Tiblíssi
Tiblíssi ou Tbilísi ), antigamente mais conhecida por seu nome russo, Tíflis, é a capital e a maior cidade da Geórgia. Situada às margens do rio Cura, sua área é de 726 km², e sua população, de 1 152 500 habitantes. Como capital e cidade mais populosa do país, é o principal centro financeiro, corporativo, mercantil e cultural da Geórgia.
O nome da cidade vem da palavra em georgiano para o adjetivo "quente" (თბილი, "tbili"), em referência às fontes termais existentes na região. O nome usado pelos próprios georgianos para a cidade, "Tbilisi", pronunciada "Tbílissi", passou ainda na antiguidade para o armênio — como Teplis — e daí para o grego, sob a forma de Tiflis — forma que foi por igualmente adotada pelos russos, que dominaram a Geórgia ao longo de quase todo o último milênio, de modo que a versão russa do nome (Тифлис, pronunciada «Tíflis») tornou-se a nomenclatura oficial para a cidade em quase todas as línguas ocidentais, incluído o português. Após ter a Geórgia conquistado sua independência em relação à Rússia, as autoridades georgianas passaram a repudiar a manutenção do uso da forma russa para o nome da cidade, recomendando aos demais países que passassem a usar a forma original georgiana — cuja transliteração direta, a caracteres latinos, conforme usado pela própria administração da cidade e pelo governo da Geórgia, é Tbilisi.
A história de Tiblíssi se inicia por volta do século V. Durante os 1 500 anos de história, Tiblíssi foi um importante centro cultural, político e econômico na região do Cáucaso. A cidade estava no cruzamento de importantes rotas comerciais e era frequentemente ocupada por inimigos. De 1918 a 1921, tornou-se a capital da República Democrática da Geórgia, e mais tarde, a capital da República Socialista Soviética da Geórgia. Desde 1991, ano em que a Geórgia tornou-se independente da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), é a capital da Geórgia independente.
Primórdios
Segundo a lenda, a área da cidade era coberta por florestas, por volta do ano 458. Quando o rei Vactangue I caçava na floresta, o seu cervo se feriu. O animal ferido saiu correndo para uma fonte de água, onde se curou dos ferimentos e fugiu. Surpreendido por um evento como esse, o rei ordenou a construção de uma cidade no local. O nome de Tiblíssi, como já dito, vem do georgiano t'bili, que significa "quente", por causa das fontes de enxofre quente em seu território.[carece de fontes?] De acordo com evidências arqueológicas, a área foi habitada por volta do IV milênio a.C.. Os primeiros sinais da presença humana documentados são da segunda metade do século IV, quando o reino de Varaz-Bacúrio ordenou a construção de uma fortaleza. No final do século IV, os persas foram apreendidos na fortaleza e, em seguida, em meados do século V, eles serviram como escravos para os reis de Cártlia. O rei Vactangue I provavelmente não fundou a cidade, mas sim reconstruiu e a ampliou. Presumivelmente, a capital georgiana estava situada nas proximidades.
Tiblíssi está na Transcaucásia na latitude 41° 43' Norte e longitude 44° 47' Leste. A cidade está localizada na Geórgia Oriental em ambas as margens do Rio Cura.
Clima
O clima de Tiblíssi pode ser classificado moderadamente como subtropical úmido. O clima da cidade é influenciado tanto pela seca, proveniente das massas de ar da Ásia Central, quanto pelas massas de ar oriundas do Mar Negro, a partir do oeste. Tiblíssi possui invernos relativamente frios e verões quentes. Devido aos limites da cidade com cadeias de montanhas e a proximidade de grandes massas de água (mares Negro e Cáspio), além do fato de que a maior cordilheira do Cáucaso bloqueia a intrusão de massas de ar frio da Rússia, Tiblíssi experimenta um micro-clima relativamente ameno em comparação com outras cidades que possuem um clima semelhante continental ao longo das mesmas latitudes.
Fauna
A fauna da área circundante da cidade é muito diversificada. Há animais como raposas, hienas, chacais e lobos. Registra-se também um grande número de répteis e aves. Em uma região com vista à proteção dos sistemas naturais e da biodiversidade, foi criado o Parque Nacional de Tiblíssi.
As dinâmicas históricas de crescimento da população etno-religiosa em Tiblíssi foi diversificada. Entre os séculos V e VII, a população de Tiblíssi foi crescendo rapidamente devido à transferência da capital de Misqueta para esta primeira. Durante o período de domínio árabe em Tiblíssi (séculos VII ao XI), a maior parte da população era muçulmana e a cidade passou a possuir traços de uma mistura de população árabe e não árabe, que se misturavam aos georgianos. Do século IX ao XVIII, a cidade desenvolveu-se rapidamente. Árabes e turcos passaram a compor a maior parte da população. Desde 1216 até o final do século XVIII, a população de Tiblíssi foi submetida a perseguição e extermínio dos invasores, levando a mudanças rápidas na composição étnica da população da cidade. Assim, nesta época a população de armênios variou de 26,3% a 36,6 % da população, enquanto os georgianos variavam entre 24,8% e 33,8 %. Os armênios também eram o maior grupo étnico na cidade entre 1864-1865, constituindo 47,2% da população, sendo que no referido período a participação dos georgianos representava 24,7% dos habitantes de Tiblíssi e os russos 20,7% dos habitantes. Outros povos representavam 7,4% do total de habitantes.
Religião
Mais de 95% dos habitantes de Tiblíssi são adeptos do Cristianismo, predominantemente da Igreja Ortodoxa Georgiana. A Igreja Ortodoxa Russa, que está em plena comunhão com a Geórgia, e a Igreja Apostólica Armênia, tem um significativo número de seguidores dentro da cidade. Uma grande minoria da população (cerca de 4%) são adeptos do Islão (principalmente o islamismo xiita). O judaísmo também é muito praticado, mas em menor número (cerca de 2% da população são judeus). Tiblíssi tem sido historicamente conhecida pela tolerância religiosa. Isto é especialmente evidente nas regiões mais antigas da cidade, que são marcadas por construções religiosas, como mesquitas e sinagogas. Prédios religiosos do Cristianismo oriental podem ser encontrados dentro de menos de 500 metros um do outro, em várias regiões da cidade.
Educação
Tiblíssi abriga diversas instituições de ensino superior. A maior universidade da Geórgia, a Universidade Estatal de Tiblíssi, está sediada na cidade. Esta universidade foi criada em 8 de fevereiro de 1918, sendo a mais antiga no Cáucaso, e possui mais de 35 mil alunos matriculados. O número de professores e funcionários é de aproximadamente 5 000. A cidade também sedia a maior universidade médica na região do Cáucaso: A Universidade Estatal Médica de Tiblíssi , que foi fundada no Instituto Médico de Tiblíssi em 1918 e tornou-se a Faculdade de Medicina na Universidade Estadual de Tiblíssi (TSU) em 1930. O Instituto Médico Estadual passou a se chamar Universidade de Medicina em 1992. Desde então, a universidade funciona como uma instituição educacional independente e tornou-se uma das instituições apoiadas pelo alto escalão de ensino superior na região do Cáucaso. Atualmente, existem cerca de 5 000 estudantes de graduação e 203 de pós-graduação na universidade, dos quais 10% vêm de países estrangeiros.
Transporte
O Aeroporto Internacional de Tiblíssi (em georgiano: თბილისის საერთაშორისო აეროპორტი) está localizado a 17 quilômetros a sudeste da cidade, além de ser o mais movimentado do pais é o maior. O acesso da cidade com o aeroporto é feito por meio de ônibus e táxis. Embora haja uma estação de trem (comboio) ao lado do aeroporto, existem apenas dois horários de serviço até 2020. Não há metrô entre o aeroporto e a estação central de Tiblíssi. O tráfego no aeroporto de Tiblíssi aumentou 29% em 2011, atingindo 1,1 milhões de passageiros. A capacidade do novo terminal aéreo da cidade é de 2,8 milhões de passageiros por ano. A Georgian Airways tem a sua sede em Tiblíssi.
Esporte
Tiblíssi abriga o maior estádio da Geórgia, o Estádio Boris Paichadze (com capacidade para 55 000 pessoas), onde joga o Dinamo Tbilisi, e o segundo maior estádio do país, o Estádio Mikheil Meskhi (com capacidade para 27 223 pessoas), onde joga o Lokomotivi Tbilisi.
Arquitetura
A arquitetura da cidade é uma mistura de influência local (georgiana) com fortes influências bizantinas, europeias-orientais e Neoclássico russo, além de estilos arquitetônicos do Oriente Médio. As regiões mais antigas da cidade, incluindo a Abanot-Ubani, Avlabari e, até certo ponto, o distrito de Sololaki, tem claramente um olhar arquitetônico georgiano tradicional com influências do Oriente Médio. As áreas de Tiblíssi, que foram construídas principalmente no século XIX possuem um olhar contrastante com o estilo neoclássico europeu e russo. O início do século XX foi marcado por uma revitalização arquitetônica, nomeadamente, com um estilo Art nouveau. Com o estabelecimento do governo comunista, este estilo foi decretado como burguês e muito negligenciado. Um exemplo da arquitetura stalinista na Geórgia foi o Instituto Marx, Engels e Lenin (em georgiano: მარქს - ენგელს - ლენინის ინსტიტუტის შენობა), também conhecido pela sigla Imeli (em georgiano: იმელი), construído em 1938.


