Edifício Acaiaca
O Edifício Acaiaca é um arranha-céu imponente de 30 andares, em estilo art déco, localizado no coração de Belo Horizonte, Minas Gerais. Com aproximadamente 120 metros de altura, ele se situa na Avenida Afonso Pena, 867, destacando-se como um marco arquitetônico e histórico da capital mineira.
Pontos-chave
- O Edifício Acaiaca é um arranha-céu art déco de 30 andares e 120m de altura, inaugurado em 1947 em Belo Horizonte.
- Foi brevemente o edifício mais alto do Brasil e abrigou o Cinema Acaiaca e a primeira TV de Minas Gerais, a TV Itacolomi.
- Seu projeto de Luiz Pinto Coelho, encomendado por Redelvim Andrade, inclui pilares em cogumelo e um abrigo antiaéreo da Segunda Guerra Mundial.
- O nome 'Acaiaca' remete a uma lenda indígena de Diamantina e ao cedro, simbolizando resiliência e origem.
- Atualmente, o edifício é um centro comercial movimentado, com mirante e abrigo antiaéreo abertos à visitação, e é tema de diversas obras culturais.
A trajetória do Edifício Acaiaca, desde sua concepção até se tornar um dos ícones de Belo Horizonte, marcada por inovações arquitetônicas e um papel central na vida urbana da cidade.
Planejamento e Construção
O Edifício Acaiaca foi erguido no centro de Belo Horizonte, na Avenida Afonso Pena, 867, próximo às ruas Espírito Santo e Tamoios, uma localização estratégica perto da área governamental, do Parque Municipal e do Santuário São José. O terreno, antes ocupado pela primeira igreja metodista da cidade, foi adquirido pelo empresário Redelvim Andrade, de Diamantina, que já havia construído o Edifício Randrade. Andrade, atuante no comércio de cristal de rocha, encarregou seu genro, Luiz Pinto Coelho, de projetar o edifício em 1943.
Inauguração e Destaque Inicial
Inaugurado em 1947, ano do cinquentenário de Belo Horizonte, o Edifício Acaiaca, com seus 30 andares e cerca de 120 metros de altura, destacou-se imponentemente na paisagem urbana. Por um curto período, foi o edifício mais alto do Brasil, superando o Edifício Martinelli em São Paulo, embora logo tenha sido ultrapassado pelo Edifício Altino Arantes (161m) na mesma cidade. Por décadas, manteve-se entre os mais altos de Minas Gerais, tornando-se um ponto de referência e oferecendo vistas panorâmicas da capital, mesmo com o surgimento de novas construções.
Usos e Ocupantes Posteriores
Após sua inauguração, o Acaiaca se tornou um vibrante centro de uso misto. Suas lojas abrigaram comércios de luxo e moda feminina, e o mezanino sediou uma casa noturna nos anos 1950. O famoso Cinema Acaiaca, com capacidade para 900 pessoas, operou na parte inferior até o final dos anos 1990, sendo posteriormente transformado em igreja evangélica. Nos andares superiores, o edifício marcou a história da radiodifusão mineira ao abrigar os estúdios da TV Itacolomi, a primeira emissora de televisão do estado, inaugurada em 8 de novembro de 1955. A emissora, do grupo Diários Associados, mudou-se e saiu do ar em 1980.
Detalhes sobre o projeto art déco do Edifício Acaiaca, sua estrutura inovadora, o simbolismo de seu nome e a curiosa inclusão de um abrigo antiaéreo.
Projeto e Estrutura
O Edifício Acaiaca é um exemplar notável do estilo art déco no centro de Belo Horizonte, projetado por Luiz Pinto Coelho em 1943 e inaugurado em 1947. Com 30 andares e cerca de 120 metros de altura, sua fachada maciça e perfil vertical o inserem no grupo de edifícios altos protomodernos da cidade, anteriores à predominância do vidro na arquitetura dos anos 1950 e 1960. Sua estrutura inovadora inclui pilares internos em forma de cogumelo, que permitem a remoção de paredes divisórias, criando grandes salões abertos e flexíveis. Os elevadores servem os 25 andares inferiores, enquanto os níveis superiores, que abrigam áreas de máquinas e do condomínio, são acessados por escadas.
Nome e Simbolismo da Fachada
O nome 'Acaiaca' conecta o edifício a uma lenda do antigo Arraial do Tejuco (atual Diamantina), região de origem do empresário Redelvim Andrade. A lenda narra a história de um casal que sobreviveu a um grande dilúvio subindo em um cedro sagrado, conhecido como Acaiaca, repovoando a Terra após as águas baixarem. O termo 'acaiacá' também é um nome popular para a árvore Cedrela fissilis, ou 'cedro-rosa', o que reforça a identificação da árvore da lenda como um cedro. Essa simbologia confere ao edifício uma conexão profunda com a cultura e a natureza mineira.
Abrigo Antiaéreo
O subsolo do Edifício Acaiaca abriga um abrigo antiaéreo, planejado durante a Segunda Guerra Mundial, quando o Brasil, em 1942, estabeleceu regras para a construção de proteções em edifícios de grande porte. Embora a guerra tenha terminado antes da inauguração do prédio em 1947, o abrigo foi construído e nunca utilizado para sua finalidade original. Posteriormente, serviu como área de carga e descarga. Em 2025, o espaço foi restaurado e aberto à visitação pública, revelando um anexo e duas 'celas' principais com capacidade para cerca de 80 pessoas, além de rotas de fuga e um túnel que leva ao exterior.
O Edifício Acaiaca mantém sua vitalidade como centro comercial, adaptando-se a novos tempos com espaços de eventos, mirante e a abertura de seu histórico abrigo antiaéreo à visitação pública.
O Edifício Acaiaca transcende sua função arquitetônica, tornando-se inspiração para livros, filmes e reportagens, consolidando-se como um símbolo cultural de Belo Horizonte.


