Pesquisa · Mapa mental

Abuçaíde Otomão ibne Abi Alulá

Abuçaíde Otomão ibne Abi Alulá, conhecido também como Dom Usmém, foi um príncipe da dinastia merínida que tentou, sem sucesso, capturar o trono. Após a derrota, refugiou-se no Reino Nacérida de Granada, onde se tornou um influente comandante dos Voluntários da Fé, desempenhando um papel político crucial.

Fonte: Wikipédia (pt)Texto didático por IAAtualizado em 21/08/2026

Pontos-chave

  • Otomão pertencia aos Banu Abi Alulá, família merínida com histórico de rebeliões.
  • Liderou uma rebelião contra o sultão merínida Abu Iacube Iúçufe Anácer no Magrebe Ocidental em 1306.
  • Conquistou cidades como Arzila e Larache e derrotou exércitos merínidas durante sua revolta.
  • Foi derrotado por Abu Arrabi Solimão em 1309, buscando refúgio no Reino Nacérida de Granada.
  • Serviu como comandante dos Voluntários da Fé em Granada e foi fundamental na ascensão de Ismail I ao trono.
01

Vida e Trajetória

A vida de Otomão foi marcada por suas origens nobres, sua rebelião ambiciosa no Magrebe e seu posterior exílio e ascensão como figura militar e política no Reino Nacérida de Granada.

Origens e Primeiros Anos em Granada

Otomão fazia parte dos Banu Abi Alulá, uma família ligada à dinastia berbere merínida que governava o atual Marrocos. Muitos membros dessa família atuaram como governadores e funcionários. Contudo, durante o reinado do sultão Abu Iacube Iúçufe Anácer (1286–1307), vários membros dos Banu Abi Alulá, assim como de outros clãs merínidas dissidentes (Banu Idris e Banu Rau), buscaram refúgio em Granada a partir de 1286. Lá, eles e seus seguidores recebiam privilégios e eram alistados como 'Voluntários da Fé' para combater as invasões dos reinos cristãos de Aragão e Castela.

A Rebelião no Magrebe Ocidental

Em 1306, Otomão retornou ao Magrebe Ocidental (Marrocos) para liderar uma rebelião contra Abu Iacube, reivindicando o sultanato. Com o apoio dos nacéridas, que haviam tomado Ceuta em 1306, ele capturou a fortaleza de Aludã, transformando-a em sua base. Aproveitando que Abu Iacube estava focado na tentativa de capturar Tremecém, Otomão conseguiu tomar Arzila e Larache, derrotar um exército merínida liderado pelo filho de Abu Iacube, Abu Salim, e expandir seu domínio sobre grande parte da região dos gomaras. Em 1307, Alcácer-Quibir o reconheceu como sultão. Após a morte de Abu Iacube, seu sucessor Abu Tabite Amir (1307–1308) enfrentou várias revoltas, mas priorizou o combate a Otomão. O general Alhaçane ibne Amir ibne Abedalá Anaiabe não conseguiu subjugá-lo, e em junho de 1308, Otomão derrotou outro exército merínida sob Abdalaque ibne Otomão ibne Maomé e recapturou Alcácer-Quibir. Esses reveses forçaram Abu Tabite a liderar pessoalmente as tropas, capturando Aludã e Domna. No entanto, sua morte repentina em 1308 deu um fôlego a Otomão. Foi o novo sultão merínida, Abu Arrabi Solimão (1308–1310), quem finalmente o derrotou em Aladã em 1309, forçando Otomão a abandonar o Norte da África e buscar refúgio no Reino Nacérida.

Retorno ao Serviço Nacérida

Assim que chegou a Granada, Otomão foi enviado para auxiliar a cidade portuária de Almeria, que estava sob cerco de Jaime II de Aragão. Durante o cerco, ele se destacou não apenas por suas vitórias em confrontos com os cristãos, mas também por sua habilidade diplomática nas negociações que levaram ao fim do cerco. Em 1314, como comandante da guarnição norte-africana em Málaga, Otomão desempenhou um papel crucial na derrubada do sultão Nácer (1309–1314). A promessa de apoio de suas tropas foi o impulso decisivo para a conspiração que elevou Ismail I (1314–1325) ao trono. Por razões desconhecidas, Nácer havia se tornado cada vez mais impopular e foi destronado em 8 de fevereiro de 1314, mas teve permissão para se retirar para Guadix como seu governador. Embora o apoio de Otomão tenha sido vital para a ascensão de Ismail I, nem todas as tropas norte-africanas o seguiram: os príncipes zenetas Abdalaque ibne Otomão e Hamu ibne Abdalaque, com seus homens, permaneceram leais a Nácer e o acompanharam até Guadix.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando