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Papa Adriano VI

Adriano VI, nascido Adriaan Florensz Boeyens, foi Papa da Igreja Católica e Soberano dos Estados Papais de 9 de janeiro de 1522 até sua morte em 14 de setembro de 1523. Ele foi o único holandês a se tornar Papa e o último Papa não italiano até João Paulo II, 455 anos depois. Sua breve, mas impactante gestão, foi marcada por esforços de reforma e desafios políticos e religiosos.

Fonte: Wikipédia (pt)Texto didático por IAAtualizado em 26/06/2026

Pontos-chave

  • Adriano VI foi o único Papa holandês e o último não italiano por 455 anos.
  • Nasceu em Utrecht, Holanda, de família modesta e teve uma formação acadêmica brilhante em Lovaina.
  • Serviu como tutor de Carlos V e co-regente da Espanha, onde também foi Inquisidor Geral.
  • Eleito Papa em 1522, buscou reformar a Cúria Romana e unir os príncipes cristãos contra os turcos.
  • Seu papado foi breve, durando pouco mais de um ano e oito meses, e enfrentou a ascensão do luteranismo e a oposição romana.
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Primeiros Anos e Formação Acadêmica

Adriaan Florensz nasceu em 2 de julho de 1459 em Utrecht, então capital do príncipe-bispado de Utrecht, parte da Holanda Borgonhesa no Sacro Império Romano. De origem humilde, filho de Florens Boeyensz e Geertruid, ele provavelmente foi criado na casa de seu avô. Seu pai, carpinteiro e armador naval, faleceu quando Adriano tinha cerca de 10 anos. Desde cedo, Adriano estudou com os Irmãos da Vida Comum em Zwolle ou Deventer, e foi aluno da escola de latim (hoje Gymnasium Celeanum) em Zwolle, assinando mais tarde como Adrianus Florentii ou Adrianus de Traiecto ('Adriano de Utrecht'), indicando a ausência de sobrenome familiar.

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Carreira em Lovaina

Em junho de 1476, Adriano iniciou seus estudos na Universidade de Lovaina, com uma bolsa de estudos de Margarida de York, Duquesa da Borgonha. Lá, ele se dedicou à filosofia, teologia e direito canônico. Em 1478, obteve o título de Primus Philosophiae e Magister Artium. Em 1488, foi eleito representante da Faculdade de Artes no Conselho da Universidade. Ordenado sacerdote em 30 de junho de 1490, Adriano concluiu seu doutorado em Teologia em 1491, após 12 anos de estudo. Tornou-se professor em 1490, vice-chanceler da Universidade em 1493 e decano de São Pedro em 1498, cargo que o tornou vice-chanceler permanente e responsável pelas contratações. Suas palestras foram publicadas a partir das anotações de seus alunos, incluindo o jovem Erasmo, a quem Adriano ofereceu um posto de professor em 1502, mas foi recusado.

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Serviço na Espanha

Imagem: Unidentified medallist · BY-SA · Openverse

Em 1515, o futuro Imperador Carlos V enviou Adriano à Espanha para persuadir seu avô materno, Fernando II de Aragão, a garantir que as terras espanholas ficassem sob o domínio de Carlos, e não de seu irmão mais novo, Fernando, nascido na Espanha. Adriano obteve sucesso pouco antes da morte de Fernando em janeiro de 1516. Fernando de Aragão e, posteriormente, Carlos V, nomearam Adriano Bispo de Tortosa, aprovação concedida pelo Papa Leão X em 18 de agosto de 1516. Ele foi consagrado pelo Bispo Diego Ribera de Toledo. Em 14 de novembro de 1516, o rei o nomeou Inquisidor Geral de Aragão. Em 1º de julho de 1517, o Papa Leão X o nomeou Cardeal Sacerdote da Basílica dos Santos João e Paulo. Durante a menoridade de Carlos V, Adriano serviu como co-regente da Espanha, ao lado do Cardeal Francisco Jiménez de Cisneros. Após a morte de Jiménez, Adriano foi nomeado (14 de março de 1518) Inquisidor Geral das Inquisições Reunidas de Castela e Aragão, cargo que ocupou até sua partida para Roma. Quando Carlos V deixou a Espanha para a Holanda em 1520, nomeou o Cardeal Adriano Regente da Espanha, período em que teve que lidar com a revolta da Guerra das Comunidades de Castela.

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Eleição e Coroação Papal

Imagem: Fabrizio Garrisi · CC0 · Openverse

Após a morte do Papa Leão X, o conclave papal viu o Cardeal Giulio de Médici como figura central. No entanto, com o impasse entre cardeais espanhóis e franceses, Adriano, que estava ausente, foi proposto como um compromisso e eleito por uma votação quase unânime em 9 de janeiro de 1522. Carlos V ficou satisfeito com a eleição de seu ex-tutor, mas logo percebeu a imparcialidade de Adriano. Francisco I da França, que temia que Adriano se tornasse uma ferramenta do Imperador, inicialmente ameaçou um cisma, mas depois cedeu e enviou uma embaixada para prestar homenagem. O temor de um 'Avignon espanhol' devido à sua forte relação com o Imperador se mostrou infundado. Adriano, após notificar o Colégio de Cardeais de sua aceitação e seis meses de preparativos, fez sua entrada solene em Roma em 29 de agosto, proibindo decorações elaboradas devido à praga. Ele foi coroado na Basílica de São Pedro em 31 de agosto de 1522, aos 63 anos.

Um Papa Reformador

Adriano VI imediatamente se dedicou à reforma. A Enciclopédia Católica de 1908 descreveu sua tarefa: 'Extirpar abusos inveterados; reformar uma corte que prosperava na corrupção e detestava o próprio nome da reforma; manter presos jovens príncipes e guerreiros, prontos para se estrangularem; deter a torrente crescente de revolta na Alemanha; salvar a cristandade dos turcos, que de Belgrado agora ameaçavam a Hungria, e se Rodes caísse seria o dono do Mediterrâneo – esses eram trabalhos hercúleos para quem estava em seu sexagésimo terceiro ano, nunca tinha visto a Itália e com certeza seria desprezado pelos romanos como um 'bárbaro'.'

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O Papado de Adriano VI

Adriano VI não obteve sucesso como pacificador entre os príncipes cristãos, a quem esperava unir em uma guerra contra os turcos. Em agosto de 1523, foi forçado a formar uma aliança com o Império, a Inglaterra e Veneza contra a França. Enquanto isso, em 1522, Solimão, o Magnífico, conquistou Rodes. Em sua reação aos estágios iniciais da revolta luterana, Adriano VI não compreendeu completamente a gravidade da situação. Na Dieta de Nuremberga, em dezembro de 1522, seu representante Francesco Chieregati admitiu francamente que a desordem da Igreja talvez fosse culpa da própria Cúria Romana e que a reforma era necessária. No entanto, o ex-professor e Inquisidor Geral opôs-se fortemente a qualquer mudança de doutrina e exigiu a punição de Martinho Lutero por heresia. O embaixador de Carlos V em Roma, Juan Manuel, senhor de Belmonte, expressou preocupação de que a influência de Carlos sobre Adriano havia diminuído após a eleição papal, afirmando que 'o papa está com 'medo mortal' do Colégio de Cardeais'.

Criação de Cardeais

Durante seu pontificado, Adriano VI nomeou apenas um cardeal: Willem van Enckenvoirt, como cardeal-sacerdote, em um consistório realizado em 10 de setembro de 1523.

Canonizações

Adriano VI não realizou nenhuma beatificação, mas canonizou os santos Antonino de Florença e Benno de Meissen em 31 de maio de 1523.

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Morte e Legado

Imagem: sailko · BY-SA · Openverse

Adriano VI faleceu em Roma em 14 de setembro de 1523, após um pontificado de um ano, oito meses e seis dias. A maioria de seus documentos oficiais foi perdida após sua morte. Ele publicou 'Quaestiones in quartum sententiarum praesertim circa sacramenta' (Paris, 1512, 1516, 1518, 1537; Roma, 1522) e 'Quaestiones quodlibeticae XII.' (1ª ed., Lovaina, 1515). Ele está sepultado na igreja Santa Maria dell'Anima, em Roma. Legou propriedades nos Países Baixos para a fundação de uma faculdade na Universidade de Lovaina, que ficou conhecida como Faculdade do Papa. O Papa foi ridicularizado pelo povo de Roma no Pasquino, e os romanos, que nunca haviam gostado de um homem que viam como 'bárbaro', celebraram sua morte.

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Adriano VI na Cultura Popular

A figura do Papa Adriano VI foi imortalizada em diversas manifestações culturais. Uma série de gravuras do século XVIII, usada para educar crianças holandesas, incluía Adriano VI em sua xilogravura sobre 'Homens e mulheres famosos holandeses', acompanhada de um poema que celebrava sua origem humilde e seu glorioso, embora breve, papado. O poema dizia: 'Em Utrecht, ainda mostram ao estranho esta casa, E chamam de casa do papa Adriano, Ainda assim, seu busto permanece em sua fachada. Menos elevada Foi a ascendência deste papa, filho de um construtor de barcos, Seu nome ainda é falado com orgulho por milhares de línguas, Com pouco tempo, mas com honra, ele usava a coroa papal.' Além disso, o Papa Adriano VI foi um personagem na peça teatral de Christopher Marlowe, 'A História Trágica do Doutor Fausto', publicada em 1604.

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