Parto
Parto, parturição ou nascimento é o conjunto de fenómenos e mecanismos que tem por finalidade a expulsão do feto, e dos seus anexos, do organismo materno; acto ou efeito de parir, de dar à luz. É o termo de uma gravidez, em que um ou mais bebês deixam o útero da mulher. Em 2015 ocorreram em todo o mundo 135 milhões de nascimentos. Cerca de 15 milhões nasceram antes das 37 semanas de gestação, enquanto entre 3 e 12% nasceram depois das 42 semanas de gestação. Nos países desenvolvidos a maior parte dos partos tem lugar em hospitais, enquanto nos países em desenvolvimento a maior parte dos nascimentos ocorre em casa com o apoio de uma parteira.
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A maior parte dos danos ocorridos durante o parto normal é causado pela má condução do mesmo, especialmente quando são utilizadas manobras e intervenções desnecessárias, muitas das quais condenadas pela Organização Mundial de Saúde — como episiotomia ("corte"), manobra de Kristeller (quando o médico ou enfermeiro pressiona a barriga para forçar a expulsão do bebê) e uso corriqueiro de ocitocina (hormônio que acelera as contrações). Um parto natural, realizado sem intervenções e preferencialmente em posição que ajude a saída do bebê, dificilmente causará qualquer tipo de consequência negativa.[carece de fontes?] Três fatores devem ser levados em consideração para determinar a possibilidade ou não do parto normal: Se estes fatores forem bem proporcionados, a probabilidade de parto normal é grande. Normalmente, logo após o nascimento, os pais dão um nome à criança. Podem escolher de dois conjuntos de nomes; um se for um menino, e outro se for uma menina.
Introdução
A ciência do nascimento é a obstetrícia e o médico especializado no atendimento ao parto é o obstetra. A especialidade médica que abrange essa subespecialidade é a "Ginecologia e Obstetrícia". Também existem outros profissionais habilitados na assistência ao parto normal: a obstetriz e a/o enfermeira(o) obstetra.
Primeiro período do parto: período de dilatação
Um parto humano típico começa com o início da primeira fase do parto: contrações do útero, inicialmente com frequência de 2 a 3 em cada 10 minutos e com duração aproximada de 40 segundos. Ocasionalmente, o parto é precedido da ruptura do saco amniótico, também chamado de "ruptura das águas". As contrações aceleram até que ocorram com frequência de 5 a cada 10 minutos e duração clínica de 70 segundos, quando se aproxima a expulsão do feto. Na expulsão, somam-se as contrações uterinas aos esforços expulsivos voluntários da mãe. O trabalho de parto pode se iniciar com o colo uterino fechado, abrindo com a força das contrações, ou com dilatação de 2 a 3 centímetros nas primíparas (mulheres no primeiro parto), e de 3 a 4 centímetros nas multíparas (mulheres do segundo parto em diante). Cada contração dilata o colo uterino até que ele atinja 10 centímetros de diâmetro.
Segunda fase do parto: período expulsivo
A segunda fase do parto inicia com o cérvix completamente dilatado (10 centímetros) e termina com a expulsão fetal. Uma nova força começa a atuar: a contração da musculatura do diafragma e da parede abdominal, que, associados às contrações, comprimem o útero de cima para baixo e da frente para trás e, assim, o bebê é expelido. O bebé usualmente nasce de cabeça, na chamada "apresentação cefálica". Em alguns casos, ocorre a apresentação dos pés ou nádegas primeiro (apresentação pélvica). Com pessoal devidamente treinado, mesmo bebés nessa apresentação ("breech") podem nascer através da vagina. Existem vários tipos de posições invertidas de nascimento, sendo a mais comum aquela em que as nádegas do bebê saem primeiro, e as pernas estão dobradas sobre o corpo do bebê com os joelhos curvados e pés perto das nádegas. Outras disposições consistem quando o bebê tem suas pernas estendidas e direção das orelhas, ou mais incomum quando uma ou as duas pernas estão estendidas, sendo o pé(s) primeiros apresentados ao nascer. Uma outra disposição, rara, é quando o bebê encontra-se numa posição transversal, isto é, disposto de lado no útero, e sendo a mão ou o cotovelo o primeiro a entrar no canal de parto. Neste caso, o nascimento "natural" (vaginal) não deve ser empreendido, a menos em raríssimos casos em que se pode empurrar o braço do bebê de volta, e fazê-lo voltar à posição apropriada.
Terceira fase: terceiro período, secundamento ou dequitadura
A terceira fase do parto compreende ao desprendimento, descida e expulsão da placenta e membranas. Ocorre entre 5 a 30 minutos após o término do período expulsivo. Ocorre pelas contrações uterinas que diminuem o volume do útero e, consequentemente, aumentam a espessura da parede muscular: com esta redução, a placenta se descola, pois não possui elasticidade. Assim, ocorre a infiltração de sangue entre a placenta e a decídua basal remanescente, originando hematoma retroplacentário. As membranas fetais permanecem no local até que a placenta se desprenda por completo, quando se dirige à vagina e é expulsa através de contrações ou por meio de esforços manuais, ou da mãe, se não estiver sob efeito anestésico, ou do ou da assistente do parto.
Quarta fase: período de Greenberg
O período de Greenberg de imediato corresponde à primeira hora depois da saída da placenta. É de fundamental importância nos processos hemostáticos (impedir o sangramento excessivo). Durante esse período, há a possibilidade maior de ocorrerem grandes hemorragias. Os mecanismos que coíbem a hemorragia pós-parto são: Após a primeira hora, o útero apresenta-se em condições normais, firmemente contraído, completando, assim, o mecanismo de hemostase.
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Ocasionalmente, surgem complicações durante o trabalho de parto que requerem manejo por parte do médico obstetra. A não progressão do trabalho de parto (longo tempo de contrações na fase ativa do trabalho de parto sem dilatação satisfatória do colo uterino), geralmente, é tratada com correção de dinâmica via gel de prostaglandina ou preparação intravenosade ocitocina sintética. Estando mãe e bebê em boas condições, pode-se aguardar, porém, em situações adversas (quando as intervenções não funcionam), uma cesariana pode ser necessária. O sofrimento fetal é definido por um padrão não tranquilizador da frequência cardíaca fetal intraparto. A bradicardia — como é chamada —, isoladamente, não constitui sofrimento fetal: outros fatores como a acidez sanguínea podem ser avaliados antes de se optar por uma intervenção. A não progressão da expulsão (a cabeça, ou parte que se apresente primeiro, não é expulsa apesar das contrações) pode determinar intervenções como mudança de posição materna, manobras, versões internas, extração a vácuo, extração a fórceps e, em último caso, cesariana.
Sob o ponto de vista mecânico, são quatro os elementos básicos para o estudo do parto: Os movimentos próprios do mecanismo de parto concorrem para que haja adaptação aos pontos mais estreitos do canal do parto e às diferenças de forma do canal, mediante redução e acomodação dos diâmetros fetais aos pélvicos. A finalidade primordial é colocar os menores diâmetros do feto em concordância com os menores diâmetros da pelve.
Principais tempos do mecanismo de parto na apresentação cefálica fletida
A insinuação é a passagem da maior circunferência da apresentação pelos limites do estreito superior da bacia. O movimento complementar ou acessório, que permite a redução dos diâmetros da apresentação, é a flexão (na apresentação cefálica fletida) ou a deflexão (na apresentação cefálica defletida de face). Diz-se que a apresentação cefálica fletida está insinuada quando o ponto de maior declive da apresentação (o vértex) atinge o nível das espinhas ciáticas. O feto está, portanto, no plano 0 de DeLee. Na apresentação cefálica fletida, a insinuação ocorre geralmente na variedade de posição occípito-ilíaca-esquerda-anterior (para alguns, em occípito-ilíaca-esquerda-transversa).
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Nos tempos modernos, a participação do pai durante o trabalho de parto é a norma nos países ocidentais. Contudo, antes da década de 1960, na maioria das culturas o pai estava proibido de entrar na área reservada ao parto, bem como outros homens com a exceção do médico. A exceção a esta regra eram os Polésios, um povo do Leste Europeu. Nesta cultura, a esposa paria sentada sobre os joelhos do marido. Muitas vezes, as famílias veem a placenta como uma parte especial do parto, já que foi o suporte vital da criança durante muitos meses. Muitos pais gostam de ver e tocar este misterioso (para eles) órgão. Em algumas culturas, existe o costume de se fazer um buraco e plantar, nele, uma árvore bem como a placenta no primeiro aniversário da criança. Em algumas populações, a placenta é ingerida cerimonialmente pela família do recém-nascido.
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No Brasil, este tipo de parto ganhou repercussão nos anos 1970 através do programa Fantástico, da Rede Globo, no qual a doutora Maria Celia del Valle mostrava os procedimentos de tal modalidade. O parto na água caracteriza-se pelo nascimento da criança dentro da água. Mantém-se a temperatura desta em torno de 37 graus Celsius. Este tipo de parto pode ser acompanhado pelo pai e faz com que a criança e mãe fiquem mais tranquilas, fazendo o parto fluir com maior facilidade. Os nascimentos na água não são mais arriscados do que os nascidos fora e as mulheres sofrem menos lacerações de primeiro e segundo graus. O parto na água pode acontecer em uma banheira de hidromassagem ou mesmo em uma banheira inflável, em ambiente hospitalar ou em domicílio. O parto na água pode ocorrer pelo Sistema Único de Saúde em locais como o Centro de Parto Normal David Capistrano, em Belo Horizonte, que funciona anexo ao hospital Sofia Feldman; a casa de parto de Realengo, no Rio de Janeiro; a Casa de Parto de Sapopemba, em São Paulo; e a Maternidade Municipal Leila Diniz, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
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Em algumas jurisdições, o local do nascimento determina a nacionalidade da criança (dentro da conceito de jus soli).


