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Operação Entebbe

A Operação Entebbe foi uma missão de resgate contraterrorista levada a cabo pelas Forças de Defesa de Israel no Aeroporto Internacional de Entebbe em Uganda no dia 4 de julho de 1976. Uma semana antes, em 27 de junho, uma aeronave da companhia aérea Air France com 248 passageiros havia sido sequestrada por membros da Frente Popular para a Libertação da Palestina e das Células Revolucionárias da Alemanha e desviada para Entebbe, o principal aeroporto de Uganda. O governo local apoiou os sequestradores, que receberam as boas-vindas do ditador Idi Amin. Os sequestradores separaram os israelenses e judeus dos outros passageiros e tripulação, forçando-os a entrar em outra sala Naquela tarde, 47 reféns não-israelenses foram libertados. No dia seguinte, 101 reféns não-israelenses foram libertados e partiram a bordo da aeronave da Air France. Mais de cem passageiros israelenses e judeus, junto com o piloto Michel Bacos (não-judeu), permaneceram reféns e foram ameaçados de morte.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 16/07/2026
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O sequestro

O drama dos reféns começou, no dia 27 de junho de 1976, com o sequestro de um Airbus A300 da Air France, que fazia a ligação Tel Aviv-Paris, com escala em Atenas (Grécia), levando 258 pessoas a bordo. Pilotado pelo comandante Michel Bacos, o avião francês decolou do Aeroporto Internacional Ben Gurion às 8h59, chegando em Atenas às 11h30. Desembarcaram 38 passageiros e embarcaram outros 58, entre os quais, os quatro sequestradores. O total a bordo era, então, de 246 pessoas, mais a tripulação. Vinte minutos após o meio-dia, o avião já cruza os céus novamente rumo ao seu destino final, Paris. Oito minutos após a decolagem, enquanto as aeromoças preparam-se para servir o almoço, os terroristas assumem o controle do avião. Eram quatro, dois dos quais possuíam passaportes de países árabes (Jalil al-Arja e Abdel-Latif Abel-Razek al-Samrai), um do Peru com o nome de A. Garcia (na verdade, Wilfried Böse) e uma mulher do Equador de nome Ortega (na verdade, Brigitte Kuhlmann), estes dois últimos, posteriormente identificados como membros de uma das Células Revolucionárias (em alemão Revolutionäre Zellen) - rede de grupos militantes armados da Alemanha Ocidental, sendo que o mais conhecido desses grupos foi o Baader-Meinhof. Os quatro terroristas haviam vindo do Kuwait pelo voo 763 da Singapore Airlines e iam com destino a Bahrein. Entretanto, ao desembarcar em trânsito (na Grécia), os quatro dirigiram-se ao check-in do voo da Air France.

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As exigências

Na terça-feira, dia 29 de junho, uma mensagem vinda de Paris, que primeiramente foi divulgada pela rádio de Uganda, revela os objetivos dos sequestradores: a libertação até às 14 horas do dia 1 de julho de 53 terroristas – 13 detidos em prisões da França, Alemanha Ocidental, Suíça e Quênia, e 40 em Israel. Caso suas reivindicações não fossem atendidas explodiriam o avião com todos os passageiros. Israel, a nação mais afetada, havia sempre deixado claro que nunca negociaria com o terrorismo e que estava preparado para derramar o sangue de seus cidadãos a fim de se ater a seus princípios. Em maio de 1974, por exemplo, terroristas tinham sequestrado os alunos de uma escola de Maalot, na Galileia; as Forças de Defesa de Israel (FDI) invadiram o edifício e fuzilaram os pistoleiros, mas à custa de 22 crianças mortas. Em Entebbe, entretanto, parecia impossível que Israel reagisse, pois apenas 105 reféns eram judeus - e o governo israelense seria criticado pela opinião pública mundial se pusesse em risco a vida dos outros.

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A posição de Idi Amin Dada

As dúvidas que pairavam sobre as autoridades israelenses eram duas: Uganda seria o destino final dos sequestradores ou apenas uma escala para abastecimento? E como estaria reagindo o governo de Idi Amin Dada, ditador de Uganda, diante dos acontecimentos – seriam anfitriões hostis ou parceiros ao sequestro? Afinal, desde 1972, as relações entre Israel e Uganda haviam se deteriorado muito, pois o governo israelense havia-se recusado a fornecer aviões a jato F-4 Phantom II ao país, sabendo que Uganda pretendia usá-los para bombardear os vizinhos Quênia e Tanzânia. Na ocasião, Idi Amin expulsou todos os israelenses do país. Oficialmente, o governo de Uganda adotou uma atitude neutra em relação aos sequestradores, mas na realidade eles eram bem-vindos. Líderes palestinos encontravam-se no aeroporto para receber o avião, bem como unidades do Exército de Uganda. Era evidente a colaboração de Idi Amin com os guerrilheiros, pois, soube-se depois, que outros integrantes da Frente Popular para a Libertação da Palestina foram transportados de Mogadíscio, na Somália, para o terminal em Uganda onde estavam os sequestradores e seus reféns, no jato particular do ditador. As dúvidas estavam, portanto, dissipadas. Caberia, agora, Israel elaborar um plano de resgate que pudesse levar à solução do impasse num exíguo prazo.

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A libertação dos reféns não-israelenses

Curiosamente, na mesma quarta-feira (30/06), foram os próprios terroristas que desperdiçaram sua maior vantagem. Sem atinar para as implicações de seu ato, separaram os reféns não-israelenses e, aparentemente num gesto de consideração para com os outros países, permitiram que 47 reféns – exceto cidadãos israelenses –, retomassem sua viagem para a França. O capitão Bacos e sua tripulação recusam-se a acompanhar o grupo, afirmando que não abandonariam os demais passageiros. Uma freira francesa também insiste em ficar, mas é impedida pelos terroristas e pelos soldados ugandenses. A libertação de alguns reféns e a evidência cada vez maior de que o principal alvo dos terroristas era pressionar Israel, aumentam a tensão no país e a pressão dos familiares para que o país atenda às exigências dos sequestradores. Nos círculos militares e altos escalões do governo, reuniões e mais reuniões são realizadas, além do levantamento de informações feito pela Inteligência em busca de dados que possam ser úteis a uma eventual ação de resgate. Novos nomes integram-se às reuniões entre as FDI e os ministros, entre os quais, o general brigadeiro Dan-Shomron, 48 anos, chefe dos pára-quedistas e oficial de infantaria; o general Benni Peled; e Ehud Barak, vice-diretor do Serviço de Inteligência das FDI.

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As opções de Israel

Nesse 1 de julho, o Serviço de Inteligência descobre que o aeroporto de Entebbe havia sido construído por uma empresa israelense – Solel Boneh, o que possibilita o acesso às plantas originais do local. Cada vez mais, após intensos encontros com oficiais do exército, Peres convence-se de que a opção militar é possível e que é apenas uma questão de tempo para que todas as peças do quebra-cabeça se encaixem. A princípio os israelenses trabalham com três opções: 1ª) Um lançamento de paraquedistas no Lago Vitória e um silencioso desembarque em Entebbe usando barcos de borracha; 2ª) Um cruzamento em grande escala do Lago Vitória, partindo da margem queniana - usando barcos que poderiam ser alugados, emprestados ou simplesmente roubados; 3ª) Um pouso direto em Entebbe, seguido de um assalto rápido e uma remoção imediata dos reféns por ar por forças especiais da unidade Sayeret Matkal. As duas primeiras opções foram rapidamente descartadas, uma vez que, após libertar os reféns, os israelenses iriam depender da ajuda de Idi Amin ou da intervenção da ONU para sair de Uganda - hipóteses que, devido àquela conjuntura, eram praticamente impossíveis de se alcançar sem um significativo número de baixas. Sendo assim o assalto direto a Entebbe seria a opção adotada.

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As tropas de assalto

As tropas que realizariam a ação em terra estavam divididas em cinco grupos de assalto: Na medida do possível, tudo foi feito para eliminar os riscos. Sabia-se, por exemplo, que Amin uma vez chegara a Entebbe num Mercedes preto escoltado por um Land Rover, e veículos como esses foram embarcados no Hércules que iria à frente, com o objetivo de confundir os ugandenses nos vitais primeiros minutos. Na madrugada do dia 3 de julho, sábado, Motta Gur telefona para Peres e o informa que os homens estão preparados e que a operação pode ser executada.

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O início da operação

De fato, o elemento surpresa foi provavelmente o maior trunfo que Israel possuía. De acordo com Shomron: "Têm mais de 100 pessoas sentadas no chão numa sala pequena, rodeadas por terroristas com o dedo no gatilho. Poderiam disparar numa fração de segundos. Nós tínhamos de voar durante sete horas, aterrar em segurança, conduzir até à área do terminal onde os reféns eram mantidos, entrar e eliminar todos os terroristas antes que algum deles pudesse abrir fogo." Na realidade, ninguém esperar que os israelenses tomassem tantos riscos era precisamente a razão que os levaria até eles. No Aeroporto Internacional Ben Gurion, os aviões começaram a levantar voo a partir das 13h20 do dia 3 de Julho, porém, tomaram direções diferentes, a fim de não chamarem a atenção da população e da imprensa. Saliente-se que, até esse momento, a missão de resgate ainda não havia sido formalmente aprovada pelo gabinete israelense. A partida dos aviões fora autorizada pessoalmente por Rabin, senão não haveria tempo hábil para sua execução.

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A chegada em Entebbe e o resgate

Após a aterrissagem, o primeiro C-130 Hercules, pilotado pelo Coronel Shani, segue para uma área mais escura da pista e, enquanto o cargueiro inglês taxiava, o Mercedes e dois Land Rover descem a rampa, transportando 35 membros da força-tarefa, entre eles Netanyahu, que iria tomar de assalto o velho terminal. Detalhe: os militares que iam no Mercedes estavam vestidos com uniformes ugandenses. Os operadores de radar não perceberam o intruso e nenhum alarme foi dado. Por esse erro, seriam logo depois executados pelo enraivecido e humilhado Idi Amin. Em outro local, dez membros da brigada de infantaria Golani saltam do avião e espalham sinais para orientar a aterrissagem das outras três aeronaves, que se aproximam rapidamente. Porém, os ugandenses logo perceberam a farsa e a 100 m do terminal duas sentinelas, com metralhadoras apontadas, ordenaram ao carro que parasse. Netanyahu e outro oficial abriram fogo com pistolas dotadas de silenciador, atingindo um dos homens, e o grupo seguiu em frente até uns 50 m do edifício. A partir daí, os israelenses foram a pé. Os reféns estavam todos deitados no salão principal e muitos dormiam. Quatro terroristas haviam sido deixados montando guarda, um à direita, dois à esquerda e um no fundo do salão. Todos estavam de pé e puderam ser identificados devido às armas que portavam. Apanhados de surpresa, foram mortos imediatamente, e o grupo de assalto subiu pelas escadas. Os reféns advertiram que havia mais terroristas e soldados ugandenses no andar de cima. As ordens eram para tratar os ugandenses como inimigo armado, se abrissem fogo; caso contrário, seriam poupados. Mas para os terroristas não haveria misericórdia. Diversos deles foram eliminados à queima-roupa enquanto dormiam. A ação no terminal antigo durou três minutos.

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O regresso

Após uma breve escala em Nairóbi, para reabastecimento e a transferência dos feridos para o avião hospital, os reféns e os militares iniciam o voo de volta a Israel, por volta das 4 horas da madrugada do dia 4. Entretanto, apesar de todos os esforços dos médicos – então chefiados pelo coronel Ephraim Sneh, Yoni não resiste aos ferimentos e morre. Do lado israelense os mortos foram quatro: Yoni e três reféns – dois faleceram no fogo cruzado com os terroristas e uma senhora de idade, Dora Bloch, que havia sido transferida para um hospital de Uganda e que posteriormente foi assassinada por ordem de Idi Amin. Dos 13 terroristas envolvidos no sequestro, os oito que estavam no aeroporto foram mortos, entre os quais Böse e Kuhlmann. Os demais, segundo Shomron, estavam fora do aeroporto. Morreram ainda 35 ugandenses na operação. Além disso, um número incerto de soldados ugandenses e autoridades civis do aeroporto foram, posteriormente, executadas por ordem de Idi Amin em virtude dos efeitos morais da operação sobre o governo ugandense.

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Reações

Resposta ugandense

Amin ficou furioso ao saber do ataque e supostamente afirmou que que ele poderia ter ensinado uma lição aos israelenses se soubesse que eles atacariam. Após a operação, Isaac Maliyamungu (militar ugandense e um dos asseclas de Amin) ordenou a prisão de 14 soldados ugandenses que ele acusou de cooperar com os israelenses. Eles foram reunidos no Quartel de Makindye e Maliyamungu matou 12 desses soldados com sua pistola. Dora Bloch, uma mulher israelense com cidadania britânica de 74 anos e uma das reféns, havia sido levada para o hospital Mulago Hospital, em Campala, quando engasgou num osso de galinha. Como retaliação pelo ataque israelense, ela foi morta por militares ugandenses, a mando de Amin. Alguns médicos e enfermeiras também teriam sido mortos ao tentarem impedir os soldados. Em abril de 1987, Henry Kyemba, o então procurador-geral e ministro da justiça ugandense, disse para a Comissão de Direitos Humanos de Uganda que Bloch havia sido arrastada para fora do hospital e morta pelos soldados de Amin a sangue frio. O corpo de Bloch foi jogado na traseira de um carro com placas da agência de inteligência ugandense. Seus restos mortais foram recuperados perto de uma plantação de açúcar a 32 km a leste de Campala, em 1979, após a conclusão da Guerra Uganda-Tanzânia e a queda de Amin.

Resposta internacional

As nações ocidentais saudaram o ataque e apoiaram Israel. O governo da Alemanha Ocidental chamou a operação de "um ato de autodefesa". Suíça e França também elogiaram o ataque. Representantes do Reino Unido e Estados Unidos também exortaram a ação, afirmando que a Operação Entebbe era uma "operação impossível". Alguns nos Estados Unidos notaram que os reféns foram libertados em 4 de julho de 1976, 200 anos após a assinatura da declaração de independência dos Estados Unidos. Em uma conversa privada com o embaixador israelense Dinitz, Henry Kissinger criticou Israel por utilizarem equipamentos americanos na operação, mas ele não fez essa crítica em público na época. Em meados de julho de 1976, o porta-aviões USS Ranger e seus navios de apoio entraram no Oceano Índico e operaram na costa do Quênia em resposta a uma ameaça de ação militar por forças de Uganda.

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