História da psicologia
Hoje, a psicologia é definida como "o estudo científico do comportamento e dos processos mentais". O interesse filosófico na mente e no comportamento humano remonta às civilizações antigas do Egito, Pérsia, Grécia, China e Índia.
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A psicologia faz fronteira com vários outros campos, incluindo fisiologia, neurociência, inteligência artificial, sociologia, serviço social, antropologia, assim como filosofia e outros componentes das humanidades. A história da psicologia como um estudo acadêmico da mente e do comportamento remonta aos gregos antigos. Há também evidências de pensamento psicológico no Egito antigo. A psicologia foi um ramo do domínio da filosofia até a década de 1870, quando se desenvolveu como uma disciplina científica independente na Alemanha. A psicologia como um campo autoconsciente de estudo experimental começou em 1879, em Leipzig, Alemanha, quando Wilhelm Wundt fundou o primeiro laboratório dedicado exclusivamente à pesquisa psicológica na Alemanha. Wundt também foi a primeira pessoa a se referir como um psicólogo (um precursor notável de Wundt foi Ferdinand Ueberwasser (1752-1812) que se designou Professor de Psicologia Empírica e Lógica em 1783 e deu palestras sobre psicologia científica na Universidade Velha de Münster, Alemanha). Outros importantes colaboradores iniciais da área incluem Hermann Ebbinghaus (pioneiro no estudo da memória), William James (o pai americano do pragmatismo) e Ivan Pavlov (que desenvolveu os procedimentos associados ao condicionamento clássico).
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Muitas culturas ao longo da história especularam sobre a natureza da mente, coração, alma, espírito, cérebro, etc. Por exemplo, no Egito Antigo, o Papiro de Edwin Smith contém uma descrição inicial do cérebro e algumas especulações sobre suas funções (descritas num contexto médico/cirúrgico). Embora outros documentos médicos dos tempos antigos estivessem cheios de encantamentos e aplicações destinadas a afastar demônios causadores de doenças e outras superstições, o Papiro de Edwin Smith fornece remédios para quase 50 condições e apenas dois contêm encantamentos para afastar o mal. Os filósofos gregos antigos, de Tales (fl. 550 a.C.) até o período romano, desenvolveram uma teoria elaborada do que chamavam de psuchẽ (psique) da qual a primeira metade de "psicologia" é derivada), bem como outros termos "psicológicos" - nous, thumos, logistikon, etc. Os mais influentes são os relatos de Platão (especialmente na República), Pitágoras e Aristóteles (especialmente Peri Psyches, mais conhecido sob seu título em latim, De Anima). Abordagens de Platão como a teoria tripartite da alma, a Alegoria de Carruagem e conceitos como eros definiram as visões subsequentes da filosofia ocidental sobre a psique e anteciparam propostas psicológicas modernas, como os conceitos de id, ego e superego e de libido de Freud; a tal ponto que "em 1920, Freud decidiu apresentar Platão como precursor de sua própria teoria, como parte de uma estratégia direcionada para definir a colocação científica e cultural da psicanálise". Os filósofos helenísticos (os estoicos e os epicuristas) divergiram da tradição grega clássica de várias maneiras importantes, especialmente em sua preocupação com questões da base fisiológica da mente. O médico romano Galeno abordou essas questões de maneira mais elaborada e influente de todas. A tradição grega influenciou algum pensamento cristão e islâmico sobre o assunto.
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Muitos dos escritos dos antigos teriam sido perdidos se não fosse pelos esforços dos tradutores cristãos, judeus e persas na Casa da Sabedoria, na Casa do Conhecimento e em outras instituições da Era de Ouro Islâmica, cujas glosas e comentários foram posteriormente traduzidos para o latim no século XII. No entanto, não está claro como essas fontes foram usadas pela primeira vez durante o Renascimento, e sua influência sobre o que mais tarde emergiria como a disciplina da psicologia é um tópico de debate acadêmico.
Etimologia e uso inicial da palavra
O primeiro uso do termo "psicologia" é frequentemente atribuído ao filósofo escolástico alemão Rudolf Göckel (1547-1628), conhecido sob a forma latina Rodolphus Goclenius), que publicou a Psychologia hoc est: de hominis perfectione, animo et imprimis ortu hujus... em Marburg, em 1590. No entanto, o termo parece ter sido usado mais de seis décadas antes pelo humanista croata Marko Marulić (1450-1524) no título de seu tratado latino, Psichiologia de ratione animae humanae. Embora o tratado em si não tenha sido preservado, seu título aparece em uma lista das obras de Marulic compiladas por seu contemporâneo mais jovem, Franjo Bozicevic-Natalis, em sua "Vita Marci Maruli Spalatensis" (Krstić, 1964). A palavra "psychologia" aparece também como nome de um capítulo do livro Quaestionaes physicae de Johann Thomas Freigius em 1579, e foi posteriormente aceita em títulos de obras por um discípulo de Göckel, Otto Cassmann, além de Hawenreuther e Fabian Hippe.
Pensamento psicológico do Iluminismo
A psicologia inicial era considerada como o estudo da alma (no sentido cristão do termo). A forma filosófica moderna da psicologia foi fortemente influenciada pelas obras de René Descartes (1596-1650) e pelos debates que ele gerou, dos quais os mais relevantes foram as objeções às suas Meditações sobre a Primeira Filosofia (1641), publicadas com o texto. Também importantes para o desenvolvimento posterior da psicologia foram suas Paixões da Alma (1649) eTratado sobre o Homem (concluídas em 1632, mas, juntamente com o restante de O Mundo, foram excluídas da publicação depois que Descartes soube da condenação de Galileu pela Igreja Católica; foi finalmente publicado postumamente, em 1664).
Transição para a psicologia contemporânea
Também influenciaram a emergente disciplina da psicologia os debates em torno da eficácia do mesmerismo (um precursor da hipnose) e do valor da frenologia. O primeiro foi desenvolvido na década de 1770 pelo médico austríaco Franz Mesmer (1734-1815), que afirmou usar o poder da gravidade e, posteriormente, do "magnetismo animal", para curar vários males físicos e mentais. À medida que Mesmer e seu tratamento se tornaram cada vez mais na moda em Viena e Paris, também começou a ficar sob o escrutínio de oficiais que suspeitavam dele. Em 1784, uma investigação foi encomendada em Paris pelo rei Luís XVI, que incluía o embaixador americano Benjamin Franklin, o químico Antoine Lavoisier e o médico Joseph-Ignace Guillotin (mais tarde o popularizador da guilhotina). Eles concluíram que o método de Mesmer era inútil. O Abade Faria, sacerdote indo-português, reavivou a atenção do público no magnetismo animal. Ao contrário de Mesmer, Faria alegou que o efeito foi "gerado de dentro da mente" pelo poder da expectativa e da cooperação do paciente. Embora contestada, a tradição "magnética" continuou entre os estudantes de Mesmer e outros, ressurgindo na Inglaterra no século XIX na obra do médico John Elliotson (1791-1868), e dos cirurgiões James Esdaile (1808-1859) e James Braid (1795-1860) (que o reconceptualizou como propriedade da mente do sujeito e não como "poder" do mesmerista, e o rotulou como "hipnotismo"). O mesmerismo também continuou a ter um forte número de seguidores sociais (se não médicos) na Inglaterra até o século XIX (ver Winter, 1998). A abordagem de Faria foi significativamente ampliada pelo trabalho clínico e teórico de Ambroise-Auguste Liébeault e Hippolyte Bernheim da Escola de Nancy. A posição teórica de Faria e as experiências subsequentes daqueles da Escola de Nancy fizeram contribuições significativas para as técnicas posteriores de autossugestão de Émile Coué. Foi adotado para o tratamento da histeria pelo diretor do Hospital Salpêtrière de Paris, Jean-Martin Charcot (1825-1893).
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Até meados do século XIX, a psicologia era amplamente considerada como um ramo da filosofia. Se ela poderia tornar-se uma disciplina científica independente já foi questionado anteriormente: Immanuel Kant (1724–1804) declarou em seus Fundamentos Metafísicos das Ciências Naturais (1786) que a psicologia talvez nunca se tornasse uma ciência natural "adequada" porque seus fenômenos não podem ser quantificados, entre outros motivos. Kant propôs uma concepção alternativa de uma investigação empírica do pensamento, sentimento, desejo e ação humanos e lecionou esses tópicos por mais de vinte anos (1772/73-1795/96). Sua Antropologia de um Ponto de Vista Pragmático (1798), resultante dessas palestras, parece uma psicologia empírica em muitos aspectos. Johann Friedrich Herbart (1776-1841) discordou do que considerava a conclusão de Kant e tentou desenvolver uma base matemática para uma psicologia científica. Embora ele não tenha conseguido entender empiricamente os termos de sua teoria psicológica, seus esforços levaram cientistas como Ernst Heinrich Weber (1795-1878) e Gustav Theodor Fechner (1801-1887) a tentar medir as relações matemáticas entre as magnitudes físicas dos estímulos externos e as intensidades psicológicas das sensações resultantes. Fechner (1860) é o criador do termo psicofísica.
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A experimentação não era a única abordagem da psicologia no mundo de língua alemã naquele momento. A partir da década de 1890, empregando a técnica de estudo de caso, o médico vienense Sigmund Freud, inicialmente em colaboração com Josef Breuer, desenvolveu e aplicou os métodos de hipnose, associação livre e interpretação de sonhos para revelar crenças e desejos supostamente inconscientes que ele argumentava serem as causas subjacentes à "histeria" de seus pacientes. Ele passou a chamar sua abordagem depois literalmente de "psicoanálise" (em alemão, Psychoanalyse, Freud enfatizava a presença do "o"; por eufonia em português, funde-se no termo geral psicanálise), embora outros utilizassem o termo Psychanalyse (sem "o") para distinguir da técnica freudiana. A psicanálise examina processos mentais que afetam o ego. Uma compreensão destes teoricamente permitiria ao indivíduo maior escolha e consciência, com um efeito curativo na neurose e, ocasionalmente, na psicose, que Richard von Krafft-Ebing definiu como "doenças da personalidade".
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Por volta de 1875, o professor de fisiologia de Harvard (como era na época), William James, abriu um pequeno laboratório de demonstração de psicologia experimental para uso em seus cursos. O laboratório nunca foi usado, na época, para pesquisas originais, e ainda há controvérsias sobre se deve ou não ser considerado o "primeiro" laboratório de psicologia experimental. Em 1878, James deu uma série de palestras na Universidade Johns Hopkins, intituladas "Os sentidos e o cérebro e sua relação com o pensamento", na qual ele argumentou, contra Thomas Henry Huxley, que a consciência não é epifenomenal, mas deve ter uma função evolutiva, ou não teria sido naturalmente selecionada em humanos. No mesmo ano, James foi contratado por Henry Holt para escrever um livro sobre a "nova" psicologia experimental. Se ele o tivesse escrito rapidamente, teria sido o primeiro livro em inglês sobre o assunto. Passaram doze anos, no entanto, antes que seus dois volumes, Os Princípios da Psicologia, fossem publicados. Enquanto isso, os livros didáticos foram publicados por George Trumbull Ladd, de Yale (1887), e James Mark Baldwin, então, do Lake Forest College (1889).
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Jules Baillarger fundou a Société Médico-Psychologique em 1847, uma das primeiras associações do tipo e que publicava os Annales Médico-Psychologiques. A França já tinha uma tradição pioneira no estudo psicológico, e destaca-se no início do século a publicação Précis d'un cours de psychologie ("Resumo de um Curso de Psicologia"), por Adolphe Garnier, que também publicou o Traité des facultés de l'âme, comprenant l'histoire des principales théories psychologiques ("Tratado das faculdades da Alma, compreendendo a história das principais teorias psicológicas") em 1852. Garnier foi chamado de "o melhor monumento da ciência psicológica de nosso tempo" pela Revue des Deux Mondes em 1864. Em grande parte por causa do conservadorismo do reinado de Louis Napoléon (presidente, 1848-1852; imperador como "Napoléon III", 1852-1870), a filosofia acadêmica na França em meados do século XIX que era controlada por membros das escolas ecléticas e espiritualistas foi duramente combatida com a ascensão deste que voltou a dar plenos poderes para a Igreja em termos educacionais. Assim o legado e a construção de uma psicologia espiritualista por figuras como Victor Cousin (1792-1867), Thédodore Jouffroy (1796-1842) e Paul Janet (1823-1899) caiu no ostracismo. Paul Janet, o último deles foi um filósofo que lançou um tratado filosófico de psicologia (traduzido em português e publicado no Brasil em 1885) e era tio de Pierre Janet, tendo proposto o problema da sugestão pós-hipnótica e criticado a dupla consciência (dédoublement) defendida por Pierre nas dissociações. Essas eram escolas metafísicas tradicionais, em oposição a considerar a psicologia como uma ciência natural. Com a expulsão de Napoleão III, após o desastre da guerra franco-prussiana, novos caminhos, políticos e intelectuais, tornaram-se possíveis. A partir de 1870, um interesse cada vez maior por abordagens positivistas, materialistas, evolutivas e determinísticas da psicologia desenvolveu, influenciada, entre outros, pelo trabalho de Hyppolyte Taine (1828-1893) (por exemplo, De L'Intelligence, 1870) e Théodule Ribot (1839-1916) (por exemplo, La Psychologie Anglaise Contemporaine, 1870).
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Embora os britânicos tivessem o primeiro periódico acadêmico dedicado ao tópico da psicologia - Mind, fundado em 1876 por Alexander Bain e editado por George Croom Robertson - demorou muito tempo até que a psicologia experimental se desenvolvesse lá para desafiar a forte tradição da "filosofia mental." Os relatórios experimentais que apareceram em Mind nas duas primeiras décadas de sua existência foram quase inteiramente de autoria de americanos, especialmente G. Stanley Hall e seus alunos (notavelmente Henry Herbert Donaldson) e James McKeen Cattell. O laboratório antropométrico de Francis Galton (1822–1911) foi aberto em 1884. Lá, as pessoas foram testadas em uma ampla variedade de atributos físicos (por exemplo, força do sopro) e perceptivos (por exemplo, acuidade visual). Em 1886, Galton foi visitado por James McKeen Cattell, que mais tarde adaptaria as técnicas de Galton no desenvolvimento de seu próprio programa de pesquisa em testes mentais nos Estados Unidos. Galton, no entanto, não era primariamente um psicólogo. Os dados que ele acumulou no laboratório antropométrico foram principalmente para apoiar seu caso de eugenia. Para ajudar a interpretar os montantes de dados que ele acumulou, Galton desenvolveu várias técnicas estatísticas importantes, incluindo os precursores do gráfico de dispersão e o coeficiente de correlação produto-momento (aperfeiçoado posteriormente por Karl Pearson, 1857-1936).
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Na medida em que a psicologia era considerada a ciência da alma e institucionalmente parte dos cursos de filosofia nas escolas de teologia, a psicologia estava presente na Rússia a partir da segunda metade do século XVIII. Por outro lado, se por psicologia queremos dizer uma disciplina separada, com cadeiras para universidades e as pessoas empregadas como psicólogos, só apareceram depois da Revolução de Outubro. Mesmo assim, até o final do século XIX, muitos tipos diferentes de atividades chamadas psicologia se espalharam na filosofia, ciências naturais, literatura, medicina, educação, prática jurídica e até ciência militar. A psicologia era tanto um recurso cultural quanto uma área definida da academia. A pergunta "Quem deve desenvolver a psicologia e como?" era tão importante que Ivan Sechenov, fisiologista e médico por formação e professor de instituições de ensino superior, escolheu-a como título para um ensaio em 1873. Sua pergunta era retórica, pois ele já estava convencido de que a fisiologia era a base científica sobre a qual construir a psicologia. A resposta ao ensaio popular de Sechenov incluiu uma, de 1872 a 1873, de um professor liberal de direito, Konstantin Kavelin. Ele apoiou um desenho psicológico de materiais etnográficos sobre caráter nacional, um programa que existia desde 1847, quando a divisão etnográfica da recém-criada Sociedade Geográfica Russa circulou um pedido de informações sobre o modo de vida das pessoas, incluindo “habilidades intelectuais e morais". Isso fazia parte de um debate mais amplo sobre caráter nacional, recursos nacionais e desenvolvimento nacional, no contexto em que um proeminente linguista, Alexander Potebnja, começou, em 1862, a publicar estudos sobre a relação entre mentalidade e linguagem.
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Escola de Würzburg
Em 1896, um dos ex-assistentes de laboratório de Wilhelm Wundt em Leipzig, Oswald Külpe (1862-1915), fundou um novo laboratório em Würzburg. Külpe logo se cercou de vários psicólogos mais jovens, a chamada Escola de Würzburg, principalmente Narziß Ach (1871-1946), Karl Bühler (1879-1963), Ernst Dürr (1878-1913), Karl Marbe (1869-1953) e Henry Jackson Watt (1879-1925). Coletivamente, eles desenvolveram uma nova abordagem à experimentação psicológica que decolou diante de muitas das restrições de Wundt. Wundt havia feito uma distinção entre o velho estilo filosófico de auto-observação (Selbstbeobachtung ), no qual se introspectava por longas durações em processos de pensamento mais elevados, e a percepção interior (innere Wahrnehmung), na qual se podia perceber imediatamente uma sensação momentânea, sentimento, ou imagem (Vorstellung). O primeiro foi declarado impossível por Wundt, que argumentou que o pensamento superior não podia ser estudado experimentalmente através de introspecção prolongada, mas apenas humanisticamente através da Völkerpsychologie (psicologia popular). Somente o último era um assunto apropriado para experimentação.
Psicologia da Gestalt
Enquanto os Würzburgers debateram com Wundt principalmente sobre questões de método, outro movimento alemão, centrado em Berlim, discordou da suposição generalizada de que o objetivo da psicologia deveria ser transformar a consciência em supostos elementos básicos. Em vez disso, eles argumentaram que o "todo" psicológico tem prioridade e que as "partes" são definidas pela estrutura do todo, e não vice-versa. Assim, a escola foi nomeada Gestalt, um termo alemão que significa aproximadamente "forma" ou "configuração". Foi liderado por Max Wertheimer (1880–1943), Wolfgang Köhler (1887–1967) e Kurt Koffka (1886–1941). Wertheimer havia estudado o filósofo austríaco Christian von Ehrenfels (1859–1932), que alegou que, além dos elementos sensoriais de um objeto percebido, há um elemento extra que, embora em algum sentido derivado da organização do padrão elementos sensoriais, também deve ser considerado como um elemento em si. Ele chamou esse elemento extra de Gestalt-qualität ou "qualidade da forma". Por exemplo, quando alguém ouve uma melodia, ouve as notas mais algo além delas que as une em uma música – a Gestalt-qualität. É a presença dessa Gestalt-qualität que, segundo Von Ehrenfels, permite que uma música seja transposta para um novo tom, usando notas completamente diferentes, mas ainda mantendo sua identidade. Wertheimer adotou a linha mais radical de que "o que me é dado pela melodia não surge... como um processo secundário a partir da soma das peças como tal. Em vez disso, o que ocorre em cada parte já depende do que é o todo" (1925/1938). Em outras palavras, ouve-se a melodia primeiro e só então pode dividi-la perceptivamente em notas. Da mesma forma, na visão, vê-se primeiro a forma do círculo - é dado "imediatamente" (ou seja, sua apreensão não é mediada por um processo de soma parcial). Somente após essa apreensão primária é possível notar que ela é composta de linhas, pontos ou estrelas.


