Adriano e Natália
Santo Adriano, um guarda herculiano do Imperador romano Galério, e sua esposa Natália, são figuras centrais na história do martírio cristão. Após sua conversão, Adriano foi martirizado em Nicomédia. Ele se tornou um dos principais santos militares do norte da Europa, reverenciado em diversas regiões, especialmente Flandres, Alemanha e norte da França.
Pontos-chave
- Adriano e Natália foram convertidos ao cristianismo e martirizados.
- O martírio de Adriano ocorreu em Nicomédia, na Anatólia.
- Adriano foi um importante santo militar no norte da Europa.
- A história de Adriano e Natália é celebrada em diferentes datas nas igrejas Oriental e Romana.
- A representação de Santo Adriano geralmente o mostra armado, com uma bigorna.
Adriano e Natália viveram em Nicomédia no início do século IV, durante o reinado do imperador Maximiano. Adriano, então com 28 anos e chefe do pretório, ficou profundamente impressionado com a coragem de cristãos que estavam sendo torturados. Ao questioná-los sobre a recompensa divina, ouviu a célebre resposta: “O olho não viu, e o ouvido não ouviu, nem jamais penetrou no coração do homem as coisas que Deus preparou para aqueles que o amam.” Essa experiência o levou a confessar publicamente sua fé, mesmo antes de ser batizado. Imediatamente preso e sem visitas permitidas, relatos indicam que sua esposa Natália conseguiu visitá-lo disfarçada de menino, pedindo suas orações para o céu. As narrativas sobre sua execução divergem: algumas mencionam que seu corpo foi quebrado e queimado, outras que foi quebrado com uma bigorna e decapitado nos braços de Natália, e ainda outras que, após ser quebrado e jogado ao fogo, Natália teve que ser contida para não se jogar nas chamas. Uma versão final descreve uma tempestade que apagou o fogo, permitindo que os cristãos recolhessem os restos mortais. A data de sua morte é apontada como 303, 304 ou 306. Natália conseguiu recuperar uma das mãos de Adriano.
A veracidade histórica dos eventos relacionados a Santo Adriano tem sido objeto de questionamento. Existe a menção de um segundo Adriano, supostamente filho do imperador Probo, que também teria abraçado o cristianismo e sido morto em Nicomédia pelo imperador Licínio por volta de 320 d.C. Contudo, não há informações confiáveis que sustentem essa segunda figura. Este segundo Adriano é comemorado em 26 de agosto.
Santo Adriano é celebrado em diferentes datas e tradições. Na Igreja Ortodoxa Oriental, ele e sua esposa compartilham o dia 26 de agosto no Calendário da Igreja (que para a maioria dos ortodoxos segue o Calendário Juliano), e ele tem um dia próprio em 4 de março. No calendário gregoriano e civil global, a festa ocorre em 8 de setembro. A Igreja Católica Romana o venera individualmente, sem Natália, em 8 de setembro. A Igreja Copta também o honra, junto com seus companheiros, no terceiro dia do mês copta Nesi (equivalente a 8 de setembro). Santo Adriano foi um proeminente santo militar no norte da Europa por muitos séculos, superado apenas por São Jorge, e goza de grande devoção em Flandres, Alemanha e norte da França. Ele é comumente retratado armado, portando uma bigorna ou com uma ao seu lado. Relatos indicam que seus restos mortais foram levados para Argirópolis, perto de Bizâncio, onde Natália teria ido com a mão que recuperou. Outra versão sugere que ela mesma levou os restos para lá antes de serem transferidos para a igreja Sant'Adriano al Foro, no Fórum Romano, fundada em 630 d.C. e nomeada em sua homenagem. Posteriormente, o nome da igreja foi alterado para Santa Maria della Mercede e Sant'Adriano a Villa Albani (1958), após a demolição da original.


