Aby Warburg
Abraham Moritz Warburg mais conhecido como Aby Warburg foi um historiador de arte alemão, célebre por seus estudos sobre o ressurgimento do paganismo no renascimento italiano.
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Amburghese di cuore, ebreo di sangue, d'anima Fiorentino (Hamburguês de coração, judeu de sangue, de alma florentina) (frase proferida por Warburg, relatada por Gertrud Bing) Seus familiares tinham ascendência judia e era composta de banqueiros. Por ser o filho mais velho, lhe competia a responsabilidade de dirigir os negócios da família, mas como não demonstrou grande interesse, seu irmão Max assumiu o encargo, assegurando antes sua estabilidade financeira necessária para se devotar à carreira acadêmica. Estudou em Bonn, Munique, Berlim e Estrasburgo, concentrando-se em arqueologia e em história, mas a medicina, psicologia e história de religião também lhe interessavam como objeto de estudo. Tratou em sua obra do problema da transição da iconografia antiga à cultura europeia moderna, "a volta da vida ao antigo", como ele mesmo dizia. Dedicou-se principalmente ao estudo do Renascimento italiano, e à comprovação da tese de que um paganismo de caráter dionisíaco havia renascido nesse período da história da arte. Sua tese de doutorado foi sobre duas pinturas de Sandro Botticelli, O Nascimento de Vênus e A Primavera.
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Suas obras completas remontam a vários volumes, mas seu projeto mais ambicioso, denominado Atlas Mnemosine, constitui-se em uma coleção de imagens com pouco ou nenhum texto. Seu pensamento foi influenciado por Friedrich Nietzsche, seus professores universitários Karl Lamprecht, Hermann Usener, além de Richard Semon (autor do conceito de engrama), Charles Darwin e Jacob Burckhardt. Por sua vez, Warburg influenciou a obra de Erwin Panofsky, Ernst Gombrich, Frances Yates, Edgar Wind, Ernst Cassirer, Walter Benjamin, Ernst Curtius, Carlo Ginzburg, Paolo Rossi, Georges Didi-Huberman, entre muitos outros. Hoje, a obra do historiador e filósofo Georges Didi-Huberman tem uma grande influência do pensamento warburguiano, mesclada às ideias de Jacques Lacan.
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Em 1909 começou a organizar a Biblioteca Warburg (futuro Instituto Warburg), primeiramente com a finalidade de ter sempre à mão a bibliografia necessária para os seus estudos, que abrangiam toda a civilização ocidental. Em 1914, começou a acolher outros estudiosos que o procuravam para consultar a coleção, e a tornou semi-pública, com publicação de duas revistas com artigos resultantes dos estudos ali realizados. Pretendeu abrir totalmente a Biblioteca, abrindo bolsas para estudantes ligados à futura instituição, mas a Primeira Guerra Mundial e sua internação em uma clínica neurológica entre 1918 e 1923 atrasaram a abertura da Biblioteca, realizada durante o período do seu tratamento por Fritz Saxl. Após seu restabelecimento e retomada das atividades, Warburg mandou construir um edifício planejado para abrigar exclusivamente a Biblioteca, com um espaço para aulas, construído na forma oval.
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O Bilderatlas Mnemosyne (Atlas de Imagens Mnemosine), em seu nome, homenageia a musa grega da memória, Mnemosine. Era o projeto mais ambicioso de Warburg, que pretendia estabelecer "cadeias de transporte de imagens", linhas de transmissão de características visuais através dos tempos, que carregariam consigo o pathos, emoções básicas engendradas no nascimento da civilização ocidental, nessas imagens. O projeto foi interrompido com a morte do historiador, mas, segundo seu biógrafo, E.H. Gombrich, o projeto estava destinado a ser inconcluso, devido à sua enorme ambição e abrangência temporal. "Mnemosyne", em grego, era a palavra gravada na entrada da Biblioteca Warburg, em Hamburgo. Atlas Mnemosyne foi desenvolvido com o objetivo de investigar a sobrevivência e a transformação de formas visuais ao longo da história. Um dos focos centrais de sua pesquisa foi a permanência de gestos, movimentos e expressões da Antiguidade pagã no Renascimento florentino dos séculos XV e XVI. Para Warburg, essas formas não desapareciam completamente, mas reapareciam em novos contextos históricos, culturais e simbólicos.
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O conceito de Nachleben, geralmente traduzido como “sobrevivência”, “pós-vida” ou “vida póstuma”, ocupa lugar central no pensamento de Aby Warburg. O termo designa a persistência de gestos, formas, símbolos e intensidades afetivas que atravessam o tempo nas imagens. Para Warburg, certas formas visuais não pertencem exclusivamente ao período histórico em que foram produzidas. Elas podem permanecer latentes na memória cultural e reaparecer em outros contextos, adquirindo novos sentidos. Essa sobrevivência não deve ser compreendida como continuidade linear, simples repetição de estilos ou imitação direta de modelos antigos. No caso da arte renascentista, Warburg investigou sobretudo a sobrevivência da Antiguidade pagã no Renascimento florentino dos séculos XV e XVI. Sua pesquisa sobre Botticelli, Ghirlandaio e outros artistas florentinos mostrou que motivos antigos não eram apenas copiados como repertório formal. Eles retornavam como forças expressivas, carregadas de energia psíquica e afetiva, ativadas pela memória cultural.
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Depois de sua morte, com a ascensão do nazismo ao poder na Alemanha, Fritz Saxl, jovem historiador de arte que havia levado a efeito a organização do Instituto desde 1913, conseguiu com o apoio do governo britânico, transportar os 60.000 volumes da biblioteca de Warburg até sua sede atual na Woburn Square em Londres. A partir dos anos oitenta, seu pensamento começou a ser revalorizado. Em 1993, o governo da cidade de Hamburgo fundou em sua homenagem um segundo Instituto Warburg, a Warburg Haus, situada no edifício construído especialmente pela família Warburg para abrigar a Biblioteca Warburg, na década de 1920, e que foi comprado pela prefeitura para instalação do instituto.


