Associação para a Defesa dos Interesses de Macau
A Associação para a Defesa dos Interesses de Macau (ADIM) é uma associação política de matriz portuguesa e de cariz conservador e localista fundada em 1974 por um grupo de macaenses, entre os quais estavam Henrique de Senna Fernandes, Delfino José Rodrigues Ribeiro e Carlos Augusto Corrêa Paes d’Assumpção, que se tornou no líder desta associação. A ADIM manteve uma relação de estreita colaboração política com o Centro Democrático Social (CDS) português, cuja ideologia se assemelhava à do ADIM.
Objectivos
Ao contrário do seu rival e opositor mais liberal, o Centro Democrático de Macau (CDM), o principal objectivo da ADIM não era a democratização da sociedade de Macau, mas sim evitar a aplicação em Macau do rápido processo de descolonização já iniciado nas colónias africanas portuguesas. A ADIM defendia a curto prazo a manutenção do statu quo de Macau como território português. Com a formação da ADIM, acentuou-se também a pressão local na transformação das estruturas coloniais que ainda vigoravam em Macau.
Actos eleitorais
A ADIM participou nas eleições realizadas em 1975 para a Assembleia Constituinte de Portugal e conseguiu obter 1622 votos (0,03%), derrotando a CDM e conseguindo eleger 1 deputado, Diamantino de Oliveira Ferreira, pelo círculo eleitoral de Macau. O co-fundador e líder da ADIM, Carlos d'Assumpção, participou activamente na elaboração do novo Estatuto Orgânico de Macau (EOM) e conduziu a ADIM à vitória nas primeiras eleições legislativas livres de Macau, em 1976. Nestas eleições, onde estava em causa a escolha de 6 deputados por sufrágio directo e 6 por sufrágio indirecto (para um total de 17 deputados), a ADIM conseguiu vencer com cerca de 55 por cento dos votos (1497 votos num total de 2846 eleitores votantes) e eleger 4 deputados (Carlos Augusto Corrêa Paes d’Assumpção, Diamantino de Oliveira Ferreira, Susana Chou e José da Conceição Noronha) pela via do sufrágio directo. Logo, Carlos d’Assumpção foi eleito presidente da Assembleia Legislativa de Macau (AL), cargo que ele exerceu até à data da sua morte (1992).
Órgãos de informação
Em Março de 1975, a ADIM lançou a revista "Confluência", na qual participaram muitos portugueses e macaenses, entre os quais se destacava o advogado e escritor Henrique de Senna Fernandes, que escrevia principalmente sobre cinema. Este órgão de informação serviu para contrariar a influência da revista "Democracia em Marcha", que veiculava as ideias do Centro Democrático de Macau (CDM) desde Novembro de 1974. Mais tarde, em Outubro de 1982, a ADIM lançou o "Jornal de Macau", em oposição ao "Tribuna de Macau", que apareceu no mesmo mês e que pertencia a Jorge Neto Valente, um dos co-fundadores do CDM. Porém, com a evolução do panorama político de Macau e com a aproximação da data da transferência de soberania, o histórico conflito entre a ADIM e o CDM tornou-se num assunto do passado. Por isso, o "Jornal de Macau" e o "Tribuna de Macau" acabaram por fundir-se no dia 1 de Novembro de 1998, cujo resultado foi o actual Jornal Tribuna de Macau.
Actualmente, a ADIM não mantém actividades em Portugal, já que Macau não é mais um território sob administração portuguesa desde 1999. Em forte declínio e com o aparecimento de novos movimentos cívico-políticos de matriz chinesa que gozam de popularidade em Macau, a ADIM actualmente não elege deputados para a Assembleia Legislativa de Macau. A sua sede localiza-se na Estrada D. João Paulino, na Freguesia de S. Lourenço.


