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Fonologia do Grego Antigo

Fonologia do grego antigo refere-se à reconstrução da fonologia ou à pronúncia do grego antigo. Este artigo trata principalmente da pronúncia padrão do dialeto ático falado no século V a.C, utilizado por Platão e outros escritores gregos clássicos, mas menciona outros dialetos falados no mesmo período ou antes. A pronúncia do grego antigo não é conhecida por observação direta, mas sim determinada por outros tipos de evidência. Alguns detalhes acerca da pronúncia do grego ático e outros dialetos do grego antigo são desconhecidos, mas em geral é aceito que o ático possui certas características não presentes em português ou em grego moderno, como a distinção entre oclusivas sonoras, surdas ou aspiradas, distinção entre consoantes simples e duplas e entre vogais longas e curtas, na maioria das posições em uma palavra, além de um acento baseado em tons, ao invés de intensidade.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 25/07/2026
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Grego oriental primitivo

A maioria dos dialetos do grego oriental palatalizaram ou assibilaram /t/ para [s] antes de /i/. Grego ocidental, incluindo dórico, não passou por estas mudanças em alguns casos, e, por meio da influência do dórico, nem os dialetos tessálico e beócio do eólico. Arcadocipriota foi um dos primeiros dialetos gregos na Grécia. O grego micênico, a forma de grego falada antes da Idade das Trevas Grega, parece ser uma forma primitiva de arcadocipriota. Tabuletas de argila com grego micênico escrito em Linear B foram encontrados por uma grande área, indo de Tébas, na Grécia central, passando por Micenas e Pilos no Peloponeso, até Cnossos em Creta.Entretanto, durante o período do grego antigo, o arcadocipriota era falado apenas na Arcádia, no interior do Peloponeso e em Chipre. Os dialetos dessas duas áreas permaneceram consideravelmente similares, apesar da grande distância geográfica. Eólico é intimamente relacionado ao arcadocipriota. Ele era originalmente falado no extremo nordeste do Peloponeso, em Tessália, Lócrida, Fócida, no sul da Etólia e na Beócia, uma região próxima de Atenas. O dialeto foi levado para a Eólia, na costa da Ásia menor e para a ilha próxima de Lesbos. No período do grego antigo, os únicos dialetos eólicos que permaneceram na Grécia foram o tessálico e beócio. Estes adotaram algumas características do dórico, uma vez que estavam localizados próximos à áreas de fala dórica, enquanto os dialetos eólio e lésbico permaneceram puros.

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Grego Ocidental

O dialeto dórico, o mais importante membro do grupo grego ocidental, originou-se na Grécia ocidental. Por meio da invasão dórica, o dialeto suplantou os dialetos nativos arcadocipriotas e eólicos de algumas áreas centrais da Grécia, no Peloponeso e em Creta, além de influenciar fortemente os dialetos tessálico e beócio do eólico. Os dialetos dóricos são classificados de acordo com a vogal que eles recebem como resultado do alongamento compensatório e contração: aqueles que recebem η, ω são chamados "antigos" e aqueles que recebem ει, ου são chamados "novos". Lacônico e cretense, falados na Lacônia, região de Esparta e em Creta são dois dialetos dóricos antigos.

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Ático e Jônico

Ático e jônico compartilham uma mudança vocálica não presente em nenhum outro dialeto de grego ocidental ou oriental. Ambos elevaram a vogal longa do protogrego /aː/para [ɛː]. Mais tarde, o ático reduziu [ɛː] imediatamente depois de /e, i, r/ para [aː], diferenciando-se assim do jônico. Todos os demais dialetos do grego mantiveram a vogal original /aː/. Jônico era falado nas regiões ao redor do Mar Egeu, incluindo Jônia, uma região da Anatólia, a partir da qual ele foi nomeado. Jônico contrasta vogais menos frequentemente do que visto em ático (veja abaixo). O dialeto ático é a forma padrão ensinada atualmente em cursos de grego antigo, e aquele em que mais literatura foi produzida. Ele era falado em Atenas e Ática, a região circundante. O ático antigo, que foi utilizado pelo historiador Tucídides e pelos tragediógrafos, substituiu os dígrafos nativos áticos /tt e rr/ pelos dígrafos /ss e rs/ de outros dialetos. Escritores posteriores, como Platão, usaram as formas áticas puras.

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Grego tardio

Koiné, a forma de grego falada durante o período helenístico, se baseava originalmente no dialeto ático, com algumas influências de outros dialetos. Ele sofreu uma série de mudanças, incluindo o mudança de consoantes oclusivas para fricativas e a mudança de várias vogais e ditongos para [i] (iotacismo). No período bizantino ele evoluiu para o grego medieval, que mais tarde se tornaria o grego moderno padrão. Tsacônio, uma forma de grego moderno mutuamente ininteligível com o grego moderno padrão, derivado dos dialetos lacônios e dóricos, é o único descendente sobrevivente de um dialeto não-ático.

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Consoantes

O grego ático possuía 15 (ou 17) fonemas consonantais: nove consoantes oclusivas, duas fricativas e quatro ou ou seis soantes. O grego moderno possui praticamente o mesmo número de consoantes, sendo que a principal diferença entre ambos é que o grego moderno possui fricativas sonoras e surdas que evoluíram de oclusivas sonoras e aspiradas do grego antigo. Na tabela abaixo, estão indicados os fonemas do dialeto ático padrão e seus alofones estão entre parênteses. Os fonemas marcados com asterisco aparecem em outros dialetos ou em formas primitivas do grego, mas não são fonemas padrões do ático.

Consoantes oclusivas

O grego antigo possuía nove oclusivas. Os gramáticos as classificavam em três grupos: surdas aspiradas, surdas não-aspiradas e sonoras. As oclusivas surdas aspiradas eram /pʰ, tʰ, kʰ/, as oclusivas surdas não-aspiradas eram /p, t, k/ e as oclusivas sonoras eram /b, d, ɡ/.

Fricativas

O grego ático possuía apenas dois fonemas fricativos: a fricativa alveolar surda /s/ e a transição glotal surda /h/. /h/ é frequentemente chamada de espírito áspero ou rude. O ático, em geral, o manteve, mas alguns dialetos não-áticos o perderam durante o período clássico. O espírito áspero frequentemente ocorria no início de palavras, pois geralmente era suprimido entre vogais, exceto em duas raras palavras. Além disso, quando o radical de uma palavra iniciando com /h/ era o segundo elemento de uma palavra composta, o /h/ às vezes permanecia, provavelmente dependendo do fato do falante reconhecer que a palavra era um composto. Isso pode ser visto em inscrições em ático antigo, onde /h/ era escrito usando a letra eta, que foi a fonte da letra H no alfabeto latino.

Nasais

O grego antigo possuía duas nasais: a nasal bilabial /m/, escrita μ e a nasal alveolar /n/, escrita ν. Dependendo do entorno fonético, o fonema /n/ era pronunciado como [m, n, ŋ]. Ocasionalmente, o fonema /n/ sofria geminação, como na palavra ἐννέα. Geminação artificial, para fins métricos, também é ocasionalmente encontrada, como na forma ἔννεπε, presente no primeiro verso da Odisseia de Homero.

Líquidas

O grego antigo possuía as líquidas /l/ e /r/, escritas λ e ρ respectivamente. A letra lambda λ provavelmente representada o som lateral "claro" [l], como no grego moderno e na maioria das línguas europeias modernas, porém o som nunca é vocalizado para [u] ou [w] em final de sílaba como ocorre em algumas variantes do português brasileiro, como em alto [awtu] ou mal [maw]. A letra rho ρ era pronunciada como um trinado alveolar [r], como em grego moderno ou como o r simples entre vogais no português brasileiro (como em caro ou barato). No início de uma palavra, era pronunciado como trinado alveolar surdo [r̥]. Em alguns casos, ⟨ρ⟩ inicial era pronunciado como geminado na poesia (fonemicamente /rr/, foneticamente [r̥ː]), evidenciado pelo fato de que a sílaba anterior é considerada com longa: por exemplo τίνι ῥυθμῷ deve ser pronunciado como τίνι ρρυθμῷ em Electra de Eurípedes, verso 772, τὰ ῥήματα como τὰ ρρήματα na peça As Rãs de Aristófanes, verso 1059, e βέλεα ῥέον como βέλεα ρρέον na Ilíada, verso 12.159.

Semivogais

As semivogais /j/ e /w/ não estavam presentes no dialeto ático padrão no início de palavras. Entretanto, ditongos terminados em /i/ ou /u/ eram usualmente pronunciados com semivogais longas [jː wː] antes de vogal. Allen sugere que estes eram apenas alofones semivocálicos das vogais puras, apesar de, em alguns casos, terem se desenvolvido a partir de semivogais primitivas. A aproximante labiovelar /w/ em início de sílabas sobreviveu em alguns dialetos não-aticos, como arcádio ou eólico. Uma aproximante labiovelar surda /ʍ/ provavelmente também ocorria nos dialetos panfílio e beócio. /w/ era por vezes escrito com a letra digamma ⟨Ϝ⟩, e mais tarde com ⟨Β⟩ e ⟨ΟΥ⟩, enquanto /ʍ/ era escrito com digamma e heta ⟨ϜΗ⟩.

Consoantes duplas

Consoantes simples e duplas (geminadas) eram distinguidas entre si no grego antigo. Por exemplo, /p, kʰ, s, r/ contrastava com /pː, kʰː, sː, rː/, também escritos /pp, kkʰ, ss, rr/. Na poesia grega antiga, uma vogal seguida de uma consoante geminada era considerada como uma sílaba longa na métrica. Consoantes geminadas geralmente ocorriam somente entre vogais, nunca no início ou fim de uma palavra, com exceção do caso de /r/, visto acima. A geminação foi perdida no grego moderno padrão, portanto, todas as consoantes geminadas são pronunciadas como simples. O grego cipriota, o dialeto moderno do grego de Chipre, entretanto, preserva consoantes geminadas.

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Vogais

As vogais e ditongos dos gregos arcaico e clássico variavam entre os dialetos. A tabela abaixo mostra as vogais do ático clássico em AFI, junto das letras que representavam a vogal no alfabeto jônico padrão. O alfabeto ático antigo possuía algumas diferenças. O grego ático do século V a.C. possuía 5 vogais curtas e 7 vogais longas:/a, e, i, y, o/ e /aː, eː, ɛː, iː, yː, uː, ɔː/. Na escrita padrão do grego antigo, as vogais longas /eː, ɛː, uː, ɔː/ escritas ει, η, ου, ω , eram diferenciadas das vogais curtas /e, o/, que eram escritas como ε, ο, mas os pares curtos-longos /a, aː/, /i, iː/e /y, yː/ eram escritos com uma única letra cada: α, ι, υ. Em gramáticas, textos modernos e dicionários, α, ι, υ são por vezes marcados com mácrons (ᾱ, ῑ, ῡ) para indicar sua pronúncia longa, ou com braquias (ᾰ, ῐ, ῠ) para indicar sua pronúncia curta.

Monotongos

As vogais curtas fechadas e abertas /i, y, a/, com exceção da duração, possuíam pronúncia igual às suas versões longas correspondentes /iː, yː, aː/. A vogal posterior fechada arredondada /u, uː/ do protogrego evoluiu para a anterior /y, yː/ muito cedo nos dialetos ático e jônico, por volta dos séculos VI ou VII a.C. O fonema /u/ permaneceu apenas em ditongos. Ele porém, não sofreu alteração no dialeto beócio, de modo que quando os beócios adotaram o alfabeto ático, eles escreviam o fonema inalterado /u, uː/ utilizando ⟨ΟΥ⟩. A situação com as vogais médias era mais complexa. No período clássico arcaico, havia dois tipos de vogais médias curtas, /e, o/, mas quatro vogais médias longas: as semifechadas /eː, oː/e as semiabertas /ɛː, ɔː/.

Ditongos

Ático possuía muitos ditongos, todos decrescentes com/i, u/como o segundo elemento semivocálico, e tanto com uma vogal curta ou longa com primeiro elemento. Ditongos com uma vogal curta como primeiro elemento são por vezes chamados "ditongos verdadeiros", enquanto aqueles com uma vogal longa na posição inicial são chamados "ditongos falsos". Independente de terem uma vogal longa ou curta como primeiro elemento, todos os ditongos contam duas moras quando aplicam-se as regras de acentuação. No geral, porém, ático e koiné exibiam uma tendência de monotongação, uma vez que tendiam a transformar ditongos em vogais simples. Os ditongos mais comuns eram /ai, au, eu, oi/ e /ɛːi̯, aːi̯, ɔːi̯/.Os ditongos longos /ɛːu̯, aːu̯, ɔːu̯/ocorriam raramente. Os ditongos /ei, ou, yi/evoluíram para /eː, uː, yː/ na maioria dos casos no início do período clássico, porém permaneceram /ei, yi/diante de vogais.

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Ortografia

Muitas variações do alfabeto grego foram usadas pelos dialetos regionais da língua grega durante seus períodos arcaico e clássico. O dialeto ático, porém, usava duas variações. A primeira era o alfabeto ático antigo e o segundo era o alfabeto jônico, introduzido em Atenas pelo final do século V a.C., durante o arconato de Euclides. Este último é o alfabeto padrão usado em edições modernas de textos gregos antigos, sendo o utilizado para o ático clássico, koiné padrão e grego medieval, tornando-se por fim, o alfabeto utilizado no grego moderno.

Consoantes

A maioria das consoantes geminadas é escrita utilizando letras duplas: ⟨ππ, σσ, ρρ⟩ representando /pː, sː, rː/ ou /pp, ss, rr/. As versões geminadas de oclusivas aspiradas /pʰː, tʰː, kʰː/ eram escritas com os dígrafos ⟨πφ, τθ, κχ⟩, e gama geminado /ɡː/ era escrito como ⟨κγ⟩, uma vez que ⟨γγ⟩ representava [ŋɡ] na ortografia padrão do grego antigo. /s/ era escrito com sigma ⟨Σ, σ, ς⟩. Os encontros/ps, ks/ eram escritos como ⟨ΦΣ, ΧΣ⟩ no alfabeto ático antigo, mas como ⟨Ψ, Ξ⟩ no alfabeto jônico padrão. O /r/ surdo era geralmente escrito com o espírito áspero, como em ῥ-, e transcrito como rh em latim. A mesma grafia é por vezes encontrada quando /r/ é geminado, como em ⟨συρρέω⟩, também escrito ⟨συῤῥέω⟩, dando origem a transliteração rrh.

Vogais

As vogais anteriores fechadas arredondadas /y/ e /yː/(uma evolução de /u/ e /uː/ respectivamente) são ambas representadas na escrita com a letra úpsilon υ, independente da duração curta ou longa. No ático clássico, a escrita de ει e ου representava respectivamente as vogais /eː/ e /uː/ (o último sendo uma evolução de /oː/), originários de ditongos, alongamento compensatório ou contração.

Escrita de /h/

No alfabeto ático antigo, /h/ era escrito com a forma da letra eta ⟨Η⟩. No dialeto jônico da Ásia menor, /h/ foi desde muito cedo perdido, e a letra ⟨Η⟩ foi usada para representar /ɛː/. Em 403 a.C., quando o alfabeto jônico foi adotado em Atenas, o fonema /h/ parou de ser representado na escrita. Em algumas inscrições, /h/ era representado por um símbolo formado pela metade esquerda da letra original eta:⟨Ͱ⟩. Gramáticos posteriores, durante o período do grego koiné, transformaram o símbolo em um acento diacrítico, o espírito áspero (δασὺ πνεῦμα ou δασεῖα; em latim: spiritus asper), que era escrito sobre a vogal inicial. De maneira análoga, eles introduziram uma versão espelhada do diacrítico, chamado espírito brando (ψιλὸν πνεῦμα ou ψιλή; em latim: spiritus lenis), usado para indicar a ausência de /h/. O uso desses símbolos só se tornou consistente durante o período bizantino.

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Fonotática

A língua grega antiga dividia as palavras em sílabas. Uma palavra possuía uma sílaba para cada vogal curta, vogal longa ou ditongo. Ademais, sílabas iniciam com consoantes, se possível, e por vezes também terminam em consoantes. Consoantes no início de sílabas são o início ou ataque da sílaba, a vogal no meio é o núcleo, e a consoante final é a coda silábica. Ao dividir palavras em sílabas, cada vogal ou ditongo pertence a uma única sílaba. Uma consoante entre vogais acompanha a vogal seguinte. Nas transcrições abaixo, um ponto ⟨.⟩ separa as sílabas: As consoantes remanescentes são adicionadas ao final de uma sílaba. Quando uma consoante dupla ocorre entre vogais, ela é dividida entre as sílabas. Metade de uma consoantes dupla permanece na sílaba anterior, formando a coda silábica, e a outra metade inicia a sílaba seguinte, formando o ataque. Encontros entre duas ou três consoantes são também divididos entre sílabas, com pelo menos um elemento se juntando à vogal anterior e formando a coda silábica.

Duração das sílabas

Sílabas em grego antigo podem ser curtas ou longas. Essa distinção é importante na poesia grega antiga, que era baseada em padrões de alternância entre sílabas longas e curtas. A duração silábica é definida conforme as consoantes e vogais presentes. A tonicidade grega, por outro lado, era baseada apenas em vogais. Uma sílaba terminando em vogal curta, ou os ditongos αι e οι em certos substantivos e flexões verbais, eram curtos. Todas as outros sílabas eram longas: isto é, sílabas terminando em vogal longa ou ditongo, em vogal curta seguida de consoante, ou vogal longa ou ditongo seguido de consoante. Os gramáticos gregos chamavam as sílabas longas de μακραί ('longas", singular μακρά), e as colocavam em duas categorias: as sílabas longas terminadas em vogal longa ou ditongo eram chamadas φύσει μακρά ('longa por natureza'), e uma sílaba longa terminada em consoante era chamada θέσει μακρά ('longa por posição'). Estes termos foram traduzidos para o latim como naturā longa e positiōne longa. Gramáticos indianos, entretanto, classificavam as sílabas como pesadas ou leves, e as vogais como longas ou curtas.

Ataque silábico

No grego ático, qualquer consoante única, e vários encontros consonantais podem ocorrer em posição silábica inicial. Seis encontros consonantais de oclusivas podem ocorrer. Todos iniciam com uma labial ou velar e terminam com dental. Assim, os encontros /pʰtʰ, kʰtʰ, pt, kt, bd, ɡd/ podem ocorrer.

Coda

No grego antigo, qualquer vogal pode terminar uma palavra, mas apenas as consoantes /n, r, s/. Se uma oclusiva terminasse uma palavra no protoindo-europeu, essa era suprimida no grego antigo, como em ποίημα (de ποίηματ; compare o genitivo singular ποιήματος). Outras consoantes podem terminar palavras, porém somente quando a vogal final original sofre elisão diante da vogal inicial de uma outra palavra, como em ἐφ᾿ ἵππῳ (de ἐπὶ ἵππῳ).

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Alterações sonoras

A língua grega passou por diversas alterações sonoras. Algumas ocorreram entre o protoindo-europeu (PIE) e o protogrego (PGr), outras entre o períodos do grego micênico e grego antigo, separados por um intervalo de aproximadamente 300 anos (a Idade das trevas grega), enquanto outras tiveram lugar na época do grego koiné. Algumas alterações ocorreram apenas em alguns dialetos particulares do grego antigo e não em outros. Alguns dialetos inclusive, como beócio e lacônico, passaram por alterações similares àquelas que ocorreriam mais tarde no grego koiné. Em ático, jônico e dórico, as vogais eram geralmente alongadas quando uma consoante seguinte era perdida. Sendo a sílaba anterior à consoante originalmente longa, a perda da consoante a tornaria breve. Diante disso, a vogal anterior à consoante era alongada, de modo que a sílaba continuasse longa. Essa mudança é chamada de alongamento compensatório, pois a duração vocálica compensa a perda da consoante. O resultado do alongamento depende do dialeto e período. A tabela abaixo mostra todos os resultados possíveis:

Debucalização

Em protogrego, a sibilante do PIE *s torna-se /h/ por debucalização em muitos casos. Encontros de *s e uma soante (líquida ou nasal) no início de palavra tormam-se ressoantes surdas em algumas formas de grego arcaico. O [r̥] surdo permanece em ático no início de palavras, e torna-se o alofone regular de /r/ nessa posição. O /ʍ/ mescla-se com /h/, e o resto das ressoantes surdas mescla-se com as ressoantes sonoras. O *s do PIE permanece em encontros consonantais com oclusivas e no final de palavras: A semivogal *y /j/ do protoindo-europeu, por vezes, era debucalizada, outras vezes era endurecida em posição inicial. A maneira como esse desenvolvimento ocorria não é clara, porém, o envolvimento de laríngeas é sugerido. Em outras posições, a semivogal permanecia, frequentemente participando de outros movimentos de alteração sonora:

Lei de Grassmann

De acordo com a lei de Grassmann, uma consoante aspirada perde sua aspiração quando seguida de outra consoante aspirada na sílaba seguinte. Isso também afeta o /h/resultante da debucalização de *s. Por exemplo:

Palatalização

Em alguns casos, o som ⟨ττ⟩ /tː/ em ático corresponde ao som ⟨σσ⟩ /sː/ em outros dialetos. Esses sons se desenvolveram a partir da palatalização de κ, χ, e por vezes de τ, θ, e γ diante da semivogal pré-grega /j/. Esse som era provavelmente pronunciado como uma africada [ts] ou [tʃ] em períodos iniciais do grego, porém inscrições não exibem a grafia ⟨τσ⟩, o que sugere que a pronúncia africada não ocorria mais durante o período clássico grego.

Perda de labiovelares

O grego micênico possuía três oclusivas velares labializadas: /kʷʰ, kʷ, ɡʷ/, uma aspirada, uma surda e uma sonora, respectivamente. Estas derivam de labiovelares e sequências de velar e /w/ do protoindo-europeu, sendo similares às velares do grego antigo: /kʰ, k, ɡ/, apenas com o adicional arredondamento dos lábios. Todas eram escritas utilizando o mesmo símbolo na escrita linear B, sendo transcritas como q. No grego antigo, todas as velares labializadas foram mescladas com outras oclusivas: labiais /pʰ, p, b/, dentais /tʰ, t, d/ e velares /kʰ, k, ɡ/. O modo como cada uma evoluiu varia entre dialetos e entorno fonológico. Por isso, certas palavras que originalmente possuíam velares labializadas apresentavam diferentes tipos de oclusivas entre os dialetos gregos. Algumas palavras de uma mesma raiz poderiam, inclusive, apresentar diferentes oclusivas dentro do mesmo dialeto grego.

Psilose

Através da psilose ('despojamento'), o /h/ foi perdido até mesmo no início de palavras. Essa mudança sonora não ocorreu em ático até pelo menos o período do grego koiné, mas ocorreu em jônico e eólico, de modo que pode ser percebido em certas formas homéricas. Estes dialetos são chamados de psilóticos. Durante o período do grego koiné, o fonema /h/ desapareceu totalmente e jamais reapareceu, de modo que o grego moderno não possui esse fonema.

Espirantização

Espirantização é o processo no qual consoantes oclusivas tornam-se fricativas. As oclusivas aspiradas e sonoras do grego clássico tornaram-se fricativas surdas e sonoras durante o período do grego koiné. A espirantização de /tʰ/ já havia ocorrido anteriormente no dialeto lacônico. Alguns exemplos são transcritos por Aristófanes e Tucídides, como em ναὶ τὼ σιώ em lugar de ναὶ τὼ θεώ ('Sim, pelos [dois] deuses!') e παρσένε σιά em lugar de παρθένε θεά ('deusa virgem!') (Lisístrata, 142 e 1263), σύματος em lugar de θύματος ('vítima de sacrifício') (História da Guerra do Peloponeso, livro V, cap. 77). Estas escritas indicam que /tʰ/ era pronunciado como uma fricativa dental [θ] ou sibilante [s], a mesma mudança que ocorreu posteriormente em grego koiné. O grego, entretanto, não possuía uma letra cujo som correspondesse às fricativas labiais e velares, de modo que é impossível dizer quando /pʰ, kʰ/ efetivamente evoluíram para /f, x/.

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Reconstrução

As informações acima são baseadas em um largo conjunto de evidências, que foi extensivamente discutido por linguistas e filólogos dos séculos XIX e XX. A seção seguinte mostra um resumo dos tipos de evidência e argumentos utilizados nesses debates, e fornece algumas orientações em relações aos pontos de incerteza que ainda prevalecem.

Evidência interna

Sempre que um novo conjunto de símbolos, como uma alfabeto, é criado para uma língua, os símbolos escritos tipicamente correspondem aos sons falados, e a ortografia é chamada fonêmica ou transparente. É mais fácil pronunciar uma palavra vendo como ela é escrita, assim como é mais fácil escrever uma palavra sabendo como ela é pronunciada. Até que a pronúncia de uma linguagem sofra alterações, erros ortográficos não tendem a ocorrer, já que escrita e pronúncia são equivalentes. Quando a pronúncia muda, há duas opções: a primeira é a reforma ortográfica: a ortografia das palavras é alterada para refletir a nova pronúncia. Nesse caso, a data de uma reforma geralmente indica o período aproximado em que a pronúncia mudou.

Evidência externa

Alguns gramáticos antigos tentaram fornecer descrições sistemáticas dos sons da língua grega. Porém, esse tipo de evidência é muitas vezes difícil de interpretar, uma vez que a terminologia fonética da época era muito vaga, ou porquê muitas vezes não é claro o quanto as formas descritas por eles representavam da linguagem viva, falada por diferentes grupos da população. Por vezes a comparação do dialeto ático padrão com outras formas escritas de dialetos gregos, ou as representações humorísticas de falas dialetais em peças de teatro áticas, podem fornecer algumas dicas a respeito do valor fonético de certas grafias A grafia de empréstimos linguísticos gregos em outras línguas e vice-versa pode fornecer informações úteis a respeito de pronúncia. Entretanto, esse tipo de evidência é muitas vezes difícil de interpretar ou inconclusivo. Os fonemas de empréstimos nem sempre são transpostos de maneira identica entre as línguas. Quando a língua receptora não possui um fonema que corresponda exatamente àquele da língua original, ele tende a ser substituido por outro fonema similar.

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Fontes consultadas

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