Bacritas
Os bacritas ou Banu Becre ibne Uail foram uma tribo árabe que pertenceu ao grupo dos rebiaítas, um ramo dos adenanitas.
Os bacritas eram aparentados aos abuceus e pertenciam ao agrupamento tribal maior dos rebiaítas. De acordo com os genealogistas árabes medievais, seu ancestral, Becre ibne Uail, descendia de Adenã. Seus filhos Ali, Iascur e Badane, deram origem aos ramos da tribo. Na genealogia tribal, seu lugar está três níveis abaixo dos abuceus. Os talabaítas (Thaʿlaba), filhos de Oqueba (ʿUkba), devem ser considerados como parte deles. A Crônica de Zuquenim (§ 57) menciona-os no ano 503 como a tribo líder do Reino de Quinda da Arábia do Norte, e pouco depois eles aparecem numa inscrição sul-arábica. Na genealogia dos bacritas, os talabaítas se encontram no mesmo plano que as tribos ijelitas e hanifaítas, com os iascuritas três graus acima deles. Os talabaítas estavam subdivididos em: xaibanitas, dulitas (Dhuḥl), taimalatitas (Taym al-Lat) e caicitas (Qays).
Período pré-islâmico
Os bacritas habitavam a região de Iamama. Naquele tempo, esta compreendia: Uádi Hanifa (antiga Alirde), seus afluentes Lua (Xaibe Ha), Nissa e Assulai, o distrito de Alcarje, ao sul, e o distrito de Aluitre, com seus afluentes, ao norte do divisor de águas. Hajar, capital de Iamama (perto da atual Riade), estava originalmente sob os hanifaítas. Mais tarde, membros de outras tribos bacritas instalaram-se ali. A segunda maior cidade, Jau (depois Alquidrima), ao sudeste de Hajar, era igualmente habitada em grande parte pelos hanifaítas, que possuíam os oásis Currã e Malame, além do divisor de águas. Colonizações dos hanifaítas podiam ser encontradas mais ao noroeste, nas regiões de Aluasme e Assudair. Os dulitas viviam em (Cariate Bani) Sadus, nomeada por um de seus sub-ramos, num vale que corre para o Uitre. Os caicitas viviam, entre outros lugares, em Manfua, ao sul de Riade. Há também evidências de aldeias dos iascuritas, ijelitas e xaibanitas. Jau e Hajar eram locais de uma cultura antiga, associada nas lendas e épicos posteriores às tribos desaparecidas dos tasmitas e jadicitas. Existiam bétilos (obeliscos cultuais) em Hajar nos primórdios islâmicos, mas em Jau haviam sido destruídos durante uma incursão de um membro da dinastia sul-arábica de Haçane (Alaxa, nº 13, 16-21). Tâmaras eram cultivadas em todos os oásis, mas nos vales do Irde e de Alcarje também se cultivavam cereais. Em anos bons, enviavam trigo para Meca, mas em anos ruins nem havia o suficiente para consumo próprio (Alaxa, nº 19, 24; 23, 22-23; Ibne Hixame, 997s.). Como as aldeias bacritas eram próximas umas das outras, às vezes eclodiam guerras internas, durante as quais os palmeirais eram incendiados (Alaxa nº 15, 56-57; 38, 9-11; Iacute, Almuarraca, abaixo de Sadus). Alguns bacritas escaparam dessa situação tornando-se mercenários (Auce ibne Hajar, ed. Geyer, nº 14; Mufaḍḍaliyyāt, ed. Lyall, nº 119).
Período islâmico
O cristianismo foi adotado por alguns dos bacritas tanto no norte quanto no sul, especialmente entre os ijelitas e, dentro dos xaibanitas, pelos Du Aljadaine. Alaxa e Hauda ibne Ali também professavam essa fé. A adesão de Iamama à pregação do alegado profeta Muçailima mostra que o cristianismo não se firmara na região, ao passo que a situação no norte era bem diferente: o caso do antigo líder dos gazus, Abejar ibne Diabir, que morreu cristão em Cufa em 641, não aparenta ser o único entre os ijelitas. O paganismo — tema de uma passagem em Anre ibne Canla, nº 2, vv. 9–15 — é raramente mencionado pelos poetas posteriores, a menos que se conte Alaxa, nº 39, v. 47. Sabe-se entretanto, que os bacritas veneravam os ídolos de Zulcabaine, Ual e Almuarraque. Particularmente Almuarraque, que era cultuado em Salmã (Iacute iv, verbete Mu‘arrik), não aparece no Kitāb al-Aṣnām de Ibne Alcalbi. Maomé tentou se corresponder com Hauda ibne Ali mesmo antes da Conquista de Meca (630), mas sua mensagem foi recebida de forma fria e altiva. Em Hajar, o líder que o sucedeu foi Muçailima. Tumama ibne Utal, conhecido na sīra (biografia do profeta) e no episódio das Guerras Rida, não figura na genealogia de Ibne Alcalbi, que, neste ponto, se apoia em uma autoridade bacrita.


