Guerra do Afeganistão (2001–2021)
A Guerra do Afeganistão foi uma fase da guerra civil afegã, que opôs, inicialmente, os Estados Unidos, com a contribuição militar da organização armada muçulmana Aliança do Norte e de outros países ocidentais da OTAN, ao regime Talibã. A invasão do Afeganistão, liderada pelos americanos, teve início em 7 de outubro de 2001, à revelia das Nações Unidas, que não autorizaram uma ação militar no território afegão. O objetivo declarado da invasão era encontrar Osama bin Laden e outros líderes da Al-Qaeda, destruir toda essa organização e remover do poder o regime Talibã, que dera apoio a Bin Laden. Neste ponto, a primeira etapa da guerra foi bem-sucedida para a OTAN. Contudo, vinte anos mais tarde, o conflito acabou terminando com a retomada dos fundamentalistas do Talibã ao poder, em 2021.
Após a primeira guerra no Afeganistão que levou à retirada do Exército Vermelho em 1989 e da queda do regime comunista, em 1992, uma guerra civil entre as várias facções continuou. Em 1996, o Talibã, um movimento fundamentalista islâmico formado em 1994, conquistou a capital Cabul e, posteriormente, invadiu cerca de 90% do país. Os guerrilheiros anti-Talibã e outros grupos de resistência tinham criado uma coligação conhecida como a Aliança do Norte, que controlava até 2001 a parte norte do país. Em 9 de Setembro de 2001, dois dias antes dos atentados nos Estados Unidos, o líder da Aliança, Ahmad Shah Massoud foi assassinado (presumivelmente por agentes da Al-Qaeda). Embora os membros da comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos, inicialmente viram o Talibã como uma potencial fonte de estabilidade para o país devastado pela guerra, a tolerância para hospedagem de extremistas islâmicos combinada com a sua relutância em negociar com os seus inimigos rapidamente azedou a relação. Em Maio de 1996, Osama bin Laden e outros membros da Al-Qaeda se estabeleceram no Afeganistão e têm estreitas alianças com o regime talibã no país, onde foram criados vários acampamentos para formação de terroristas. Sob o regime Talibã, a Al-Qaeda foi capaz de usar o Afeganistão como um lugar para treinar e doutrinar combatentes, armas de importação, em coordenação com outros jiadistas, e traçar ações terroristas. Após os atentados às embaixadas dos Estados Unidos na África, em 1998, o presidente Bill Clinton ordenou ataques com mísseis em campos de treinamento de militantes no Afeganistão. Os efeitos de tais represálias foram limitados.
Ataques de 11 de setembro de 2001
Em 11 de setembro de 2001, cerca de 3 000 pessoas foram mortas em ataques coordenados contra o World Trade Center e o Pentágono por aviões civis sequestrados. Os ataques foram rapidamente ligados a Osama bin Laden e a Al-Qaeda. Menos de uma semana após os acontecimentos de 11 de setembro, o presidente dos Estados Unidos George W. Bush, identificou Osama bin Laden como o "principal suspeito" nos ataques. Após os ataques de 11 de setembro, os investigadores logo encontraram indícios da participação de Osama bin Laden, que inicialmente negou qualquer envolvimento no caso. Mas em 2004, pouco antes das eleições presidenciais, Bin Laden, em uma mensagem de vídeo, afirmou que a Al-Qaeda esteve diretamente envolvida nos ataques. Em 21 de maio de 2006, foi encontrada uma mensagem de áudio publicada em um site (que o governo americano considera frequentemente usado pela Al-Qaeda), no qual Bin Laden admitiu que ele havia treinado pessoalmente os 19 terroristas do 11 de setembro.
Em 1 de maio de 2011, autoridades americanas anunciaram que o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, havia sido morto por tropas americanas em uma operação conduzida pela CIA e pelos Navy SEALs, sob ordens do Presidente Barack Obama, no Paquistão. Multidões se reuniram em frente a Casa Branca em Washington, DC, gritando "USA, USA" depois que a notícia se espalhou e o Presidente Obama falou ao povo em rede nacional de televisão e descreveu a operação ressaltando a morte do líder terrorista. A Batalha de Candaar foi parte de uma ofensiva nomeada em homenagem a antiga Batalha de Badre (ano de 624). Os confrontos se seguiram logo após um anúncio oficial feito em 30 de abril de 2011, depois que o Talibã lançou sua ofensiva de primavera com ataques simultâneos por todo o país. Em 7 de maio de 2011, o Talibã lançou um pesado ataque contra prédios do governo em Candaar. Às 12h30, hora local, os Talibãs atacaram os prédios centrais da cidade. Os insurgentes haviam falado que seu principal objetivo era tomar o controle da cidade de Candaar. Ao menos oito locais foram atacados: o complexo do governador, o escritório do prefeito, o quartel-general da NDS, três estações da polícia e duas escolas.
Invasão e derrubada do Talibã
A invasão do Afeganistão pelos Estados Unidos ocorreu após os ataques de 11 de setembro no final de 2001, apoiado por aliados próximos. Os seus objetivos públicos eram desmantelar a Al-Qaeda, e negar-lhes uma base segura de operações no Afeganistão removendo o Talibã do poder. O Reino Unido foi um aliado fundamental dos Estados Unidos, oferecendo suporte para a ação militar desde o início dos preparativos para a invasão. O presidente dos Estados Unidos George W. Bush exigiu que o Talibã entregasse Osama bin Laden e expulsasse a Al-Qaeda, bin Laden já estava sendo procurado pela ONU desde 1999. O Talibã se recusou a extraditá-lo, a menos que lhes fossem dados o que eles consideravam provas convincentes do seu envolvimento nos ataques de 11 de setembro e ignoraram demandas para fechar bases terroristas e entregar outros suspeitos de terrorismo além de bin Laden. O pedido foi indeferido pelos Estados Unidos como uma manobra dilatória sem sentido e lançaram a Operação Enduring Freedom em 7 de outubro de 2001 com o Reino Unido. Os dois se juntaram posteriormente a outras forças, incluindo a Aliança do Norte. Os Estados Unidos e seus aliados expulsaram o Talibã do poder e construíram bases militares perto de grandes cidades em todo o país. A maioria dos membros da Al-Qaeda e do Talibã não foram capturados, fugindo para o vizinho Paquistão ou se retirando para regiões montanhosas rurais ou remotas.
2003–2005: a insurgência talibã ganha força
Após fugir das forças da coalizão ao longo de meados de 2002, os talibãs remanescentes gradualmente recuperaram a confiança e se preparavam para lançar a insurgência talibã que Omar havia prometido. Em setembro, as forças do Talibã começaram uma campanha de recrutamento para jiade nas áreas pastós no Afeganistão e no Paquistão. Panfletos distribuídos em segredo apareceram em muitos vilarejos no sudeste do Afeganistão chamando para o jiade. Pequenos campos de treinamento móveis foram estabelecidos ao longo da fronteira para treinar recrutas em guerra de guerrilha. A maior parte foi retirada de madraças da área tribal no Paquistão. As bases, algumas com cerca de 200 combatentes, surgiram nas áreas tribais, no verão de 2003. A determinação do Paquistão para evitar a infiltração era incerta, ao passo que as operações militares paquistanesas provaram de pouca utilidade.
2006: OTAN no sul do Afeganistão
Desde janeiro de 2006, a Força Internacional de Assistência para Segurança (ISAF) da OTAN começou a substituir as tropas dos EUA no sul Afeganistão da Operação Liberdade Duradoura. A 16a Brigada de assalto aéreo britânico (mais tarde reforçado pela Royal Marines) formou o núcleo da força sul do Afeganistão, com tropas e helicópteros da Austrália, Canadá e Holanda. A força inicial consistia em cerca de 3 300 britânicos, 2300 canadenses, 1 400 holandeses, 280 dinamarqueses,[carece de fontes?] 300 australianos e 150 estónios. O apoio aéreo foi fornecido por aviões e helicópteros de combate americanos, britânico, holandeses, noruegueses e franceses.
2007: Ofensiva da Coligação
Em 13 de janeiro de 2007 uma força britânica, liderada pela Royal Marines, lançou uma operação para atacar um reduto talibã no sul da província de Helmand. Em janeiro e fevereiro de 2007, o Royal Marines britânico apresentou a Operação Vulcão para limpar posições dos insurgentes de tiros na aldeia de Barikju, a norte de Kajaki. Em março foi lançado Operação Aquiles que além de envolver soldados americanos e britânicos, incluiu os holandeses e canadenses. O alvo do ataque é remover a província de Helmande das mãos dos talibãs. Outras operações, tais como a Operação Prata e Operação Silício, foram conduzidos para manter a pressão sobre os talibãs.
2008-2009: Expansão da guerrilha
Em agosto de 2008, a situação piora para a OTAN, já que suas baixas aumentam sendo que junho, julho e agosto houve mais mortes que no Iraque, somando estes 3 meses são quase 120 mortos comparando isso com os 190 que morreram nos primeiros 3 anos o conflito é um claro sinal do ressurgimento da guerra. No dia 19, dez soldados franceses foram mortos em uma emboscada talibã perto de Cabul. Até outubro de 2008, o país continua em um clima de guerra constante, e segundo o Financial Times existe descontentamento crescente com o governo de Hamid Karzai. Segundo o jornal, a instabilidade poderia se espalhar para o norte, onde os líderes da Aliança do Norte, excluídos e pressionados por Karzai, estariam rearmando-se.
2010: Ofensiva Anglo-Americana e conversas de paz
Em janeiro de 2010, oficiais americanos disseram reservadamente que os paquistaneses estavam relutantes em ir atrás dos talibãs afegãos e contra os Haqqani porque eles os viam como possíveis aliados contra os interesses da Índia no Afeganistão pós-ocupação americana. Contudo, nas aparições públicas, autoridades americanas elogiavam os militares paquistaneses e seu comprometimento com a luta contra os insurgentes na fronteira. O presidente afegão Hamid Karzai também iniciou conversas de paz com os grupos Haqqanis em março de 2010. O Presidente paquistanês Asif Ali Zardari disse que o Paquistão perdeu mais de 35 bilhões de dólares em oito anos de lutas. De acordo com o governo afegão, cerca de 900 talibãs em operações conduzidas em 2010. Junto com o crescimento da insurgência, também houve um aumento significativo das baixas entre tropas da coalizão, em especial dos americanos.
Apoio internacional
A primeira onda de ataques foi realizada apenas por forças americanas e britânicas. Desde o primeiro período de invasão, essas forças foram aumentadas por tropas e aviões de Austrália, Canadá, Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Nova Zelândia e Noruega, entre outros. Em 2006 havia cerca de 33 000 soldados. A partir de 2014, as tropas ocidentais começaram sua retirada do país e em 2017 somavam menos de 4 000 homens. Em abril de 2021, quando foi anunciada a retirada da aliança, havia pelo menos 9 600 militares não americanos da OTAN no Afeganistão, sendo o maior contingente formado por alemães.
Protestos, manifestações e eventos
A guerra tem sido objeto de grandes protestos ao redor do mundo começando com as grandes manifestações nos dias que antecederam a invasão e todos os anos desde então. Muitos manifestantes consideram o bombardeio e invasão do Afeganistão como sendo uma agressão injustificada. As mortes de civis afegãos causadas direta ou indiretamente pelas campanhas de bombardeamento dos EUA e da OTAN é um grande foco central dos protestos. Em janeiro 2009, a Brave New Foundation lançou a Rethink Afghanistan, uma campanha nacional de soluções não violentas no Afeganistão construídas em torno de um documentário do diretor e ativista político Robert Greenwald. Dezenas de organizações tem planejados (e, eventualmente, mantido) uma marcha nacional pela paz em Washington, D.C., em 20 de março de 2010.
Mortes de civis
Estimativas de baixas da guerra variam. De acordo com um relatório das Nações Unidas, os talibãs foram responsáveis por 76% das mortes de civis no Afeganistão em 2009. Um relatório das Nações Unidas em junho de 2011 declarou que 2 777 civis foram conhecidos por terem sido mortos em 2010 (insurgentes responsáveis por 75%). Um relatório de julho de 2011 da ONU afirmou que "1 462 não combatentes morreram" nos primeiros seis meses de 2011 (insurgentes 80%). Em 2011, um recorde de 3 021 civis foram mortos, o quinto aumento anual consecutivo. De acordo com um relatório das Nações Unidas, em 2013 houve 2 959 mortes de civis com 74% sendo atribuídas às forças antigovernamentais, 8% as forças de segurança afegãs, 3% as forças da ISAF, 10% a combates terrestres entre as forças antigovernamentais e forças pró-governamentais e 5% das mortes sem atribuição. Em torno de 60% dos afegãos têm experiência pessoal direta e a maioria dos outros relatam sofrerem uma série de dificuldades. Cerca de 96% foram afetados pessoalmente ou pelas consequências mais amplas.
Refugiados
Desde 2001, mais de 5,7 milhões de antigos refugiados retornaram ao Afeganistão, mas outros 2,2 milhões permaneceram refugiados em 2013. Em janeiro de 2013, a ONU estima que 547 550 fossem deslocados internos, um aumento de 25% em relação aos 447 547 deslocados internos estimados para janeiro de 2012. Em 2021, o Afeganistão era o terceiro país com mais refugiados, atrás de Síria e Venezuela.
Narcotráfico
Em 2000, o Talibã, tinha imposto a proibição da produção de ópio, o que levou a reduções de 90%. No entanto, logo após a invasão do Afeganistão em 2001, a produção aumentou consideravelmente. Em 2005, o Afeganistão tinha recuperado a sua posição como o maior produtor mundial de ópio, com 90% da produção mundial, a maior parte sendo transformada em heroína e vendida na Europa e na Rússia. Em 2009, a BBC informou que "constatações da ONU dizem que um valor de mercado do ópio de $65bn (£39bn) financia o terrorismo global, atende a 15 milhões de viciados, e mata 100 mil pessoas todos os anos”. Os esforços dos Estados Unidos e aliados para barrar o comércio de drogas não têm obtido êxito sobretudo porque muitos indivíduos suspeitos são altos funcionários do governo Karzai. De fato, as recentes estimativas do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime mostram que 52% do PIB do Afeganistão, que é de 23 bilhões de dólares, é gerado pelo comércio da droga. O aumento da produção tem sido associado à deterioração da situação de segurança, uma vez que a produção é significativamente menor em áreas com segurança estável. Parar alguns, o extermínio dos cultivos de papoula não é visto como uma opção viável porque a venda de papoulas constitui o modo de subsistência dos produtores rurais do Afeganistão. Cerca de 3,3 milhões de afegãos estão envolvidos na produção de ópio. O ópio é mais rentável do que o trigo e a destruição de campos de ópio poderia levar ao descontentamento ou agitação entre a população indigente.
O custo da guerra supostamente foi um fator importante para que os oficiais norte-americanos considerassem retirar tropas em 2011. Um relatório de março de 2011 da Congressional Research Service observou que, (i) após o anúncio de escalada no Afeganistão em 2009, os gastos do Departamento de Defesa para o Afeganistão aumentaram em 50%, passando de $ 4,4 bilhões para $ 6,7 bilhões por mês. Durante esse tempo, as tropas aumentaram de 44 000 para 84 000, e era esperado que estivesse em 102 000 para o ano fiscal de 2011; (ii) o custo total desde o início até o ano fiscal de 2011 era esperado para ser $ 468 bilhões. A estimativa para o custo de implantação de um soldado dos Estados Unidos no Afeganistão é mais de US$ 1 milhão por ano. Até 2021, um estudo feito pela Universidade Brown estimou que o custo total da Guerra no Afeganistão para os Estados Unidos girava em torno de US$ 2,261 trilhões de dólares, dos quais US$ 530 bilhões foram gastos em pagamentos de juros e US$ 296 bilhões foi designado para custear cuidados de veteranos.
Em uma entrevista de 2008, o então chefe do Comando Central dos Estados Unidos general David H. Petraeus, insistiu em que os talibãs estavam ganhando força. Ele citou um recente aumento dos ataques no Afeganistão e no vizinho Paquistão. Petraeus insistiu que os problemas no Afeganistão eram mais complicados do que as que ele havia enfrentado no Iraque durante sua visita e exigiu a remoção de santuários e fortalezas difundidas. Os observadores têm argumentado que a missão no Afeganistão é dificultada pela falta de acordo sobre os objetivos, falta de recursos, falta de coordenação, muito foco sobre o governo central em detrimento dos governos locais e provinciais, e muito foco sobre o país ao invés da região. Em 2009, o Afeganistão moveu três lugares no índice anual de corrupção da Transparência Internacional, tornando-se o segundo país mais corrupto do mundo à frente da Somália. No mesmo mês, Malalai Joya, uma ex- membro do Parlamento afegão, e autora de "Raising My Voice", expressou oposição a uma expansão da presença militar dos Estados Unidos e suas preocupações sobre o futuro. "Há oito anos, os EUA e a OTAN - sob a bandeira dos direitos das mulheres, direitos humanos e democracia - ocuparam meu país e nos empurraram da frigideira para o fogo. Oito anos são o bastante para saber melhor sobre o sistema corrupto e mafioso do presidente Hamid Karzai. Meu povo está esmagado entre dois inimigos poderosos. A partir do céu, as forças de ocupação bombardeiam e matam civis… e no chão, o Talibã e os senhores da guerra continuam seus crimes. É melhor que eles saiam do meu país; meu povo está tão farto. Ocupação nunca vai trazer libertação, e é impossível trazer a democracia pela guerra."
O Afeganistão tem sido palco de extensas violações dos direitos humanos ao longo dos últimos vinte anos. A subsequente guerra civil aumentou os casos de abusos por parte das facções armadas em luta pelo poder. Os Talibã, que subiram ao poder em 1998 e governaram o Afeganistão por cinco anos, até os ataques dos EUA em 2001, foram notórios por abusos contra os direitos humanos das mulheres. Antigos chefes militares e políticos afegãos foram responsáveis por inúmeras violações dos direitos humanos em 2003, incluindo sequestros, estupros, roubo e extorsão. As consequências da invasão liderada pelos Estados Unidos, o ressurgimento das forças talibãs, o recorde na produção de drogas e o rearmamento dos senhores da guerra afetaram o bem-estar e os direitos de centenas de milhares de cidadãos inocentes afegãos, segundo a Human Rights Watch. A situação dos direitos humanos é difícil nas prisões e sobretudo para as mulheres. O aumento do poder dos Talibã levou a um aumento das violações dos direitos humanos contra as mulheres, de acordo com o Departamento de Estado americano. A Anistia Internacional afirmou que até 756 civis foram mortos por bombas em 2006, principalmente em estradas por atacantes suicidas pertencentes ao Talibã. Mas as ações da coligação de forças lideradas pelos EUA, em luta contra os talibãs, também são criticadas em razão do grande número de vítimas civis. Houve várias denúncias de violações.
Casos de abusos cometidos
A Aliança do Norte, aliada dos Estados Unidos, tem sido acusada de crimes cometidos em novembro de 2001, contra os prisioneiros talibãs e da Al-Qaeda. O governo norte-americano é acusado de querer encobrir o caso, de modo a não perturbar os seus aliados afegãos e para preservar alguns dos seus membros suspeitos de terem sido testemunhas oculares dos acontecimentos. O caso foi revelado pelo periódico Newsweek após a publicação de um memorando confidencial para a ONU. Segundo a nota, os itens encontrados "suficientes para justificar uma investigação criminal formal." Este infelizmente não é o único caso detectado durante o decorrer desta guerra, desde 1978. Em 1997 e 1998, tais cenas tinham sido cometidos pelos talibãs e os seus opositores. As cidades de Meimana e Herate, entre outros também foram palco execuções em massa cometidas pelos talibãs durante este período, enquanto em 1998 a cidade de Shebarghan viu os seus adversários usar o mesmo método.
A controvérsia sobre a tortura em Guantánamo
Em março de 2002, altos funcionários da CIA autorizaram duras técnicas de interrogatório. A administração Bush disse, dias após os atentados de 11 de setembro, que membros da Al-Qaeda capturados no campo de batalha não eram sujeitas à Convenção de Genebra, uma vez que não se tratava de uma guerra convencional. Portanto eles não teriam direito ao tratamento de prisioneiros de guerra, regido pela Terceira Convenção de Genebra, que contempla certos direitos básicos, que estariam sendo negados aos presos. Como Guantánamo, apesar de ser uma base norte-americana instalada em território de Cuba contra a vontade desse país, tecnicamente não é território dos Estados Unidos, arrasta-se na Corte Suprema dos Estados Unidos a discussão se os presos têm direito a advogado, a ver familiares e a serem submetidos a um julgamento justo, ou se podem ser sentenciados à morte por uma corte militar sem que a evidência utilizada seja submetida a um debate contraditório.


