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Ilhas Ryūkyū

As Ilhas Ryūkyū, também conhecidas como Ilhas Nansei ou Ilhas Léquias em português, são uma cadeia de ilhas japonesas que se estendem a sudoeste de Kyushu até Taiwan: as Ilhas Ōsumi, Tokara, Amami, Okinawa e Sakishima, com Yonaguni no extremo oeste. As maiores são geralmente ilhas elevadas e as menores são normalmente de coral. A maior é a ilha de Okinawa.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 30/07/2026
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Subgrupos

As ilhas Ryukyu são comumente divididas em dois ou três grupos principais: A seguir estão os agrupamentos e nomes usados pelo Departamento Hidrográfico e Oceanográfico da Guarda Costeira do Japão. As ilhas são listadas de norte a sul, sempre que possível. A Autoridade de Informações Geoespaciais do Japão, outra organização governamental responsável pela padronização dos nomes de lugares, discorda da Guarda Costeira do Japão sobre alguns nomes e sua extensão, mas ambos estão trabalhando na padronização. Foi concordado em 15 de fevereiro de 2010 o uso de Amami-guntō (em japonês: 奄美群島; romaniz.: Amami-guntō) para as Ilhas Amami; antes disso, Ilhas Amami (em japonês: 奄美諸島; romaniz.: Amami-shotō) também havia sido usado.

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Nomes e extensão

Os usos do termo "Ryukyu" diferem entre idiomas. Em inglês, o termo Ryukyu pode ser aplicado a toda a cadeia de ilhas, enquanto em japonês, Ryukyu geralmente se refere apenas às ilhas que faziam parte do Reino de Ryūkyū após 1624.

Ilhas Nansei

Nansei-shotô (em japonês: 南西諸島; romaniz.: Nansei-shotō) é o nome oficial para toda a cadeia de ilhas em japonês. O Japão usa o nome nas cartas náuticas desde 1907. Com base nas cartas japonesas, a série internacional de cartas usa Nansei Shoto. Nansei significa literalmente "sudoeste", a direção que a cadeia de ilhas se estende a partir do arquipélago japonês principal. Alguns estudiosos de humanidades preferem o termo incomum Ryukyu-ko (em japonês: 琉球弧; romaniz.: Ryūkyū-ko; lit. "Arco de Ryukyu") para toda a cadeia de ilhas. Na geologia, no entanto, o Arco de Ryukyu inclui estruturas de subsuperfície, como o Canal de Okinawa, e se estende até Kyushu.

Ryukyu

O nome Ryukyu (em japonês: 琉球; romaniz.: Ryūkyū) está fortemente associado ao Reino de Ryukyu, um reino que se originou na ilha de Okinawa e subjugou as Ilhas Sakishima e Amami. O nome é geralmente considerado ultrapassado em japonês, embora algumas entidades de Okinawa ainda ostentem o nome, como a universidade nacional local. Em japonês, o termo "Ilhas Ryukyu" (em japonês: 琉球諸島; romaniz.: Ryūkyū-shotō) cobre apenas as ilhas Okinawa, Miyako e Yaeyama, enquanto em inglês inclui as Ilhas Amami e Daitō. A metade norte da cadeia de ilhas é chamada de ilhas Satsunan ("Sul de Satsuma") em japonês, diferente das ilhas Ryukyu do norte em inglês. Estudiosos geralmente concordam que as Ilhas Amami, Okinawa, Miyako e Yaeyama compartilham muita herança cultural, embora também sejam caracterizadas por um grande grau de diversidade interna. Entretanto, não há um bom nome para o grupo. A população nativa não tem autodenominação, pois não se reconhece como um grupo tão grande. Ryukyu é o candidato principal porque corresponde aproximadamente à extensão máxima do Reino de Ryukyu. No entanto, não é necessariamente considerado neutro pelos povos de Amami, Miyako e Yaeyama, que foram marginalizados sob o reino centrado em Okinawa. As Ilhas Ōsumi não estão incluídas porque fazem parte da esfera cultural de Kyushu.

Okinawa

Uchinaa (em japonês: 沖縄; romaniz.: Uchinaa), o nome de Okinawa em japonês, é originalmente um nome nativo da maior ilha da cadeia. A série de mapas japoneses conhecida como Ryukyu Kuniezu lista a ilha como Wokinaha Shima (em japonês: 悪鬼納嶋; romaniz.: Wokinaha Shima) em 1644 e Okinawa Shima (em japonês: 沖縄嶋; romaniz.: Okinawa Shima) depois de 1702. O nome foi escolhido pelo governo Meiji para a nova prefeitura quando o Reino de Ryukyu foi anexado em 1879. "Okinawa" nunca se estende à prefeitura de Kagoshima. Fora da prefeitura, a prefeitura de Okinawa é simplesmente chamada de Okinawa. Na prefeitura de Okinawa, no entanto, o nome está fortemente associado à ilha de Okinawa e, nesse sentido, "Okinawa" não inclui as ilhas Miyako e Yaeyama. As pessoas nas ilhas Yaeyama usam a expressão "ir para Okinawa" quando visitam a ilha de Okinawa. Pessoas das Ilhas Amami, na prefeitura de Kagoshima, também se opõem a serem incluídas em Okinawa.

Ilhas do Sul

O folclorista Kunio Yanagita usa "Nantō" (em japonês: 南島; romaniz.: Nantō; lit. "Ilhas do Sul"). Este termo foi originalmente usado pela corte imperial do Japão antigo. Yanagita levantou a hipótese de que as ilhas do sul eram a origem do povo japonês e preservou muitos elementos que foram posteriormente perdidos no Japão. O termo está desatualizado atualmente.

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História

Os três reinos da ilha de Okinawa foram unificados como o Reino de Ryukyu em 1429. O reino conquistou as ilhas Miyako e Yaeyama. Em seu auge, as ilhas Amami também estavam sobre seu controle. Em 1609, Shimazu Tadatsune, senhor de Satsuma, invadiu o Reino de Ryukyu com uma frota de treze juncos e 2.500 samurais, estabelecendo assim sua suserania sobre as ilhas. Eles enfrentaram pouca oposição dos ryukyuanos, que possuíam pouco poderio militar, e que foram ordenados pelo rei Shō Nei a se renderem ao invés de desperdiçarem suas preciosas vidas. Depois disso, os reis de Ryukyu pagaram tributo aos xoguns do Japão, assim como aos imperadores da China. Durante este período, os reis de Ryukyu eram selecionados por um clã japonês, sem que os chineses soubessem, e que acreditavam que o reino era um tributário leal. Em 1655, as relações tributárias entre Ryukyu e a Dinastia Qing foram formalmente aprovadas pelo xogunato. Em 1874, Ryukyu terminou suas relações tributárias com a China.

As ilhas orientais de Liuqiu

As primeiras menções das ilhas estão nos Anais da Dinastia Qin. Qin Shi Huang ouviu falar de "imortais felizes" que viviam nas ilhas orientais, por isso enviou expedições para lá para encontrar a fonte da imortalidade, sem sucesso. Enquanto alguns defendem que tais expedições alcançaram o Japão e iniciaram revoluções sociais e agriculturais, os mesmos eventos são marcados no folclore ryukyuano da ilha de Kudaka. As Ilhas Orientais são novamente mencionadas como a terra dos imortais nos Anais da Dinastia Han. Em 601, os chineses enviaram uma expedição ao "País de Liuqiu" (em chinês: 流求國). Eles notaram que as pessoas eram pequenas, mas combativas. Os chineses não conseguiram entender o idioma local e retornaram à China. Em 607, eles enviaram outra expedição ao comércio e trouxeram de volta um dos habitantes. Uma embaixada japonesa estava em Loyang quando a expedição retornou, e um dos japoneses exclamou que o ilhéu usava a vestimenta e falava a língua da ilha Yaku. Em 610, uma expedição final foi enviada com um exército que exigia submissão ao imperador chinês. Os ilhéus lutaram contra os chineses, mas seus "palácios" foram queimados e "milhares" de pessoas foram levadas como prisioneiras, e os chineses deixaram a ilha.

Ilhas do sul do Japão antigo

A cadeia de ilhas aparece na história escrita japonesa como Ilhas do Sul (em japonês: 南島; romaniz.: Nantō). O primeiro registro das Ilhas do Sul é um artigo de 618 no Nihon shoki (720), que afirma que o povo de Yaku (em japonês: 掖玖/夜勾; romaniz.: Yaku) seguiu a virtude do imperador chinês. Em 629, a corte imperial enviou uma expedição a "Yaku". "Yaku" em fontes históricas não se limitava a Yakushima dos dias atuais, mas parece ter coberto uma área mais ampla da cadeia de ilhas. Em 657, várias pessoas de Tokara (em japonês: 都貨邏; romaniz.: Tokara) chegaram a Kyushu, relatando que haviam se deslocado primeiro para a Ilha Amami (em japonês: 海見島; romaniz.: Amamijima), que é o primeiro uso atestado de Amami.

Kikaigashima e Iōgashima

As ilhas do sul reapareceram na história escrita no final do século X. De acordo com o Nihongi ryaku (séculos XI a XII), Dazaifu, o centro administrativo de Kyushu, relatou que os piratas Nanban (bárbaros do sul), que foram identificados como ilhéus Amami pelos Shōyūki (982–1032, para a porção existente), saquearam uma vasta área de Kyūshū em 997. Em resposta, o Dazaifu ordenou que a "Ilha Kika" (em japonês: 駕島; romaniz.: Kikashima) prendesse os Nanban. Este é o primeiro uso atestado de Kikaigashima, que é frequentemente usado em fontes subsequentes. Séries de relatórios sugerem que havia grupos de pessoas com tecnologia avançada de navegação em Amami e que Dazaifu tinha uma fortaleza na ilha de Kikai. Historiadores supõem que as ilhas Amami foram incorporadas a uma rede comercial que a conectava a Kyūshū, à China (sob a Dinastia Song) e a Goryeo. De fato, os Shōyūki registraram que, nos anos 1020, os governadores locais do sul de Kyūshū apresentaram ao autor, um aristocrata da corte, especialidades locais das ilhas do sul, incluindo a palmeira chinesa, madeiras vermelhas e conchas de Turbo marmoratus. O Shinsarugakuki, uma obra fictícia escrita em meados do século XI, introduziu um comerciante chamado Hachirō-mauto, que viajou até a terra dos Fushū no leste e até a ilha Kika (em japonês: 貴賀之島; romaniz.: Kiganoshima) no oeste. Os produtos que ele obteve das ilhas do sul incluíam conchas de Turbo marmoratus e enxofre. O Shinsarugakuki não era mera ficção; o Salão Dourado de Chūson-ji (~1124), no nordeste do Japão, foi decorado com dezenas de milhares de conchas de Turbo marmoratus.

A expansão do clã Shimazu e do Xogunato Kamakura

Por volta da era Hōen (1135–1141), Tanegashima tornou-se parte do território dos Shimazu, no sul de Kyūshū. Diz-se que o clã Shimazu se estabeleceu em Shimazu, província de Hyūga, em 1020 e se dedicou ao Kanpaku Fujiwara no Yorimichi. No século XII, o clã Shimazu expandiu-se numa grande parte das províncias de Satsuma e Ōsumi, incluindo Tanegashima. Koremune no Tadahisa, um servo da família Fujiwara, foi nomeado administrador dos Shimazu em 1185. Ele foi então nomeado shugo das províncias de Satsuma e Ōsumi (e depois Hyūga) pelo primeiro xogum Minamoto no Yoritomo em 1197, se tornando o fundador do clã Shimazu. Tadahisa perdeu o poder quando seu poderoso parente Hiki Yoshikazu foi derrubado em 1203. Ele perdeu as posições de shugo e jito e só recuperou os postos de shugo da província de Satsuma e jito da porção de Satsuma da propriedade dos Shimazu. O shugo da província de Ōsumi e o jitō da parte de Ōsumi da propriedade dos Shimazu, ambos controlados por Tanegashima, foram sucedidos pelo clã Hōjō (especialmente seu ramo Nagoe). A família Nagoe enviou o clã Higo para governar Ōsumi. Um ramo do clã Higo se estabeleceu em Tanegashima e se tornou o clã Tanegashima.

Tanegashima sob o clã Tanegashima

O clã Tanegashima chegou a governar Tanegashima em nome da família Nagoe, mas logo se tornou autônomo. Costumava se aliar, por vezes submetia-se, e às vezes antagonizava o clã Shimazu na ilha de Kyūshū. O clã Tanegashima recebeu de Shimazu Motohisa as ilhas Yakushima e Kuchinoerabu em 1415. Em 1436, as sete ilhas do distrito de Kawanabe, província de Satsuma (ilhas Tokara) e outras duas ilhas por Shimazu Mochihisa, chefe de um ramo da família. Tanegashima é conhecida na história japonesa pela introdução das armas de fogo europeias no Japão. Por volta de 1543, um junco chinês com comerciantes portugueses à bordo foi levado para Tanegashima. Tanegashima Tokitaka conseguiu reproduzir mosquetes obtidos dos portugueses. Dentro de algumas décadas, armas de fogo, então conhecidas como "tanegashima", foram espalhadas por todo o Japão do período Sengoku.

Ilhas Amami e Tokara

As Ilhas Amami foram um ponto focal de disputa entre o domínio Satsuma, que se expandia para o sul, e o Reino de Ryukyu, que se expandia para o norte. Em 1453, um grupo de coreanos naufragou na ilha de Gaja, onde encontraram metade da ilha sob o controle de Satsuma e a outra metade sob o controle de Ryukyu. A Ilha de Gaja fica a cerca de 128 km da capital de Satsuma, na cidade de Kagoshima. Os coreanos observaram que os ryukyuanos usavam armas "tão avançadas quanto as da Coreia]". Outros registros de atividade nas Ilhas Amami mostram a conquista de Shōtoku da Ilha Kikai em 1466, uma invasão de Satsuma a Amami Ōshima em 1493 e duas rebeliões em Amami Ōshima durante o século XVI. As ilhas foram finalmente conquistadas por Satsuma durante a invasão de Ryukyu em 1609. O xogunato de Tokugawa concedeu à Satsuma as ilhas em 1624. Durante o Período Edo, os ryukyuanos se referiram aos navios de Satsuma como "navios Tokara".

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População

Ryukyuanos nativos

Durante a Era Meiji, as tradições, a cultura, a língua e a identidade ryukyuana foram suprimidas pelo governo Meiji, que visava assimilar os ryukyuanos como japoneses (Yamato). Muitos japoneses migraram para as ilhas Ryukyu e se miscigenaram com os nativos. Os residentes do arquipélago são cidadãos japoneses. Rotulá-los como japoneses não apresenta problemas em relação às ilhas Tokara e Ōsumi ao norte, mas existem problemas relacionados à etnia dos residentes dos grupos centrais e meridionais das ilhas. Estudiosos que reconhecem uma herança cultural compartilhada entre as populações nativas das ilhas Amami, Okinawa, Miyako e Yaeyama os chamam de Ryūkyūjin (em japonês: 琉球人; romaniz.: Ryūkyūjin), mas atualmente, os residentes das ilhas Ryukyu não se identificam desta maneira, apesar de possuírem a noção de que são diferentes dos japoneses, aos quais chamam de Yamato, Yamatunchu e Naichaa. Atualmente, eles geralmente expressam suas identidades de acordo com a ilha que habitam.

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Religião

A religião indígena Ryukyuana é geralmente caracterizada pelo culto aos ancestrais e pelo respeito das relações entre os seres vivos, os mortos, os deuses e os espíritos do mundo natural. Algumas das crenças indicam raízes animistas, como a existência de espíritos locais e muitos outros seres classificados entre os deuses e os humanos. As práticas religiosas ryukyuanas foram influenciadas por religiões chinesas (Taoísmo, Confucionismo e crenças populares), Budismo e o Xintoísmo japonês. Católicos romanos são servidos pastoralmente por sua própria Diocese Católica Romana de Naha, fundada em 1947 como a "Administração Apostólica de Okinawa e das Ilhas Meridionais".

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Ecologia

Yakushima

Passando das ilhas Tokara, a Linha de Watase marca uma fronteira biogeográfica. O norte da linha pertence à sub-região paleoártica, enquanto a parte sul está no limite setentrional da sub-região Oriental. Yakushima do grupo Ōsumi é o limite meridional da sub-região paleoártica. É caracterizada por cedros milenares. A ilha faz parte do Parque Nacional de Kirishima-Yaku e foi designada como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1993.

Amami, Okinawa, Miyako e Yaeyama

O sul da Linha de Watase é reconhecido por ecologistas como uma região de floresta tropical e subtropical úmida. A flora e a fauna das ilhas têm muito em comum com as de Taiwan, das Filipinas e do Sudeste Asiático, e fazem parte da ecozona da região indo-malaia. Os recifes de coral estão na lista de ecorregiões Global 200 da World Wide Fund for Nature. Os recifes são ameaçados pela sedimentação e eutrofização, resultantes da agricultura e da pesca. Após amostras recolhidas na Ilha Kume em 2024, uma nova espécie de ascídio foi descrita, a Clavelina ossipandae, popularmente conhecida como "esqueleto-panda esguicho". Mamíferos endêmicos às ilhas incluem o coelho-de-Amami, a raposa voadora de Ryukyu, o Diplothrix legata, o musaranho de Ryukyu e o gato-de-iriomote.

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Fontes consultadas

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