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José Artigas

José Gervasio Artigas foi um político, militar e estadista rioplatense que liderou a Revolução Oriental, atuou durante a Guerra da Independência das Províncias Unidas do Rio da Prata e se destacou por ser o arauto do federalismo no que hoje são Uruguai e Argentina. Recebeu os títulos de «Chefe dos Orientais» e «Protetor dos Povos Livres».

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/07/2026
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Biografia

Primeiros anos

José Gervasio Artigas nasceu em 19 de junho de 1764 em Montevidéu, que na época fazia parte do Vice-Reino do Peru, no Império Espanhol. Foi filho do militar Martín José Artigas Carrasco e de sua esposa Francisca Antonia Pasqual. O casal teve seis filhos, sendo José o terceiro, segundo uma certidão que consta no folio 209 do primeiro livro de batismos da Catedral de Montevidéu.[Nota 1] Seu avô, Juan Antonio Artigas Ordovás (natural da localidade aragonesa de La Puebla de Albortón) e sua avó Ignacia Xaviera Carrasco e Melo-Coutinho, foram dos primeiros povoadores da cidade. Seus avós migraram de Zaragoza, Tenerife (nas Ilhas Canárias) e Buenos Aires. Fazia parte de uma das famílias mais abastadas de Montevidéu: seu pai era proprietário de campos e foi o primeiro capitão de milícias, exercendo o cargo de oficial real.

De 1810 a 1820: a etapa revolucionária

Em 1808 Napoleão aproveitou as disputas pelo trono entre o rei Carlos IV da Espanha e seu filho, o futuro Fernando VII, para intervir no Império Espanhol e impor as abdicações de Baiona, pelas quais ambos renunciaram sucessivamente ao trono da Espanha em favor de José Bonaparte, após o que Fernando ficou cativo. Mas a intervenção da França desencadeou um levante popular conhecido como Guerra da Independência Espanhola (1808-1814) que trouxe incerteza sobre qual era a autoridade efetiva que governava a Espanha. Diante da ausência de uma autoridade certa na Metrópole e do cativeiro de Fernando VII, os povos da Hispanoamérica, sob a direção dos crioulos, começaram uma série de insurreições desconhecendo as autoridades coloniais. A primeira insurreição ocorreu em 25 de maio de 1809 na cidade de Chuquisaca, no virreinato do Rio da Prata, à qual se seguiram levantes em todo o continente para formar juntas de autogoverno, dando origem à Guerra de Independência Hispano-Americana.

De 1820 a 1850: exílio no Paraguai

Rodeado por todos os lados pelos lugar-tenentes de Francisco Ramírez e vendo sua causa definitivamente perdida, em 5 de setembro de 1820 José Artigas cruzou o rio Paraná rumo ao exílio no Paraguai, deixando para trás sua pátria e sua família. O ditador paraguaio José Gaspar Rodríguez de Francia lhe deu refúgio, mas cuidou para que não conservasse nenhuma influência política nem mantivesse correspondência com ninguém fora do Paraguai. Seu único acompanhante durante o resto de sua vida foi o Negro Ansina. Os paraguaios e guaranis missioneiros o chamaram Karay Guazú (‘grande senhor’), título que não só deram a Artigas, mas também a Rodríguez de Francia e Francisco Solano López. Por outra parte, o historiador Gonzalo Abella recolhe o apelido Oberavá Karay (senhor que resplandece), título com que os guaranis da zona de Curuguaty se referiam a Artigas.

Falecimento

Faleceu no Paraguai, na quinta Ybiray, em 23 de setembro de 1850, aos 86 anos de idade. No mesmo dia, uma carroça sem lona, arrastada por bois, levou seu cadáver desde seu rancho até o Cemitério da Recoleta, acompanhado de Benigno López, filho menor do presidente, os vizinhos Julián Ayala, Alejandro García e Ramón de la Paz Rodríguez e o fiel assistente Ansina. O padre simplesmente registra no livro de óbitos:

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Translado de seus restos ao Uruguai

Em 1855 durante a gestão do presidente Venancio Flores, os restos de José Artigas foram repatriados do Paraguai. Já em Montevidéu se mantiveram oito meses na Capitania do Porto e foram retirados em 20 de novembro de 1856 quando se lhes deu sepultura no Panteão Nacional do Cemitério Central com a solenidade correspondente aos serviços prestados a seu país, após se realizarem as exéquias fúnebres na Igreja Matriz. Segundo Joaquín Requena foram enterrados «sob a sombra do Sagrado Estandarte do divino libertador do gênero humano» e em sua lápide se lia a seguinte inscrição: Citação: «Artigas: fundador da nacionalidade oriental». Em 1859, enquanto se realizavam obras no Cemitério Central, os restos foram trasladados em forma temporária ao sepulcro familiar do parente de Artigas, o ex-presidente da república Gabriel Pereira. Em 24 de janeiro de 1864 os restos voltaram ao Cemitério Central e foram depositados na Rotunda do Cemitério Central, cuja construção havia finalizado no ano anterior.

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Perfil

José Artigas teve uma atuação destacada nas Guerras de independência hispano-americanas e no predomínio das ideias republicanas sobre as monárquicas. Lutou sucessivamente contra o Império Espanhol e o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves e contra os unitários das Províncias Unidas do Rio da Prata, tanto de Buenos Aires como de Montevidéu. Artigas era oriental, entendendo-se como tal o habitante da Banda Oriental das Províncias Unidas do Rio da Prata, que estava composta pelo que atualmente é o Uruguai e por parte do atual estado brasileiro do Rio Grande do Sul. De maneira direta, suas lutas se orientaram à conformação da Liga Federal, organizada estritamente sobre os princípios da república e do federalismo. À Liga Federal se uniram, além da Província Oriental, as províncias de Córdoba, Corrientes, Entre Rios, Santa Fé e os povos de Missões sob o controle de Andresito Guazurarí, todas elas parte atual da República Argentina, por então as Províncias Unidas do Rio da Prata.

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Legado

As raízes do ideário de José Artigas têm duas fontes principais. Artigas leu em sua adolescência livros que provinham da Europa e Estados Unidos, como Senso comum de Thomas Paine e O contrato social de Rousseau, entre outros de autores do Iluminismo. Foi educado numa escola católica de franciscanos, da qual se retirou para as estâncias de seu pai, que se localizava nas terras que ladeiam a Vila de Casupá. Na primeira etapa de sua vida não foi influenciado por ideias revolucionárias. Sua educação não foi muito ortodoxa embora tenha demonstrado brilhantismo em seu desempenho. Contam cronistas da época, que no tempo de seu Acampamento de Purificação, em que contava com três ou quatro secretários, ditava cartas simultaneamente aos quatro, com surpreendente lucidez, nas quais se ocupava desde a organização administrativa e política, passando por cartas diplomáticas e assuntos menores como restituições de bens a gente do povo, ou fixar pensões para viúvas e filhos de seus combatentes caídos em ação. De sua vinculação com a campanha adquiriu experiência para a revolução que depois levou a cabo.

Homenagens

Também se lhe dedicaram vários hinos, intitulados "Hino a Artigas". Em grande parte das principais cidades argentinas existem monumentos a Artigas ou ruas e até bairros (como "General Artigas", em Córdoba e, distante de tal bairro, o monumento a J. G. Artigas na entrada do Parque Sarmiento); em Santa Fé, capital da província homônima, se pode apreciar um monumento a Artigas na rotatória do cruzamento entre as avenidas Costanera e Javier de la Rosa; assim como também nas cidades entrerrianas se encontram monumentos que o comemoram, como em Concepción del Uruguay e Concórdia com praças e ruas com seu nome. Por decreto-lei 1255 de 1955 o governo argentino dispôs a construção de um monumento a Artigas na Praça República Oriental do Uruguai, no conspicuo bairro de La Recoleta. Foi construído pelo escultor José Luis Zorrilla de San Martín e pelo arquiteto Alejandro Bustillo, inaugurado em abril de 1973.

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Fontes consultadas

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