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Abuçaíde Otomão ibne Abi Alulá

Abuçaíde Otomão ibne Abi Alulá, conhecido também como Dom Usmém, foi um príncipe merínida que liderou uma rebelião fracassada pelo trono. Após a derrota, refugiou-se no Reino Nacérida de Granada, onde se tornou um influente comandante dos Voluntários da Fé e uma figura política proeminente.

Fonte: Wikipédia (pt)Texto didático por IAAtualizado em 21/08/2026

Pontos-chave

  • Otomão pertencia aos Banu Abi Alulá, família merínida com histórico de rebeliões.
  • Ele liderou uma rebelião contra o sultão Abu Iacube no Magrebe Ocidental, com apoio nacérida.
  • Apesar de vitórias iniciais, Otomão foi derrotado e forçado a fugir para Granada em 1309.
  • Em Granada, serviu como comandante dos Voluntários da Fé, destacando-se militar e diplomaticamente.
  • Seu apoio foi crucial para a ascensão de Ismail I ao trono nacérida em 1314.
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Vida e Carreira

A trajetória de Otomão abrange suas origens familiares, a tentativa de tomar o poder no Magrebe e seu posterior refúgio e ascensão no Reino Nacérida de Granada.

Origens e Início em Granada

Otomão era dos Banu Abi Alulá, uma família ligada à dinastia merínida do Marrocos, com muitos membros em cargos administrativos. Contudo, durante o reinado de Abu Iacube Iúçufe Anácer (1286–1307), vários membros dessa família se revoltaram. Assim como os clãs Banu Idris e Banu Rau, dissidentes dos Banu Abi Alulá buscaram refúgio no Reino Nacérida de Granada a partir de 1286. Lá, eles e seus seguidores recebiam privilégios e eram alistados como 'Voluntários da Fé' para combater os reinos cristãos de Aragão e Castela.

Rebelião no Magrebe Ocidental

Em 1306, Otomão retornou ao Magrebe Ocidental (Marrocos) para liderar uma rebelião contra Abu Iacube, reivindicando o sultanato. Com o apoio dos nacéridas, que haviam tomado Ceuta em 1306, ele capturou a fortaleza de Aludã, transformando-a em sua base. Aproveitando a distração de Abu Iacube com Tremecém, Otomão tomou Arzila e Larache, derrotou um exército merínida liderado por Abu Salim e expandiu seu domínio sobre a região dos gomaras. Em 1307, Alcácer-Quibir o reconheceu como sultão. Após a morte de Abu Iacube, seu sucessor Abu Tabite Amir (1307–1308) concentrou esforços contra Otomão, mas o general Alhaçane ibne Amir ibne Abedalá Anaiabe não conseguiu subjugá-lo. Em junho de 1308, Otomão derrotou outro exército merínida e recapturou Alcácer-Quibir. Abu Tabite então entrou em campo pessoalmente, capturando Aludã e Domna, mas sua morte súbita em 1308 deu um respiro a Otomão. Foi o novo sultão merínida, Abu Arrabi Solimão (1308–1310), quem finalmente o derrotou em Aladã em 1309, forçando-o a fugir para o Reino Nacérida.

Retorno ao Serviço Nacérida

Assim que chegou a Granada, Otomão foi enviado para auxiliar Almeria, que estava sob cerco de Jaime II de Aragão. Durante o cerco, ele se destacou não só por suas vitórias militares contra os cristãos, mas também por sua habilidade diplomática nas negociações que encerraram o conflito. Em 1314, como comandante da guarnição norte-africana em Málaga, Otomão teve um papel crucial na deposição do sultão Nácer (1309–1314). A promessa de apoio de suas tropas deu o impulso decisivo à conspiração que elevou Ismail I (1314–1325) ao trono. Nácer, que se tornara impopular, foi destronado em 8 de fevereiro de 1314, mas pôde se retirar para Guadix como governador. Embora o apoio de Otomão tenha sido vital para Ismail I, nem todas as tropas norte-africanas o seguiram; os príncipes zenetas Abdalaque ibne Otomão e Hamu ibne Abdalaque, com seus homens, permaneceram leais a Nácer e o acompanharam a Guadix.

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