Afonso II de Aragão
Afonso II de Aragão, o Casto ou o Trovador foi rei de Aragão (1163-1196), conde de Barcelona, Girona, Osona, Besalú, Cerdanha (1162-1196), conde da Provença (1167-1173) e conde de Rossilhão (1172-1196).
O seu nome de baptismo era Raimundo Berengário (Raimundo; do catalão Ramon Berenguer), filho mais velho de Raimundo Berengário IV, conde de Barcelona, e de Petronilha, rainha de Aragão. Contudo, reinou como Afonso em homenagem a Alfonso I, o Batalhador, seu tio-avô. O seu cognome vem do facto que, segundo os cronistas, "não se lhe conheciam filhos fora do matrimónio". Apesar disso, era conhecedor do amor cortês e escreveu poesia, trocando correspondência com importantes trovadores da época, como Giraut de Bornelh. A 30 de Janeiro de 1159 foi acordado o casamento de Mafalda de Portugal, filha do rei Afonso I de Portugal. Mas com a morte prematura desta, a forma de estreitar os laços com o jovem país foi casar Dulce de Aragão, irmã de Afonso II de Aragão, com Sancho I de Portugal. Com a morte e seu pai em 1162, herdou o condado de Barcelona, tomando posse em 24 de Fevereiro de 1163 como conde Afonso I. A 11 de Novembro do mesmo ano a sua mãe abdicou em seu favor do reino de Aragão. Isto fez com que ocorresse a união dinástica do reino de Aragão com o condado de Barcelona, que no século XIII constituiria a Coroa de Aragão. Os seus sucessores seriam por isso intitulados de condes-reis. Sendo menor de idade, os seus domínios foram governados por uma regência constituída por barões aragoneses e catalães até 1173, quando tomou as rédeas do governo.
Em 1166, Raimundo Berengário III, conde da Provença, morreu durante o cerco à cidade rebelde de Nice, deixando como única herdeira a sua filha Dulce. Alegando a falta de descendência masculina, a regência aragonesa conseguiu que o condado fosse entregue a Afonso o Casto, primo em primeiro grau do anterior conde. Para conservar a Provença foi necessário combater a revolta dos partidários do futuro cruzado, conde Raimundo IV de Tolosa, na região da Camarga. Em 1167, contando com o apoio dos viscondes de Montpellier, do episcopado provençal e da Casa de Baus, os regentes conseguiram garantir o seu domínio sobre a Provença. Entre 1168 e 1173, Afonso o Casto aproveitou o conflito entre Raimundo V de Tolosa e Henrique II da Inglaterra para, graças à sua condição de aliado do segundo, conseguir a vassalagem de numerosos senhores occitanos. Apesar disto, a casa de Tolosa continuou as suas pretensões pela força, até que em 1176 assinou a Paz de Tarascon com Raimundo V de Tolosa. Este acordo estabelecia que, em troca de trinta mil marcos de prata, Raimundo renunciava às suas pretensões sobre Provença, assim como das regiões de Gabaldá e Carladès. Afonso II fortalecia a sua posição na Occitânia.
A Península Ibérica ocupou uma posição política secundária em relação à Occitania durante o reinado de Afonso II. Envolveu-se no jogo político dos reinos cristãos para conseguir a reanexação de Navarra, separada de Aragão desde a morte de Afonso I de Aragão em 1134. Por outro lado, o Casto também dirigiu ataques à Al-Andalus, com o objetivo de obter tributos ou ganhos territoriais. Em 1162 a regência aragonesa concertou uma aliança entre Afonso II e Fernando II de Leão para repartir Navarra. Mas em 1168 foi estabelecida uma trégua com Sancho VI de Navarra, e sem o conflito navarrês iniciou-se um ataque contra Castela. Com o fracasso deste, Afonso assinou a Paz Perpétua de Sahagún em 1170 com Afonso VIII de Castela. E, pondo em prática o Tratado de Tudellén de 1156, o rei de Aragão contraiu matrimónio com Sancha, tia de Afonso VIII. O emir moçárabe ibne Mardanis da taifa de Valência, assediado pelos Cristãos e pelos Almóadas, convertera-se em tributário de Aragão. Apesar disso, em 1169 a regência iniciou a conquista de Matarranha seguida da ocupação dos territórios a sul de Aragão em 1171 e foi fundada Teruel, base para possíveis ataques contra Valência. Na Catalunha, entre 1169 e 1170 foi preciso reprimir uma revolta sarracena na Serra de Prades.
No seu testamento, Afonso II dispôs que, quando da sua morte, ocorrida em Abril de 1196, os seus reinos seriam repartidos entre os dois filhos: Pedro que reinaria em Aragão e Afonso que seria Conde da Provença, Millau e Gabaldá. Deste modo, para além de dotar um domínio ao seu filho mais novo, o rei sancionou a necessidade da Provença dispôr de um governante próprio. Em 1185 já tinha nomeado Afonso, menor de idade, como Conde da Provença, e entregue o governo provençal a procuradores como Roger Bernat de Foix e Lope Jiménez.
Do casamento de Afonso II de Aragão com Sancha de Castela, filha do rei Afonso VII de Leão e Castela e de sua segunda esposa Riquilda da Polônia, nasceram:


