Afro-argentinos
Os afro-argentinos são argentinos que têm a totalidade ou a maior parte de sua origem étnica proveniente da África Subsariana. Desempenharam um papel importante na história argentina, desde que passaram a compor mais da metade da população de algumas cidades durante o século XVIII e tiveram um profundo impacto na cultura nacional, mas diminuíram acentuadamente em número ao longo do século XIX, e desde o final do mesmo tornaram-se uma minoria muito pequena, tal como hoje.
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Segundo relatos históricos, os primeiros negros chegaram à Argentina no final do século XVI, na condição de escravos, desembarcando na região da bacia do Rio da Prata, onde está localizada a capital, Buenos Aires. Eram geralmente destinados ao trabalho na agricultura, pecuária ou aos serviços domésticos. Entre o final do século XVIII e o início do XIX, os negros, embora em grande parte o produto de vários graus de mistura racial com brancos e ameríndios, eram numerosos em várias partes do país, chegando a constituir cerca de metade da população de algumas cidades como Santiago del Estero, San Fernando del Valle de Catamarca, Salta, Córdova e San Miguel de Tucumán. Em a cidade de Buenos Aires, o bairro de Montserrat (antes conhecido como Barrio del Tambor - Bairro de Tambor -, por ser conhecido como local de cultos africanos) eram habitados por muitos escravos negros, alguns dos quais trabalhavam como artesãos para seus senhores. De fato, os negros eram cerca de um terço da população da cidade, segundo sondagens realizadas no início dos anos 1800.
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Em 2006, realizou-se um censo piloto nos bairros de Monserrat, em Buenos Aires, e em Santa Rosa de Lima, em Santa Fe, verificando-se que 5% da população argentina sabia que tinha antepassados vindos da África e que 20% considerava que poderia ter antepassados negros mas não tinha certeza. Este estudo foi feito pelo Centro de Genética da Faculdade de Filosofia e Letras de Buenos Aires, que estimou também que 4,3% da população de Buenos Aires tinha registros genéticos africanos. Na região de La Plata, as contribuições européia, indígena e africana foram de, respectivamente, 67.55% (+/-2.7), 25.9% (+/-4.3), e 6.5% (+/-6.4). Quanto à população de Mendoza, um estudo genético encontrou a seguinte composição autossômica (DNA herdado tanto por parte de mãe quanto por parte de pai e que permite inferir toda a ancestralidade de um indivíduo): 46,80% de ancestralidade européia, 31,60% indígena e 21,50% africana. Em Santiago del Estero foi encontrada contribuição africana de 23,6%, em Catamarca 18,7% e em La Rioja 10,1%, em um estudo genético autossômico de 2011.
Possivelmente o efeito mais duradouro da influência negra na Argentina seja o tango, que cobre parte das características e das festividades e cerimônias que os escravos faziam nos chamados tangós, que eram as casas de reuniões em que se agruparam com permissão dos seus patrões. A milonga e a chacarera também vêm desta influência, assim como a payada. O pianista Rosendo Mendizábal, autor de El entrerriano, era negro, assim como Cayetano Silva, compositor da Marcha de San Lorenzo, e Zenón Rolón, que escreveu a marcha fúnebre que, em 1882, foi executada em honra ao libertador José de San Martín, ao retornar seu corpo a Argentina. A linguagem argentina está repleta de terminações africanas, por exemplo, mina (utilizado como sinônimo de mujer), mucama, mondongo, quilombo, banana, arroró, marote. No ámbito religioso, são venerados San Baltasar — um dos reis magos - e San Benito, ambos negros. Todavia, o racismo continua no país, e os termos negrita, morocho ou cabecita negra —dirigidos a pessoas de classe social mais baixa, mas com um forte conteúdo semântico vinculado a raça seguem sendo utilizados.[carece de fontes?] Segundo Alejandro Frigerio, antropólogo da Universidade Católica de Buenos Aires, o termo ‘negro’ atualmente se aplica - de maneira um tanto vaga - a qualquer pessoa que tenha a pele mais escura, inclusive aos descendentes de indígenas ou a imigrantes do Oriente Médio."
Imagem: Miguel Rubira Garcia · BY-NC · Openverse
Durante a colônia, as autoridades espanholas qualificaram várias "raças", aquelas derivadas da união de pessoas negras africanas com pessoas de outras origens étnicas. Os nomes utilizados foram: Estas classificações eram utilizadas para estigmatizar as pessoas e impedir seu acesso social. Em alguns casos, conhecidas personalidades históricas se encontraram nesta situação, como Bernardo de Monteagudo e Bernardino Rivadavia que foram classificados como "mulatos".
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Em 9 de Outubro de 2006, foi criado o Foro de Afrodescendientes y Africanos en la Argentina (em português, "Fórum de Afrodescendentes e Africanos da Argentina"), com o objetivo de promover o pluralismo social e cultural e a luta contra a discriminação da população negra. O "Instituto Nacional contra a Discriminação" (INADI) é o organismo público encaregado de combater a discriminação e o racismo na Argentina.


