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Guerra Russo-Japonesa

A Guerra Russo-Japonesa foi travada entre o Império Russo e o Império do Japão devido a ambições imperiais rivais na Manchúria e no Império Coreano. As principais batalhas terrestres da guerra foram travadas na Península de Liautum e perto de Mukden, no sul da Manchúria, com batalhas navais ocorrendo no Mar Amarelo e no Mar do Japão.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 15/07/2026
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Contexto histórico

O estadista japonês Ito Hirobumi começou a negociar com os russos. Ele considerava o Império do Japão fraco demais para expulsar os russos militarmente, então propôs dar ao Império Russo o controle da Manchúria em troca do controle japonês do norte da Coreia. Dos 5 Genrō (estadistas mais velhos) que compunham a oligarquia Meiji, Ito Hirobumi e o Conde Inoue Kaoru se opuseram à ideia de guerra contra a Rússia por motivos financeiros, enquanto Katsura Taro, Komura Jutarō e o Marechal-de-Campo Yamagata Aritomo eram a favor da guerra. Enquanto isso, o Japão e o Reino Unido haviam assinado a Aliança Anglo-Japonesa em 1902, os britânicos buscavam restringir a competição naval, impedindo o uso pleno dos portos russos de Vladivostoque e Porto Arthur, no Pacífico. A aliança do Japão com os britânicos significava, em parte, que se alguma nação se aliasse à Rússia durante qualquer guerra contra o Japão, o Reino Unido entraria na guerra ao lado do Japão. A Rússia já não podia contar com a ajuda da Alemanha ou da França sem o perigo do envolvimento britânico na guerra. Com tal aliança, o Japão sentia-se livre para iniciar as hostilidades, se necessário.

Modernização do Japão

Após a Restauração Meiji em 1868, o governo Meiji se esforçou para assimilar ideias ocidentais, avanços tecnológicos e métodos de guerra. No final do século XIX, o Império do Japão havia se transformado em um estado industrial moderno. Os japoneses queriam ser reconhecidos como iguais às potências ocidentais. A Restauração Meiji tinha como objetivo tornar o Japão um estado moderno, não ocidentalizado, e o Japão era uma potência imperialista, voltada para o expansionismo ultramarino. Os Estados Unidos viam o Império do Japão como um aliado na busca americana pelo controle do Pacífico e pela manutenção da "Política de Portas Abertas" da China. No outono de 1872, o ministro americano no Japão, Charles E. DeLong, explicou ao general americano Charles Le Gendre que vinha instando o governo japonês a ocupar Taiwan e "civilizar" o povo indígena taiwanês, assim como os Estados Unidos haviam tomado posse das terras dos nativos americanos e os "civilizado". O general LeGendre encorajou os japoneses a declararem uma "esfera de influência" japonesa, nos moldes da Doutrina Monroe, que os Estados Unidos haviam declarado para a exclusão de outras potências do Hemisfério Ocidental. Tal esfera de influência japonesa seria a primeira vez que um Estado não branco adotaria tal política. O objetivo declarado da esfera de influência seria civilizar os bárbaros da Ásia. "Pacifiquem-nos e civilizem-nos, se possível, e se não... exterminem-nos ou lidem com eles como os Estados Unidos e a Inglaterra lidaram com os bárbaros", explicou LeGendre aos japoneses.

Pressão do povo

O japonólogo britânico Richard Storry escreveu que a maior concepção errada sobre o Império do Japão no Ocidente era que o povo japonês eram instrumentos "dóceis" da elite, quando na verdade grande parte da pressão para as guerras do Japão de 1894 a 1941 veio do povo comum, que exigia uma política externa "dura" e tendia a envolver-se em motins e assassinatos quando a política externa era percebida como pusilânime. Embora a oligarquia Meiji se recusasse a permitir a democracia liberal, procurou apropriar-se de algumas das reivindicações do movimento pelos "direitos do povo", permitindo uma Dieta Imperial eleita em 1890 (com poderes limitados e um direito de voto igualmente limitado) e prosseguindo uma política externa agressiva em relação à Coreia.

Expansão russa para o leste

O Império Russo, como uma grande potência imperial, tinha ambições no Oriente. Na década de 1890, havia estendido seu domínio pela Ásia Central até o Emirado do Afeganistão, absorvendo estados locais no processo. A Rússia estendia-se da Polônia, no oeste, até a Península de Camecháteca, no leste. Com a construção da Ferrovia Transiberiana até o porto de Vladivostoque, a Rússia esperava consolidar ainda mais sua influência e presença na região. No incidente de Tsushima, em 1861, a Rússia atacou diretamente o território japonês.

Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894–1895)

A primeira grande guerra travada pelo Império do Japão após a Restauração Meiji foi contra a China, na Primeira Guerra Sino-Japonesa de 1894 a 1895. A guerra girou em torno da questão do controle e da influência sobre a Coreia, então sob o domínio da dinastia Joseon. A partir da década de 1880, houve uma intensa competição por influência na Coreia entre a China e o Japão. A corte coreana era propensa ao faccionalismo e, na época, estava profundamente dividida entre um campo reformista pró-japonês e uma facção mais conservadora pró-chinesa. Em 1884, uma tentativa de golpe pró-japonês foi reprimida por tropas chinesas, e uma "residência" sob o comando do General Yuan Shikai foi estabelecida em Seul. Uma rebelião camponesa liderada pelo movimento religioso Tonghak levou o governo coreano a solicitar que a China enviasse tropas para estabilizar o país. O Japão respondeu enviando suas próprias forças para a Coreia para esmagar o Tonghak e instalou um governo fantoche em Seul. A China protestou e a guerra começou. As hostilidades foram breves, com as tropas terrestres japonesas derrotando as forças chinesas na Península de Liautum e quase destruindo a Frota Beiyang chinesa na Batalha do Rio Yalu. O Japão e a China assinaram o Tratado de Shimonoseki, que cedeu a Península de Liautum e a ilha de Taiwan ao Japão. Após o tratado de paz, Rússia, Alemanha e França forçaram o Japão a se retirar da Península de Liautum. Os líderes japoneses não se sentiram capazes de resistir ao poder combinado da Rússia, Alemanha e França, e por isso cederam ao ultimato. Ao mesmo tempo, os japoneses não abandonaram suas tentativas de forçar a Coreia a entrar na esfera de influência japonesa. Em 8 de outubro de 1895, a Rainha Min da Coreia, líder da facção antijaponesa e pró-chinesa na corte coreana, foi assassinada por agentes japoneses nos salões do palácio Gyeongbokgung, um ato que teve um efeito contrário desastroso, pois voltou a opinião pública coreana contra o Japão. No início de 1896, o Imperador Gojong da Coreia fugiu para a legação russa em Seul, acreditando que sua vida estava em perigo por causa de agentes japoneses, e a influência russa na Coreia começou a predominar. Após a fuga do Rei, uma revolta popular derrubou o governo pró-japonês e vários ministros do gabinete foram linchados nas ruas.

Incursão russa

Em dezembro de 1897, uma frota russa apareceu ao largo de Porto Arthur. Três meses depois, em 1898, a China e o Império Russo negociaram uma convenção pela qual a China arrendou (à Rússia) o Porto Arthur, Talienwan e as águas circundantes. As duas partes concordaram ainda que a convenção poderia ser prorrogada por mútuo acordo. Os russos claramente esperavam tal prorrogação, pois não perderam tempo em ocupar o território e fortificar o Porto Arthur, seu único porto de águas quentes na costa do Pacífico e de grande valor estratégico. Um ano depois, para consolidar sua posição, os russos começaram a construir uma nova ferrovia de Harbin, passando por Mukden, até o Porto Arthur, a Ferrovia do Sul da Manchúria. O desenvolvimento da ferrovia tornou-se um fator que contribuiu para a Rebelião dos Boxers, quando as forças Boxer incendiaram as estações ferroviárias.

Rebelião dos Boxers

Os russos e os japoneses contribuíram com tropas para a Aliança das Oito Nações, enviada em 1900 para sufocar a Rebelião dos Boxers e socorrer as legações internacionais sitiadas na capital chinesa, Pequim. O Império Russo já havia enviado 177.000 soldados para a Manchúria, nominalmente para proteger suas ferrovias em construção. Embora o exército imperial Qing e os rebeldes Boxers tenham se unido para lutar contra a invasão, foram rapidamente subjugados e expulsos da Manchúria. Após a Rebelião dos Boxers, 100.000 soldados russos foram estacionados na Manchúria. As tropas russas se estabeleceram e, apesar das garantias de que deixariam a área após a crise, em 1903 os russos não haviam estabelecido um cronograma para a retirada e, na verdade, fortaleceram sua posição na Manchúria.

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Situação dos combatentes

Império do Japão

O Império do Japão havia realizado estudos detalhados do Extremo Oriente Russo e da Manchúria antes da guerra e, como era obrigatório para os oficiais japoneses falarem uma língua estrangeira, o Japão teve acesso a mapas superiores durante o conflito. O Exército Imperial Japonês dependia do recrutamento obrigatório, introduzido em 1873, para manter sua força militar e fornecer um grande exército em tempos de guerra.:22–23 Esse sistema de recrutamento obrigatório deu ao Japão uma grande reserva de tropas. O exército ativo e a reserva de primeira linha (usada para completar o exército ativo em tempos de guerra) totalizavam 380.000 homens; reserva de segunda linha, 200.000; reserva de recrutas, outros 50.000; e o kokumin (semelhante a uma guarda nacional ou milícia), 220.000. Isso representava 850.000 soldados treinados disponíveis para o serviço, além de 4.250.000 homens na reserva não treinada.

Império Russo

Não há consenso sobre quantas tropas russas estavam presentes no Extremo Oriente Russo por volta da época do início da guerra. Uma estimativa afirma que o Exército Imperial Russo possuía 60.000 soldados de infantaria, 3.000 de cavalaria e 164 canhões, principalmente em Vladivostoque e o Porto Arthur, com uma parte em Harbin. Esse número foi reforçado em meados de fevereiro para 95.000, com 45.000 em Vladivostoque, 8.000 em Harbin, 9.000 em Haicheng, 11.000 no rio Yalu e 22.000 no Porto Arthur.:25–28 Olender estima o número em 100.000 homens, incluindo 8 divisões de infantaria, tropas de fortaleza e tropas de apoio. Todo o Exército Imperial Russo em 1904 totalizava 1.200.000 homens, distribuídos em 29 corpos. O plano russo era extremamente falho, pois os russos possuíam apenas 24.000 reforços potenciais a leste do Lago Baical quando a guerra começou. Eles seriam reforçados com 35.000 homens após 4 meses e com mais 60.000 homens 10 meses após o início da guerra, momento em que assumiriam a ofensiva. Esse plano baseava-se na crença errônea de que o Exército Imperial Japonês só poderia mobilizar 400.000 homens, sendo incapaz de colocar em campo mais de 250.000 em condições operacionais, e que 80.000 a 100.000 de sua força operacional seriam necessários para garantir as linhas de suprimento; portanto, apenas 150.000 a 170.000 soldados japoneses estariam disponíveis para o combate em campo. A possibilidade do Porto Arthur ser tomadao foi totalmente descartada.

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Declaração de guerra

O Império do Japão emitiu uma declaração de guerra em 8 de fevereiro de 1904. No entanto, três horas antes de a declaração de guerra do Japão ser recebida pelo Império Russo, e sem aviso prévio, a Marinha Imperial Japonesa atacou a Frota Russa do Extremo Oriente no Porto Arthur. O Czar Nicolau II da Rússia ficou atônito com a notícia do ataque. Ele não conseguia acreditar que o Japão cometeria um ato de guerra sem uma declaração formal e havia sido assegurado por seus ministros de que os japoneses não lutariam. Quando o ataque ocorreu, de acordo com Cecil Spring Rice, primeiro secretário da Embaixada Britânica, deixou o Czar "quase incrédulo". O Czar declarou guerra ao Japão 8 dias após o ataque. O Japão, em resposta, fez referência ao ataque russo à Suécia em 1808 sem declaração de guerra, embora a exigência de mediação de disputas entre estados antes do início das hostilidades tenha sido incorporada ao direito internacional em 1899 e novamente em 1907, com as Convenções de Haia de 1899 e 1907.

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Campanha de 1904

Porto Arthur, na Península de Liautum, no sul da Manchúria, havia sido fortificada e transformada em uma importante base naval pelo Exército Imperial Russo. Como precisava controlar o mar para travar uma guerra no continente asiático, o primeiro objetivo militar do Império do Japão era neutralizar a frota russa no Porto Arthur. Entretanto, os russos preparavam-se para reforçar a sua Frota do Extremo Oriente enviando a Frota do Báltico, sob o comando do Almirante Zinovy ​​Rozhestvensky. Após uma partida em falso causada por problemas no motor e outros contratempos, a esquadra finalmente partiu em 15 de outubro de 1904 e navegou meio mundo, do Mar Báltico ao Pacífico, pela Rota do Cabo, contornando o Cabo da Boa Esperança, ao longo de uma odisseia de 7 meses que atrairia a atenção do mundo inteiro. O Incidente de Dogger Bank, em 21 de outubro de 1904, no qual a frota russa disparou contra barcos de pesca britânicos que confundiram com torpedeiros japoneses, quase desencadeou uma guerra com o Reino Unido (um aliado do Império do Japão, mas neutro, a menos que provocado). Os britânicos pressionaram os franceses e portugueses para que não permitissem que a frota russa atracasse em seus portos coloniais para reabastecer o carvão, forçando os russos a fazê-lo em alto-mar ou em ancoradouros, o que era muito mais ineficiente. A proibição de atracar nos portos também exacerbou os problemas existentes na frota, como o apodrecimento dos suprimentos de alimentos, entrega irregular de correspondências e a falta de licença em terra. Tudo isso, somado à longa viagem, debilitou ainda mais a saúde e o moral dos marinheiros russos, de modo que, para a batalha iminente, eles enfrentariam marinheiros japoneses que, em contraste, estariam bem descansados.

Batalha de Port Arthur

Na noite de 8 de fevereiro de 1904, a frota japonesa sob o comando do Almirante Tōgō Heihachirō iniciou a guerra com um ataque surpresa de contratorpedeiros contra os navios russos no Porto Arthur. O ataque danificou gravemente o Tsesarevich e o Retvizan, os encouraçados mais pesados ​​do teatro de operações russo no Extremo Oriente Russo, e o cruzador protegido Pallada, de 6.600 toneladas. Esses ataques culminaram na Batalha de Port Arthur na manhã seguinte. Seguiu-se uma série de combates navais inconclusivos, nos quais o Almirante Tōgō não conseguiu atacar a frota russa com sucesso, pois esta estava protegida pelas baterias costeiras do porto, e os russos relutavam em deixar o porto rumo ao mar aberto, especialmente após a morte do Almirante Stepan Makarov, vítima de uma mina naval em 13 de abril de 1904. Embora a Batalha de Port Arthur em si tenha sido inconclusiva, os ataques iniciais tiveram um efeito psicológico devastador sobre o Império Russo, que estava confiante na perspectiva da guerra. Os japoneses tomaram a iniciativa enquanto os russos esperavam no porto.

Bloqueio de Port Arthur

Os japoneses tentaram impedir que os russos utilizassem Porto Arthur. Durante a noite de 13/14 de fevereiro, os japoneses tentaram bloquear a entrada do Porto Arthur afundando vários navios a vapor cheios de concreto no canal de águas profundas que levava ao porto, mas eles afundaram muito fundo para serem eficazes. Uma tentativa semelhante de bloquear a entrada do porto durante a noite de 3/4 de maio também fracassou. Em março, o carismático vice-almirante Stepan Makarov assumiu o comando da Primeira Esquadra Russa do Pacífico com a intenção de romper o bloqueio do Porto Arthur. Em 12 de abril de 1904, dois navios de guerra russos pré-dreadnought, o navio-almirante Petropavlovsk e o Pobeda, saíram do porto, mas atingiram minas japonesas perto de Port Arthur. O Petropavlovsk afundou quase imediatamente, enquanto o Pobeda teve que ser rebocado de volta ao porto para extensos reparos.

Cerco de Port Arthur

O Cerco de Port Arthur começou em abril de 1904. As tropas japonesas tentaram numerosos ataques frontais aos cumes fortificados que dominavam o porto, os quais foram derrotados com milhares de baixas japonesas. Com a ajuda de várias baterias de obuses L/10 de 280 mm, os japoneses conseguiram finalmente capturar o importante bastião no topo da colina em dezembro de 1904. Com um observador na ponta de uma linha telefônica localizada neste ponto estratégico, a artilharia de longo alcance conseguiu bombardear a frota russa, que era incapaz de retaliar contra a artilharia terrestre invisível do outro lado da colina, e não podia ou não queria navegar contra a frota de bloqueio. Quatro navios de guerra russos e dois cruzadores foram afundados sucessivamente, com o quinto e último navio de guerra sendo forçado a afundar algumas semanas depois. Assim, todos os navios de guerra principais da frota russa no Pacífico foram afundados. Este é provavelmente o único exemplo na história militar em que uma devastação dessa magnitude foi alcançada por artilharia terrestre contra grandes navios de guerra.

Cooperação de inteligência Anglo-Japonesa

Mesmo antes da guerra, os serviços de inteligência britânicos e japoneses cooperavam contra o Império Russo devido à Aliança Anglo-Japonesa. Durante a guerra, estações do Exército da Índia Britânica na Malaia Britânica e na China frequentemente interceptavam e liam o tráfego de comunicações sem fio e cabos telegráficos relacionados à guerra, que era compartilhado com os japoneses. Por sua vez, os japoneses compartilhavam informações sobre a Rússia com os britânicos, com um oficial britânico escrevendo sobre a "qualidade perfeita" da inteligência japonesa. Em particular, os serviços de inteligência britânicos e japoneses reuniram muitas evidências de que a Alemanha estava apoiando a Rússia na guerra como parte de uma tentativa de perturbar o equilíbrio de poder na Europa, o que levou os oficiais britânicos a perceberem cada vez mais a Alemanha como uma ameaça à ordem internacional.

Batalha do Rio Yalu

Em contraste com a estratégia japonesa de ganhar terreno rapidamente para controlar a Manchúria, a estratégia russa focava em ações de retardamento para ganhar tempo para a chegada de reforços pela longa Ferrovia Transiberiana, que estava incompleta perto de Irkutsk na época. Em 1 de maio de 1904, a Batalha do Rio Yalu tornou-se a primeira grande batalha terrestre da guerra; tropas japonesas atacaram uma posição russa liderada pelo General Mikhail Zasulich após cruzarem o rio. A derrota do Destacamento Oriental Russo dissipou a percepção de que os japoneses seriam um inimigo fácil, que a guerra seria curta e que o Império Russo seria o vencedor esmagador. Esta foi também a primeira batalha em décadas a resultar em uma vitória asiática sobre uma potência europeia e marcou a incapacidade da Rússia de igualar o poderio militar do Império do Japão. As tropas japonesas desembarcaram em vários pontos da costa da Manchúria e, em uma série de confrontos, repeliram os russos em direção ao Porto Arthur. As batalhas subsequentes, incluindo a Batalha de Nanshan em 25 de maio de 1904, foram marcadas por pesadas perdas japonesas, em grande parte devido aos ataques a posições russas entrincheiradas.

Batalha do Mar Amarelo

Com a morte do Almirante Stepan Makarov durante o Cerco de Port Arthur em abril de 1904, o Almirante Wilgelm Vitgeft foi nomeado comandante da frota de batalha e recebeu ordens para sair do Porto Arthur e deslocar sua força para Vladivostoque. Hasteando sua bandeira no pré-dreadnought Tsesarevich, construído na França, Vitgeft liderou seus 6 navios de guerra, 4 cruzadores e 14 contratorpedeiros para o Mar Amarelo na madrugada de 10 de agosto de 1904. Aguardando-o estava o Almirante Tōgō Heihachirō e sua frota de 4 navios de guerra, 10 cruzadores e 18 contratorpedeiros. Por volta das 12h15, as frotas de navios de guerra estabeleceram contato visual entre si e, às 13h00, com Tōgō cruzando em T de Vitgeft, iniciaram o fogo de suas baterias principais a uma distância de cerca de 12.8 km, a maior já realizada até então. Durante cerca de 30 minutos, os navios de guerra bombardearam-se mutuamente até se aproximarem a menos de 6.4 km e começarem a utilizar suas baterias secundárias. Às 18h30, um disparo de um dos navios de guerra de Tōgō atingiu a ponte do navio-almirante de Vitgeft, matando-o instantaneamente.

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Campanha de 1905

Com a queda de Porto Arthur, o 3.º Exército Japonês pôde continuar avançando para o norte, a fim de reforçar as posições ao sul de Mukden, controlada pelos russos. Com a chegada do rigoroso inverno da Manchúria, não havia ocorrido nenhum grande confronto terrestre desde a Batalha de Shaho, no ano anterior. Os 2 lados acamparam um em frente ao outro ao longo de uma linha de frente de 110 km ao sul de Mukden.

Batalha de Sandepu

O Segundo Exército Russo, sob o comando do General Oskar Grippenberg, entre 25 a 29 de janeiro, atacou o flanco esquerdo japonês perto da cidade de Sandepu, quase rompendo as linhas inimigas. Isso pegou os japoneses de surpresa. No entanto, sem o apoio de outras unidades russas, o ataque estagnou, Grippenberg recebeu ordens de Alexei Kuropatkin para parar e a batalha terminou sem um vencedor claro. Os japoneses sabiam que precisavam destruir o exército russo na Manchúria antes da chegada dos reforços russos pela Ferrovia Transiberiana.

Batalha de Mukden

A Batalha de Mukden começou em 20 de fevereiro de 1905. Nos dias seguintes, as forças japonesas atacaram os flancos direito e esquerdo das forças russas que cercavam Mukden, ao longo de uma frente de 80 km. Aproximadamente 500.000 de homens estiveram envolvidos nos combates. Ambos os lados estavam bem entrincheirados e apoiados por centenas de peças de artilharia. Após dias de intensos combates, a pressão adicional vinda dos flancos forçou ambas as extremidades da linha defensiva russa a recuarem. Percebendo que estavam prestes a ser cercados, os russos iniciaram uma retirada geral, travando uma série de ferozes ações de retaguarda, que logo se deterioraram na confusão e no colapso das forças russas. Em 10 de março de 1905, após 3 semanas de combates, o General Alexei Kuropatkin decidiu recuar para o norte de Mukden. Os russos sofreram cerca de 90.000 baixas na batalha.

Batalha de Tsushima

Após uma escala de várias semanas no pequeno porto de Nossi-Bé, no Madagascar Francês, permitida a contragosto pela França neutra para não comprometer suas relações com seu aliado russo, a frota russa do Báltico seguiu para a Baía de Cam Ranh, na Indochina Francesa, passando pelo Estreito de Singapura entre 7 a 10 de abril de 1905. A frota finalmente chegou ao Mar do Japão em maio de 1905. A logística de tal empreitada na era da energia a carvão era impressionante. A esquadra necessitava de aproximadamente 500.000 toneladas de carvão para completar a viagem, mas, segundo o direito internacional, não era permitido reabastecer em portos neutros, o que obrigou as autoridades russas a adquirir uma grande frota de navios carboníferos para abastecer a frota no mar. O peso dos suprimentos necessários para uma viagem tão longa seria outro grande problema. A Segunda Esquadra Russa do Pacífico (a renomeada Frota do Báltico) navegou 33.000 km para socorrer o Porto Arthur, apenas para receber a notícia desmoralizante de que o Porto Arthur havia caído enquanto ainda estava em Madagascar. A única esperança do Almirante Zinovy ​​Rozhestvensky agora era alcançar o porto de Vladivostoque. Havia 3 rotas para Vladivostoque, sendo a mais curta e direta a que passava pelo Estreito de Tsushima, entre a Coreia e o Império do Japão. No entanto, essa também era a rota mais perigosa, pois passava entre o território principal do Japão e as bases navais japonesas na Coreia.

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Paz e consequências

Tratado de Portsmouth

Líderes militares e altos funcionários czaristas concordaram antes da guerra que o Império Russo era uma nação muito mais forte e tinha pouco a temer do Império do Japão. O zelo fanático dos soldados de infantaria japoneses surpreendeu os russos, que ficaram consternados com a apatia, atraso e o derrotismo de seus próprios soldados. Os soldados russos lutaram ferozmente, mas isso contrastava com a cautela de seus oficiais, que às vezes optavam por recuar sem um bom motivo, e o comandante russo Alexei Kuropatkin, em duas ocasiões, proibiu seus subordinados de contra-atacar os japoneses. Nas duas principais batalhas do outono de 1904 (Liaoyang e Shaho), Kuropatkin ordenou uma retirada. Como resultado dessa liderança, os russos estavam sempre reagindo aos japoneses em vez de tomar a iniciativa. Após a perda da principal base de suprimentos e quartel-general da Rússia em Mukden, Kuropatkin foi destituído do comando, e seu substituto, Nikolai Linevich, planejou passar à ofensiva, mas as negociações de paz começaram antes disso. A mobilização russa foi inicialmente composta por reservistas mais velhos, com menos treinamento (alguns sem experiência com o rifle Mosin-Nagant) e sem interesse na guerra no Extremo Oriente Russo. Foi somente após a Batalha de Mukden que novos recrutas e reservistas mais jovens começaram a chegar, e no verão de 1905 o Exército Imperial Russo mobilizou quase um milhão de soldados bem equipados e treinados no Extremo Oriente contra um Exército Imperial Japonês exausto, mas a derrota naval em Tsushima tornou as negociações mais desejáveis.

Baixas

As fontes não concordam sobre o número preciso de mortes na guerra devido à falta de contagens de corpos para confirmação. O número de mortos do Exército Imperial Japonês em combate ou em decorrência de ferimentos é estimado em cerca de 59.000, com cerca de 27.000 baixas adicionais por doenças e entre 6.000 a 12.000 feridos. As estimativas de mortos do Exército Imperial Russo variam de cerca de 34.000 a cerca de 53.000 homens, com mais 9.000 a 19.000 mortos por doenças e cerca de 75.000 capturados. O número total de mortos de ambos os lados é geralmente considerado entre 130.000 a 170.000. Após o Cerco de Port Arthur em 1905, o General Nogi Maresuke, que liderou o exército japonês durante o cerco, sentiu-se tão culpado pela perda de muitos soldados japoneses que quis cometer Seppuku (suicídio ritual), mas o Imperador Meiji recusou-se a permitir; em vez disso, Maresuke orientou o futuro Imperador Hirohito e construiu hospitais. Após a morte do Imperador Meiji em 1912, Maresuke e sua esposa cometeram suicídio, 7 anos após o cerco de Port Arthur.

Consequências políticas

Esta foi a primeira grande vitória militar na era moderna de uma potência asiática sobre uma nação europeia. A derrota do Império Russo causou choque no Ocidente e em todo o Extremo Oriente. O prestígio do Império do Japão aumentou consideravelmente, à medida que passou a ser visto como uma nação moderna. Simultaneamente, a Rússia perdeu praticamente toda a sua frota do Pacífico e do Báltico, além de grande parte do seu prestígio internacional. Isso foi particularmente verdadeiro aos olhos da Alemanha e da Áustria-Hungria antes da Primeira Guerra Mundial. A Rússia era aliada da França e do Reino da Sérvia; a perda de prestígio encorajou a Alemanha a planejar uma guerra contra a França e a apoiar a guerra da Áustria-Hungria contra a Sérvia.

07

Avaliação

Significado histórico

A Guerra Russo-Japonesa introduziu uma série de características que vieram a definir a política e a guerra do século XX. Muitas das inovações trazidas pela Revolução Industrial, como a artilharia de disparo rápido e as metralhadoras, bem como rifles mais precisos, foram testadas pela primeira vez em larga escala. As operações militares, tanto no mar quanto em terra, mostraram que a guerra moderna havia sofrido uma mudança considerável desde a Guerra Franco-Prussiana de 1870 a 1871. A maioria dos comandantes do exército havia previsto anteriormente o uso desses sistemas de armas para dominar o campo de batalha em um nível operacional e tático, mas, à medida que os eventos se desenrolavam, os avanços tecnológicos também alterariam para sempre as condições da guerra.

Recepção em todo o mundo

Para as potências ocidentais, a vitória do Império do Japão demonstrou a emergência de uma nova potência regional asiática. Com a derrota do Império Russo, alguns estudiosos argumentaram que a guerra desencadeou uma mudança na ordem mundial global, com a ascensão do Japão não apenas como uma potência regional, mas como a principal potência asiática. No entanto, surgiram mais do que apenas possibilidades de parceria diplomática. A reação dos Estados Unidos e da Austrália à mudança no equilíbrio de poder provocada pela guerra foi misturada com o temor de que um Perigo Amarelo eventualmente se deslocasse da China para o Japão. Figuras americanas como W. E. B. Du Bois e Lothrop Stoddard viram a vitória como um desafio à supremacia ocidental. Isso se refletiu na Áustria-Hungria, onde o Barão Christian von Ehrenfels interpretou o desafio em termos raciais e culturais, argumentando que "a absoluta necessidade de uma reforma sexual radical para a continuidade da existência das raças ocidentais de homens... foi elevada do nível de discussão ao nível de um fato cientificamente comprovado". Para acabar com o "Perigo Amarelo" japonês, seriam necessárias mudanças drásticas na sociedade e na sexualidade no Ocidente.

Resultados militares

O Império Russo havia perdido duas de suas três frotas. Apenas sua Frota do Mar Negro permanecia, resultado do Tratado de Berlim de 1878, que impedia a frota de deixar o Mar Negro pelo Bósforo, já que o Império Otomano e o Reino Unido não abririam mão das cláusulas relevantes. O Tratado de Berlim substituiu a Convenção de Londres sobre os Estreitos de 1841, que havia sido favorável à Rússia. O Império do Japão tornou-se a sexta força naval mais poderosa em tonelagem combinada, enquanto a Marinha Imperial Russa declinou para uma pouco mais forte que a da Áustria-Hungria. Os custos reais da guerra foram suficientemente grandes para afetar a economia russa e, apesar das exportações de grãos, a nação desenvolveu um déficit na balança de pagamentos externa. O custo do reequipamento militar e da reexpansão após 1905 empurrou a economia ainda mais para o déficit, embora a dimensão do déficit tenha sido obscurecida.

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Adidos militares e observadores

Observadores militares e civis de todas as grandes potências acompanharam de perto o curso da guerra. A maioria conseguiu relatar os eventos a partir da perspectiva de posições integradas às forças terrestres e navais do Império Russo e do Império do Japão. Esses adidos militares e outros observadores prepararam relatos em primeira mão da guerra e documentos analíticos. Narrativas detalhadas de observadores sobre a guerra e artigos de periódicos profissionais com foco mais específico foram escritos logo após o conflito; esses relatórios do pós-guerra ilustraram conclusivamente o poder destrutivo do conflito no campo de batalha. Esta foi a primeira vez que as táticas de posições entrincheiradas para infantaria, defendidas com metralhadoras e artilharia, tornaram-se de vital importância. Ambas se tornariam fatores dominantes na Primeira Guerra Mundial. Embora as posições entrincheiradas já tivessem sido uma parte significativa tanto da Guerra Franco-Prussiana quanto da Guerra Civil Americana, agora é evidente que o elevado número de baixas e as lições táticas prontamente disponíveis para as nações observadoras foram completamente ignorados nos preparativos para a guerra na Europa e durante grande parte do curso da Primeira Guerra Mundial.

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Economia

Apesar de suas reservas de ouro de 106.3 milhões de libras esterlinas, a situação financeira do Império Russo antes da guerra não era invejável. O país tinha grandes déficits orçamentários anuais e era amplamente dependente de empréstimos. O esforço de guerra da Rússia foi financiado principalmente pela França, em uma série de empréstimos que totalizaram 800 milhões de francos (30.4 milhões de libras esterlinas); outro empréstimo no valor de 600 milhões de francos foi acordado, mas posteriormente cancelado. Esses empréstimos foram concedidos em um clima de suborno em massa da imprensa francesa (tornado necessário pela precária situação econômica e social da Rússia e pelo fraco desempenho militar). Embora inicialmente relutante em participar da guerra, o governo francês e os principais bancos cooperaram, uma vez que ficou claro que os interesses econômicos russos e franceses estavam interligados. Além do dinheiro francês, a Rússia obteve um empréstimo de 500 milhões de marcos (24.5 milhões de libras esterlinas) da Alemanha, que também financiou o esforço de guerra do Império do Japão.

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