a frota em plena movimentação, o Reino Unido estabeleceu uma "Zona de Exclusão Marítima" (ZEM) de 200 mn em torno das ilhas Malvinas, dentro da qual qualquer embarcação militar argentina poderia ser atacada sem aviso prévio, com o objetivo de impedir que os argentinos reforçassem a sua posição nas ilhas. No dia 23 de abril, o governo britânico enviou uma mensagem ao governo argentino através da embaixada suíça em Buenos Aires, esclarecendo que, independentemente do estabelecimento da ZEM, qualquer embarcação ou aeronave argentina que representasse uma ameaça para as forças britânicas seria atacada. As unidades mais relevantes da força expedicionária britânica chegaram à ZEM no dia 29 de abril; com a sua posição assim consolidada, o Reino Unido estabeleceu no dia 30 de abril uma "Zona de Exclusão Total" (ZET) com a mesma área da ZEM, dentro da qual qualquer embarcação ou aeronave poderia ser atacada sem aviso prévio.

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Afundamento

Pelas 13h30 do dia 2 de maio, o Comando Estratégico em Northwood autorizou o HMS Conqueror a atacar o ARA General Belgrano. Por volta das 16h00, depois de solicitar a confirmação da ordem e de se posicionar para o ataque, o submarino britânico disparou três torpedos convencionais Mark VIII a partir de uma distância de aproximadamente 1,5 km. O Conqueror estava equipado com os modernos torpedos teleguiados Mark 24 Tigerfish, mas o comandante Wreford-Brown optou por usar os mais antigos e potentes Mark VIII de 21 polegadas, armados com uma carga de explosivo torpex de 365 kg, que tinham maiores chances de penetrar os bem protegidos costados do cruzador. Em nenhum momento o "GT 79.3" se deu conta que o ataque estava iminente. Às 16h01, enquanto os artilheiros de guarda no Belgrano testavam equipamentos e movimentavam a torre II em busca de possíveis alvos no horizonte, o navio foi sacudido por uma violenta explosão, seguida de uma quebra de energia e do corte da iluminação, tendo o cruzador começado imediatamente a adernar para bombordo. O torpedo atingiu o navio na zona das casas de máquinas da popa, imediatamente após o limite da armadura lateral, penetrando o casco antes de explodir no seu interior. A explosão destruiu o sistema elétrico, interrompendo a força motriz e inutilizando o gerador elétrico de emergência, tendo uma bola de fogo atravessado todas as cobertas do navio, destruindo e abrindo um buraco com vinte metros de largura no convés. Poucos segundos mais tarde, um segundo torpedo atingiu a proa do Belgrano entre a torre I e o cabrestante, fora da zona protegida pela armadura lateral ou pela protuberância anti-torpedo interna do navio, provocando uma explosão que levou ao desprendimento de cerca de quinze metros da proa do navio. Estima-se que 272 homens tenham morrido direta ou indiretamente devido à explosão dos torpedos. O terceiro torpedo disparado pelo Conqueror falhou o alvo e explodiu junto ao casco do ARA Hipólito Bouchard, sem causar grandes danos.[nota 8]

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Operação de resgate

O ARA Piedra Buena e o ARA Hipólito Bouchard desconheciam o que estava a passar com o Belgrano, visto que a quebra de energia após a explosão do primeiro torpedo impediu a emissão de um pedido de socorro via rádio e as fracas condições de visibilidade os impediram de ver os sinais de luzes do cruzador. Para além disso, embora tudo indicasse que o grupo tinha sido atacado por um submarino visto que o ARA Hipólito Bouchard sentira um impacto consistente com a explosão de um torpedo,[nota 8] nenhum dos navios logrou detetar o HMS Conqueror com os seus sonares devido à sua tecnologia superior. Enquanto o HMS Conqueror realizava manobras evasivas e se afastava do local do ataque, os dois contratorpedeiros rumaram em direção ao continente devido ao receio de novos ataques,[nota 12] pelo que demorou algum tempo até se aperceberem de que algo acontecera ao Belgrano. Pelas 17h00, o eco de radar do cruzador desapareceu dos ecrãs de radar, indiciando o seu afundamento; logo que a notícia chegou ao comando da "FT 79", o ARA Piedra Buena recebeu ordens para regressar a toda força ao último ponto de contacto com o Belgrano enquanto o ARA Hipólito Bouchard permanecia à distância, tendo o aviso ARA Francisco de Gurruchaga sido igualmente destacado para a zona de operações.

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Consequências

Politicamente, o afundamento do General Belgrano foi danoso para o Reino Unido, pois o ataque pareceu desproporcionado e as circunstâncias sugeriam que os britânicos não estavam a seguir as suas próprias regras. Para além disso, o afundamento ocorreu catorze horas após o Presidente do Peru, Fernando Belaúnde Terry, ter apresentado uma proposta de plano de paz e apelado à unidade regional, embora Margaret Thatcher tenha negado que a mesma tenha chegado às suas mãos antes do ataque ter ocorrido. As consequências diplomáticas do ataque levaram o Reino Unido a encarar as iniciativas de paz mais seriamente do que antes e a aceitar a proposta de plano de paz peruana em 5 de maio, mas o governo argentino endureceu a sua posição e rejeitou a mesma no dia seguinte. Os britânicos continuariam a apresentar propostas de cessar-fogo até 1 de junho, todas as quais foram rejeitadas pelo governo argentino.

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Controvérsia sobre o afundamento

O afundamento do Belgrano gerou grande controvérsia. A morte de 323 marinheiros argentinos em consequência do ataque não foi bem recebida pela comunidade internacional, tendo-se tornado numa cause célèbre para os opositores à guerra, sendo o afundamento do cruzador considerado por muitos como um uso desproporcionado da força sobre um navio obsoleto com muitos tripulantes a bordo, na sua maioria recrutas. Aqueles que defendem que o navio não constituía uma ameaça à frota britânica e que o seu afundamento era desnecessário baseiam-se sobretudo no facto de o navio estar fora da "Zona de Exclusão Total" (ZET) e de se estar a afastar das ilhas Malvinas no momento do ataque. No Reino Unido houve ainda quem considerasse que a ação foi levada a cabo com o objetivo de inviabilizar as conversações de paz e aumentar a popularidade de Margaret Thatcher junto da opinião pública britânica, como o deputado trabalhista Tam Dalyell, enquanto que na Argentina muitos consideram o afundamento do cruzador como um crime de guerra.

Situação legal

O debate sobre a legitimidade do ataque começou quando foi revelado um mapa da época, preparado pela inteligência norte-americana, marcando a última posição do Belgrano cerca de 30 mn a sul do limite da "Zona de Exclusão Total" (ZET). Historicamente, zonas de exclusão são declaradas em benefício de embarcações neutrais, pois segundo o direito internacional durante uma guerra uma embarcação beligerante pode ser atacada em qualquer lugar exceto nas águas territoriais de países não-beligerantes, mas nem o Reino Unido nem a Argentina declararam guerra durante o conflito. Os britânicos parecem ter estabelecido a ZET com o propósito de eliminar a necessidade de determinar se navios ou aeronaves na zona representavam uma ameaça séria para as suas forças antes de ser tomada ação contra eles em auto-defesa, mas este conceito era uma novidade à luz do direito internacional, e a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar não possui nenhuma provisão para este tipo de zonas. Independentemente da legalidade do seu estabelecimento, que apenas foi contestado pela Argentina e pela União Soviética, a ZET foi respeitada pelos países não-beligerantes.

Rumo do navio

Os primeiros comunicados oficiais do governo britânico sobre o afundamento afirmavam que o grupo-tarefa do Belgrano rumava em direção à frota britânica quando foi atacado, tendo essa informação errónea continuado a ser defendida apesar das informações contraditórias veiculadas pelo governo argentino, o que contribuiu para a polémica gerada em redor do afundamento. Sobre esta questão, o então Secretário de Estado da Defesa britânico, John Nott, escreveria mais tarde: "Continuo espantado... que alguém considere que o rumo do 'Belgrano' tenha qualquer importância. Qualquer navio pode mudar de rumo num instante". O historiador britânico Lawrence Freedman afirmou, no segundo volume da sua obra, Official History of the Falklands, que os chefes militares e políticos não foram informados da mudança de rumo do Belgrano antes do navio ter sido atacado. Segundo Freedman, essa informação foi enviada pelo HMS Conqueror ao Comando Estratégico em Northwood quatro horas antes do ataque, mas não terá sido transmitida nem ao contra-almirante Sandy Woodward nem ao governo de Margaret Thatcher. De qualquer forma, é improvável que informação tática, tal como o rumo e a velocidade de navios inimigos, fosse incluída em relatórios destinados às chefias políticas, pois, segundo Woodward, decisões estratégicas são tomadas com base na posição e na capacidade. "A velocidade e a direção de um navio inimigo podem ser irrelevantes, pois ambas podem mudar rapidamente. O que conta é a sua posição, a sua capacidade e aquela que acredito ser a sua intenção", afirmou.

Alteração das regras de empenhamento

Enquanto parte da "TF 324", o HMS Conqueror possuía regras de empenhamento diferentes das embarcações de superfície que compunham a "TF 317"; Woodward havia sido autorizado a atacar qualquer navio ou aeronave argentina que constituísse uma ameaça à "TF 317", mas os submarinos nucleares da "TF 324" estavam sujeitos a regras de empenhamento bem mais restritas. Outro fator que contribuiu para a polémica gerada em redor do afundamento foi o facto de as regras de empenhamento da "TF 324" terem sido especificamente alteradas para permitir que o HMS Conqueror pudesse atacar o Belgrano fora da ZET. Na realidade, essa não foi a primeira vez que as regras de empenhamento da "TF 324" foram alteradas durante o conflito. Inicialmente, a "TF 324" estava apenas autorizada a atacar embarcações argentinas dentro da "Zona de Exclusão Marítima" (ZEM). No dia 30 de abril, os chefes militares já haviam convencido o Gabinete de Guerra de Margaret Thatcher a alterar as mesmas para permitir aos submarinos nucleares atacar o porta-aviões ARA Veinticinco de Mayo fora da ZET, com o argumento de que o alcance dos seus aviões constituía uma ameaça para os navios britânicos.

Içamento da Jolly Roger

Suscitou polémica nos meios de comunicação social argentinos o facto de o HMS Conqueror, ao regressar à sua base em Faslane, ter içado a Jolly Roger (a bandeira pirata, com uma caveira branca e dois torpedos cruzados brancos em fundo preto). Essa ação foi esclarecida pela Marinha Real Britânica, que explicou que para os seus submarinos esse ato é um símbolo histórico do afundamento de navios inimigos. Quando questionado mais tarde sobre o incidente, o comandante Christopher Wreford-Brown respondeu que "A Marinha Real gastou treze anos preparando-me para tal ocasião. Teria sido considerado como extremamente triste se eu a tivesse deitado a perder".

Gotcha

A manchete do tabloide The Sun de 4 de maio de 1982, "Gotcha" ("Apanhámos-te"), é provavelmente a mais notável (e notória) manchete de um jornal britânico sobre o afundamento do Belgrano. O editor do The Sun, Kelvin MacKenzie, terá usado como inspiração para a manchete uma exclamação de improviso do editor responsável Wendy Henry, quando chegaram os primeiros relatórios de que um cruzador argentino havia sido afundado por um submarino britânico. Após as primeiras edições terem sido impressas, surgiram novos relatórios sugerindo que todos os tripulantes teriam morrido, e MacKenzie suavizou a manchete em edições posteriores para "Did 1 200 Argies drown?" ("Será que 1 200 argentinos se afogaram?"), apesar da oposição de Rupert Murdoch, proprietário do The Sun. Apesar da sua notoriedade, poucos leitores no Reino Unido viram a manchete em primeira mão, visto que só foi usada nas primeiras edições no norte do país; no sul do país e nas edições posteriores no norte foi usada a manchete suavizada. Ainda assim, MacKenzie foi condenado por alguns comentadores que sentiram que glorificava a guerra e a manchete causou uma tempestade de controvérsia e protestos. MacKenzie defenderia mais tarde a sua manchete, dizendo: "'Gotcha' era minha e tenho muito orgulho nisso. Para mim o facto de o inimigo ter morrido era uma coisa boa e nunca perdi o sono por conta disto".

Controvérsia política no Reino Unido

A política económica do governo de Margaret Thatcher havia custado ao Partido Conservador muita da sua popularidade antes do início da guerra, e parecia certo que seria superado nas eleições de 1983 pelo Partido Trabalhista ou pelo Partido Liberal e seus aliados. A decisão de desencadear uma operação militar em larga escala após a invasão das ilhas pelos argentinos foi arriscada, mas a vitória no conflito teve um forte impacto na opinião pública britânica e foi um dos principais fatores que conduziram à reeleição de Thatcher. A forma como o Partido Conservador usou o resultado da guerra a seu favor durante essas eleições acentuou a politização da controvérsia sobre o afundamento do Belgrano, com os opositores ao governo afirmando que o ataque teria sido ordenado por Thatcher com o objetivo de inviabilizar as conversações de paz e aumentar a sua popularidade junto da opinião pública britânica.

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Expedição ao local do afundamento

Em março de 2003, o explorador norte-americano Curt Newport liderou uma expedição marítima da National Geographic Society ao Atlântico Sul, com o objetivo de localizar o Belgrano com recurso ao sonar e enviar um veículo submarino operado remotamente (ROV), o Magellan, para filmar os destroços. A expedição foi preparada em colaboração com a Armada Argentina, que enviou uma embarcação para acompanhar o navio ao serviço da National Geographic, o Seacor Lenga. Da expedição fizeram parte quatro veteranos do afundamento, dois argentinos e dois britânicos, incluindo o segundo em comando do Belgrano, o capitão de fragata Pedro Galazi. Newport focou as buscas numa área com 750-800 km² localizada cerca de 100 mn a leste da costa da Terra do Fogo, onde acreditava que o navio se encontra, a cerca de 4 200 m de profundidade. Após duas semanas no mar, enfrentando ondas de 9 m de altura e ventos de 110 km/h, a expedição abandonou a busca sem encontrar qualquer rasto do Belgrano. As condições meteorológicas adversas e a profundidade do oceano foram os grandes obstáculos à expedição, que não chegou sequer a lançar à água o ROV Magellan.

Controvérsia sobre a expedição

A expedição gerou grande controvérsia entre os grupos que representam os veteranos de guerra argentinos e os familiares das vítimas do afundamento do cruzador. Enquanto alguns consideraram a iniciativa uma profanação da memória dos mortos, outros esperavam que fossem descobertas evidências que apoiassem a tese de que o afundamento do Belgrano constituiu uma violação do direito internacional. Os dois maiores grupos que representam os veteranos argentinos da Guerra das Malvinas mostraram-se irritados por não terem sido consultados acerca da expedição e acusaram a Armada Argentina de ignorar a lei que declara os destroços do Belgrano como lugar histórico nacional e túmulo de guerra. Rubén Rada, presidente da Federação dos Veteranos de Guerra Argentinos, exigiu garantias de que a expedição "não iria remover um pedaço do Belgrano para expor num museu em Londres". John Bredar, produtor executivo do documentário, considerou tais preocupações infundadas. "Nunca tivemos intenção de recuperar seja o que fosse", afirmou. "A lei argentina é bastante clara quanto à não perturbação do local. É um túmulo, e o trataremos como tal".

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Homenagens

Todos os anos, no dia de 2 de maio, são realizados na Argentina diversos atos e cerimónias religiosas para perpetuar a memória dos 323 homens que perderam a vida na sequência do afundamento do General Belgrano, às quais assistem sobreviventes e familiares das vítimas. Em 1998, foi realizada uma viagem até a zona do afundamento, onde familiares e sobreviventes lançaram flores e cartas ao mar para homenagear os mortos, e em 1999 o almirante Michael Boyce, o então First Sea Lord da Marinha Real Britânica, visitou a Base Naval de Puerto Belgrano e homenageou os caídos. No dia 3 de maio de 2001, durante uma homenagem realizada no Congresso da Nação Argentina, foram entregues diplomas aos sobreviventes e familiares das vítimas, e o ponto do afundamento foi declarado como lugar histórico nacional e túmulo de guerra. Muitas solenidades e homenagens ao navio e aos mortos são realizadas por ação da Asociación Amigos del Crucero General Belgrano, que desde 1987 reúne membros e familiares das tripulações do navio ao longo da sua carreira ao serviço da Argentina, assim como homens, mulheres e instituições que desejam manter viva a memória do cruzador e apoiar aqueles afetados pelo afundamento. Para além de ter ajudado a fundar a associação, o comandante Héctor Bonzo escreveu as suas memórias do afundamento no livro "1093 Tripulantes del Crucero ARA General Belgrano", publicado em 1991.

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