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Raul Córdula

Raul Córdula Filho é um pintor, artista gráfico, cenógrafo, professor e crítico de arte brasileiro.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/07/2026
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Biografia

Raul Córdula é artista plástico, curador e crítico de arte. Com mais de 50 anos de arte, seu repertório e poética é atravessado pela arte primitiva, o concretismo, neoconcretismo, nova figuração, arte experimental, arte engajada, arte postal. Conhecido principalmente pela sua pintura geométrica, o artista nasceu em Campina Grande, Paraíba, em 17 de abril de 1943. Filho do professor Raul Córdula, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro – RJ em 1946. Ao regressar a Paraíba, primeiramente em Campina Grande em 1957, começa a pintar acompanhado de um grupo de adolescentes do qual participaram Flávio Bezerra de Carvalho, artista que morreu ainda criança, e Ney Suassuna. Um ano depois, a família fixa residência em João Pessoa-PB. Nesta época, estudou desenho na Escola de Arte de Campina Grande com o professor Miranda e a professora Lourdes Almeida. O ano de 1959 foi marcante para o jovem que almejava ser artista. Conhece os grupos de poetas e intelectuais, próximos à vertente artística concretista e construtivista, conhece Jomard Muniz de Brito, tem contato com o texto emblemático “Teoria do Não Objeto”, publicado no jornal o Globo no Rio de Janeiro de autoria de Ferreira Gular, imediatamente ao seu lançamento.

1960

A dinâmica das artes plásticas no eixo Rio-São Paulo, caracteriza-se pela consolidação de museus de arte e pelas polêmicas e os discursos narrativos trazidos pela Bienal de São Paulo. Uma ampliação do conceito de arte brasileira para arte internacional brasileira parece se esboçar com as defesas e recuos em relação à arte abstrata e o figurativismo. Anos depois, essas polêmicas serão sistematizadas e teorizado por críticos e historiadores de arte. O Museu de Arte Moderna (MAM-RJ) se revelou como um espaço importante às manifestações de vanguarda, realizando mostras como Exposição Opinião 65, Exposição Nova Objetividade Brasileira, em 1967, Salão da Bússola em 1969 e Domingos de Criação em 1971.

1970

Em tempos de exílio do nordeste, Raul Córdula trabalha como cenógrafo da TV Globo (canal 4) até 1972, assim como, fez programação visual para várias empresas no Rio de Janeiro, entre elas a Rádio Ministério da Educação e Cultura. Em 1972, ao voltar para Paraíba, abre um Bar com um grupo de amigos, Asa Branca, ambientado por artistas. O Asa Branca se torna um espaço de exibição de produções culturais e artísticas, cujo um dos marcos inesquecíveis foram os espetáculos musicais independentes de Zé Ramalho, Vital Farias, Marconi Notaro e Carlos Aranha. Manteve um escritório de Programação Visual em João Pessoa, até 1975. Nesse mesmo ano Raul Córdula é pai pela segunda vez, do seu primeiro casamento.

1980

Entre a década de 1970 e 1980, o artista realiza diversas exposições em instituições culturais, bienais e festivais de arte. Sobretudo, suas exposições em diversas galerias de arte – um circuito característico da geração dos anos 1980, o circuito do mercado de arte. Nesta década, o artista encontra-se em uma maturidade plástica, sendo considerado um dos mais importantes representantes do abstracionismo geométrico brasileiro, que sob o rótulo criado pela crítica de geometria tropical distanciando-se (argumento crítico) dos artistas construtivos geométricos europeus. Nos anos 1980, uma nova configuração do mundo das artes começa a ser desenhada. Assim, neste novo desenho do circuito artístico, há a figura do curador como um novo protagonista responsável por projetar ideias e construir discursos a partir da realidade da obra. Raul Córdula, que já tinha um trabalho na escrita crítica em artes visuais na imprensa paraibana e em diversas exposições, também participa, como impulsionador do desenvolvimento da arte emergente por meio da curadoria. Pode-se destacar a sua entrada na Associação Brasileira de Críticos da Arte – ABCA e Associação Internacional de Críticos de Arte – AICA, e como diretor artístico e diretor técnico da Oficina Guaianases de Gravura, em Olinda, estas últimas funções assumidas até 1984.

1990

Com uma exposição comemorativa de Trinta anos de atividades artísticas na Fundação Joaquim Nabuco (FUNDAJ), o artista inicia esta década dos anos 1990, marcada por um fluxo de exposições nacionais e internacionais. Sobre estes deslocamentos, há uma passagem curiosa. Á véspera de sua viagem para sua exposição no Espaço Cultural da Embaixada do Brasil em Paris, em que viajaria com sua esposa Amélia Couto, contudo não tinham conseguido financiamento para tal investida. Antes de sua ida, realiza anteriormente uma exposição comercial no Espaço Cultural Pallon (depois chamada de Galeria Pallon). Poderia ter sido apenas mais uma exposição comercial, entretanto, o governador de Cabo Verde ,em visita ao Recife, passou pela Galeria que exibia alguns dos seus trabalhos vitrine principal, o mesmo se encantou com um deles. O embaixador entrou na Galeria e adquiriu um dos trabalhos, segundo depoimento do artista, se desculpou porque só tinha dólar (U$ 2.000 cash). Tal acontecimento financiou parte da viagem a Paris. Situações como esta, tão singular, podem dizer pouco para um debate sobre sua inserção no mercado e valor da obra de arte, mas evidencia as imprevisibilidades que ativam a produção e circulação independente em artes visuais.

2000 - 2014

A curadoria ganha participação expressiva na produção desta década, potencializando assim discussões contemporâneas, demonstrando uma vontade de experimento e posicionamento crítico por meio deste “espaço de negociação”. Em 2000, Raul Córdula assumiu curador geral do 44º Salão Pernambucano de Artes Plásticas em Recife. Após dez anos de hiato, sem ocorrência do SPAP/PE, fundado em 1942, Raul Córdula propõe um Salão voltado para o público e não para o artista. Destaca-se uma atenção maior às práticas educativas do evento, preocupações estas sempre recorrentes nas atividades desenvolvidas pelo artista. Foi curador adjunto da exposição “Museu de Arte Assis Chateubriand – MAAC. Coleções do Brasil”. Em Brasília no Centro Cultural Banco do Brasil. Curador da exposição A Pintta de Paisagem em Pernambuco, no Centro de Convenções de Pernambuco, realizado pelas Tintas Iquine, em Recife. Curadoria na exposição Arte&Linguagem: 40 anos de Arte Visual, no Museu do Estado de Pernambuco, também na cidade do Recife.

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Exposições: individuais & coletivas

Imagem: Pedro Alb Xavier · BY-SA · Openverse

Exposição Individual “Xiko” Arte Interior – Recife- PE. Participou do 22º Salão Anual de Pintura, Museu do Estado de Pernambuco, Recife-PE. Exposição individual “Guaches”, com texto de Jomard Muniz de Brito, na Faculdade de Filosofia da UFPB, João Pessoa -PB. Exposição coletiva Pinturas, da Semana de Teatro da Paraíba, na Galeria José Américo de Almeida - Teatro Santa Rosa, João Pessoa- PB. Obteve 2º prêmio de Desenho, no 19º Salão de Belas Artes da Cidade de Belo Horizonte – Museu de Arte Pampulha. Recebe 2º Prêmio de Desenho no Salão Municipal de Belo Horizonte (Salão Mineiro). Exposição individual, na Galeria Verseau, com patrocínio do Plano de Ação Cultural do Governo do Estado da Paraíba, com textos de Harry Laus, Vanildo de Brito e Antonio Dias, Rio de Janeiro – RJ. Exposição coletiva “Artista paraibano em Olinda”, no Mercado da Ribeira, Olinda-PE, no programa de exposição do Movimento da Ribeira, apresentada por Adão Pinheiro. Participaram, além dele, os artistas Flávio Tavares, José Altino, Celene Sitônio, Guilherme Caldas e Régis Cavalcanti.

1943

Nasceu em Campina Grande, Paraíba, em 17 de abril de 1943.

1946

Seu pai era professor e se mudou com a família para o Rio de Janeiro -RJ.

1957

Voltou a morar em Campina Grande, na Paraíba. Depois de um ano fixa residência em João Pessoa-PB.

1958

Conhece Adão Pinheiro, Anchises Azevedo e Montez Magno em Olinda.

1959

Participou do 1º Salão de Poesias da Paraíba, como ilustrador dos poemas (junto com Wandick Filgueiras), João Pessoa-PB. Participou do Salão de encerramento das atividades do Centro de Artes Plásticas da Paraíba, João Pessoa- PB.

1960

Primeira exposição individual, na Biblioteca Pública da Paraíba, João Pessoa-PB. Exposição coletiva de pintores paraibanos e pernambucanos, na Associação Cultural Franco-Brasileira (Cultura Francesa), João Pessoa – PB. Exposição coletiva – Primeira Praça da Cultura, em Natal-RN. Ganha 1º prêmio no Salão de Artes Plásticas, em comemoração as Festas Henriquinas, promovida pela Biblioteca Pública da Paraíba.

03

Cronologia: gestor e curador

Imagem: 1luizhn · CC0 · Openverse

Fundador, com outros artistas, e coordenador do Núcleo de Arte Contemporânea da Universidade Federal da Paraíba – NAC, até 1985. Leciona na Universidade Federal da Paraíba, até 1988. Ministrou o curso de Introdução ao estudo de Folclorologia e Etnomusicologia no Núcleo de Pesquisa e Documentação da Cultura Popular – NUPPO da Universidade Federal da Paraíba. Escreveu o livro “Os anos 60, aspectos das artes plásticas na Paraíba”, com Francisco Pereira Junior, edição FUNARTE. Produção visual da publicação “ALMANAC – Resumo das atividades do N.A.C.”, com edição da FUNARTE / UFPB / NAC. Representou, no Brasil, o Conselho Mundial de Artesanato, até 1986. Delegado-chefe no Brasil do Conselho Mundial de Artesanato, órgão filiado à UNESCO. Ministrou o curso “Análise do discurso através da literatura brasileira dos anos 70”, no Núcleo de Arte Contemporânea (NAC) da Universidade Federal da Paraíba.

1960

Integrou o grupo que criou a Escola de Artes Plásticas “Tomaz Santa Rosa”, no teatro “Santa Rosa” a qual foi absorvida em 1963 pela Universidade Federal da Paraíba, para formar o serviço de Artes Plásticas do Departamento, Cultural da Universidade Federal da Paraíba, hoje Divisão de Extensão Artística.

1963

Coordenador do Setor de Artes Plásticas e chefe do seu Serviço de Artes Plásticas, do Departamento Cultural da UFPB onde também foi professor de Iniciação à Pintura, até 1965. Fez curso de extensão em História da Arte no Instituto de Belas Artes do Rio de Janeiro, hoje, Escola de Artes Visuais do Parque Lage – RJ, Professor Carlos Cavalcanti. Frequentou o curso de técnica de pintura, no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro – RJ, ministrado pelo pintor Domenico Lazzarini. O Departamento Cultural da UFPB posteriormente convidou Domenico Lazzarini para ministrar seu curso em João Pessoa-PB.

1967

Diretor do Departamento de Artes Plásticas do Instituto Central das Artes da Universidade Regional do Nordeste, em Campina Grande – PB; Diretor fundador do Museu de Arte Assis Chateaubriand (MAAC) da Universidade Estadual da Paraíba. Fundou a Associação Paraibana de Artistas Plásticos – APAP.

1968

Professor de Desenho na Coordenação de Extensão Cultural – COEX, da Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa-PB.

1976

Viajou ao México para o 9º Conferência Mundial de Artesanato, como observador da Rede Globo de Televisão, World Craft Council (Conselho Mundial de Artesanato), ONG filiada a UNESCO na categoria A. Secretário-Geral e programador visual do 3º Salão de Arte Global em Pernambuco – O Artesanato e o Homem.

1977

Supervisor da Casa de Cultura de Pernambuco, até 1978. Montou o Núcleo de Arte Popular e Artesanato (NAP) da Casa de Cultura de Pernambuco (FUNDARPE), cujo acervo é um dos núcleos do Museu do Barro, em Caruaru-PE. Participou no Segundo Encontro Nacional de Artesanato, em Brasília.

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Artigos e Textos Críticos escritos por Raul Córdula Publicados em periódicos, catálogos, folders e exposições

Imagem: 1luizhn · CC0 · Openverse

Década de 1960

Breno Mattos - Catálogo da exposição na Galeria José Américo de Almeida - Teatro Santa Roza - João Pessoa, 14 de junho de 1968.

Década de 1970

Manifesto mais cariri do que rococó. - A respeito do prêmio de viagem obtido no II Salão de Arte Global de Pernambuco - João, Pessoa, 1976

Década de 1980

Texto sobre a obra em papel de Antonio Dias editado no ALMANAC - João Pessoa, 1980. O artista da terra. Jornal O MOMENTO. - João Pessoa, 1981 Um novo estímulo ao mercado de arte. Jornal A UNIÃO. João Pessoa,1981 Mostra Paralela da 1ª Exposição Internacional de Art Door - Núcleo de Arte Contemporânea da UPPB – João Pessoa, 1981. Mostra paralela da 1ª exposição de arte door – João Pessoa,1981. Civitas Diabolis - Impressões sobre a pintura de Flávio Tavares. 1981. Papel: resistência e desafio. - João Pessoa, 1981 O papel na arte de José Patrício – Olinda, 1982. Paisagem zero - Para o Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco. - Olinda, 1983. Manifestações urbanorrupestres:a cidade como suporte da arte. - Comunicação ao II Encontro Nacional de Artistas Plásticos Profissionais – II ENAPP – Porto Alegre, 1983.

Década de 1990

A arte e o ofício do papel - Catálogo da Galeria Pasárgada Arte Contemporânea - Recife, 1990 Labirintos - Catálogo da exposição na Galeria Karan d’Arche - Maceió, 1992 A construção do sensível - Catálogo da exposição na Galeria Gamela - João Pessoa, 1992 Córdula anuncia criação de Museu - Entrevista a Kubitchek Pinheiro – João Pessoa, 21 de setembro de 1993. Workshop MamBahia de Artes plásticas. - Salvador, 1994. Bienal da Bahia: o avanço e o retrocesso. - Salvador, 1994 Fragmentos - Catálogo da exposição, Galeria Vicente do Rêgo Monteiro, Recife, agosto de 1995 A reinvenção do cotidiano - Exposição no Museu do Estado de Pernambuco. - Recife, fevereiro de 1995

Anos 2000

O museu de arte assis chateaubriand. - Catálogo da exposição Acervos Brasileiros Centro Cultural Banco do Brsil (CCBB) com curadoria de Marcus Lontra - Brasília, 2001 Neoliberalismo e fim da arte. - Olinda, 2005 Notícias sobre a arte incomum. - Olinda, outubro, 2005. Memória da Geração 59. - João Pessoa, 22 de novembro de 2007 Amazônico contemporâneo. - Olinda, carnaval, 2009. Tereza Costa Rêgo – arte da paz e da guerra. - Olinda, 2009. Amélia – exposição Caixa D’Água – Olinda, 2011 Visita ao ateliê de Manoel Dantas Suassuna. - Recife, 2012. A arte de Amélia. - João Pessoa, Mossoró – 2012 e 2014 Visões do Paraíso. Para exposição na Arte Plural Galeria – Recife, 2014.

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