Adude Adaulá
Fana (Paná) Cosroes, mais conhecido por seu lacabe de Adude Adaulá foi um emir da dinastia buída, governando de 949 a 983, e em seu auge de poder governando um império que se estendia de Macrão ao Iêmem e às margens do mar Mediterrâneo. É amplamente considerado o maior monarca da dinastia e, no final de seu reinado, era o governante mais poderoso do Oriente Médio.
Reinado
Fana Cosroes nasceu em Ispaã em 24 de setembro de 936. Era filho de Ruquém Adaulá, que era irmão de Imade Adaulá e Muize Adaulá. De acordo com ibne Isfandiar, a mãe de Fana Cosroes era filha do nobre dailamita firuzânida Haçane ibne Alfairuzã, que era primo do proeminente líder militar dailamita Macã ibne Caqui. Em 948, foi escolhido por seu tio Imade Adaulá como seu sucessor porque não tinha herdeiro. Imade Adaulá morreu em dezembro de 949, e assim Fana Cosroes se tornou o novo governante de Fars. No entanto, esta nomeação não foi aceita por um grupo de oficiais dailamitas, que logo se rebelaram contra ele. Ruquém Adaulá partiu rapidamente para o sul do Irã para salvar seu filho, e foi acompanhado pelo vizir de Muize Adaulá para o mesmo propósito. Juntos, derrotaram os rebeldes e colocaram Fana Cosroes no trono em Xiraz. Fana Cosroes então solicitou o título de "Taje Adaulá" (Coroa do estado) do califa abássida. No entanto, para Muize Adaulá, o título de "Taje" ("coroa") implicava que ele era o governante superior do Império Buída, provocando uma reação dele, e fazendo-o recusar o pedido. Um título mais adequado ("Adude Adaulá", "Pilar da dinastia [Abássida]") foi escolhido. Adude Adaulá tinha apenas treze anos quando foi coroado como governante de Fars e foi educado lá por seu tutor Abu Alfadle ibne Amide.
Adude Adaulá manteve sua corte em Xiraz e sob seu comando o Império Buída floresceu. Suas políticas eram liberais, então não houve tumultos. Embelezou Baguedade com vários edifícios públicos, incluindo o famoso Hospital Aladudi. Era o maior hospital da época e foi destruído durante as conquistas mongóis. Muitas figuras proeminentes trabalharam no hospital, como Hali Abas e ibne Marzubã. Visitava Baguedade frequentemente e mantinha alguns de seus vizires lá, um deles sendo um cristão chamado Nácer bne Harune. Além disso, tinha vários estadistas zoroastristas que o serviam, como Abu Sal Saíde ibne Fadle Almajuci, que serviu como seu representante em Baguedade antes de sua conquista do Iraque; Abu Alfaraje Mançor ibne Sal Almujaci, que serviu como seu ministro financeiro; e Barã ibne Ardaxir Almujaci. Adude Adaulá parece ter respeitado muito sua religião. Adude Adaulá também construiu caravançarais e represas. Xiraz se beneficiou particularmente desse trabalho: lá, construiu um palácio com trezentos e sessenta cômodos com torres eólicas avançadas para ar condicionado. A população de Xiraz havia aumentado tanto durante seu reinado que construiu uma cidade satélite nas proximidades para seu exército, chamada Carde-i Fana Cusrau ("feita por Fana Cosroes") — uma referência clara aos nomes que os sassânidas deram às suas fundações. Havia dois festivais anuais na cidade: o primeiro comemorava o dia em que os canos de água chegavam à cidade; o segundo, o aniversário da fundação da cidade. Ambas as celebrações foram instituídas por ele no modelo do feriado de Noruz, o Ano Novo iraniano. Todas essas atividades expandiram muito a economia de Fars, de modo que a renda tributária triplicou no século X. Suas contribuições para o enriquecimento de Fars fizeram dela uma região de relativa estabilidade e prosperidade para a cultura do Irã durante as invasões seljúcidas e mongóis.
Adude Adaulá, a fim de manter a paz, estabeleceu laços matrimoniais com vários governantes: sua filha foi casada com o califa abássida Altai (r. 974–991), enquanto outra foi casada com os samânidas e o governante ziárida Bisutum. O próprio Adude Adaulá teve várias esposas, que incluíam a filha de Bisutum; a filha de Manadar, um rei justânida; e a filha de Siaguil, um rei guilita. Dessas esposas, Adude Adaulá teve vários filhos: Abu Huceine Amade e Abu Tair Firusxá, da filha de Manadar; Abu Calijar Marzubã, da filha de Siaguil; e Xirdil Abu Alfauaris, de uma concubina turca. Adude Adaulá também teve um filho mais novo chamado Baa Adaulá. Abu Huceine Amade foi apoiado por sua mãe e seu tio, Fulade ibne Manadar, como herdeiro do Império Buída. No entanto, Abu Calijar Marzubã, por causa de sua descendência mais proeminente, foi nomeado herdeiro.
Adude Adaulá morreu em Baguedade em 26 de março de 983 e foi enterrado em Najafe. Seu filho Abu Calijar Marzubã, que estava em Baguedade na época de sua morte, primeiro manteve sua morte em segredo para garantir sua sucessão e evitar uma guerra civil. Quando tornou pública a morte de seu pai, recebeu o título de "Sansão Adaulá". No entanto, o outro filho de Adude Adaulá, Xirdil Abu Alfauaris, desafiou a autoridade de Sansão Adaulá, resultando numa guerra civil.
Adude Adaulá, como os governantes buídas anteriores, manteve os abássidas em Baguedade, o que deu legitimidade à sua dinastia aos olhos de alguns muçulmanos sunitas. No entanto, demonstrou mais interesse do que seus predecessores pela cultura pré-islâmica do Irã e estava orgulhoso de sua origem iraniana. Visitou Persépolis ao lado de Marasfande, o principal sacerdote zoroastrista (mobede) de Cazerum, que leu as inscrições pré-islâmicas na cidade para ele. Adude Adaulá mais tarde deixou uma inscrição na cidade, que fala sobre sua consciência de ser herdeiro de uma antiga civilização pré-islâmica. Até mesmo alegou descendência do xainxá sassânida Vararanes V (r. 420–438), cunhou moedas dele usando uma coroa do tipo sassânida, que carregava a inscrição sassânida tradicional "xainxá, que sua glória aumente". O reverso da moeda dizia: Que o Xá Fana Cosroes tenha vida longa. No entanto, ainda preferia autores árabes aos persas. Há muito pouca evidência de seu interesse pela poesia persa. Falava e escrevia em árabe e tinha orgulho de ser aluno de um famoso gramático árabe. Estudou ciências em árabe, incluindo astronomia e matemática. Muitos livros escritos em árabe foram dedicados a ele, sejam religiosos ou seculares. Aparentemente mostrando interesse em árabe em vez de persa, seguiu a corrente principal da vida intelectual em uma cidade provinciana onde a cultura era dominada por árabe e persa.


