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Absinto

O absinto é uma bebida destilada à base de anis e outras ervas, como funcho e Artemisia absinthium. Foi criado e utilizado primeiramente como remédio por Pierre Ordinaire, um médico francês que morava em Couvet, na Suíça, por volta de 1792.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 30/06/2026
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Etimologia

A palavra "absinto" deriva do termo latino absinthium, que por sua vez deriva do termo grego ἀψίνθιον, apsínthion. O uso da planta Artemisia absinthium numa bebida é atestada pela obra De rerum natura, de Lucrécio, que diz que uma bebida contendo a planta absinto é servida como remédio a uma criança, adoçada na borda com mel para a tornar palatável. Alguns argumentam que a palavra significa "imbebível" em grego, mas ela também pode estar ligada à raiz persa spand ou aspand, ou a variante esfand, que remete à planta Peganum harmala, também conhecida como "arruda síria", embora não seja realmente uma variedade de arruda, outra famosa planta amarga. A planta Artemisia absinthium era, usualmente, queimada como uma oferenda protetora, o que sugere que a origem da palavra pode estar na raiz protoindo-europeia *spend, que significa "realizar um ritual" ou "fazer uma oferta". Está pouco claro se a palavra foi um empréstimo do persa ao grego, ou se deriva de uma origem comum a ambas as línguas. Alternativamente, a palavra grega pode derivar de um substrato pré-grego, marcada pela consoante complexa não indo-europeia νθ (-nth).

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História

Imagem: Lelê Breveglieri · BY · Openverse

A origem precisa do absinto é pouco clara. O uso médico da planta homônima já existia no Egito antigo, e é mencionada no papiro Ebers (c. 1550 a.C.). Extratos da planta e folhas da planta embebidas em vinho eram usados como remédio pelos antigos gregos. Existe evidência de um vinho na Grécia antiga que era aromatizado com a planta e recebia o nome absinthites oinos. A primeira evidência de absinto, no sentido de bebida destilada contendo anis verde e funcho, data do século XVIII. De acordo com a lenda, começou como um remédio para tudo, patenteado pelo médico Pierre Ordinaire, que vivia na cidade de Couvet, na Suíça, por volta de 1792 (a data exata varia de acordo com o registro). A receita de Ordinaire foi passada para as irmãs Henriod, que a venderam como um elixir medicinal. Em outros registros, as irmãs Henriod já produziam a bebida antes de Ordinaire. Posteriormente, o major Dubied adquiriu a fórmula das irmãs em 1797 e abriu a primeira destilaria de absinto, chamada Dubied Père et Fils , em Couvet, com seu filho Marcellin e seu genro Henry-Louis Pernod. Em 1805, eles construíram uma segunda destilaria em Pontarlier, na França, sob o nome Maison Pernod Fils. A Pernod Fils se manteve como uma das mais populares marcas de absinto até a bebida ser proibida na França em 1914.

Crescimento do consumo

O consumo de absinto cresceu sem interrupções ao longo da década de 1840, quando foi fornecido aos soldados franceses como um preventivo para a malária, e os soldados trouxeram o hábito da bebida para seus lares. O absinto se tornou tão popular em bares, cafés e bistrôs na década de 1860 que a hora de cinco horas da tarde passou a ser chamada de "hora verde". Era consumido por todas as classes sociais, desde a rica burguesia até os artistas pobres e os trabalhadores. Na década de 1880, a produção em massa fez o preço cair abruptamente. Em 1910, os franceses estavam consumindo 36 000 000 de litros por ano. Em comparação, os franceses estavam consumindo 5 000 000 000 de litros de vinho por ano.

Banimentos

O absinto passou a ser associado a crimes violentos e desordem social. Um escritor atual defende que essa tendência era estimulada por denúncias fabricadas e campanhas de difamação, orquestradas pelo movimento da temperança e pela indústria do vinho. Um crítico disse: O absinto te enlouquece e te torna um criminoso, provoca epilepsia e tuberculose, e matou milhares de franceses. Ele torna o homem uma besta feroz, a mulher uma mártir, e a criança uma degenerada, desorganiza e arruína a família, e ameaça o futuro do país. A primeira grande obra de Édouard Manet, O bebedor de absinto, foi controversa, e foi rejeitada pelo salão de Paris em 1859.

Renascimento

Hoje, se sabe que os efeitos supostamente alucinógenos da bebida nunca foram comprovados, e o absinto é considerado perfeitamente normal para o consumo. Este fato levou muitos países a liberarem a produção, venda e consumo do absinto, como vários países da Europa, Estados Unidos e Brasil. A importadora britânica BBH Spirits começou a importar a marca Hill's Absinth da República Tcheca na década de 1990, pois o Reino Unido nunca havia formalmente banido a bebida. Isso iniciou um novo processo de popularização da bebida. De início, apenas nos países onde a bebida nunca havia sido banida. Na época, as marcas de absinto eram marcas recentes tchecas, portuguesas e espanholas, geralmente de estilo boêmio. Especialistas consideram que era um absinto de qualidade inferior, e não representativo do absinto do século XIX.

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Produção

A maioria dos países não tem uma definição legal do absinto, enquanto o método de produção e o conteúdo de bebidas destiladas como uísque, brandy e gim são globalmente definidos e regulados. Consequentemente, os produtores estão livres para fabricar a bebida sem qualquer padrão legal de qualidade. Os produtores de legítimo absinto empregam um entre dois processos historicamente definidos: destilação ou mistura fria. No único país (Suíça) que possui uma definição legal do absinto, a destilação é o único método permitido de produção.

Absinto destilado

Emprega um método de produção similar ao do gim de alta qualidade. Inicialmente, as ervas são maceradas em uma base de álcool destilado. Depois, ocorre nova destilação para extrair princípios amargos e transmitir a desejada complexidade e textura ao destilado. Inicialmente, a destilação do absinto fornece um destilado incolor que deixa o alambique a uma graduação aproximada de 72% ABV. O destilado pode ser reduzido e engarrafado, para produzir o absinto branco ou azul. Ou pode ser colorido, com corantes naturais ou artificiais, e produzir o absinto verde. Os absintos tradicionais obtêm sua cor verde a partir somente de clorofila de ervas integrais, que é extraída de plantas a partir de uma maceração secundária. Essas plantas podem ser, por exemplo, Artemisia pontica, Hyssopus officinalis e Melissa. O absinto também pode ser colorido naturalmente nas cores rosa ou vermelha usando flores de rosa ou hibisco. Somente está documentada, porém, uma marca de absinto rosa..

Ingredientes

Tradicionalmente, o absinto é preparado a partir da destilação de álcool neutro, ervas, temperos e água. Os absintos tradicionais são redestilados a partir de destilado de uva branca (eau de vie), enquanto absintos inferiores usam destilados de grãos, beterraba ou batata. As principais ervas utilizadas são Artemisia absinthium, anis verde e funcho, que são chamados frequentemente de "santíssima trindade". Muitas outras ervas também podem ser usadas, como Artemisia pontica, Hyssopus officinalis, erva-cidreira, Illicium verum, Angelica, hortelã-pimenta, coentro e Veronica. Uma antiga receita foi incluída no "Livro de cozinha inglês e australiano" (1864). Ela dizia:

Graduação alcoólica

Historicamente, o absinto era engarrafado a uma graduação alcoólica de 45–74% ABV. Algumas marcas atuais franco-suíças são engarrafadas a uma graduação de 83% ABV, enquanto algumas marcas atuais de absinto misturado a frio de estilo boêmio chegam a ser engarrafados a 90% ABV.

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Influência cultural

Imagem: .Krol. · BY-NC-SA · Openverse

Numerosos artistas e escritores que viveram na França nos séculos XIX e XX foram notáveis consumidores de absinto e incluíram a bebida em suas obras. Alguns deles incluem Édouard Manet, Guy de Maupassant, Paul Verlaine, Amedeo Modigliani, Edgar Degas, Henri de Toulouse-Lautrec, Vincent van Gogh, Oscar Wilde, Arthur Rimbaud e Émile Zola. Muitos outros artistas e escritores renomados também se inspiraram nesse contexto cultural, incluindo Aleister Crowley, Ernest Hemingway, Pablo Picasso, August Strindberg e Erik Satie. A aura de ilegalidade e mistério em torno do absinto tem influenciado a literatura, filmes, música e televisão, onde frequentemente é retratado como uma bebida misteriosa, viciante e alteradora da consciência. Wormwood: A Drama of Paris (1890) de Marie Corelli foi um romance popular sobre um francês levado ao assassinato e à ruína após ser apresentado ao absinto. Concebido como uma fábula moral sobre os perigos da bebida, especulou-se que tenha contribuído para as posteriores proibições do absinto na Europa e nos Estados Unidos. Algumas das primeiras referências cinematográficas incluem The Hasher's Delirium (1910) de Émile Cohl, um pioneiro inicial na arte da animação, bem como dois filmes mudos diferentes, ambos intitulados Absinthe, de 1913 e 1914, respectivamente.==Referências==

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Fontes consultadas

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