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Adonis Reis Lira de Carvalho

Adonis Reis Lira de Carvalho foi um médico-patologista, professor de anatomia patológica e criador do Registro de Câncer com base populacional de Pernambuco (1957). Pelo seu papel pioneiro na Patologia no Brasil, foi o primeiro latino-americano e único brasileiro a presidir a International Academy of Pathology (IAP) - (1986-1988). Também contribuiu para descoberta do papilomavírus humano (HPV) como principal causa do câncer do colo uterino, através de sua participação no projeto da International Agency for Research on Cancer, sobre Carcinogênese do Colo Uterino e do pênis pelo HPV, comandado pela pesquisadora e epidemiologista Núbia Muñoz.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 04/07/2026
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Biografia

Adonis Carvalho nasceu no Recife, em 6 de janeiro de 1928, filho de um imigrante português, Joaquim Correia de Carvalho e uma pernambucana, Constância Lira de Carvalho. Cursou seu primeiro e segundo graus no Colégio Leão XIII e no Colégio Oswaldo Cruz, tendo ingressado ao ginásio precocemente, aos 10 anos. Com a morte da irmã Astrea, por diabetes juvenil, Adonis demonstrou pela primeira vez sua vontade em se tornar médico, no desejo de encontrar uma cura da doença.

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Formação superior e atividades profissionais

Em 1945, aos 17 anos de idade, ingressou na Faculdade de Medicina do Recife, como aluno classificado em 4º lugar no Vestibular e o mais jovem aluno de sua turma. Apresentou vários trabalhos à Sociedade de Internos dos Hospitais do Recife, fundada em 1926, ainda como acadêmico de Medicina. Em 1950 se tornou presidente da Sociedade. Um desses trabalhos apresentados foi publicado na Revista Acadêmica de Medicina. Foi Acadêmico Interno da Cátedra de Clínica Propedêutica Médica, serviço do Professor Arnaldo Marques, por concurso realizado em 1948, no qual obteve o primeiro lugar, exercendo essa atividade até sua formatura. Nessa função, sob a supervisão do Prof. Ruy João Marques, era responsável pelos pacientes da Secção Laennec da Enfermaria São José, no Hospital Pedro II, encarregado da revisão e da seleção de pacientes para as aulas práticas, preparação de prontuários, bem como orientação dos estudantes. Era responsável pelos exames de rotina em um pequeno laboratório existente na enfermaria. Foi plantonista do Hospital do Pronto-Socorro, após concurso em que se classificou em primeiro lugar. Como estudante, recebeu grande influência intelectual dos professores Mário Ramos, Aluízio Bezerra Coutinho, Arnaldo Marques, Ruy João Marques e Joaquim Cavalcanti.

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Patologia cirúrgica oncológica em Pernambuco

Em 1954, foi selecionado para uma bolsa de estudos do Institute of International Education, em New York, realizando-a no M. D. Anderson Cancer Center, da Universidade do Texas, Houston (EUA), sob a direção dos Drs. William O. Russell, Jack Old Jr. e Alvan G. Foraker, o qual exerceu grande influência sobre ele. Foi durante o seu período de fellowship nos Estados Unidos, que se tornou membro da International Academy of Pathology (IAP), da qual foi Presidente 30 anos depois. Nesse período, além do trabalho rotineiro de Residente em Patologia, familiarizou-se com os mais modernos processos de investigação existentes no período, os quais faziam desse hospital um centro de vanguarda em Oncologia. A sua estada no M. D. Anderson dirigiu o seu interesse para o campo da patologia dos processos neoplásicos. Ao regressar ao Brasil, deu continuidade aos estudos que havia iniciado sobre lesões hepáticas carenciais, o que resultou na sua primeira Tese de Livre-Docência em Anatomia Patológica. Nesse trabalho, Adonis retomou o assunto de predileção do Prof. Aggeu Magalhães, fundador da chamada Escola Pernambucana de Patologia. Estudou a histopatologia da esteatose hepática em crianças desnutridas e diferenciou a síndrome identificada no seu material da descrita na África como “kwashiorkor”, bem como demonstrou a ocorrência de siderose do tipo pelagroso nos seus casos e trouxe elementos esclarecedores da transição esteatose-fibrose hepática.

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Registro de Câncer do País em bases populacionais

O Professor Adonis verificou não haver no Brasil estudos epidemiológicos em câncer e propôs o estabelecimento do Registro de Câncer de Pernambuco, na disciplina de Anatomia Patológica, aprovado em 1957. Esse se tornou o primeiro Registro de Câncer com base populacional no Brasil. Assim, foram obtidos os primeiros dados de incidência de câncer no nosso Estado e no País, em bases populacionais. As repercussões desse fato em muito contribuíram para a modificação nos conceitos do Governo e Ministério da Saúde à época, cuja atenção estava voltada apenas para as doenças infecciosas por encararem o câncer como de pouca prevalência. Essa ideia foi mostrada equivocada quando através do Registro se demostrou que a incidência de câncer no nosso País era tão alta quanto nos países desenvolvidos após correção do coeficiente “idade”. A real prevalência estava mascarada pela pirâmide de distribuição populacional do País, onde havia predomínio de jovens, sendo essa uma doença predominante a partir dos 50 anos.

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Programa de pós-graduação em Patologia

O Professor Adonis criou, organizou e coordenou o primeiro Curso de Especialização em Anatomia Patológica da UFPE, em 1972 e 1974, que antecedeu a criação da Residência Médica. No tempo em que a legislação brasileira foi modificada, criando-se a pós-graduação stricto sensu, houve dificuldade, particularmente na Medicina, por não haver tradição no sistema. O país estava sob regime militar e as normas eram impostas sem maiores discussões. Assim, Adonis compreendeu que, ficando o Departamento fora do novo sistema, haveria grande prejuízo para o desenvolvimento da Anatomia Patológica. Estabeleceu o Programa de Pós-Graduação em Anatomia Patológica da UFPE, em 1973, o primeiro da área no Brasil, reconhecido pelo Conselho Federal de Educação. O seu ponto central foi abrir a pesquisa para toda a Nosologia Regional, sem a deixar restrita à Patologia Tropical. Outra abordagem foi a ênfase na Patologia Humana, o que provocou a cerrada oposição de membros mais conservadores do sistema de controle da Pós-Graduação em Patologia.Esse programa foi eficaz na formação de recursos humanos, no enriquecimento das linhas de pesquisa, na introdução de novas tecnologias e na geração de subespecialidades. Também deu relevância à Epidemiologia Patológica (Patologia Geográfica), hoje um método fundamental na investigação das doenças. A disciplina de História da Anatomia Patológica antecipou em vários anos a criação da History of Pathology Society, Washington DC, EUA, e influenciou o Departamento de História da UFPE ao estabelecer um grupo de história das doenças da saúde.1,4,6 A inovação dada pela disciplina de Anatomia Patológica Quantitativa (Morfometria) estimulou a introdução da Informática Médica em Pernambuco.

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Da colaboração em pesquisa do HPV

Realizou nesse período, ainda, trabalho de colaboração, a convite da International Agency for Research on Cancer, em Lyon, ao projeto sobre Carcinogênese do Colo Uterino e do pênis pelo vírus do Papiloma Humano (HPV) e outros vírus. Esse projeto junto às pesquisas subsequentes – comandadas pela pesquisadora e epidemiologista Núbia Muñoz, chefe da Unidade de Epidemiologia da International Agency for Research on Cancer (IARC), OMS, Lyon, França – resultaram na descoberta do HPV como principal causa do câncer do colo uterino, o que modificou a médio prazo a incidência deste câncer na América Latina. A descoberta de valorizou e estimulou a prevenção pelo exame citológico, e mais recentemente, o desenvolvimento da vacina, salvando a vida de milhares de mulheres em várias partes do mundo e, particularmente, na América Latina. Sobre isso escreveu Muñoz, chefe da Unidade de Epidemiologia da International Agency for Research on Cancer (IARC). “Tive o privilégio e prazer de conhecer Adonis em 1964, naquele ano vivi em Recife durante 4 meses para dar os primeiros passos de uma investigação que mais tarde revelaria o vírus do papiloma humano como a causa do câncer do colo uterino [...] Graças a Adonis, pude iniciar e concretizar todas essas investigações”.

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Atuação na International Academy of Pathology (IAP)

Com a experiência acumulada como Presidente da Sociedade Latino-Americana de Patologia (1973-1975), Adonis foi eleito em 1976, durante o XI Congresso da IAP, Washington DC, EUA, Vice-Presidente para a América do Sul da IAP, cargo para o qual foi reeleito durante os sucessivos Congressos da Instituição: em 1978 no XII Congresso da IAP, em Jerusalém, e depois, em 1980, Paris, e 1981, Sidney. Em 1977 recebeu o título de Admiral in the Texas Navy, pelo Governo do Estado do Texas, Austin, TX, EUA. Após oito anos de trabalho profícuo na IAP como Vice-Presidente para a América do Sul, foi eleito Presidente da IAP em 29 em setembro de 1984, no XV Congresso da IAP, em Miami Beach, EUA, tomando posse em Viena, em 1986, durante o congresso da Academia. Foi o primeiro Presidente não norte-americano e não europeu a ocupar a Presidência da Academia. Somente em 2015, houve um segundo presidente latino-americano, seu grande amigo Eduardo Santini-Araújo, da Argentina. Em 1998, Adonis Carvalho recebeu da IAP, na comemoração do seu Centenário, a mais alta premiação da instituição, IAP´s Gold Medal, pelos serviços prestados à Patologia em âmbito mundial. Nessa ocasião, a IAP publicou um livro relatando os últimos 100 anos da Patologia no mundo e lhe deu o devido crédito pelo trabalho desenvolvido no Brasil . Durante o XXVIII Congresso da IAP, São Paulo, 2010, Adonis foi homenageado – em reconhecimento pela sua “Importante contribuição para o desenvolvimento da Patologia Mundial”. Em setembro de 2014, após seu falecimento, a IAP patrocinou uma Jornada Internacional de Patologia Cirúrgica Prática, em Buenos Aires, Argentina, a ele dedicada in memoriam, tendo ainda publicado um texto em sua homenagem na News Bulletin (Vol. 55, n° 2).

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