W. E. B. Du Bois
William Edward Burghardt "W. E. B." Du Bois foi um sociólogo, historiador, escritor e editor norte-americano, socialista, ativista pelos direitos civis e pan-africanista.
William Edward Burghardt Du Bois nasceu em 23 de fevereiro de 1868, em Great Barrington, Massachusetts. Era filho de Alfred e Mary Silvina Burghardt Du Bois. A família de Mary Silvina Burghardt fazia parte da pequena população de negros livres de Great Barrington. O bisavô materno de William Du Bois, Tom Burghardt, foi um escravo nascido na África Ocidental por volta de 1730. Tom serviu o exercito na Revolução Americana, o que pode ter dado sua liberdade. O bisavô paterno de Du Bois foi James Du Bois, de origem franco-americana, de Poughkeepsie, New York, e teve vários filhos com escravas. Um dos seus filhos era Alexander, que viajou para o Haiti, e teve um filho, Alfred, que se mudou para os Estados Unidos um pouco antes de 1860, e se casou com Mary Silvina Burghardt em 1867, em Housatonic, Massachusetts. Alfred deixou Mary em 1870, dois anos depois do nascimento de William. Sua mãe trabalhou para sustentar a família, recebendo alguma ajuda de seu irmão e seus vizinhos.
Educação universitária
Dependendo do dinheiro doado, Du Bois frequentou a Fisk University, uma faculdade historicamente negra em Nashville, Tennessee, de 1885 a 1888. Sua viagem e residência no Sul foi sua primeira experiência com o racismo sulista, o que englobava Jim Crowlaws, atos de intolerância e linchamentos. Depois de receber seu diploma na Fisk, Du Bois frequentou Harvard College de 1888 a 1890, onde ele foi extremamente influenciado por seu professor William James, uma figura proeminente na filosofia americana. Em 1890, Du Bois recebeu seu Segundo diploma, cum laude, em História pela Harvard. Em 1891, Du Bois recebeu uma bolsa de estudos para frequentar o curso de graduação em Sociologia, também pela Harvard.
Ao ingressar em Harvard, em 1895, para fazer o PhD, Du Bois passa a dividir ideias referentes ao status social dos negros com outros acadêmicos e profissionais afro-americanos, fazendo reuniões que visavam determinar objetivos para melhorar as condições de vida desse grupo social. Essas reuniões passaram a se desenrolar e em 1905, Du Bois, seus colegas e vários outros ativistas dos direitos civis afro-americanos se reuniram para escrever uma declaração de princípios que levou o grupo passou a ser conhecido como “Movimento de Niágara”. Encontros como esses, formados por pessoas negras, eram condenáveis na América, o que implicava uma série de riscos. Mesmo assim, as assembleias seguiram, e o grupo escreveu uma proclamação demandando o direito de votar, bem como outros direitos que pertenciam aos americanos nascidos livres. Mesmo durando apenas alguns anos, a organização representou um papel importante na conquista da igualdade racial e Du Bois teve papel central na organização do movimento, assim como das demandas civis que eles pretendiam alcançar.
Em 1909, Du Bois esteve entre os fundadores da NAACP (National Association for the Advancement of Colored People). Dezenas de defensores dos direitos civis, tanto negros quanto brancos, participaram da fundação da associação, entretanto, a maioria dos diretores eram brancos. Durante os anos de 1910 e 1934, Du Bois foi diretor de pesquisa e publicidade, membro do corpo de diretores, e editor de A Crise, revista mensal da associação.
Revista A Crise e a luta contra o racismo
O seu dever assumido, a partir do posto de diretor de pesquisa e publicidade, passou a ser a edição da revista mensal da NAACP, denominada A Crise (The Crisis). A primeira edição surgiu em novembro de 1910, e Du Bois afirmou que o seu objetivo era estabelecer "esses fatos e argumentos que mostram o perigo de preconceito racial, nomeadamente no que se manifesta hoje em relação às pessoas de cor". A revista era composta por dois componentes principais: de um lado, protesto e do outro um princípio de reerguimento moral. Assim, ao mesmo tempo que estava protestando, igualmente estava buscando construir uma consciência. Na revista, Du Bois direcionou comentários aos americanos brancos, ao mesmo tempo servindo de fonte de informação e orgulho aos afro-americanos. O protesto racial durante a década seguinte a I Guerra Mundial focou-se em garantir uma legislação contra os linchamentos. Durante esse período, a NAACP era a organização líder de protesto e Du Bois era a sua figura representativa. A revista “A crise” empenhou uma movimento importante de combate ao racismo, empreendendo tal campanha contra o linchamento e Du Bois utilizando seu papel influente na associação para se opor a uma variedade de incidentes racistas.
Du Bois é considerado o patrono do pan-africanismo, movimento político e cultural que lutava tanto pela independência dos países africanos do jugo colonial quanto pela construção da unidade africana. Pelo fato de Du Bois ser uma das primeiras lideranças a adotar com veemência um discurso de orgulho racial e de volta às origens negras é considerado da mesma maneira, o pai simbólico do movimento de tomada de consciência de ser negro. Du Bois teve grande importância na consolidação desse movimento uma vez que o I Congresso Pan-africano foi organizado sob sua liderança, mas proferido pelo advogado da Trinidade e Tobago, Sylvester Williams, no ano 1900 em Londres . Foi ele também quem organizou os quatro seguintes Congressos Pan-africanos. A ideologia pan-africanista surgiu como um sentimento solidário e como consciência de uma origem comum entre os negros de todo o mundo.
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Ao longo de sua carreira, Dubois teve um embate de extrema relevância com Booker T. Washington, o qual se caracteriza, em sua essência, pela oposição entre o Movimento de Niágara e o Compromisso de Atlanta. Ambos os autores eram negros e buscavam formas de melhorar as condições de vida dos afro-americanos, entretanto divergiam em seus princípios e formas de atuação, tendo suas diferenças ressaltadas em relação à aceitação, por parte de Washington, com a segregação racial nos Estados Unidos, por exemplo.
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W.E.B. Du Bois, por volta de 1905, se filiou às doutrinas socialistas, entrando no partido socialista em 1912. Ele se manteve simpático às ideias marxistas pelo resto de sua vida. Du Bois inseria o problema do negro na teoria socialista comum. Ele questionava, por exemplo, se os objetivos do socialismo poderiam negligenciar a questão racial, tendo sempre em vista que nenhum grave problema humano pode esperar por ajuda. O sociólogo defendia que nenhuma minoria, como é a negra, deve ser excluída da questão socialista. Para Du Bois, os socialistas geralmente enfatizavam muito a questão da classe trabalhadora como a maioria que sofre com a distribuição desigual de renda, mas não costumavam focalizar ou integrar a pauta racial. Afinal, a essência da Social Democracia é que não deve existir classes excluídas e exploradas no Estado socialista. Desse modo, ele criticava algumas teorias socialistas, a partir da constatação de como elas tratavam o problema do negro e da exclusão social. Afinal, um Estado socialista não poderia valer-se da opressão de seus cidadãos para garantir seu poder. A partir dessas premissas, Du Bois opunha-se à posição de alguns americanos, especialmente do sul, que se negavam a conferir ao negro o status de homem. Qualquer experiência socialista, pois, seria difícil frente a tamanha segregação ou preconceito.
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Du Bois acreditava que o significado de raça nunca poderia se limitar às diferentes características físicas de cada um; antes, transcendia esse critério. Na verdade, a herança social seria o que realmente distinguiria a raça negra. Du Bois julgava ser incontestável que a humanidade estaria dividida em raças, especialmente quando tinha como exemplo o país em que morava, os EUA. Para ele, a importância da existência de diferentes raças levou a história a ser uma história de grupos, e não de indivíduos. Definir, pois, o que é raça, corresponde a um papel muito importante para entender a própria história, em sua concepção. Frente a inúmeras tentativas de definir o que é raça, por diferentes critérios, Du Bois tenta conceituá-la. Raça é, para ele, portanto: “um vasto grupo de seres humanos, geralmente de sangue e língua comuns, tradições e impulsos, que estão, voluntariamente e involuntariamente, empenhando-se juntos para a realização de determinados ideais de vidas concebidos mais ou menos intensos” (tradução livre). É importante dizer, também, que, para ele, o conceito de raça é um conceito dinâmico, e não estático, e as diferentes raças continuam mudando, se desenvolvendo, e se diferenciando... Nenhuma distinção física realmente explicaria ou definiria a coesão e continuidade desses grupos. As diferenças mais marcantes dentre as raças são espirituais e psicológicas. Como um ativista afro-americano, Du Bois acreditava que os negros ainda não tinham conseguido passar uma mensagem significante para o mundo, de sua existência, anseios e reivindicações, isso porque julgava que a raça negra não tinha conseguido se desenvolver como um grupo. Na verdade, se empenhar nessa tarefa de unir todos os afrodescendentes era um de seus desejos como ativista.
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Certamente os rumos da vida de Du Bois influenciaram o seu trabalho acadêmico, principalmente a questão das diferenças entre o Sul e o Norte. Ele nasceu no Norte dos EUA e se mudou para o Sul para lá estudar. A discrepância em respeito ao tratamento dos negros constatada entre as duas regiões era grande. Enquanto no Norte ele era mais aceito socialmente, guardadas as devidas proporções, no Sul as condições enfrentadas pelos negros eram socialmente degradantes. No Sul, por exemplo, Du Bois constatou que, por leis ou por costumes, os negros não podiam votar, ou seus votos eram neutralizados por meio de fraude, eles viviam nos distritos menos desejáveis e estavam, em sua maioria, restritos a trabalhos menos qualificados, com salários mais baixos. Além disso, era proibido o casamento inter-racial, a participação em igrejas, faculdades ou organizações culturais frequentadas por brancos, a acomodação em hotéis, restaurantes ou qualquer lugar de entretenimento público. Os afro-americanos eram segregados em estações, em transportes públicos, mesmo tendo que pagar o mesmo preço pelos serviços, além de serem taxados por facilidades públicas que não podiam frequentar. No mais, tinham uma educação pública de péssima qualidade.
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Para Du Bois, o crime é um fenômeno da vida social organizada. É como uma rebelião de um indivíduo contra o ambiente social em que se insere. Ele, em todo seu trabalho como sociólogo e historiador, deixou-se influenciar pelas circunstância da vida do negro do seu próprio país, os Estados Unidos. O autor vê no desenrolar da história, a escravidão como o grande fenômeno capaz de depreciar o homem negro perante a sociedade da época. Os problemas enfrentados pela classe negra têm origens nas particularidades históricas e nas condições vividas pelo afrodescendente. Este foi libertado tardiamente, foi objeto de opressão, além de não ter oportunidades para atingir o desenvolvimento. Dessa forma, nasce uma classe de desapontados e desencorajados, em descompasso com a harmonia social. A criminalidade negra deve ser vista na sua relação com a desigualdade de classe e com o racismo institucional, levando em conta efeitos negativos da segregação, da existência de guetos, das humilhações racistas e dos sistemas desiguais de justiça para brancos e negros. O ambiente social em que o negro é inserido tem grande influência na visão de mundo deles, na medida em que interiorizam a pretensa sensação de serem inferiores. Portanto, a base da diferença dos ambiente sociais dos negros e dos brancos é o sentimento disseminado de que o negro é algo a menos que o americano. Enquanto trabalhava na universidade de Atlanta, ele produziu trabalhos acadêmicos, entre eles The Philadelphia Negro em 1899, o primeiro estudo de caso de uma comunidade negra nos E.U.A. Na sua análise ele aponta o racismo como uma razão para várias mazelas dessa comunidade decorrente da sua marginalização. Nesse estudo, Du Bois trata sobre a criminalização dos negros.
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Du Bois também apresentou soluções para lidar com o problema da criminalidade negra. Alguns exemplos são:


