Action figure
Uma action figure é uma figura articulada de um personagem, geralmente feito de plástico e frequentemente baseado em personagens de filme, história em quadrinhos, militar, videogame ou programa de televisão, sejam eles ficcionais ou históricos. Essas figuras são geralmente comercializadas para meninos e colecionadores adultos. O termo foi cunhado pela Hasbro em 1964 para promover o G.I. Joe ao público masculino.
Precursores
Bonecos articulados remontam a pelo menos 200 a.C., com bonecos de argila e madeira articulados da Grécia e Roma antigas. Muitos tipos de figuras articuladas datam do período moderno inicial, incluindo os manequins de artista e a boneca japonesa ichimatsu. A moderna boneca de articulação esférica foi criada na Europa Ocidental no final do século XIX. Do final do século XIX até o início do século XX, fabricantes franceses e alemães produziram bonecas de porcelana com corpos articulados por cordões e juntas esféricas feitas de composição: uma mistura de polpa, serragem, cola e materiais semelhantes. Essas bonecas podiam medir entre 15 e 100 cm e hoje são consideradas antiguidades colecionáveis.
1960–1970
O termo "action figure" foi criado pela Hasbro em 1964 para comercializar o G.I. Joe para meninos que recusavam brincar com "bonecas", termo associado a brinquedos femininos. Um brinquedo similar chamado Johnny Hero foi lançado pela Rosko Industries em 1965, mas ainda era denominado como "boneco para meninos". O G.I. Joe era uma figura militar de 11,5 polegadas com roupas e acessórios intercambiáveis. A Hasbro licenciou o produto internacionalmente, e empresas locais adicionaram acessórios específicos às suas versões. A japonesa Takara usou o torso licenciado do G.I. Joe para criar o Henshin Cyborg-1, com plástico transparente revelando partes cibernéticas. Devido à crise do petróleo dos anos 1970, a Takara desenvolveu uma versão menor, lançada em 1974 como Microman, que utilizava partes intercambiáveis. Isso estabeleceu a base para figuras menores e robôs transformáveis, como o Robotman de 12 polegadas e o Mini-Robotman de 3,75 polegadas.
Décadas de 1980–1990
Nos anos 1980, diversas linhas de action figures surgiram, muitas baseadas em desenhos animados, como Masters of the Universe, G.I. Joe, Thundercats, The Real Ghostbusters e Super Powers Collection. O sucesso do anime Gundam levou a Takara a reinventar Microman como Micro Robots, que deu origem à linha Micro Change, com brinquedos que se transformavam. Em 1984, a Hasbro combinou Micro Change e Diaclone para criar os Transformers, que até hoje são sucesso. No fim dos anos 1980, colecionadores começaram a comprar figuras para manter nas embalagens, o que saturou o mercado. A linha dos Teenage Mutant Ninja Turtles foi produzida em grandes quantidades, reduzindo o valor individual das figuras. Em meados dos anos 1990, surgiram novas linhas de Star Wars e Spawn, reafirmando que action figures não eram apenas para crianças. Na Inglaterra, figuras da Corinthian Figures com jogadores de futebol também eram populares. A revista ToyFare, lançada em 1997, tornou-se leitura popular entre colecionadores.
Anos 2000 em diante
O mercado de colecionadores adultos cresceu com empresas como McFarlane Toys, Palisades e NECA, que produziram figuras detalhadas de personagens de filmes, músicos e atletas. Algumas linhas, como Cinema of Fear, focavam mais na estética do que na brincadeira. Linhas voltadas ao público infantil, como o revival de He-Man e Justice League Unlimited, ainda atraem colecionadores. Editoras como Toy Biz e DC Direct produzem figuras mesmo que os personagens não tenham aparecido em filmes. Algumas figuras são vendidas exclusivamente em lojas ou convenções. Empresas usam estratégias como "erros" de embalagem e figuras "raras" para atrair colecionadores.
Matérias-primas
Argila de modelagem e várias ferramentas de escultura são utilizadas para criar o protótipo. A figura final é moldada a partir de uma resina plástica mais rígida, como o acrilonitrila butadieno estireno (ABS). Plásticos mais macios e nylon podem ser usados em componentes de vestuário como macacões, capas e máscaras. Tintas acrílicas de várias cores podem ser utilizadas para decorar a figura. Brinquedos mais elaborados podem conter componentes eletrônicos em miniatura que proporcionam efeitos de luz e som.
Design
Uma vez selecionado o personagem, o processo de design começa com esboços da figura proposta. O próximo passo é a criação de um protótipo em argila, embora outros materiais como cera também possam ser usados. Esse modelo é feito dobrando fios de alumínio para formar a estrutura da figura, conhecida como armadura. O formato de fio inclui o contorno dos braços e pernas na posição geral que a figura assumirá. O escultor então adiciona argila à armadura para dar o volume e a forma básica desejada. A argila pode ser levemente assada durante o processo de prototipagem para endurecê-la. Em seguida, o escultor usa várias ferramentas, como alças de arame, para esculpir a argila e modelar os detalhes da figura.
Escala
As action figures são produzidas em escalas fixas para permitir compatibilidade dentro (e às vezes entre) diferentes linhas de brinquedos.
Articulação
Uma característica comum entre as action figures é a articulação do corpo, muitas vezes chamada de pontos de articulação (POA) ou juntas. As formas mais básicas de articulação incluem uma junta no pescoço, duas nos ombros e duas nos quadris. Além dessas, também são comuns pulsos giratórios, joelhos flexíveis e cintura rotativa. Termos como “junta cortada” são usados para descrever articulações simples que permitem rotação básica da cabeça ou dos braços. A articulação em "T", comum nos quadris, permite rotação das pernas de até 180°, embora isso possa variar. Já as juntas esféricas oferecem maior amplitude de movimento, como inclinar a cabeça além da rotação vertical básica. A articulação básica dos joelhos geralmente utiliza uma junta de pino.
Acessórios
Embora nem todas as action figures incluam acessórios, os itens adicionais geralmente se mostram essenciais para os personagens e sua eficácia como brinquedos interativos. As figuras da linha G.I. Joe na escala 3+3⁄4-polegada (95 mm) normalmente incluem várias armas de fogo ou armas brancas esculpidas com detalhes, que podem ser fixadas nas mãos das figuras. Lançadores de mísseis também são comuns em linhas militares e de quadrinhos, geralmente com mecanismo de mola. No entanto, possivelmente por questões de segurança, esse método caiu em desuso em meados da década de 1990. Algumas figuras, particularmente do Coringa, incluíam armas que esguichavam água.
Tipos de embalagem
Os fabricantes embalam suas action figures de diversas maneiras: Embalagem tipo Window Box Esse tipo de embalagem consiste em uma caixa de papelão resistente, porém fina, que permite empilhamento fácil. A caixa possui uma arte colorida para atrair atenção. Na frente da caixa há uma área recortada, coberta por uma peça de plástico transparente macio que permite a visualização da figura dentro da embalagem. Esse tipo de embalagem foi utilizado por empresas como a Mego Corporation no início dos anos 1970, até que migraram para o estilo Carded Bubble no final da década. Ainda hoje é usada, especialmente para figuras com 10 polegadas ou mais de altura.
Recursos de ação
As figuras da linha original de Masters of the Universe incluíam diversos "recursos de ação" únicos: Battle Armor He-Man e Skeletor tinham placas peitorais giratórias que simulavam níveis de dano; Leech possuía membros com ventosas; os olhos de Mantenna saltavam com o acionamento de uma alavanca nas costas; e Thunder Punch He-Man desferia um soco com som explosivo gerado por um anel de espoleta em sua mochila. Outros recursos focavam na estética, como os corpos flocados de Grizzlor e Moss Man, além dos aromas únicos deste último e de Stinkor. O sucesso da linha Transformers baseou-se fortemente na sua característica de transformação de veículo para robô. Essa ideia também foi incorporada na linha Mutatin' Turtles dos Tartarugas Ninja.


