Apúlia
A Apúlia é uma região da Itália meridional com 19 541 km² cuja capital é Bari. Em 2017 tinha 4 049 743 habitantes. É formada pelas províncias de Foggia, Barletta-Andria-Trani, Tarento, Brindisi e Lecce e pela cidade metropolitana de Bari.
O nome histórico Apulia é latino e tem origem no grego clássico Ἰαπυγία (Iapygía), que por sua vez tem origem nos iapígios, o povo que em tempos pré-romanos habitou a parte centro-norte da região (os dáunios a norte, os peucécios no centro e os messápios a sul). O prefixo -iap (ou -jap) do termo iapudes (ou japudes) pode indicar que esses povos teriam vindo da outra costa do Adriático. De acordo com uma pseudo-etimologia generalizada, Apulia deriva de Apluvia, que significa "terra sem chuvas". Durante o período romano a região pertenceu à província de Apúlia e Calábria (Regio II Apulia et Calabria), que não incluía a península do Salento, que só posteriormente passou a ser também considerada parte da Apúlia. O nome italiano Puglia no singular só se generalizou nas últimas décadas; antes da criação das atuais regiões administrativas, na década de 1940, era comum usar-se indiferenciadamente Puglia (no singular) como le Puglie ("as Apúlias", no plural). Por exemplo, desde a unificação de Itália, no século XIX, até 1931, o nome da capital apuliense era Bari delle Puglie.
A Apúlia é uma das regiões arqueologicamente mais ricas da Itália. O povoamento da região remonta há pelo menos 250 000 anos, o que é atestado pelos restos fósseis do Homem de Altamura, um espécime arcaico de Homo neanderthalensis. Há numerosos vestígios pré-históricos, que incluem menires e dólmens. Por volta do 1.º milénio a.C., os povos dáunios, peucécios e messápios, provavelmente originários da Ilíria estabeleceram-se na região. Mais tarde surgiram colónias gregas, as primeiras das quais fundadas por micénicos. Durante o período da Magna Grécia, havia numerosas colónias gregas na região, especialmente na parte meridional, nomeadamente a cidade espartana de Taras (atual Tarento). Durante a Segunda Guerra Samnita (326–304 a.C.), o exército romano sofreu uma pesada derrota na Batalha das Forcas Caudinas (321 a.C.), quando tentava socorrer Lucéria, que estava sitiada pelos samnitas. Roma percebeu rapidamente a importância estratégica da Apúlia, mas a ocupação da região, que só ocorrei no século III a.C., não foi fácil, devido sobretudo à resistência de Tarento e Brundísio (Brindisi). Em 216 a.C. o exército romano sofreu a pior derrota da sua história na batalha de Canas, travada perto da atual cidade de Barletta contra os cartagineses comandados por Aníbal.
A costa marítima da Apúlia é mais extensa do que qualquer das outras regiões continentais italianas. Extende-se ao longo de 865 km, desde o promontório de Gargano, a norte, até á área árida do Salento. Na região há dois parques nacionais: o da Alta Múrgia, com 680,8 km² e sede em Gravina in Puglia; e o do Gargano, com 1 211,2 km². A costa alterna entre trechos rochosos, com falésias, como em Gargano, e praias de areia, como no golfo de Tarento. Em 2010, o ministério da saúde italiano considerava que 98% da costa apuliense era adequada para banhos. Fora das áreas dos parques nacionais, nas partes norte e ocidental, a maior parte da Apúlia é bastante plana, especialmente o Salento, apenas com algumas colinas baixas. Geograficamente, a Apúlia está dividida em oito sub-regiões: Gargano, Subapenino Dauno (montes da Daunia), Tavoliere delle Puglie (tradução aproximada: planalto ou meseta da Apúlia), Múrgia (ou Murge), Terra de Bari e Vale de Itria, Arco Jónico Tarentino e Serras Salentinas.
Orografia
A maior parte do território da Apúlia (53%) é plano; 45% é acidentado (com colinas) e apenas 2% é montanhoso, o que faz da região a menos montanhosa da Itália. As montanhas mais altas encontram-se no Subapenino Dauno, na parte noroeste, na fronteira com a Campânia, cujo cume mais alto é o monte Cornacchia (1 152 m), e no promontório do Gargano, na parte nordeste, cujo cume mais alto é o monte Calvo (1 055 m). Outras montanhas relativamente altas do Gargano são os montes Spigno, Vernone, Sacro e Caccia. Os territórios de colinas encontram-se nas sub-regiões de Múrgia e de Salento. A sub-região de Múrgia é um extenso planalto cárstico de forma aproximadamente retangular que constitui grande parte das províncias de Bari e de Barletta-Andria-Trani. Estende-se para ocidente, até à província de Matera, em Basilicata. Para sul vai até às províncias de Tarento e de Brindisi. Está dividida na Alta Múrgia e na Baixa Múrgia. A primeira é a parte mais alta e rochosa, onde predominam os bosques mistos e a vegetação é muito pobre. Na Baixa Múrgia a terra é mais fértil e está em grande parte coberta por olivais. As Serras Salentinas são uma área montanhosa situada na metade meridional da província de Lecce.
Do ponto de vista geológico, praticamente 80% da Apúlia é composta por rochas calcárias e dolomíticas em todas as suas variedades. No Jurássico Médio e Inferior aquilo que é hoje a Apúlia era constituído por ilhas e falésias submersas pelo oceano Tétis e pelos mares epicontinentais formados pela fragmentação de Pangeia. Os depósitos progressivos no leito marinho das conchas de microorganismos marinhos que se formaram subtraindo o carbonato de cálcio da água, formaram camadas de rochas sedimentares calcárias e dolomíticas, muitas delas com várias centenas de metros de espessura. Essas camadas podem ter sido formadas não só devido à duração do processo de sedimentação, que durou cerca de 125 milhões de anos, mas também devido à progressiva subsidência. No Cretáceo, uma boa parte da Apúlia estava acima do nível do mar, embora a região fosse um arquipélago. Nesse período começaram os primeiros fenómenos cársticos. No Paleoceno, uma série de intrusões subvulcânicas criou a Punta delle Pietre nere ("ponta das pedras negras"), perto de Marina di Lesina, as únicas rochas magmáticas que afloram na Apúlia.
Hidrografia
A natureza cárstica da maior parte do território de Apúlia e a escassez de chuva fazem com que a região tenha poucos cursos de água superficiais. À exceção dos rios Ofanto e e do Fortore, que têm apenas parte do seu curso na Apúlia, os rios apulienses têm cursos curtos e são de natureza torrencial, como é o caso do Candelaro, Cervaro e Carapelle. Os lagos naturais da região são todos costeiros, separados o mar Adriático por faixas de areia estreitas. Os maiores são os de Lesina e de Varano, na costa norte do Gargano. Na comuna de Manfredónia existe a área protegida do lago Salso, uma zona húmida alimentada pela água doce do Cervaro. As salinas de Margherita di Savoia são o que resta do antigo lago de Salpi, atestado no período romano. Mais a sul, perto de Otranto, encontram-se os lagos Alimini.
Clima
O clima da Apúlia é tipicamente mediterrânico. No verão, a região é das regiões mais quentes e secas da Itália. As zonas litorais e planas têm verões quentes, ventosos e secos, enquanto que os invernos são geralmente amenos e chuvosos. A precipitação, concentrada no fim do outono e no inverno, é escassa. Todavia, no Subapennino Dauno, Gargano e Alta Múrgia os verões são frescos e durante o inverno não é raro cair neve e haver nevoeiros noturnos, por vezes persistente. A neve é mais frequente principalmente no planalto de Múrgia, quando a região é atingida por frente frias vindas de leste. Os valores médios da precipitação situam-se entre os 450 e os 650 mm por ano; um pouco mais no Gargano e Subapennino Dauno, onde a precipitação média anual atinge os 800 mm. No outono e no inverno é frequente haver névoas matinais e noturnas na Capitanata e na Múrgia.
Demografia
Com 4 049 743 de habitantes em 2017, a Apúlia é a oitava região da Itália em população. Em 2017, a densidade populacional da região (densidade: 207,2 hab./km²) era ligeiramente superior à média nacional (201,1 hab./km²). Em 2001, a população da Apúlia era das mais jovens entre as regiões italianas. Os habitantes com menos de 25 anos representavam 31,2% da população, quando a média nacional era 25,8%. Os habitantes com mais de 65 anos representavam 15,4% da população, quando a média nacional era 18,2%. A emigração das áreas mais deprimidas da Apúlia para o norte de Itália e outros países europeus foi muito intenso entre 1956 e 1971. Depois disso o fluxo diminuiu, à medida que as condições económicas foram melhorando, a ponto do saldo migratório ser nulo entre 1982 e 1985. A partir de 1986 e pelo menos até 2000, a estagnação na oferta de emprego levou a uma nova inversão, não tanto devido à saída de residentes, mas sobretudo devido à diminuição da imigração.
A região administrativa da Apúlia foi criada após a unificação de Itália, juntando três circunscrições do Reino das Duas Sicílias, predecessor do então criado Reino de Itália: Durante os trabalhos da Assembleia Constituinte da República Italiana, em 1946/1947, chegou a estar previsto criar duas regiões distintas — a Apúlia e o Salento — o que não chegou a concretizar-se (ver secção "História"). Em junho de 2018, o presidente da Junta Regional da Apúlia era Michele Emiliano, do Partido Democrático, no cargo desde 1 de junho de 2015. Anteriormente, a Apúlia era sempre dominada por centristas ou de coligações de direita. Em janeiro de 2015 foi criada a cidade metropolitana de Bari, que substituiu a província de Bari.
Subdivisões
Juridicamente, a região atual foi criada em 1 de janeiro de 1948 pela constituição italiana, mas as suas funções só foram implementadas pela lei n.º 281 de 1970.
Brasão
Segundo o website oficial da Região da Apúlia, o brasão da região consiste num Escudo encimado por uma coroa "fredericana" (dedicada a Frederico II da Suábia, sacro-imperador romano-germânico). Por cima do escudo há seis círculos que representam as seis províncias da Apúlia. O corpo central é composto por um octógono com uma oliveira no centro, símbolo de paz e fraternidade. O octógono representa o Castel del Monte, um castelo medieval que é um dos locais turístico-culturais mais sugestivos da região. A presença da oliveira no brasão é uma referência ao azeite de alta qualidade produzido na Apúlia, um dos recursos mais importantes da agricultura da região e um elemento constante na sua paisagem. Por outro lado, é um símbolo da unidade da região.[carece de fontes?]
Cooperação com os países balcânicos
Desde pelo menos a década de 2000 que a Apúlia estabeleceu numerosas e importantes relações com os países dos Bálcãs. A Albânia é parceira comercial da Apúlia há muitos anos e há numerosas iniciativas conjuntas com esse e outros países balcânicos, nomeadamente por ocasião da realização anual da Fiera del Levante (Feira do Levante) em Bari. Têm sido desenvolvidos diversos programas de cooperação não só económica mas também cultural. Alguns desses programas são financiados pelo programa Interreg da União Europeia (UE), um dos mecanismos da política de coesão, que foi criado para intensificar a cooperação transfronteiriça entre regiões situadas nas fronteiras e externas da UE.
A contribuição da região para o valor acrescentado bruto da Itália foi de cerca de 4,6% em 2000, enquanto a sua população foi de 7% do total. O PIB per capita é baixo em comparação com a média nacional e representa cerca de 68,1% da média da UE. Estima-se que existam 50 a 60 milhões de oliveiras na Apúlia, e a região é responsável por 40% da produção de azeite da Itália. A região possui indústrias especializadas em áreas específicas, incluindo processamento de alimentos e veículos em Foggia; calçado e têxteis na área de Barletta e móveis na área de Murge, a oeste. Entre 2007 e 2013, a economia da Apúlia expandiu-se mais do que a do sul da Itália. Esse crescimento, ao longo de várias décadas, é um sério desafio para o sistema hidrológico.
As infraestruturas de transportes são melhores na zona norte da Apúlia do que na zona sul (províncias de Lecce, Brindisi e Tarento) e em áreas do interior das províncias de Foggia e de Bari). A rede rodoviária cobre toda a região de forma eficaz, mas o mesmo não acontece com rede ferroviária, que deixa bastante a desejar, principalmente no sul.
Rede ferroviária
As linhas ferroviárias da Apúlia exploradas diretamente pela companhia estatal Ferrovie dello Stato são as seguintes: As ligações com a Campânia e a Basilicata são asseguradas pela Ferrovia Napoli-Foggia e pela Ferrovia Foggia-Potenza. A duplicação da linha da primeira, com 194 km e que faz parte do prolongamento do corredor pan-europeu VIII da RTE-T, decorre desde a década de 1990. Está planeado que integre a futura linha de alta velocidade Bari-Foggia-Caserta. A linha Foggia-Potenza, com 119 km, é de via única e não está eletrificada. O serviço na Ferrovia Avelino-Rocchetta Sant'Antonio foi encerrado em 2010 e desde então a linha, com 119 km, só é usada ocasionalmente como ferrovia turística.
Aeroportos
Os principais aeroportos da Apúlia são os de Bari e de Brindisi. Os quatro aeroportos da região com serviços comerciais públicos de passageiros são administrados pela sociedade anónima Aeroporti di Puglia. Na Apúlia existem também as seguintes bases aéreas:
Em 2014, estavam inscritos nos estabelecimentos de ensino da Apúlia 759 592 alunos, o que representava 18,6% da população. No mesmo ano, os estudantes do ensino superior representavam 2,5% da população e havia na região 58 343 professores dos ensinos infantil, básico e secundário contratados por escolas públicas.
A região é muito ativa do ponto de vista desportivo. Em todas as comunas existem instalações desportivas e há alguns clubes com relevância nacional e internacional.
Estádios
Os dois principais estádios da Apúlia são o San Nicola de Bari e o Via del Mare de Lecce. O primeiro tem capacidade para 58 270 espectadores, é da autoria deo arquiteto Renzo Piano e foi construído para o Campeonato do Mundo de 1990. Em 1997 foi dotado duma pista de atletismo para os Jogos do Mediterrâneo de 1997, realizados em Bari. O Estádio Via del Mare foi inaugurado em 1966; embora a lotação inicial fosse 40 670 espectadores, desde 2016 que só tem 19 202 lugares homologados, depois de durante vários anos só ter 14 287 lugares. O Estádio da Vitória de Bari foi inaugurado em 1934. Tem capacidade para 40 000 espectadores e seis pistas de atletismo. Desde 1990 que é usado sobretudo para jogos de râguebi, futebol americano e concertos. Foi remodelado em 1997. O estádio Erasmo Iacovone, de Tarento, foi inaugurado em 1965, com lotação para 30 450 espectadores. Após ter sido remodelado em 1985, a capacidade foi reduzida para 26 884 lugares, dos quais só 12 154 estão homologados. O Estádio Pino Zaccheria de Foggia foi inaugurado em 1925 e várias vezes remodelado, a última delas em 2017. Tem 25 085 lugares, dos quais 17 368 homologados.
Outras infraestruturas desportivas
Na Apúlia há dois hipódromos (o Paulo VI em Tarento e o "dei Sauri" (dos alazões) em Castelluccio dei Sauri), dois autódromos (o do Levante em Binetto, usado sobretudo para motociclismo, e o Circuito de Nardò, uma pista de testes que desde 2012 é propriedade da Porsche).
Clubes de futebol masculino
As equipas de futebol profissional da Apúlia em 2018 eram as seguintes: Outros clubes apulienses com alguma importância são, por exemplo, o A.C.D. Nardò, o U.S.D. San Severo, o U.S.D. Audace Cerignola, o U.S.D. Città di Fasano e Associazione Calcio Dilettantistica Ars et Labor Grottaglie.
Clubes de futebol feminino
A Associazione Sportiva Dilettantistica Pink Sport Time, fundada em 2001 em Bari, jogou na Série A (1.ª divisão) nas temporadas 2014–2015 e 2017–2018 (10.ª lugar). Outras equipas de alguma relevância são o Salento Women e o Apulia Trani. A Alaska Gelati Lecce, um clube de Veglie existente entre 1970 e 1984, ganhou o campeonato nacional italiano em 1981, 1982 e 1983 e a Taça de Itália em 1981 e 1982. O Trani 80, fundado em 1979 e dissolvido em 1988, ganhou o campeonato nacional italiano em 1984, 1985 e 1986 e a Taça de Itália em 1983.
Clubes de outras modalidades
O clube de hóquei em patins AFP Giovinazzo, fundado em 1968, durante a maior parte da sua história jogou na Série A1 (1.ª divisão italiana), tendo estado várias vezes nos primeiros lugares dessa divisão e na Taça de Itália entre o final da década de 1970 e meados da década de 1980. Na época 2017–2018 ficou em último lugar da Série A1, onde estava desde 2007. O clube de basquetebol masculino New Basket Brindisi tem disputado a 1.ª divisão desde 2010. O clube de basquetebol feminino Taranto Cras Basket ganhou quatro campeonatos nacionais (2003, 2009, 2010 e 2012), duas Taças de Itália (2003 e 2012), três Supertaças (2003, 2010 e 2011); ficou em segundo lugar na Eurocup de 2009. Desde 2013 que só participa em campeonatos juvenis devido a problemas financeiros. A equipa de basquetebol em cadeira de rodas Dream Team Taranto jogou entre 2002 e 2010, tendo ganho um campeonato nacional, um taça e uma supertaça.
Principais eventos desportivos anuais
Rali do Salento — É uma prova automobilística que se realiza anualmente em junho nas estradas da província de Lecce, que conta para o Campeonato Italiano de Rali. Reconstituição da prova Milão-Tarento — A Milão-Tarento foi um prova de motociclismo de estrada que se realizou entre 1937 e 1940 e de 1950 a 1956. Desde 1987 que é revivida anualmente em julho com motos antigas. Taça Fasano-Selva — É uma corrida de montanha que se realiza anualmente em agosto num percurso com 5,6 km em curvas fechadas da estrada 172 na comuna de Fasano. Taça Messapica — É uma prova de ciclismo que se realiza em agosto desde 1952 num circuito parcialmente urbano na comuna Ceglie Messapica.


