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Lenin

Vladimir Ilyich Ulianov, mais conhecido pelo pseudônimo Lenin (português brasileiro) ou Lenine (português europeu), foi um revolucionário comunista, político e teórico político russo que serviu como chefe de governo da Rússia Soviética de 1917 a 1924 e da União Soviética de 1922 até sua morte. Sob sua administração, a Rússia e em seguida a União Soviética tornaram-se um Estado socialista unipartidário governado pelo Partido Comunista (PCUS). Ideologicamente marxistas, suas teorias políticas são conhecidas como leninismo.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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Primeiros anos

Infância: 1870–87

O pai de Lenin, Ilya Nikolayevich Ulianov, era de uma família de servos; suas origens étnicas permanecem obscuras, com sugestões sendo feitas de que ele era um russo chuvache, mordóvio ou calmuco. Apesar deste contexto de classe baixa, ascendeu ao status de classe média estudando física e matemática na Universidade Imperial de Kazan antes de lecionar no Instituto da Nobreza de Penza. Ilya casou-se com Maria Alexandrovna Blank em meados de 1863. Bem-educada e de um passado relativamente próspero, era filha de uma mulher teuto-sueca e de um médico judeu russo que se converteu ao cristianismo. É provável que ele não soubesse da ascendência judaica de sua mãe, que só foi descoberta por sua irmã Anna após sua morte. Logo após seu casamento, Ilya obteve um trabalho em Níjni Novgorod, ascendendo para se tornar Diretor de Escola Primária no distrito de Simbirsk seis anos mais tarde. Cinco anos depois, foi promovido a Diretor de Escolas Públicas da província, supervisionando a criação de mais de 450 escolas como parte dos planos do governo para modernização. Sua dedicação à educação lhe rendeu a Ordem de São Vladimir, que lhe conferiu o status de nobre hereditário.

Universidade e radicalização política: 1887–93

Ao ingressar na Universidade de Kazan em agosto de 1887, Lenin se mudou para um apartamento próximo. Lá, juntou-se a um zemlyachestvo, uma forma de sociedade universitária que representava pessoas de uma determinada região. Este grupo o elegeu como seu representante para o conselho de estudantes da universidade, e em dezembro, participou de uma manifestação contra as restrições do governo que baniu as sociedades estudantis. A polícia o prendeu e o acusou de ser um líder na manifestação; foi expulso da universidade, e o Ministério dos Assuntos Internos o exilou à propriedade de sua família em Kokushkino. Lá, leu vorazmente, apaixonando-se pelo romance pró-revolucionário Que Fazer? (1863), de Nikolay Chernyshevsky.

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Ativismo revolucionário

Ativismo precoce e prisão: 1893–1900

No outono de 1893, Lenin mudou-se para São Petersburgo. Lá, trabalhou como assistente de um advogado e ascendeu a uma posição sênior em uma célula revolucionária marxista que denominava-se "social-democrata", influenciados pelo partido marxista Social-Democrata da Alemanha. Promovendo publicamente o marxismo dentro do movimento socialista, ele encorajou a fundação de células revolucionárias nos centros industriais da Rússia. No outono de 1894, liderava um círculo operário marxista, e meticulosamente cobriu suas pistas, sabendo que espiões policiais tentavam infiltrar-se no movimento. Começou uma relação romântica com Nadejda "Nadya" Krupskaia, uma professora marxista. Também escreveu um tratado político criticando os populistas agrário-socialistas, Quem são os "Amigos do Povo" e como Lutam Contra os Social-Democratas?, baseado em grande parte em suas experiências em Samara; cerca de 200 exemplares foram impressos ilegalmente em 1894.

Munique, Londres e Suíça: 1900–05

Depois de seu exílio, Lenin estabeleceu-se em Pskov no início de 1900. Lá, começou a angariar fundos para o jornal Iskra ("Faísca"), novo órgão do partido marxista russo, que agora se autodenominava Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR). Em julho de 1900, deixou a Rússia para a Europa Ocidental; na Suíça, encontrou-se com outros marxistas russos e, numa conferência em Corsier, concordou em lançar o jornal de Munique, para onde mudou-se em setembro. Contendo contribuições de marxistas europeus proeminentes, o Iskra foi contrabandeado na Rússia, tornando-se a publicação clandestina mais bem sucedida do país por 50 anos. Adotou o pseudônimo "Lenin" em dezembro de 1901, possivelmente inspirado no Rio Lena; ele costumava usar o pseudônimo "N. Lenin", e embora o "N" não representasse nada, mais tarde surgiu um equívoco popular de que significava "Nikolai". Sob este pseudônimo, publicou o panfleto político Que Fazer? em 1902; sua publicação mais influente até o momento tratava de seus pensamentos sobre a necessidade de um partido de vanguarda para levar o proletariado à revolução.

Revolução de 1905 e suas consequências: 1905–14

Em janeiro de 1905, o massacre dos manifestantes no Domingo Sangrento em São Petersburgo provocou uma onda de agitação civil que ficou conhecida como a Revolução de 1905. Lenin exortou os bolcheviques a assumirem um papel maior nos eventos, incentivando a insurreição violenta. Ao fazê-lo, adotou lemas do PSR como "insurreição armada", "terror de massa" e "expropriação de terras nobres", resultando em acusações mencheviques de que ele se desviara do marxismo ortodoxo. Por sua vez, insistiu que os bolcheviques se separassem completamente dos mencheviques, embora muitos membros da facção se recusassem e ambos os grupos participaram do III Congresso do POSDR, realizado em Londres, em abril de 1905. Lenin apresentou muitas de suas ideias sobre aquela conjuntura no panfleto Duas Táticas da Social-Democracia na Revolução Democrática, publicado em agosto, prevendo que a burguesia liberal da Rússia seria saciada por uma transição à monarquia constitucional e, assim, trairia a revolução; argumentando que o proletariado teria de construir uma aliança com o campesinato para derrubar o regime czarista e estabelecer a "ditadura democrática revolucionária provisória do proletariado e do campesinato".

Primeira Guerra Mundial: 1914–17

A [Primeira] Guerra [Mundial] está sendo travada para a divisão de colônias e o roubo de território estrangeiro; ladrões caíram – e referir-se às derrotas num dado momento de um dos ladrões para identificar os interesses de todos os ladrões com os interesses da nação ou da pátria é uma mentira burguesa inconcebível. Interpretação de Lenin da Primeira Guerra Mundial Estava na Galícia quando a Primeira Guerra Mundial estourou. O conflito pôs de frente o Império Russo contra o Império Austro-Húngaro, e devido à sua cidadania russa, foi detido e brevemente preso até que suas credenciais anticzaristas foram explicadas. Lenin e sua esposa retornaram a Berna, antes de se mudarem para Zurique em fevereiro de 1916. Ele estava bravo porque o Partido Social-Democrata Alemão apoiava o esforço de guerra de seu país — uma contravenção direta da Segunda Resolução Internacional de Stuttgart de que os partidos socialistas se oporiam ao conflito — e assim viu a Segunda Internacional como extinta. Assistiu à Conferência de Zimmerwald em setembro de 1915 e à Conferência de Kienthal, em abril de 1916, exortando os socialistas de todo o continente a converter a "guerra imperialista" numa "guerra civil" continental com o proletariado contra a burguesia e a aristocracia. Em julho de 1916, sua mãe morreu, mas ele não pôde comparecer ao funeral. A morte de sua mãe o afetou profundamente, e ele ficou deprimido, temendo que também morreria antes de ver a revolução proletária.

Revolução de Fevereiro e as Jornadas de Julho: 1917

Em fevereiro de 1917, a Revolução de Fevereiro estourou em São Petersburgo — renomeada Petrogrado no início da Primeira Guerra Mundial — quando trabalhadores industriais entraram em greve por conta da falta de alimentos e da deterioração das condições fabris. A agitação espalhou-se para outras partes da Rússia, e temendo que fosse violentamente derrubado, o czar Nicolau II abdicou. A Duma Estatal assumiu o controle do país, estabelecendo um Governo Provisório e convertendo o Império em uma nova República Russa. Quando Lenin soube disso em sua base na Suíça, celebrou com outros dissidentes. Decidiu retornar à Rússia para assumir a liderança dos bolcheviques, mas descobriu que a maioria das passagens para o país foram bloqueadas devido ao conflito em curso. Organizou um plano com outros dissidentes para negociar uma passagem para eles através da Alemanha, com quem a Rússia estava em guerra. Reconhecendo que esses dissidentes poderiam causar problemas para seus inimigos russos, o governo alemão concordou em permitir que 32 cidadãos russos viajassem em um vagão ferroviário através de seu território, entre eles Lenin e sua esposa. O grupo viajou de trem de Zurique a Sassnitz, seguindo de balsa para Trelleborg, Suécia, e de lá para Helsinque antes de pegar o trem final para Petrogrado.

Revolução de Outubro: 1917

Em agosto de 1917, enquanto estava na Finlândia, o general Lavr Kornilov, comandante-em-chefe do exército russo, enviou tropas a Petrogrado, no que parecia ser uma tentativa de golpe militar contra o governo provisório. O primeiro-ministro Alexander Kerensky recorreu ao Soviete de Petrogrado — incluindo os seus membros bolcheviques — para ajudar os revolucionários a organizar trabalhadores como Guardas Vermelhos para defender a cidade. O golpe foi impedido antes de chegar a Petrogrado, embora os acontecimentos tenham permitido aos bolcheviques retornarem ao cenário político em aberto. Temendo uma reação das forças de direita hostis ao socialismo, os mencheviques e os socialistas-revolucionários que dominaram o Soviete de Petrogrado foram fundamentais para pressionar o governo a normalizar as relações com os bolcheviques. Tanto os mencheviques quanto os socialistas-revolucionários haviam perdido muito apoio popular por causa de seu apoio ao governo provisório e sua impopular continuação da guerra. Os bolcheviques capitalizaram sobre isso, e logo o marxista pró-bolchevique Trótski foi eleito líder do Soviete de Petrogrado. Em setembro, a facção ganhou maioria nas seções operárias dos sovietes de Moscou e de Petrogrado.

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Governo

No Partido Comunista, houve dissidência de duas facções, o Grupo do Centralismo Democrático e a Oposição Operária, ambos acusando o Estado russo de ser demasiado centralizado e burocrático. A Oposição Operária, que tinha conexões com os sindicatos oficiais do estado, também expressou a preocupação de que o governo tinha perdido a confiança da classe trabalhadora russa. Eles ficaram furiosos com a sugestão de Trótski de que os sindicatos fossem eliminados. Ele considerava os sindicatos supérfluos num "estado operário", mas Lenin discordava, acreditando que era melhor mantê-los; a maioria dos bolcheviques adotou a visão de Lenin na "discussão sindical". Para lidar com a dissidência, no X Congresso do Partido, em fevereiro de 1921, a atividade faccional dentro do partido foi proibida, sob pena de expulsão. Causada em parte por uma seca, a fome russa de 1921 foi a mais grave que o país experimentou desde a de 1891, resultando em cerca de cinco milhões de mortes. A fome foi exacerbada pelas requisições governamentais, bem como pelas exportações de grandes quantidades de grãos russos. Para auxiliar as vítimas da fome, o governo dos Estados Unidos estabeleceu uma Administração de Alívio Americano para distribuir alimentos, embora Lenin suspeitasse dessa ajuda e tenha a acompanhado de perto. Durante a fome, o Patriarca Tikhon pediu às igrejas ortodoxas que vendessem itens desnecessários para ajudar a alimentar os famintos, uma ação endossada pelo governo. Em fevereiro de 1922, o Conselho de Comissários do Povo foi mais longe, pedindo que todos os objetos de valor pertencentes a instituições religiosas fossem forçosamente apropriados e vendidos. Tikhon se opôs à venda de itens usados na Eucaristia e muitos clérigos resistiram às apropriações, resultando em violência.

Organização do governo soviético: 1917–18

O Governo Provisório tinha planejado uma Assembleia Constituinte a ser eleita em novembro de 1917; contra as objeções de Lenin, o Sovnarkom concordou que a votação se realizasse como previsto. Nas eleições constitucionais, os bolcheviques ganharam aproximadamente um quarto dos votos, sendo derrotados pelo Partido Revolucionário Socialista, de base camponesa. Lenin argumentou que a eleição não era um reflexo justo da vontade do povo, que o eleitorado não teve tempo para aprender o programa político dos bolcheviques e que as listas de candidaturas tinham sido elaboradas antes dos Socialistas Revolucionários de Esquerda se separarem dos Socialistas Revolucionários. No entanto, a recém-eleita Assembléia Constituinte Russa reuniu-se em Petrogrado, em janeiro de 1918. O Sovnarkom argumentou que a Assembleia era contrarrevolucionária porque tentava remover o poder dos sovietes, mas os Socialistas Revolucionários e mencheviques negaram isso. Os bolcheviques apresentaram à Assembleia uma moção que a tiraria da maior parte de seus poderes legais; quando a Assembleia rejeitou a moção, o Sovnarkom declarou isso como prova de sua natureza contrarrevolucionária e a desmantelou forçosamente.

Reformas sociais, jurídicas e econômicas: 1917–18

A todos os Trabalhadores, Soldados e Camponeses. A autoridade soviética proporá imediatamente uma paz democrática a todas as nações e um armistício imediato em todas as frentes. Salvaguardará a transferência sem compensação de todas as terras – propriedades da coroa e da igreja – aos comités de camponeses; defenderá os direitos dos soldados, introduzindo uma completa democratização do exército; estabelecerá o controle dos trabalhadores sobre a indústria; assegurará a convocação da Assembléia Constituinte na data fixada; suprirá as cidades com pão e as aldeias com cláusulas de primeira necessidade; e assegurará a todas as nacionalidades que habitam a Rússia o direito à autodeterminação ... Viva a revolução!

Tratado de Brest-Litovski: 1917–18

Ao prolongar a guerra, reforçamos inusitadamente o imperialismo alemão, e a paz terá que ser concluída de qualquer maneira, mas então ela será pior, porque será concluída por alguém que não seja nós mesmos. Sem dúvida, a paz que estamos forçando acontecer é indecente, mas se a guerra começar, o nosso governo será varrido e a paz será concluída por outro. Lenin sobre a paz com as Potências Centrais Ao assumir o poder, Lenin acreditava que uma política chave de seu governo deveria ser a retirada do país da Primeira Guerra Mundial estabelecendo um armistício com as Potências Centrais da Alemanha e da Áustria-Hungria. Ele acreditava que a guerra em curso criaria ressentimento entre as tropas russas cansadas da guerra — a quem ele havia prometido paz — e que estas tropas e o avanço do Exército alemão ameaçavam tanto o seu próprio governo como o socialismo internacional. Por outro lado, outros bolcheviques — em particular Bukharin e os Comunistas de Esquerda — acreditavam que a paz com as Potências Centrais seria uma traição ao socialismo internacional e que a Rússia devia "travar uma guerra de defesa revolucionária" que provocaria uma revolta do proletariado alemão contra seu próprio governo.

Campanhas anticúlaques, Cheka e Terror Vermelho: 1918–22

A burguesia exerceu o terror contra os trabalhadores, soldados e camponeses, no interesse de um pequeno grupo de latifundiários e banqueiros, enquanto o regime Soviético aplica medidas decisivas contra os proprietários de terras, saqueadores e os seus cúmplices no interesse dos trabalhadores, soldados e camponeses. Na primavera de 1918, muitas cidades da Rússia ocidental enfrentaram a fome como resultado da escassez crônica de alimentos. Lenin culpou os cúlaques — camponeses mais ricos —, que alegadamente acumulavam os grãos que produziam para aumentar seu valor financeiro. Em maio de 1918, o governo emitiu uma ordem de requisição que estabeleceu destacamentos armados para confiscar grãos dos cúlaques para distribuição nas cidades, e em junho pediu a formação de Comitês de Camponeses Pobres para auxiliar na requisição. Esta política resultou em uma vasta desordem social e violência, uma vez que os destacamentos armados muitas vezes se chocavam com grupos de camponeses, ajudando a preparar o cenário para a guerra civil. Um exemplo proeminente dos pontos de vista de Lenin foi seu telegrama de agosto aos bolcheviques de Penza, que os incitava a suprimir uma insurreição camponesa enforcando publicamente pelo menos 100 "cúlaques conhecidos, ricaços [e] exploradores".

Guerra Civil e Guerra Polonesa-Soviética: 1918–20

A existência da República Soviética ao lado dos estados imperialistas a longo prazo é impensável. No final, um ou outro triunfará. E até que esse fim tenha chegado, uma série dos conflitos mais terríveis entre a República Soviética e os governos burgueses é inevitável. Isto significa que a classe dominante, o proletariado, se apenas deseja governar e deve governar, deve demonstrar isso também com sua organização militar. Embora Lenin esperasse a oposição da aristocracia e da burguesia russa ao seu governo, ele acreditava que a superioridade numérica das classes mais baixas, aliada à capacidade dos bolcheviques de organizá-las efetivamente, garantiriam uma rápida vitória em qualquer conflito. Nisso, ele não conseguiu antecipar a intensidade da violenta oposição ao poder bolchevique no país. A Guerra Civil Russa que se seguiu pôs os Vermelhos pró-bolcheviques contra os Brancos antibolchevistas, mas também englobou conflitos étnicos nas fronteiras da Rússia e confrontos entre os exércitos Vermelho e Branco e grupos de camponeses locais, os Exércitos Verdes, em todo o antigo Império. Assim, vários historiadores viram a guerra civil representando dois conflitos distintos: um entre os revolucionários e contra-revolucionários, e o outro entre diferentes facções revolucionárias.

Comintern e revolução mundial: 1919–20

Depois do Armistício na Frente Ocidental, Lenin acreditava que a explosão da revolução europeia era iminente. Buscando promovê-la, o Sovnarkom apoiou o estabelecimento do governo comunista húngaro de Béla Kun em março de 1919, seguido pelo governo comunista na Baviera e várias revoltas socialistas revolucionárias em outras partes da Alemanha, incluindo a da Liga Espartaquista. Durante a Guerra Civil Russa, o Exército Vermelho foi enviado às repúblicas nacionais recentemente independentes nas fronteiras russas para lá ajudar os marxistas no estabelecimento de sistemas de governo soviéticos. Na Europa, isso resultou na criação de novos estados liderados pelos comunistas na Estônia, Letônia, Lituânia, Bielorrússia e Ucrânia, todos eles oficialmente independentes da Rússia, enquanto mais a leste levou-se à criação de governos comunistas na Geórgia e, em seguida, na Mongólia Exterior. Vários bolcheviques seniores queriam que estes países fossem absorvidos pelo Estado russo; Lenin insistiu que as sensibilidades nacionais deveriam ser respeitadas, mas assegurou-lhes que as novas administrações do Partido Comunista dessas nações eram de facto ramos regionais do governo de Moscou.

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Últimos anos

Declínio de saúde e discussões com Stalin: 1920–23

Para o embaraço e o horror de Lenin, em abril de 1920 os bolcheviques fizeram uma festa para comemorar seu quinquagésimo aniversário, que também foi marcado por celebrações difundidas em toda a Rússia e a publicação de poemas e biografias dedicadas a ele. Entre 1920 e 1926, vinte volumes de suas Obras Completas foram publicados; algumas dessas obras foram omitidas. Durante 1920, um número de figuras ocidentais proeminentes visitaram-no na Rússia; entre eles o autor H. G. Wells e o filósofo Bertrand Russell, bem como os anarquistas Emma Goldman e Alexander Berkman. Também foi visitado no Kremlin por Armand, que estava com a saúde cada vez mais fraca. Ele a enviou para um sanatório em Kislovodsk, no Cáucaso do Norte para se recuperar, mas ela morreu lá em setembro de 1920 durante uma epidemia de cólera. Seu corpo foi transportado para Moscou, onde Lenin visivelmente afligido supervisionou seu enterro sob o Muro do Kremlin.

Morte e funeral: 1923–24

Em março de 1923, Lenin sofreu um terceiro acidente vascular cerebral e perdeu a capacidade de fala; naquele mês, teve paralisia parcial em seu lado direito e começou a exibir afasia sensorial. Em maio, parecia estar fazendo uma recuperação lenta, quando começou a recuperar sua mobilidade, fala e habilidades de escrita. Em outubro, fez uma visita final a Moscou e ao Kremlin. Em suas últimas semanas, foi visitado por Zinoviev, Kamenev e Bukharin, com este último visitando-o em sua mansão em Gorki no dia de sua morte. Lenin morreu em sua mansão em 21 de janeiro de 1924, após entrar em coma no início do dia. A causa oficial de sua morte foi registrada como uma doença incurável dos vasos sanguíneos.

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Ideologia política

Não pretendemos que Marx ou os marxistas conheçam o caminho do socialismo em toda a sua concretude. Isso não faz sentido. Conhecemos a direção da estrada, sabemos que as forças de classe o guiarão, mas concretamente, praticamente, isso será demonstrado pela experiência dos milhões quando empreenderem o ato. Lenin era um marxista fervoroso e acreditava que sua interpretação de Marx — denominada "leninismo" por Julius Martov em 1904 — era a única autêntica e ortodoxa. De acordo com a sua perspectiva marxista, a humanidade acabaria por chegar ao comunismo puro, se tornando uma sociedade sem classes e sem Estado de trabalhadores livres da exploração e alienação, controlando seu próprio destino e respeitando a regra "de cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades". Segundo Dmitri Volkogonov, Lenin acreditava "profunda e sinceramente" que o caminho no qual ele liderava a Rússia levaria finalmente ao estabelecimento desta sociedade comunista.

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Vida pessoal e características

Lenin via a si mesmo como um homem do destino e acreditava firmemente na justiça de sua causa e em sua própria habilidade como líder revolucionário. O biógrafo Louis Fischer o descreveu como "um amante da mudança radical e da agitação máxima", um homem para quem "nunca havia um meio-termo. Ou ele era um exagerador, ou preto ou vermelho". Destacando sua "capacidade extraordinária de trabalho disciplinado" e "devoção à causa revolucionária", Pipes observou que ele exibia muito carisma. Da mesma forma, Volkogonov acreditava que "pela própria força de sua personalidade, Lenin tinha uma influência sobre as pessoas". Por outro lado, seu amigo Gorki comentou que, em sua aparência física como "pessoa careca, atarracada e robusta", o revolucionário comunista era "muito comum" e não dava "a impressão de ser um líder". [Escritos reunidos de Lenin] revelam em detalhes um homem com vontade de ferro, auto-escravização da auto-disciplina, desprezo pelos adversários e obstáculos, a fria determinação de um partidário apaixonado, o impulso de um fanático e a capacidade de convencer ou intimidar as pessoas mais fracas pela sua singularidade de propósito, imponente intensidade, abordagem impessoal, sacrifício pessoal, astúcia política e completa convicção da posse da verdade absoluta. Sua vida tornou-se a história do movimento bolchevique.

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Legado

Impressões política e acadêmica

Volkogonov afirmou que "dificilmente poderia haver outro homem na história que conseguiria mudar tão profundamente uma sociedade tão grande em tal escala". A administração de Lenin estabeleceu a estrutura para o sistema de governo que conduziu a Rússia por sete décadas e forneceu o modelo para os estados mais tarde liderados pelos comunistas que vieram cobrir um terço do mundo habitado em meados do século XX. Assim, sua influência foi global. Uma figura controversa, Lenin continua sendo vilipendiado e reverenciado; foi idolatrado pelos comunistas e demonizado por críticos de todo o espectro político. Mesmo durante sua vida, Lenin "foi amado e odiado, admirado e desprezado" pelo povo russo. Isso se estendeu aos estudos acadêmicos de Lenin e do Leninismo, que têm sido muitas vezes polarizado em debates políticas.

Dentro da União Soviética

Na União Soviética, um culto de personalidade devotado a Lenin começou a se desenvolver durante sua vida, mas só foi plenamente estabelecido após sua morte. Segundo a historiadora Nina Tumarkin, isso representou o "culto de um líder revolucionário mais elaborado do mundo" desde o de George Washington nos Estados Unidos, e tem sido repetidamente descrito como "quase-religioso" na natureza. Bustos ou estátuas de Lenin foram erguidos em quase todas as aldeias, e seu rosto adornava selos postais, louças, cartazes e as primeiras páginas dos jornais soviéticos Pravda e Izvestia. Os lugares onde tinha vivido ou ficado foram convertidos em museus dedicados a ele. As bibliotecas, as ruas, as fazendas, os museus, as cidades, e as regiões inteiras foram nomeadas em sua honra, a cidade de Petrogrado foi renomeada "Leningrado" em 1924, e seu lugar de nascimento de Simbirsk que transforma-se "Ulianovsk". A Ordem de Lenin foi estabelecida como uma das condecorações mais altas do país. Tudo isso era contrário aos próprios desejos de Lenin, e foi publicamente criticado por sua viúva.

No movimento comunista internacional

De acordo com o biógrafo David Shub, escrevendo em 1965, são as ideias e o exemplo de Lenin que "constituem a base do movimento comunista atualmente". Regimes comunistas que professam lealdade a essas ideias apareceram em várias partes do mundo durante o século XX. Escrevendo em 1972, o historiador Marcel Liebman afirmou que "quase não há movimento insurrecional hoje, da América Latina a Angola, que não reivindica a herança do leninismo". Após sua morte, o governo de Stalin estabeleceu uma ideologia conhecida como marxismo-leninismo, movimento que passou a ser interpretado de forma diferente por várias facções rivais no movimento comunista. Depois de ser forçado ao exílio pelo governo de Stalin, Trótski argumentou que o stalinismo era uma degradação do leninismo, que era dominado pelo burocratismo e a ditadura pessoal do novo líder soviético. O marxismo-leninismo seria adaptado a muitos dos mais importantes movimentos revolucionários do século passado, formando-se em variantes como o stalinismo, maoismo, a ideologia Juche, o pensamento de Ho Chi Minh e o castrismo. Por outro lado, muitos comunistas ocidentais posteriores, como Manuel Azcárate e Jean Ellenstein, que estavam envolvidos no movimento eurocomunista, expressaram a opinião de que Lenin e suas ideias eram irrelevantes para seus próprios objetivos, abraçando assim uma perspectiva marxista, mas não marxista-leninista.

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Fontes consultadas

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