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Adi Xancara

Adi Xancara ou Sancara foi um metafísico, teólogo, monge errante e mestre espiritual indiano. Foi o principal formulador doutrinal do Advaita Vedânta, ou Vedânta não-dualista. Segundo a tradição, foi uma das almas mais excelsas que já encarnaram neste planeta, chegando a ser considerado uma encarnação do deus hindu Xiva. Sua vida encontra-se envolta em mistérios e prodígios que a tornam semelhante às de outros insignes mestres espirituais da humanidade, como Jesus, Moisés e Buda. Diferentemente destes, contudo, Xancara não foi o fundador de uma religião, mas o renovador de uma, no caso o Hinduísmo.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 09/07/2026
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Biografia

Nascimento e primeiros anos

Não se sabe ao certo onde e quando nasceu. Alguns o fazem aparecer no século II a.C., já outros fazem a data avançar até mesmo ao século X. Para teósofos como T. Subba Row, ele nasceu em 510 a.C, conforme inscrições encontradas em Conjeverão, Seringueri, Jaganata, Benares e Caxemira. Existe a tendência, entre os orientalistas europeus, de situar seu nascimento em torno do século VIII da era Cristã. Igualmente, o local de seu nascimento é objeto de disputas, sendo indicadas as povoações de Seringueri, Sasala-grama, Cidambarapura, Kalati e, por fim, Kalpi. Sivaguru e Aryamba, seus futuros pais, há muito desejavam um filho. Então, conforme a história, Xiva lhes apareceu em sonho, perguntando se desejavam um único filho, que seria o mestre mais brilhante de sua geração mas morreria jovem, ou muitos rebentos, todos porém medíocres. Optando pela primeira alternativa, nasceu então Xancara. A tradição oral relata a ocorrência de diversos prodígios na ocasião de seu nascimento, como o congraçamento de feras anteriormente hostis entre si, a emanação sobrenatural de fragrâncias por árvores e outras plantas, a audição de cantos celestiais e outros fenômenos que espelhariam a alegria da natureza e dos deuses com seu nascimento.

Sua trajetória

Após deixar a mãe aos cuidados de parentes, e já não tendo pai, partiu Xancara em perambulação por florestas e cidades, até chegar à caverna onde Govinda Yati estabelecera seu refúgio. Solicitando admissão como discípulo, foi aceito, e aprendeu sobre Brahman através de quatro motes: Logo após ser aceito, estando seu mestre em profunda meditação, absorto do mundo, Xancara produziu outro milagre, acalmando uma furiosa tempestade que se desencadeara sobre o local. Despertando Govinda de sua meditação, e percebendo o que o jovem discípulo fizera, felicitou-o, abençoou-o e recomendou que fosse à cidade santa de Benares pare receber as bênçãos da Divindade, despedindo-o com a exortação: "Por teu feito glorioso, vai então, e começa a salvar a humanidade".

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Sua sabedoria

Os escritos de Xancara têm uma grande lucidez e profundidade, penetrante insight e grande habilidade analítica. Apesar disso, sua abordagem dos temas é mais religiosa e psicológica do que puramente lógica, o que o torna, na apreciação contemporânea, mais um grande reformador religioso do que um filósofo. Sua obra traz um grande conhecimento do saber Bramânico ortodoxo da época, bem como do budismo mahayana. Muitas vezes, tem sido criticado como um budista disfarçado, pela similitude de sua doutrina com aquela do Buda. Mesmo assim, combateu muitos pontos da doutrina Budista ou adaptou-os à sua interpretação advaíta do Vedanta. Na época de Xancara, o hinduísmo havia se modificado muito sob a influência do budismo e do jainismo. Xancara enfatizou a importância dos Vedas, recuperando, dessa forma, a pureza doutrinal do hinduísmo. Sua teologia sustenta que a ignorância espiritual (avidya) é causada pela visão de um eu onde não existe eu algum.

O Advaita e seu fundador

O Advaita Vedanta é uma doutrina filosófica hindu centrada na noção de não dualidade (a significa "não", dvaita significa "dual") entre o mundo e o absoluto, e na consciência de que a única coisa que realmente existe é Brahman. Além de negar a realidade autônoma do mundo fenomênico, o Advaita defende que não existe uma real oposição entre o Eu e Brahman, sendo eles um único ser. Sua origem estaria nos ensinamentos de Gaudapada, mas, de fato, é com Xancara que o Advaita é fundamentado e consolidado. Muitos ocidentais, assim como inúmeros indianos, consideram Adi Xancara como o maior dos filósofos hindus. É comparado por muitos autores a Platão, Santo Tomás, Espinosa e Hegel em função da profundidade e estilo de sua metafísica.

A literatura védica

Os Vedas são o conjunto de textos sagrados que formam a base religiosa e cultural do hinduísmo. O palavra veda, originada da raiz sânscrita vid, significa "sabedoria" ou "conhecimento". É provável que suas partes mais antigas tenham surgido por volta de 1500 e 1200 a.C., ou seja, séculos antes da fixação dos poemas homéricos (sécs. VIII ou VII a.C.) em uma forma escrita e que fazem dos Vedas, no mínimo, contemporâneos dos trechos mais antigos do Pentateuco. Posteriormente a sua composição, os Vedas foram organizados em coleções, ou Samhitas: o Rig Veda, que é o mais antigo documento da literatura hindu, e contém textos tratando de sacrifícios, homenagens aos deuses e descrições mitológicas, o Yajur Veda de caráter litúrgico, Sama Veda que é uma coleção de cantos acompanhados de notações musicais para o culto e, por fim, o Atharva Veda cujo conteúdo é uma coleção de hinos, fórmulas rituais, narrativas populares.

A ontologia e epistemologia do Advaita Vedanta

De um ponto de vista estritamente filosófico, um dualismo desse tipo parece, a princípio, se adequar melhor ao senso comum quando comparado a um monismo, pois estabelece uma separação entre os entes cotidianos e o absoluto, o que preservaria as diferenças, individualidades e a pluralidade dos fenômenos tão evidentes e caros ao senso comum. Estes parecem ser esvaziados de conteúdo ontológico autêntico quando concebidos dentro de um monismo, seja do tipo defendido por Espinosa, que entende os objetos materiais e conceituais como atributos e modos de Deus, seja do idealismo absoluto hegeliano, que concebe o Absoluto como a atividade incessante do Espírito – seja na Natureza ou na consciência e história humana.

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Influência

Apesar de sua curta vida, sua influência foi desde logo imensa sobre a Índia e o hinduísmo, combatendo veementemente o clericalismo e introduzindo uma forma purificada de pensamento Védico. Sua renovação do hinduísmo tornou esta escola capaz de enfrentar o crescimento do budismo, pavimentando o caminho para os movimentos teístas de Ramanuja e Madhva e contribuindo para o declínio do budismo em grande parte da Índia. Também fundou diversos matha, ou mosteiros. Suas crenças formam a base da tradição Smarta e influenciaram vários pensadores ocidentais contemporâneos.

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Obras

Mais de 300 obras lhe são atribuídas, embora exista consenso dos estudiosos apenas sobre poucas. De autenticidade indisputada são: Também é ele provavelmente o autor de um famoso comentário sobre o Bagavadeguitá, embora haja alguma controvérsia a respeito.

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Fontes consultadas

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