Pesquisa · Mapa mental

Valência

Valência é um município da Espanha, capital da província homónima e da Comunidade Valenciana. É a cidade mais populosa da sua comunidade autónoma e a terceira mais populosa da Espanha. O município tem 134,65 km² de área e em 2021 tinha 789 744 habitantes. Em 2014, a área metropolitana tinha 1 542 233 habitantes.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 07/07/2026
01

História

Topónimo

O topónimo da cidade deriva do latim Valentia Edetanorum, cujo significado se traduz em "Valor (ou Força) na terra dos Edetanos". Atribuído com a fundação da colónia, segue a tradição já verificada em Itália, no século II a.C., da atribuição de topónimos alegóricos de virtude militar. Os árabes denominaram-na مدينة التراب (Madīna at-Turab, "Cidade da Areia") devido à sua localização na margem do Rio Túria, enquanto que reservaram o termo بلنسية (Balansīa) para a Taifa de Valência. Porém, durante o reinado de Abd al-Aziz a cidade já tinha reivindicado para si o nome de Balansīa, que passaria a ser Valência, València em valenciano, após a conquista por Jaime I de Aragão.

Da fundação romana ao reino cristão-visigodo (séc. I a.C.–VI d.C.)

Em 138 a.C., Valência foi fundada, sob o nome de Valentia Edetanorum, pelos romanos, à época em que era cônsul Décimo Júnio Bruto Galaico. É, por isso, uma das mais antigas cidades da Espanha actual. Em meados do século I d.C. ocorria na cidade um considerável crescimento urbano, motivado pela existência de um porto, e já começava a formar-se uma primitiva comunidade cristã no início do século IV. No século V surgiram as primeiras ondas invasivas dos povos germânicos (especialmente dos visigodos), e os edifícios romanos adaptam-se progressivamente a uma cidade cristã.

Época muçulmana (séc. VIII–XIII)

A cidade desenvolveu-se com a ocupação dos árabes, que a conquistaram no ano de 718. Valência era governada por Agréscio quando foi sitiada pelos invasores. Tanto Agréscio, o defensor, como Tárique, o atacante, sabiam que a situação era complexa e negociaram uma capitulação vantajosa para os cristãos, obtendo, tal como sucederia 500 anos depois no sentido inverso, a entrega da cidade aos sitiantes. Todos os habitantes puderam continuar a viver nas suas casas, com direito à prática da sua religião e à sua organização jurídica e administrativa, desde que aceitassem a autoridade política e militar dos conquistadores e o pagamento de impostos. Abd al-Allah, filho de Abd al-Raman I (primeiro emir de Córdova), instalou-se em Balansiya (nome de Valência em árabe), e exerce um governo autónomo na área de Valência. Este traz para a cidade a sua língua, religião e costumes, que convivem com a dos habitantes originais, os moçárabes, que eram herdeiros da cultura hispanovisigoda e tinham como religião o cristianismo e como língua o moçárabe.

Época da Coroa de Aragão (séc. XIII–XVIII)

Fazendo parte da conquista da taifa de Balansiya, em 1238 o rei da Coroa de Aragão, Jaime I, conquistou a cidade com a ajuda de tropas da Ordem de Calatrava. Realizou-se a divisão das terras como ficou testemunhado no Llibre del Repartiment. Foi nessa época que se assistiu a um grande desenvolvimento das áreas comerciais e artesanais. Em 1251 criaram-se os Furs de Valência (els Furs), que anos depois se tornariam estendidos ao resto do Reino de Valência. Em 1348 a Peste Negra e sucessivas epidemias dizimaram a população da cidade enquanto estalava uma revolta popular contra os excessos do rei, a guerra da União. Em 1356, foram construídas novas muralhas, ampliando a superfície da cidade. Em 1363 e 1364 a cidade repele por duas vezes o assalto das tropas castelhanas. Como prémio, o Rei Pedro, o Cerimonioso concede à cidade o título de "Duas vezes leal", que está representado pelos dois LL que ostenta o seu escudo. Em 1391 os cristãos assaltam o bairro judaico, e obrigam os judeus a converter-se ao cristianismo. Em 1456 os árabes de Valência sofrem a mesma sorte. Valência foi capital de um dos dois Governos em que se dividia o reino: o de Valência e o de Orihuela.

Guerra da Independência Espanhola e Revolução Industrial (s. XIX)

Mais tarde são construídos nos arredores o mercado central, o mercado de Cólon e a Estação do Norte que constituíram a zona residencial da burguesia.

Valência no século XX

O crescimento económico e demográfico resultantes dos movimentos migratórios estabelecidos no interior da província fez com que a cidade se expandisse, absorvendo pequenos núcleos de população, gerando distritos ocupados pelas classes média e operária. Nesta época são abertas amplas avenidas como a Gran Via de Fernando, o Católico, o Passeio do Mar e nesta altura surge também a zona residencial universitária. No início do século XX Valência era uma cidade industrializada. A seda desaparecera, mas havia produção de peles e couro, madeira, metalurgia e produtos alimentares, estes últimos com vertente exportadora, em particular de vinhos e citrinos. Predominava a pequena empresa, mas cada vez mais se inseria a mecanização e as grandes empresas. A melhor expressão desta dinâmica eram as exposições regionais, em particular a de 1909, feita junto à Albereda (Alameda), onde se mostravam os avanços da agricultura e da indústria. Entre os edifícios mais importantes da época destacam-se os de estilo modernista, como por exemplo a Estació del Nord (Estação do Norte) e os mercados Central e de

02

Geografia

A cidade de Valência está localizada na costa mediterrânica da Península Ibérica, na grande planície aluvial formada pelos rios Turia e Júcar, que se situa perto da cidade, que fica algo afastada das montanhas. A região de El Puig fica cerca de 12 km a norte da cidade e um pouco mais longe fica a Serra Calderona, que é o pulmão verde da Comunidade Valenciana. A cidade antiga está nas margens do Turia, a cerca de 4 km do Mar Mediterrâneo, onde antes havia apenas o chamado Grau de València, uma zona perto do porto que está agora ligada à cidade e faz parte do bairro conhecido como Poblats Marítims (Aldeias Marítimas). A razão pela qual a cidade foi fundada longe da costa prende-se com o facto de na época romana ainda aí estar um pântano e a costa ser baixa e arenosa, como em quase todos os golfos de Valência. A sul da cidade fica a zona húmida Albufera e o Parque Natural da Albufera, que inclui um lago de água doce separado do mar por uma restinga de areia, que nutre muitos aquíferos.

Clima

Valência possui um clima mediterrâneo típico. É caracterizada por um clima ameno, com temperatura média anual superior a 18 °C. Os verões são quentes e os invernos a temperatura é amena. Durante o inverno a temperatura não costuma baixar dos 2 °C. Chuvas de verão são mínimas ou modestas devido ao intenso calor vindo do Saara.

03

Demografia

A população recenseada no município em 2021 era de 789 744 habitantes e em 2014 a área metropolitana tinha 1 542 233 habitantes. A área metropolitana de Valência é formada principalmente por municípios situados na Horta de València; algumas destas localidades estão completamente urbanizadas continuamente com o núcleo urbano de Valência, como Mislata, enquanto o resto se situa numa primeira ou numa mais difusa segunda coroa metropolitana. Destacam-se pela população Torrent (75 131 hab. em 2008), Paterna (59 043 hab.), Mislata (43 336 hab.) e Burjasot (37 402 hab.). Em 2008, cerca de 12,13% da população da cidade era de nacionalidade estrangeira, principalmente da América Latina (52,36% dos estrangeiros recenseados), seguido dos originários de outros países europeus (24,20%). As nacionalidades mais presentes na cidade depois da espanhola são a equatoriana (18 176 recenseados), a colombiana (10 097 recenseados) e a boliviana (8 121 recenseados).

04

Urbanismo

Jardins e parques

Valência, também conhecida como la ciudat de les flors (a cidade das flores), conta com muitos parques e zonas ajardinadas, por exemplo o Jardí Botànic, o Parc de l'Oest, os Jardins del Reial (mais conhecidos como Jardins de Vivers) e o Jardí de Túria (conhecido como el Rio) de mais de 6,5 km de espaços verdes. No entanto, só dispõe de 5,3 m² de área verde por habitante, uma das médias mais baixas das grandes cidades espanholas. Cerca 90% das vias da cidade dispõem de áreas ajardinadas. O Jardim de Túria, situado no leito do rio Túria foi construído quando se desviou o rio do seu curso natural, e se reutilizou o seu espaço como área lúdica de mais de 6,5 km de comprimento, e é o maior parque da cidade.

05

Cultura e sociedade

Festas

Em Valência realizam-se numerosas festas, algumas conhecidas fora do país. As festas principais de Valência são as Fallas, em valenciano les falles, uma celebração com uma semana de duração, durante a qual se queimam figuras chamadas "fallas". Caracteriza-se pela colocação nas ruas de figuras ou esculturas, denominadas "fallas, tradicionalmente de madeira e cartão, embora hoje em dia se façam em geral de poliestireno e madeira. Estas figuras são colocadas antes do dia 15 de março pela manhã (a chamada "nit de la Plantà") queimando-se quatro dias depois, na noite do dia de Sant Josep à meia-noite ("nit de la Cremà"). Por ordem cronológica algumas as festas principais são:

Gastronomia

Na gastronomia tradicional da cidade (que segue a chamada dieta mediterrânica), encontramos cardápios ricos em arroz e legumes frescos, que vão de encontro com os costumes, a cultura e o meio ambiente da cidade. Predominam também produtos agrícolas e doces. Há também diversos pratos de peixes nativos. Por curiosidade, em Portugal o prato de paella é também chamado arroz à valenciana. A bebida típica de Valência mais apreciada tanto por turistas como por nativos é a orchata (em castelhano horchata, em catalão ou valenciana orxata). É um dos destaques da gastronomia valenciana, elaborada a partir de chufas e não alcoólica. Entre os coquetéis destaca-se a Água de Valência composta principalmente de cava e suco de laranja.

Religião

A santa padroeira da cidade é a Virgem dos Desamparados, para a qual existe uma Basílica. Em julho de 2006, foi realizado em Valência o V Encontro Mundial das Famílias.

Eventos Internacionais

O V Encontro Mundial das Famílias foi realizado em Valência, no início de julho de 2006, conforme decidido pelo Papa João Paulo II e posteriormente aprovado pelo seu sucessor Bento XVI. Esta reunião consistiu em muitos eventos, reuniões e conferências em torno do conceito e do conteúdo da família cristã. Algumas dessas atividades foram suspensas devido a um trágico acidente de metrô, que ocorreu dias antes da chegada de Bento XVI. Por essa razão, decidiu-se alterar alguns dos seus programas para realizar um ato de homenagem às vítimas na delegacia onde ocorreu a tragédia e na Basílica de Nossa Senhora dos Desamparados. O encontro foi encerrado pelo Papa, em 9 de julho.

06

Economia

Turismo

Anteriormente uma cidade industrial, Valência viu o rápido desenvolvimento que se iniciou em meados da década de 1990, ampliando suas possibilidades culturais e turísticas, que transformou em uma cidade vibrante, restaurando monumentos antigos, como as Torres antigas da cidade medieval (Serrano Torres e Quart Towers), como os mosteiros de San Miguel de los Reyes, que passou a dispor de uma biblioteca especializada e a praia Malvarrosa todo. Outra característica interessante da cidade é o grande número de centros de convenções que possui, como a Feira de Valência (Feria de Valencia), o Palácio Conference (Palau de Congressos) e vários hotéis 5 estrelas.

07

Transportes

Aéreos

Valência é servida pelo Aeroporto de Valência (IATA: VLC, ICAO: LEVC), que fica em Manises, a 8 km do centro. Este aeroporto liga diariamente a cidade a outras cidades espanholas e europeias, além de ter voos para os Estados Unidos e norte de África. É a base da companhia Air Nostrum.

Marítimos

Valência é servida pelo Porto de Valência, que movimentou no ano de 2006 cerca de 47,3 milhões de toneladas de mercadorias, incluindo o Porto de Sagunto e o de Gandia.

Metropolitano

A rede de metropolitano de Valência, designada "MetroValencia" é composta actualmente (2009) por três linhas de metropolitano e duas de elétrico. A rede está a ser ampliada com quatro linhas mais. Trata-se do meio de transporte na cidade que mais está a aumentar o número de passageiros nos últimos anos. A rede comunica a capital com a Área Metropolitana de Valência. As linhas são: A Linha 2 - Nazaret-Museus está em construção.

Ferroviários

Valência conta com um núcleo próprio de transportes ferroviários para os arredores, as Cercanías. Este núcleo é composto por seis linhas que unem Valência a Gandía, Mogente, Utiel, Chirivella, Caudiel e Castelló de la Plana.

08

Desporto

Valência é sede de dois conhecidos clubes desportivos: o Valencia e o Levante. Em 2007 e 2009, Valência acolheu a 32.ª e a 33.º edições da America's Cup, a mais prestigiada competição de vela do mundo. No ciclismo, algumas chegadas de importantes etapas da Volta à Espanha são feitas anualmente em Valência. O Circuito Urbano de Valência figura no calendário da Fórmula 1 desde a temporada de 2008, acolhendo o Grande Prémio da Europa.

09

Monumentos

Reflexo da sua história e das diferentes culturas que a ocupara, a cidade de Valência é ela mesma um museu a céu aberto, no seio da qual coabitam edifícios centenários e construções ultramodernas. Como monumentos e tópicos de interesse turístico destacam-se:

10

Cidades gêmeas

A primeira cidade com a qual se chegou a um acordo municipal para a geminação foi a cidade de Bolonha, em Itália, em 3 de outubro de 1978. Só dois meses depois, em 11 de dezembro, se chegou à geminação com a cidade alemã de Mogúncia. A seguir seria a vez da cidade de Valencia, na Venezuela, em março de 1982; em maio do mesmo ano geminou-se com a cidade de Odessa, na Ucrânia. Depois foi com as cidades de Veracruz e Sacramento, no México e Estados Unidos, respectivamente.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando