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Grande Palácio do Kremlin

O Grande Palácio do Kremlin é a residência oficial do Presidente da Rússia. Está localizado no coração da capital russa, na parte sudeste do Kremlin de Moscovo, sobre a Colina de Pinar, constituindo uma parte importante daquele conjunto arquitectónico. A parte central do palácio, com o seu aspecto actual, foi erguido entre 1838 e 1850, por iniciativa de Nicolau I, no mesmo lugar do antigo edifício do grande palácio moscovita do Príncipe Ivã III, do século XV, e do palácio da Imperatriz Isabel I, do século XVIII. O projecto e a construção foram realizados pelo grupo de arquitetos: N.I. Chichagov, V.A. Bakarev, F.F. Rijter, P.A. Guerasimov, F.G. Solntsev e outros sobre a direcção do famoso arquitecto Konstantin Thon. Serviu como residência principal em Moscovo do czar e da sua família.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/07/2026
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Descrição geral

A partir do século XIX, o edifício central do Grande Palácio do Kremlin cresceu entre outros palácios e antigos aposentos dos czares, como o Palácio dos Terems, o Palácio das Facetas, a Câmara Dourada da Czarina e as igrejas palacianas, os quais também foram incluídos como parte do complexo palaciano. Não directamente adjacentes ao palácio, mas a ele ligados por passadiços fechados, encontram-se o Palácio do Arsenal e a Catedral da Anunciação. O Grande Palácio do Kremlin domina o conjunto arquitectónico do Kremlin de Moscovo com os 125 metros de comprimento da sua fachada principal e uma altura de 44 metros até ao cimo da cúpula. O edifício situa-se na parte sul do Kremlin, perto da encosta que desce até ao Rio Moscova, sendo a sua fachada principal particularmente bem visível a partir da margem oposta desse rio. A partir da Ponte Bolshoy Kamenny também se alcança uma vista representativa do Grande Palácio do Kremlin. Dentro do conjunto do arquitectónico do Kremlin encontram-se Grande Palácio do Kremlin e os edifícios anteriores nele englobados junto à muralha a sul, o Palácio do Arsenal a oeste, o antigo palácio dos congressos (hoje oficialmente: Palácio Estatal do Kremlin) a norte e a Praça das Catedrais (com a Catedral do Arcanjo São Miguel, a Catedral da Dormição e a Catedral da Anunciação) a leste.

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História do complexo palaciano

No local onde se ergue actualmente o Grande Palácio do Kremlin já existia uma fortificação bem conhecida desde o século XII. Antes do século XIX, e da construção do actual palácio, a área já era dominada por antigas residências e câmaras dos Grão-duques de Moscovo e dos Czares da Rússia.

Edifícios predecessores até ao século XVII

As descrições dos primeiros edifícios existentes no sítio onde se ergue actualmente o Grande Palácio do Kremlin não sobreviveram; no entanto, sabe-se que existia aqui um palácio grão-ducal na época de Ivan Kalitas (início do século XIV). O facto de as residências dos governantes do Grão-ducado de Moscovo e, posteriormente, do Czarado da Rússia e do Império Russo, se erguerem precisamente nesta parte do Kremlin é facilmente explicável pela altamente prestigiosa posição do terreno: o espaço para sul até à íngreme margem do Moscova recebeu os edifícios, os quais eram amplamente visíveis a partir do rio, numa posição dominante sobre todos os outros edifícios da fortaleza.

Antecessores do século XVII ao século XIX

A anterior construção serviu como residência dos czares russos, em parte ou no seu todo, até ao final do século XVII. Esta situação mudou em 1703, durante o reinado de Pedro I, o Grande. Este fundou a nova capital imperial em São Petersburgo e evacuou a antiga sede dos czares. Os antigos aposentos imperiais em Moscovo praticamente não voltaram a ser usados com o seu fim original, vindo a degradar-se com o tempo. Além disso, alguns edifícios secundários em madeira foram consumidos pelo fogo e não voltaram a ser reconstruídos. O resto do palácio foi utilizado, entre outros, como edifício administrativo. Em 1749, a Imperatriz Isabel mandou remover uma parte das antigas câmaras dos czares, de forma a permitir a construção dum novo palácio representativo no seu lugar, o qual devia ser a principal residência do imperador russo em Moscovo. A execução foi entregue ao famoso arquitecto italiano Bartolomeo Francesco Rastrelli. A construção foi concluída em 1753 e recebeu o nome de Palácio de Inverno. Alguns anos mais tarde, Rastrelli construiria, no mesmo estilo barroco, o mais famoso Palácio de Inverno, em São Petersburgo, desde logo, a residência imperial naquela cidade. Na guerra contra Napoleão, em 1812, o Palácio de Inverno de Moscovo foi destruído, sendo restaurado, em 1817, segundo um projecto do arquitecto Wassili Stassow.

A nova residência do czar do século XIX

O palácio de Rastrelli só foi mandado demolir pelo Czar Nicolau I, na década de 1830, o qual mandou construir no seu lugar uma nova residência moscovita do czar, num estilo aproximadamente classicista em voga na Rússia da época. O projecto do novo palácio ficou a dever-se a Konstantin Thon, arquitecto bem conhecido pela construção duma série de edifícios oitocentistas de Moscovo (incluindo a Catedral de Cristo Salvador e a Gare de Nicolau (Nikolayevsky Vokzal, actual Gare de Leninegrado). A construção do edifício central do palácio estendeu-se de Junho de 1838 a Abril de 1849, tendo o custo total do projecto ascendido a cerca de 12 milhões de rublos. O resultado corresponde, basicamente, ao ainda existente complexo do Grande Palácio do Kremlin, o qual engloba, além do palácio oitocentista, os edifícios vizinhos mais antigos do Palácio das Facetas, Palácio dos Terems e Câmara Dourada da Czarina. Os dois últimos ficaram quase cercados pelo novo palácio, de modo que, actualmente, são pouco visíveis do exterior. Isto, e o facto de o novo e magnífico edifício classicista contrastar significativamente com o já existente conjunto arquitetónico do Kremlin, com a antiga arquitectura russa a ser dominada pelos tempos modernos, fez com que Konstantin Thon fosse frequentemente criticado. Num guia turístico de Moscovo, datado de 1917, o edifício ainda era depreciativamente chamado de "quartel" devido às suas impressionantes dimensões. Desde a sua construção até à abdicação do Czar, o Grande Palácio do Kremlin, incluindo os edifícios que englobou, foi a principal residência dos monarcas russos na, então, segunda maior cidade do império. Foi aqui que o czar viveu, com a sua família e comitiva, durante as permanências em Moscovo. Também foram aqui realizadas importantes cerimónias de Estado, tais como a recepção a altos dignitários estrangeiros ou cerimónias de coroação dos Czares. Além disso, o palácio não estava acessível a excursões do público nem nos dias festivos.

Século XX e século XXI

Após a deposição da monarquia na Rússia e a Revolução de Outubro, no ano de 1917, os edifícios do Grande Palácio do Kremlin perderam a sua função como residência dos czares. Ao mesmo tempo, o novo governo mudou a capital de São Petersburgo para Moscovo e o Kremlin voltou a ser a sede das principais autoridades estatais. Tal como aconteceu com outros edifícios do Kremlin, também o Grande Palácio do Kremlin passou a ter agora efeitos administrativos: na década de 1930 estavam ali sediados os Parlamentos do Conselho Superior da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e da República Socialista Federativa Soviética da Rússia (RSFS da Rússia), o Congresso do Comintern, assim como o edifício do Palácio de Congressos do Kremlin (actual Palácio Estatal do Kremlin), de 1961, realizado como parte do KPdSU. Os cinco salões de festas centrais do Grande Palácio do Kremlin também serviram para eventos cerimoniais, como a homenagem aos heróis da União Soviética. A arquitectura do palácio também sofreu algumas alterações na era soviética: em 1934, dois salões de festas foram convertidos numa grande sala de reuniões, onde a partir de então se realizaram as grandes conferências, e as fachadas passaram a estar enfeitadas com os símbolos do Estado soviético em vez da dupla águia do império czarista.

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Arquitectura do Grande Palácio do Kremlin

Olhando para o complexo do Grande Palácio do Kremlin, este apresenta-se-nos, no seu conjunto, como um aglomerado de vários edifícios de diferentes épocas exibindo os seus diferentes estilos. No entanto, são evidentes as semelhanças entre os vários trechos que compõem o grande palácio central do século XIX e o Palácio dos Terems, uma atitude intencional de Konstantin Thon, que deste modo procurou tornar a sua obra mais harmoniosa com o conjunto.

Arquitectura exterior

O edifício central construído entre 1838 e 1849 trouxe um papel representativo a todos os edifícios do complexo. Vista de fora, a estrutura parece relativamente simples: a fachada principal, que se estende ao longo da margem do Moscova, possui uma cúpula a coroar a sua parte central, na qual está instalado um relógio com quatro mostradres dourados. A cúpula é encimada por uma haste, onde, desde a década de 1990, adeja a Bandeira Nacional da Rússia (antes: a Bandeira da União Soviética). Na fachada do edifício do palácio, com dois pisos mas três filas de janelas sobrepostas, a sua parte inferior é ligeiramente mais alta e está alguns metros saliente em relação às duas que se lhe sobrepõem, de forma a cobrir uma galeria aberta ao longo de toda a fachada. Globalmente, a fachada principal do edifício resulta bastante monótona, parecendo mais um edifício de escritórios típico do Império Russo do século XIX que uma fachada esculpida para uma sede do czar – esta característica, em particular, deixou Konstantin Thon exposto ao fogo cruzado das críticas.

Interiores

O aspecto relativamente simples do edifício central combina perfeitamente com os seus espaços interiores magnificamente decorados, os quais recuperaram, durante a reconstrução empreendida na década de 1990, grande parte do seu estado original do século XIX. Todos os interiores palacianos do século XIX estão bem conservados. Na sua ornamentação encontram-se elementos de vários estilos - do barroco ao classicismo. A maior parte da arquitectura interior do palácio foi concebida pelos arquitectos Fjodor Richter e Nikolai Tschitschagow. Para a decoração dos interiores foram chamados os mais famosos pintores e escultores da época. Segundo os seus esboços e esquemas, foram feitos os móveis de estilo, esplêndidas porcelanas, aranhas de cristal, relógios inimitáveis pela maestria e muitos outros objectos confeccionados em famosas fábricas, empresas e oficinas da Rússia.

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Edifícios preexistentes englobados no complexo palaciano

Palácio das Facetas

O Palácio das Facetas (Грановитая палата) é uma famosa casa que se encontra a leste do edifício central do Grande Palácio do Kremlin, encontrando-se ligado a este. É não só a parte mais antiga do complexo palaciano do Grande Palácio do Kremlin, mas também o mais antigo edifício secular preservado em Moscovo. Do exterior, o Palácio das Facetas pode ser visto no seu lado sul, assim como a particularmente marcante fachada leste, virada directamente para a Praça das Catedrais do Kremlin, entre a Catedral da Anunciação e a Catedral da Dormição de Maria. O nome do palácio vem da forma da fachada oriental, uma vez que esta está decorada com linhas horizontais de pedras angulosas, dando a impressão duma superfície facetada.

Palácio dos Terems

O Palácio dos Terems serviu de residência dos czares até ao final do século XVII, quando a capital da Rússia foi deslocada de Moscovo para São Petersburgo. O seu nome deriva da palavra grega τερεμνον (ou seja, "residência"). Este palácio foi edificado, entre 1635 e 1637, por Bajen Ogurtsov, Trefil Chatourine, Antip Konstantinov e Larion Ouchakov. Este pequeno edifício em tijolo é uma verdadeira obra-prima, cuja arquitectura se inspira nos tradicionais isba russos em madeira. É constituído por cinco pisos. A água, as velas e os legumes em conserva estavam armazenados nas salas do rés-do-chão. O primeiro andar era ocupado pelos ateliers da czarina, onde eram confeccionados os vestuários da família real. O segundo andar compreendia uma sala de banhos, aprovisionada por uma torre de água. No terceiro andar, sobranceiro ao rio, encontravam-se os aposentos do czar, um quarto de dormir, uma sala de orações, a sala do trono e a sala do escritório do czar. Frente a este encontra-se uma caixa destinada a receber petições. O andar superior é uma estrutura em forma de tenda onde a Duma Boiarda era convocada.

Câmara Dourada da Czarina

O edifício relativamente pequeno situado no extremo nordeste do complexo palaciano, e próximo da Catedral da Dormição de Maria e da contígua Igreja da Deposição do Manto da Virgem, é chamado de Câmara Dourada da Czarina (Золотая Царицына палата). Com a conclusão do Grande Palácio do Kremlin, esta foi praticamente absorvida na década de 1840, de forma que só pode ser alcançada através do Salão de São Vladimir. O ano preciso da construção desta câmara não é conhecido, mas provavelmente foi erguida durante o reinado de Teodoro I, ou seja, no final do século XVI, servindo, então, como espaço residencial e de recepção da sua esposa, a Czarina Irina Fjodorowna, também irmã do futuro Czar Boris Godunov. No interior da Câmara Dourada da Czarina existe uma sala de recepção bastante ampla, cujas paredes são embelezadas com muitos retratos de conhecidas czarinas e príncipes da cultura cristã-ortodoxa. Provavelmente, o edifício deve o seu nome à execução destas pinturas sobre um fundo dourado.

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