Ação Revolucionária Armada
A Ação Revolucionária Armada (ARA) foi o braço armado do Partido Comunista Português (PCP), como organização semiautónoma que esteve em atividade de 1970 a 1973, sob a ditadura do Estado Novo então liderada por Marcello Caetano. Destacaram-se pelas ações de luta contra a repressão, contra a guerra colonial, e contra o imperialismo.
Uso da violência
Na reunião do Comité Central do PCP que decorreu em dezembro de 1962, é discutida pela primeira a questão do uso da violência como ação de autodefesa, e como relacionar esta com as ações de massas. A posição tomada nesta reunião seria remarcada nas reuniões posteriores: "a eventual organização de ações de tipo especial é tarefa a levar a cabo por organismos especiais que embora actuando em conjugação com as ações e manifestações de massas e com o objetivo de as estimular, devem desenvolver a sua ação de modo inteiramente independente da ação das próprias massas. Isto é, a atuação dos organismos ou grupos para ações especiais não poderá nunca confundir-se, mesmo aos olhos das forças repressivas, com a ação e manifestações de massas"
Questões ideológicas
O PCP reconhecia o uso da ajuda das "ações especiais" sempre "como aprofundamento e intensificação do movimento político e social". Álvaro Cunhal definia o "radicalismo pequeno-burguês" como o "principal desvio ideológico que poderia afetar o partido": "Hoje, o radicalismo pequeno-burguês, o revolucionarismo verbal, só insiste numa coisa: na ação direta imediata, na ação violenta imediata, na luta armada imediata. Há pessoas que assim falam e ficam doentes quando ouvem falar da luta de massas e de organização. (...) Esta tendência anarquista é sobretudo prejudicial pela orientação que pretende imprimir à luta democrática. Causa enormes prejuízos, na medida em que influi as forças democráticas a afastarem-se das suas tarefas essenciais, instantes, imediatas, sem realizar as quais nunca poderão vir a lançar uma insurreição vitoriosa: as lutas de massas e a organização"
Em 1968 chegaram a Portugal os que posteriormente entrariam na Ação Revolucionária Armada (ARA) Francisco Miguel e Almendra, cujo pseudónimo e o facto de ter chegado casado com uma francesa são as únicas informações conhecidas a seu respeito. De 1968 a 1970, as "ações especiais" reuniram aproximadamente 42 operativos, estando relativamente estáveis, aptas para executar as ações já planeadas e com o paiol seguro. Neste período, a sua atividade foi de logística e reconhecimento. Em julho de 1970, o membro do Comité Central do PCP Jaime Serra é indicado para dirigir a ARA, e Joaquim Gomes passa a ser o elo entre o Partido e a ARA. Era incumbência do Comando Central escolher os alvos, preparar e executar missões, e supervisionar os operacionais da organização. Assim, tendo a ARA uma estrutura autónoma do PCP, respondia diretamente à Comissão Executiva, de onde recebia o seu financiamento, material e operacionais. Era uma organização semiautónoma. Havia uma dificuldade em recrutar operacionais visto que o Partido mantinha o organismo como "ultraclandestino", tendo só alguns dirigentes conhecimento da sua existência. Raimundo diz que, sobre a recrutação de quadros e operacionais:
Formação das "ações especiais"
O PCP decidiu começar o processo de formação de uma nova organização, focada em "ações especiais", declarando que: "O agravamento da crise do regime fascista, o desenvolvimento da luta política de massas, a radicalização destas, a brutalidade do aparelho repressivo e a evolução da guerra colonial, colocam ao Partido uma tarefa nova: a tarefa de organizar ações de autodefesa das massas, ações que visem atingir mais diretamente o aparelho militar da guerra colonial, que criem dificuldades ao aparelho repressivo, que dificultem a propaganda fascista e deem novos aspetos à agitação e propaganda antifascista. A execução de tais ações não pode ser deixada à espontaneidade. Tem de ser encarada no terreno prático."
Fornecedores
O tenente paraquedista Cassiano Bessa, um oficial ligado ao PCP, principal fornecedor de quaisquer materiais que conseguisse desviar dos quartéis, é denunciado, mas consegue fugir do país antes de ser preso. Esta foi uma "baixa importante" para as "ações especiais". A maioria do equipamento usado pelas "ações especiais" e da posterior Ação Revolucionária Armada, como armamento e material explosivo, tinham origem no exército português, sendo ou desviado por militantes, simpatizantes, ou militares que eram contra a guerra. Em 1967, o trabalho dentro das Forças Armadas intensifica-se em Portugal e nas colónias. O boletim IRFA – Informação Revolucionária para as Forças Armadas começou a ser publicado. Esta organização do PCP nas Forças Armadas durou até à revolução de 25 de abril de 1974, e segundo Carlos Brito, "esta estrutura partidária revelou-se de grande importância, pois foi através dela que o PCP pôde acompanhar de muito perto o movimento dos capitães, depois MFA (Movimento das Forças Armadas), desde o início e na sua evolução".
Tentativa de ataque
Passados cinco meses, através do recrutamento de Rogério de Carvalho e Raimundo Narciso, assim como do Partido Comunista Português, as "ações especiais" já tinha quadros preparados para começar a sua atuação, assim como instalações para guardar o equipamento, nomeadamente uma vivenda com função de paiol em Mafra, uma garagem alugada, e três arrecadações em Lisboa. Também possuía armas e explosivos de alta potência, provenientes de militares com ligações ao Partido Comunista Português, e uma série de possíveis alvos. O primeiro alvo eram as instalações da NATO, perto de Rio de Mouro, com o objetivo de causar um impacto inocultável e que forçasse o regime a admitir haver oposição, tanto a si, tanto à guerra colonial. Antunes (pseudónimo), operário metalúrgico de uma fábrica de material bélico, era o incumbente por colocá-la junto às instalações da NATO. Narciso esperava a algumas centenas de metros num carro de fuga, no entanto, Antunes não regressa e fica desaparecido, deixando de haver conhecimento sobre si e a bomba, o que levou ao fracasso desta primeira ação.
Prisões de 1965
A outubro de 1965, ocorreu uma vaga de prisões por parte da Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) que causou sobressalto nos operacionais, sendo detidos vários militantes do PCP, alguns oficiais milicianos e dois funcionários do comando dirigente da ARA, Rogério de Carvalho e Álvaro Veiga de Oliveira. Nesta vaga de repressão, foram confiscadas a garagem, as duas arrecadações e algumas armas. Apesar disto, continuou sob a posse da ARA a vivenda em Mafra e o material aí guardado, porque só Rogério tinha conhecimento desta, e Narciso tinha a certeza que não falaria com a polícia. Após a vaga repressiva, tomaram-se várias medidas para salvaguardar a organização e os seus operacionais — cuja única ligação ao PCP era feita através de Rogério, agora preso. Segundo Raimundo Narciso, as tentativas de voltar a contactar o Partido em Lisboa foram feitas "com o máximo de cuidado para não abordar ninguém que estivesse a ser vigiado pela PIDE e, por outro lado, tivesse suficiente confiança em nós para não tomar a minha estranha diligência por alguma cilada da polícia política". No entanto, recontactar a direção aparentava ser impossível, levando à suspensão das "ações especiais" até que a ligação à direção se realizasse, ficando assim isolada e com poucos operacionais. Os novos recrutamentos permitiram manter a atividade e cobrir as despesas. Em agosto de 1966 é restabelecida a ligação com a direção do PCP, que acreditava que Narciso havia abandonado a clandestinidade e a luta, feita através de Ângelo Veloso, que passa a ser o intermediário entre o PCP e as "ações especiais".
Contacto com o foquismo
O grupo de quatro militantes que haviam sido enviados para Cuba rompem com o PCP e decidiram criar o grupo de guerrilha FAL (Forças Armadas de Libertação), que durou até 1969, quando um dos comandos foi preso. Anteriormente, após acabarem o curso, reuniram-se em Praga com Álvaro Cunhal e Manuel Rodrigues da Silva, ambos membros do Secretariado, e Carlos Brito. De acordo com Carlos Brito, "foi uma reunião difícil. Os camaradas vinham noutra onda. Conquistados pela linha cubana, não queriam nada "ações especiais" complementares da luta política de massas e principalmente dirigidas contra o aparelho da guerra colonial". Nesta reunião, Álvaro Cunhal aceita discutir com o grupo a estratégia do "foco guerrilheiro" (foquismo), onde procurou "demonstrar-lhes ser impossível adaptar esta teoria à realidade portuguesa e que a linha definida pelo partido era a mais viável". Após a reunião, apesar de estes afirmarem estarem disponíveis para seguir o Partido, Cunhal acredita ser um "gravíssimo risco abrir uma frente de trabalho tão melindrosa com camaradas que têm convicções tão arreigadas contrárias à linha do Partido", e crê que o grupo continuará a procurar aplicar o foquismo em Portugal. Na reunião do Secretariado sobre o grupo, Cunhal defende que os futuros operacionais da Ação Revolucionária Armada deveriam passar a fazer o seu treino militar na União Soviética. Apesar dos esforços da direção em chegar a um acordo, o grupo concorda apenas em sair do PCP discretamente.
Restruturação das "ações especiais"
Quando Narciso regressa de Moscovo em junho de 1967 depara-se com uma organização desorganizada, fraca, e desarticulada. Ele e Ângelo Veloso tiveram a incumbência de reestruturar as "ações especiais". Os dois dirigentes alugaram duas arrecadações em Lisboa, uma garagem na Amadora e uma vivenda perto de Sintra para armazenar material bélico, entre outros, e a sua localização era apenas do conhecimento dos dois. Em 1968 compraram uma quinta a nordeste de Torres Vedras para servir de paiol central, e continuaria assim até à revolução de 25 de abril de 1974. Para salvaguardar o local da polícia, foram indicados um casal de funcionários clandestinos do PCP, que, rotulando-se caseiros de um proprietário que só ia lá poucas vezes, conseguiram baixar quaisquer suspeitas. Foi enviado um grupo de militantes para Moscovo, de modo a receber treino militar e serem ulteriormente integrados nas "ações especiais". Estiveram três militantes do PCP neste curso. Faziam parte deste grupo Francisco Miguel Duarte, outro indivíduo sob o pseudónimo de Almendra, e um terceiro cuja única informação que se sabe é que, segundo Almendra, era operário. Naquela altura, Almendra era um estudante membro do Comité Central do PCP exilado em Paris. Neste curso, aprenderam ações de sabotagem de navios, manejo de armas, fabrico e utilização de bombas, granadas e coquetéis molotov e estratégia militar, entre outros. Segundo Almendra, era necessária uma grande preparação e capacidade física e psicológica.
A 12 de janeiro de 1972, a ARA realiza uma ação de destruição de material de guerra sofisticado e novo, vindo de França, que seguia para a guerra colonial no navio Muxima. Obtiveram informação sobre a logística do navio através de um ex-oficial milicano, comandante da marinha mercante. António Pedro Ferreira e Raimundo Narciso formularam um plano, cujo objetivo seria colocar uma mala com explosivos no porão, entregue por um despachante oficial da alfândega. António Pedro Ferreira, com a sua experiência sobre a Direção do Serviço de Transportes, seria capaz de controlar o rumo da bagagem sem estar diretamente envolvido. Na reunião do Comité Central (Raimundo Narciso e Francisco Miguel), foram escolhidos três operacionais: Manuel Guerreiro, Manuel Policarpo Guerreiro e Ramiro Morgado. Manuel dos Santos Guerreiro teve a responsabilidade de ir comprar um bilhete de ida para Luanda para comprovar na alfândega que o dono da bagagem ia viajar para uma das colónias. Uma semana depois, Manuel Guerreiro foi ao escritório do despachante oficial devido ao envio da mala para Luanda. A mala, levada para o cais numa camioneta alugada por Manuel Guerreiro, tinha lá dentro loiça, livros velhos, e, dentro de uma caixa de madeira, os explosivos. A bomba detona na madrugada de 12 de janeiro de 1972, causando uma destruição enorme no cais e nos armazéns.
Ataque ao Cunene
A primeira ação armada começou o seu planeamento e reconhecimento a agosto de 1970, e, passando um mês, definiu-se o alvo e terminou-se a formulação do plano, mas devido à clandestinidade Gabriel Pedro não pôde chegar a Portugal a tempo. Em outubro, chegam a Portugal o paquete Vera Cruz e o "mais moderno cargueiro das linhas de África", o Cunene. Gabriel Pedro navegaria com Carlos Coutinho até ao paquete Vera Cruz, sendo este último incumbente de instalar as cargas explosivas no barco. Após formularem o plano inicial, estudando principalmente a doca de Algés e arredores, os percursos e as horas dos encontros (obedecendo estritamente à compartimentação, não se cruzando uns com os outros). Gabriel Pedro, após estudar melhor o plano, entregou uma alteração, levando à reformulação total dos procedimentos. Gabriel Pedro tinha o papel mais fulcral da operação inteira — apossar-se de um barco a remos e remar com Carlos Coutinho até ao paquete Vera Cruz. Gabriel Pedro tinha 72 anos, sendo um conhecido "velho militante comunista", e passou vários anos encarcerado no campo de concentração do Tarrafal. Participaram na operação Raimundo Narciso, Francisco Miguel, Carlos Coutinho, Gabriel Pedro, António João Eusébio, Manuel Policarpo Guerreiro, e Victor d' Almeida d'Eça. Pouco antes da operação começar, foram movidas para um local de confiança em Alcântara as cargas explosivas que Raimundo Narciso e Francisco Miguel montaram no laboratório da ARA em Arruda dos Vinhos, com os relógios sincronizados para as 5 da manhã.
A "Tripla Ação"
Nas reuniões posteriores à ação do Cunene formularam-se novos alvos, sendo um deles a sede da PIDE/DGS. No entanto, esta ideia foi descartada, visto que o local era de muito complicado acesso e seria impossível colocar uma bomba que não causasse vítimas, por isso, propôs-se como alvo a Escola Técnica da PIDE, perto da Estrada de Benfica. Esta ação, capaz de atingir o regime e os seus aparelhos repressivos, passou a ser formulada junto de vários outros alvos. Para atingir o imperialismo, simbolizado pelos Estados Unidos da América como imperialismo americano, escolheu-se como alvo o Centro Cultural dos Estados Unidos, na Avenida Duque de Loulé. Por último, foi escolhido um alvo militar, escolhendo um navio que estava prestes a sair de Portugal com equipamento bélico — o Niassa. Na reunião foram constituídos os grupos e a forma como, e com o que atuar.
Operação "Águia Real"
Na madrugada de 8 de março de 1971, desenrolou-se uma das maiores ações da ARA — a sabotagem na base aérea de Tancos — que resultou na destruição de dezenas de aviões e helicópteros militares. Em agosto de 1970, Raimundo Narciso entrou em contacto com Ângelo de Sousa, um jovem cabo miliciano da Força Aérea, através de Jaime Serra. Ângelo de Sousa estava a cumprir o serviço militar obrigatório ingressado num curso de piloto Base Aérea n.º 3. Após este contacto, começou-se a cogitar sobre uma possível ação na base. Quinze dias depois, Ângelo encontra-se com Raimundo para propor uma ação de sabotagem — a explosão de vários aviões militares, com um engenho explosivo introduzido de madrugada por um comando da ARA.
Ação contra a reunião da NATO
A 3 de junho de 1971, reuniram-se em Lisboa vários ministros de países pertencentes à NATO assim como centenas de jornalistas internacionais que procuravam noticiar os eventos da reunião, muitos anos após a última, sendo o encontro anunciado faustosamente por Marcello Caetano. A ação da ARA nesta reunião tinha o objetivo de chamar a atenção da comunicação social internacional para a guerra colonial e a luta da oposição em Portugal. O irmão de Jaime Serra, Alberto Serra, era um técnico na central de telefones e telecomunicações em Lisboa. Conhecia todo o sistema de comunicações, fios e cabos subterrâneos, que eram o ponto crucial nas comunicações entre Portugal e o estrangeiro. O coordenado por Raimundo Narciso, o comando foi constituído por Carlos Coutinho, António Eusébio, e Alberto Serra.
Assalto ao paiol da pedreira
A 2 de outubro de 1971, uma pedreira em Loures é assaltada, com o desvio de material explosivo como alvo. Foi a única ação do tipo feita pela ARA, devido à pequena quantidade de explosivos que tinha na sua posse, devido ao aumento da segurança nos quartéis (dos quais material era desviado) devido ao aumento dos ataques contra o regime naquele ano. Após se tornar conhecimento do Comando Central que havia uma quantidade de material explosivo abundante num paiol localizado numa pedreira de Loures, começou-se a fazer missões de reconhecimento com Francisco Miguel, Raimundo Narciso, junto com a mulher e a filha, António Pedro Ferreira e Ramiro Morgado.
Ataque ao Comiberlant
Estava prevista a inauguração de novas instalações do Quartel-General da NATO em Oeiras a 29 de outubro de 1971. O Comando da NATO para a região Ibero-atlântica (Comiberlant) tinha como função ser um sistema de comunicações para todos os outros quartéis. Estas instalações eram tidas pela ARA como um ato de provocação e uma prova sobre a colaboração dos países pertencentes à NATO com a ditadura portuguesa e a guerra colonial, e, assim sendo, um ataque a este quartel teria um simbolismo fortíssimo. Para transportar os explosivos para dentro, era preciso passar junto à Casa do Guarda, sendo o reconhecimento do local feito por Raimundo Narciso e Victor Eça. Foram escolhidos para executar a operação Manuel dos Santos Guerreiro e Manuel Policarpo Guerreiro. Seria executada durante a madrugada, quando houvesse a hipótese dos guardas terem adormecido. Um dos comandos da ARA vivia perto do alvo e conhecia vários dos seus empregados, tendo muito conhecimento sobre o interior do edifício, o que contribuiu para o sucesso da operação segundo Jaime Serra. A escolha dos operacionais foi objeto de debate intenso entre Raimundo Narciso e Francisco Miguel, já que Carlos Coutinho, Ângelo de Sousa, Eusébio e Jaime Serra, uns dos seus operacionais com mais experiência, estavam em Moscovo a cursar preparação técnico-militar.
Após a revolução
Após a revolução de 25 de abril de 1974, a ARA foi dissolvida, e os seus operacionais voltaram à vida política normal. Segundo um operacional, "depois do 25 de abril, a ARA deixou de ser necessária, já não era legítima. Mesmo que as suas operações fossem justas, não tinham legitimidade na democracia que se estava a desenvolver.". Sobre o uso da letalidade, para os operacionais da ARA "as nossas ações não criariam vítimas e isso impediria o regime chamar-nos de terroristas. Eles nunca conseguiram dizer isso. E a população também conseguia fazer a distinção, já que ela não era atacada, e também não ficou confusa". Sobre os ataques das FP-25 nos anos 80, de acordo com uma reflexão de um operacional da ARA, "[...] mataram um homem em Sacavém. Esse homem era um canalha, que merecia morrer quinhentas vezes, mas essa operação nunca deveria ter acontecido porque desafiou... pela consciência colectiva que pôs em causa a natureza de uma esquerda que queria ser necessária, que queria ser justa, e ser ética.". Assim, apesar dos alvos serem legítimos, a violência política das FP-25 é vista como contraprodutiva para a luta geral.


