Emílio Garrastazu Médici
Emílio Garrastazu Médici GColTE • GColSE foi um militar e político brasileiro. Foi o 28.º presidente do Brasil, sendo o terceiro do período da ditadura militar brasileira, entre 30 de outubro de 1969 e 15 de março de 1974. Participou da Revolução de 1930 liderada por Getúlio Vargas. Na sua carreira militar, atingiu o posto de General de exército.
Seus pais eram Emílio Médici e Julia Garrastazu, ambos nascidos no Uruguai. Seu pai era filho de imigrantes italianos, enquanto que sua mãe era descendente inteiramente de bascos, sendo seu lado paterno pelo lado espanhol (Guipúscoa) e o materno pelo lado francês (Baixa Navarra). Emilio Garrastazu Medici foi casado com Scylla Gaffrée Nogueira e pai de Sérgio Nogueira Médici (um agropecuarista, falecido em maio de 2008) e de Roberto Nogueira Médici (um engenheiro e professor universitário). Ambos nasceram em Bagé, no Rio Grande do Sul, e foram Comendadores (20 de julho de 1972) e Grandes-Oficiais (26 de julho de 1973) da Ordem Militar de Cristo de Portugal.
Estudou no Colégio Militar de Porto Alegre. Formou-se oficial de cavalaria na Escola Militar de Realengo (1924–1927). Em 1927, foi promovido a segundo-tenente e a primeiro-tenente, em 1929. Contra os opositores à Revolução de 1930, foi o comandante do 12º Regimento de Cavalaria, razão pela qual Getúlio Vargas o promoveu a capitão, porém devolvido a segundo-tenente após a consolidação do Golpe de 1930 no mesmo ano. Defendeu o Governo Vargas contra a Revolução Constitucionalista de 1932. Durante a década de 30, ele e sua esposa aderiram ao Integralismo, fazendo parte do núcleo de Bagé da Ação Integralista Brasileira. Em 1934, galga definitivamente a patente de capitão, sendo designado ajudante-secretário na Escola de Estado-Maior em 1937, porém afastado do Rio de Janeiro em 1939 para o 8º Regimento de Cavalaria, situado em Uruguaiana (RS). Em 1957, assumiu a Chefia do Estado Maior da 3.ª Região Militar, em Porto Alegre, a convite do general Arthur da Costa e Silva, então comandante daquela unidade, com quem estabeleceu forte amizade.
Posse
Com o afastamento definitivo do presidente Costa e Silva por causa de um derrame cerebral, uma junta militar presidida pelo Almirante Augusto Rademaker assumiu a presidência provisória da república, pelo período de 60 dias. A junta fez uma consulta a todos os oficiais generais das forças armadas, para escolher entre ele e o general Albuquerque Lima. Médici foi eleito como novo presidente da república com a maioria dos votos. Antes da posse de Médici, a junta ainda outorgou uma emenda modificando o texto inicial da Constituição de 1967. Médici exigiu que, para sua posse na presidência, o Congresso Nacional fosse reaberto. E assim foi feito: em 25 de outubro de 1969, Emílio Garrastazu Médici teve a escolha como presidente da república sacramentada por uma sessão conjunta do Congresso Nacional, obtendo 293 votos, com 75 abstenções. Tomou posse no dia 30 de outubro de 1969, tendo consciência do caráter de exceção do regime e prometendo restabelecer a democracia até o final de sua gestão, o que não ocorreu.
Política externa
Em dezembro de 1971, esteve em visita aos Estados Unidos, queria uma visita com alto simbolismo: recepção por Richard Nixon na base aérea Andrews, transporte de helicóptero à Casa Branca, discurso conjunto no congresso (algo concedido anteriormente a Jango) e a presença de Nixon em um jantar na embaixada brasileira. O cerimonial norte-americano recusou e a solução encontrada foi a estadia de uma noite em Camp David sem a presença do anfitrião, dois encontros com Nixon e um almoço com o vice-presidente. Durante as conversas entre os presidentes, no salão oval da Casa Branca, a única testemunha foi Vernon Walters, ex-embaixador no Brasil, como intérprete. Médici ofereceu apoio clandestino para derrubar o governo de Fidel Castro em Cuba, enquanto Nixon ofereceu fundos para ajudar a derrubar Salvador Allende no Chile. O único assunto concreto das conversas foi o pedido de Médici que se promovesse Arthur Moura a general, o que Nixon prontamente concedeu. Aspectos relacionados a volta da democracia no Brasil não foram tratados pelos governantes, só pelos jornais, mas receberam pouca atenção.
Política interna
Nas duas eleições ocorridas durante seu governo, a Arena, partido de sustentação da ditadura militar, saiu amplamente vitoriosa, fazendo, em 1970, 19 senadores contra 3 do MDB e, em 1972, elegendo quase todos os prefeitos e vereadores do Brasil. Os três ministros mais importantes de seu governo, que tinham grande autonomia, eram Delfim Neto, que comandava a economia, João Leitão de Abreu, como coordenador político, e Orlando Geisel, que comandava o combate à chamada subversão. O seu governo ficou marcado por excepcional crescimento econômico, que ficou conhecido como o milagre econômico brasileiro. Houve grande ascensão da classe baixa e da classe média. Cresceu muito o consumo de bens duráveis e a produção de automóveis, tornando-se comuns, nas residências, o televisor e a geladeira. Em 1972, passou a funcionar a televisão a cores no Brasil.
Em 15 de março de 1974, foi sucedido pelo general Ernesto Geisel. Ao fim de seu mandato como presidente, Médici abandonou a vida pública. Declarou-se contrário à anistia política, assinada pelo presidente João Figueiredo (que havia sido chefe da Casa Militar durante seu governo), qualificando-a como "prematura". Médici morreu em 9 de outubro de 1985, aos 79 anos, na cidade do Rio de Janeiro, vítima de insuficiência renal aguda e respiratória, devido a um acidente vascular cerebral (AVC). Foi sepultado no Cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro.
Homenagens
Os municípios Presidente Médici (Maranhão), Presidente Médici (Rondônia) e Medicilândia (Pará), bem como a Usina Termelétrica Presidente Médici (Candiota-RS) e o Ginásio de Esportes Presidente Médici (Bagé-RS), foram assim batizados em sua homenagem. Em 24 de abril de 1972, foi agraciado com o Grande-Colar da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada e, a 9 de maio de 1973, com o mais alto grau da mais alta condecoração de Portugal, o Grande-Colar da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito. De 1971 a 1973, foi realizado o Torneio General Emílio Garrastazu Médici, cujo nome, que partiu de decisão dos próprios clubes participantes, o homenageava. O torneio, organizado pela CBD e de caráter nacional, ficou conhecido popularmente como Torneio do Povo.
Títulos revogados
Médici teve títulos de doutor honoris causa concedidos por diversas universidades durante seu mandato. No entanto, após sua morte, devido à repressão violenta de seus opositores, algumas revogaram os títulos concedidos. Em 2015, 2024 e 2025, respectivamente, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) revogaram os títulos honoris causa que lhe foram concedidos na década de 1970. Em 2025, a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) cassou os títulos de Doutor Honoris Causa concedidos aos ex-presidentes da ditadura militar Médici e Humberto Castelo Branco, e ao ministro da Educação no governo João Figueiredo, Rubem Carlos Ludwig.


