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Abreviador

Abreviadores, também chamados breviadores, era um corpo de escritores da Chancelaria papal, cuja atividade era a de delinear e preparar de forma adequada, as bulas, os breves apostólicos e os decretos consistoriais antes destes serem escritos in extenso pelos scriptores.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 02/07/2026
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Origem romana

Os abreviadores são aqueles que fazem um sumário ou resumo de um texto longo ou discurso através da redução da extensão das partes, ou seja, das palavras e frases; uma forma abreviada de escrita comum entre os romanos. As abreviaturas eram de dois tipos: uso de uma única letra para representar uma única palavra; uso de um sinal, nota ou marcar para representar uma palavra ou frase. O Imperador Justiniano proibiu o uso de abreviaturas na compilação do Digesto e depois estendeu sua proibição a todos os outros escritos. Esta proibição não foi universalmente obedecida. Os abreviadores escolhiam segundo suas próprias conveniências e interesses, quando utilizar a forma abreviada e, especialmente, era este o caso em Roma. Os primeiros cristãos praticavam a modalidade abreviada, sem dúvida alguma uma maneira fácil e segura de se comunicar com o outro, salvaguardando os seus segredos de inimigos e falsos irmãos.

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Abreviadores eclesiásticos

No decorrer do tempo a Chancelaria papal aprovou este modo de escrita como o "estilo da Cúria", ainda mais contraída omitindo os ditongos ae e oe, e do mesmo modo todas as linhas e marcas de pontuação. Os abreviadores eclesiásticos eram funcionários da Santa Sé, entre os titulares dos principais cargos da Chancelaria papal, que é um dos cargos mais antigos e importantes da Cúria Romana. O escopo do seu trabalho, bem como o número de seus funcionários, variou com o tempo. Até os séculos XII ou XIII, o dever dos apostólicos - ou Chancelaria romana era a de elaborar e expedir os breves apostólicos e mandados para a análise cuidadosa das dignidades da Igreja e outros assuntos de grande importância que foram discutidos e decididos no Consistório. Por volta dos séculos XIII ou XIV, os papas, então residindo em Avinhão, na França, começaram a se reservar a concessão de um grande número de benefícios, de modo que todos os benefícios, especialmente os maiores, deveriam ser conferidos através da Cúria Romana (Lega, Praelectiones Jur. Can., I, ii, 287). Como consequência, o trabalho foi imensamente aumentado, e o número de abreviadores necessariamente aumentou. Para regular a expedição adequada desses benefícios reservados, o Papa João XXII instituiu as regras da chancelaria para determinar a competência e modo de proceder da Chancelaria. Mais tarde, as criações da Dataria e do Secretariado dos Breves aliviaram o trabalho da Chancelaria e levou a uma redução no número de abreviadores.

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O Colégio de Prelados

No pontificado de Pio II, o número de abreviadores, que havia sido fixado em vinte e quatro, havia aumentado de tal forma a diminuir consideravelmente a remuneração individual e, como consequência, homens capazes e competentes não mais se candidatavam ao cargo, e, portanto, o velho estilo de escrita e a expedição de bulas já não era utilizado, para prejuízo grande da Justiça, das partes interessadas, e da dignidade da Santa Sé. Para remediar esta situação e restaurar o velho estilo criado pela chancelaria, o Papa selecionou setenta dos muito abreviadores existentes, e os formou em um colégio de prelados, e decretou que seus cargos eram perpétuos, que certas remunerações deveriam ser anexadas a ele, e garantiu-lhes certos privilégios concedidos. Ele ordenou ainda que alguns devessem ser chamados de "Abreviadores de nível superior" (Abbreviatores de Parco Majori; o nome derivava de um espaço na chancelaria, cercado por uma grade, onde os funcionários se sentavam, que é chamado de superior ou inferior (maior ou menor) de acordo com a proximidade dos assentos ao do vice-chanceler), os outros seriam chamados de "Abreviadores de nível inferior"(Abbreviatores de Parco Minori); os primeiros deveriam sentar-se em uma parte ligeiramente mais elevada da câmara, separados do restante da sala ou câmara por uma persiana, prestar assistência ao Cardeal vice-chanceler, assinar os breves e fazer a parte principal dos exames, revisões e expedições dos breves apostólicos a serem emitido com o selo de chumbo; já os abreviadores de nível inferior, no entanto, deviam sentar-se entre os escritores apostólicos, em bancos, na parte inferior da câmara, e seus deveres era o de levar as listas assinadas ou súplicas aos prelados no nível superior da câmara. Então, um dos prelados do nível superior fazia um resumo, e outro prelado do mesmo nível o revisava. Os prelados do nível superior formavam um quase-tribunal, no qual, como um colegiado, decidiam todas as dúvidas que pudessem surgir sobre a forma e a qualidade das cartas, cláusulas e decretos para serem juntadas aos breves apostólicos, e às vezes sobre o pagamento das remunerações e outras contingências. Suas opiniões sobre questões relativas aos negócios da chancelaria eram consideradas da mais alta importância por todos os tribunais romanos.

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Títulos e privilégios

No passado foram conferidos grandes privilégios aos abreviadores. Por decreto do Papa Leão X foram criados nobres papais, classificando como comes palatii (Conde Palatino), familiares e membros da casa pontifícia, de forma que eles pudessem desfrutar de todos os privilégios dos prelados domésticos e dos prelados no atendimento ao Papa, no que diz respeito à pluralidade de benefícios, bem como de expectativas. Eles e seus clérigos e suas propriedades eram isentos de qualquer jurisdição, exceto a jurisdição imediata do Papa, e eles não estavam sujeitos às decisões do auditor de causas, ou do cardeal vigário. Ele também deu-lhes poder para conferir (mais tarde, dentro de limites estritos) o grau de doutor, com todos os privilégios universitários, criar notários (posteriormente revogado), legitimar crianças de modo a torná-los elegíveis para receber benefícios deixados por seus pais (atualmente revogado), também para enobrecer três pessoas e fazer cavaleiros da Ordem de São Silvestre (Militiae Aureae), o mesmo para desfrutar e vestir a insígnia da nobreza. O Papa Gregório XVI rescindiu este privilégio e reservou ao Papa o direito de criação de tais cavaleiros (Acta Pont. Greg. XVI, Vol. III, 178-179-180).

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Supressão

O colégio foi suprimido em 1908 pelo Papa Pio X e suas funções foram transferidas para os protonotarii apostolici participantes. (Veja Cúria Romana)

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