Templo de Uppsala
O Templo de Uppsala ou Upsália era um centro religioso nórdico que se localizava na atual Velha Uppsala, na Suécia, atestado pela obra Gesta Hammaburgensis ecclesiae pontificum, de Adão de Brema, do século XI, e na Heimskringla, escrita por Snorri Sturluson no século XIII. Diversas teorias foram propostas a respeito das implicações das descobertas do templo e das descobertas feitas pelas escavações arqueológicas na região.
Gesta Hammaburgensis ecclesiae pontificum
Em sua obra Gesta Hammaburgensis ecclesiae pontificum, Adão de Brema apresenta uma descrição do templo, apesar de provavelmente nunca ter visitado o local. Segundo ele, um "templo muito famoso chamado Ubsola" existia numa cidade próxima a Sigtuna. Adão conta em detalhes como este templo era "adornado com ouro e que as pessoas que o frequentavam cultuavam estátuas de três deuses específicos - Óðinn, Þórr e Freyr - que se sentavam sobre um trono triplo. Tor, que Adão menciona como "o mais poderoso", senta-se sobre o trono central, enquanto Wodan (Odim) e Fricco (Freir) sentam-se a seu lado. Adão dá mais informações sobre as características específicas de cada deus; entre elas, que Fricco é retratado com um imenso pênis ereto, Wodan trajando uma armadura ("da mesma maneira como o nosso povo retrata Marte", ele comenta) e que Tor empunha uma clava, um detalhe que Adão compara ao deus romano Júpiter. Adão ainda acrescenta que "eles também cultuam deuses que costumavam ser homens, e que acreditam terem se tornado imortais devido a seus atos heróicos [...]."
Heimskringla
Na Saga dos Inglingos, compilada no Heimskringla, Snorri apresenta uma origem evemerística dos deuses nórdicos e dos governantes que deles descenderam. No capítulo V, Snorri afirma que os æsir povoaram o território da Suécia e construíram ali diversos templos; Odim teria se fixado no lago Logrin, "num lugar que até então era chamado de Sigtúnir". Lá, ele ergueu um grande templo, onde fazia sacrifícios de acordo com os costumes dos Æsir e, após se apossar de todo o território vizinho, povoou-o com os sacerdotes do templo. Depois disso, segundo Snorri, Njörðr passou a viver em Nóatún, Freir em Uppsala, Heimdall em Himinbjörg, Tor em Þrúðvangr, Balder em Breiðablik - todos em grandes extensões de terra que lhes foram doadas por Odim.
Imagem: Rijksmuseum · CC0 · Openverse
Em 1926, Sune Lindqvist realizou explorações arqueológicas em Velha Uppsala e descobriu buracos de estacas sob a igreja local. Estes buracos pareciam estar alinhados em torno de retângulos concêntricos, e diversas tentativas foram feitas para reconstruir o templo com base nesta descoberta. Os arqueólogos Neil Price e Magnus Alkarp fazem parte daqueles que discordam desta interpretação de 1926: .mw-parser-output .flexquote{display:flex;flex-direction:column;background-color:#F1F1F1;border-left:3px solid #C7C7C7;font-size:100%;margin:1em 4em;padding:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.flex{display:flex;flex-direction:row}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.quote{width:100%}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.separator{border-left:1px solid #C7C7C7;border-top:1px solid #C7C7C7;margin:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.cite{text-align:right}@media all and (max-width:600px){.mw-parser-output .flexquote>.flex{flex-direction:column}}@media screen{html.skin-theme-clientpref-night .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}@media screen and (prefers-color-scheme:dark){html.skin-theme-clientpref-os .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}
O germanista e filólogo austríaco Rudolf Simek afirmou que, no que diz respeito ao relato de Adão de Brema sobre o templo, "[suas] fontes a respeito desta informação têm uma confiabilidade variável, porém a existência de um templo em Uppsala não pode ser discutida." Simek afirma que detalhes dos relatos de Adão a respeito do templo podem ter sido influenciados pelas descrições do Templo de Salomão, mas, ao mesmo tempo, correntes semelhantes são mencionadas em diversas igrejas europeias que datam dos séculos VIII e IX, embora a descrição da corrente que envolve o templo como sendo de ouro possa ter sido um exagero. Segundo Simek, as diversas tentativas de se reconstruir o templo com base nos buracos de estacas provavelmente superestimaram o tamanho do templo, e, ainda segundo ele, pesquisas "mais recentes" indicam que o sítio do templo no século XI provavelmente abrangia o coro da igreja que até hoje ocupa o sítio, enquanto os buracos de estacas descobertos por Lindqvist devem, por sua vez, indicar um templo mais antigo, que foi queimado, situado no mesmo local.


