Pesquisa · Mapa mental

Ámeda-Sion I

Ámeda-Sion, Amda Seyon I foi Imperador da Etiópia. Seu nome de trono era Gabra Masgal e era membro da dinastia salomónica. De acordo com o especialista britânico em Etiópia, Edward Ullendorff, "Ámeda-Sion foi um dos reis etíopes mais destacados de qualquer época e uma figura singular que dominava o Corno da África no século XIV". Suas conquistas sobre as fronteiras muçulmanas expandiram bastante o território etíope e seu poder na região, mantido por séculos após sua morte. Ámeda-Sion afirmou a força da dinastia Salomônica recém-instalada (1270) e, portanto, a legitimou.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
01

Reinado

Ámeda-Sion foi filho de Uidim-Reade (8º Negus da dinastia salomónica) e neto de Iecuno-Amelaque (fundador da dinastia). Ámeda-Sion substituiu seu pai como imperador em 1134. Os primeiros anos de seu reinado foi devotado a guerras contra os muçulmanos do sudoeste da Etiópia. Em torno de 1320 voltou sua atenção para o norte da Etiópia, particularmente para a região do Tigré para os arredores da antiga capital do Império de Axum, onde a reivindicação de sua dinastia de ser os sucessores legítimos dos reis salomônicos de Axum não havia sido aceita.

02

Exército

O exército de Ámeda-Sion foi notavelmente semelhante à organização do exército durante os tempos do antigo Império Axumita. Consistia de dois contingentes: a) o exército regular, era muito eficaz e estava intimamente ligada à corte real; b) um corpo de milícias regionais das principais províncias cristãs, que poderiam ser divididas em unidades menores, cada uma chefiada por um governante local. Embora essas unidades locais estivessem fora do controle direto de Ámeda-Sion e sim através de seus vassalos, estas milicias aumentaram em muito o poder das forças etíope até a conquista da Abissínia (Futuh al-Habash) por Amade ibne Ibraim Algazi no século XVI. O exército central era dividido em regimentos independentes, cada um com seu próprio nome especializado, como Queste-Nib' (Ferroada de Abelha), Harebe Gonda (ponta de lança), Técula (Chacal), Sauariana Asaiefett (espadachins) Sauariana Mambar (apoiadores do trono), Sauarjana Negedré (escudeiros), Sauarjana Uarmate Abiã (portadores de armas grandes). Os regimentos eram liderados por comandantes leais diretamente ligados a Ámeda-Sion. Seu próprio filho, Saífa Arade, comandava uma dessas divisões, assim como o cunhado de Ámeda-Sion.

03

Conquistas

Entre 1316 e 1317, o imperador Ámeda-Sion empreendeu suas primeiras campanhas contra o reino pagão de Damote e o Sultanato muçulmano de Hadia. A nota descreve sua conquista primeiro sobre Damote, cujo povo exilou para outra área, e depois Hadia, em 1316 que fez o mesmo. Embora seu controle inicial dessas regiões fosse mínimo, é evidente em 1329 (ou 1332) Hadia foi totalmente integrado, fornecendo tropas para suas campanhas de 1332 contra o Sultanato de Ifate. O rei de Hadia, Amano, se recusou a visitar o imperador e prestar sua homenagem, incentivada por um profeta das trevas muçulmano chamado Belam. De acordo com a Crônica do Imperador, Belam disse-lhe para se rebelar: Ámeda-Sion ficou furioso, invadiu Hadia matando muitas pessoas, além de prender Amano junto com muitos de seus súditos. Belam, no entanto, conseguiu escapar, fugindo para Ifate. Essas conquistas representaram um avanço significativo do objetivo final de Ámeda-Sion de controlar o comércio interno anteriormente controlado pelos muçulmanos em Ifate e mais a leste. A conquista de Hadia afetou profundamente o comércio de escravos e, consequentemente, prejudicou o comércio e a riqueza das províncias muçulmanas orientais. Pela primeira vez, a presença muçulmana na região foi ameaçada, o que mais tarde resultou em alianças entre as províncias muçulmanas (que freqüentemente se rebelavam) quando elas agiam anteriormente de forma mais independente uma da outra.

04

Campanhas do norte

Depois de suas campanhas de 1316/ 1317 no sul, Ámeda-Sion teve que se voltar para o norte para fortalecer seu controle sobre áreas que ganharam mais autonomia. A província de Enderta, no norte do Tigré, vinha afirmando cada vez mais sua independência desde a restauração salomônica sob Iecuno-Amelaque, em 1270. Durante essa época, o governador de Enderta era Ingida Iguezi, que foi sucedido por seu filho, Tesfane Iguezi. Tesfane tinha o maior poder entre as províncias do norte e detinha o título Hasgua e Acabé Sensem (um antigo título axumita) e ameaçava a linhagem que estava no poder que tinha como base a região de Amara. Em 1305, Tesfane se referia a Enderta como "seu reino", seu filho e sucessor, Iaibica Iguezi, nem sequer mencionou o Imperador em sua concessão de terras em 1318-1319. Iaibica se rebelou, sem sucesso convidando o governador de Tembiém para se juntar a ele. Ámeda-Sion respondeu rapidamente, matando o governador, dividindo os títulos e concedendo-os a diferentes indivíduos de origem humilde. Para consolidar seu controle na região, Ámeda-Sion estabeleceu uma colônia militar formada por tropas que não pertenciam a região em Amba Senaiata, o centro da rebelião, e nomeou sua rainha consorte que tinha sua origem na região, Bilém-Sabá, como governador de Enderta, juntamente com todo um escalão de funcionários abaixo dela.

05

Rebelião de Haquedim I

Por volta de 1320, o sultão Anácer Maomé do Sultanato Mameluco do Cairo começou a perseguir os coptas e a destruir suas igrejas. Ámeda-Sion enviou posteriormente uma missão ao Cairo em 1321-1322, ameaçando retaliar os muçulmanos em seu reino e desviar o curso do Nilo se o sultão não encerrasse sua perseguição. Como resultado da disputa e das ameaças, Haquedim, governador de Ifate, se aliou ao sultão e prendeu um membro da delegação enviada pelo imperador chamado Tintai ao voltar do Cairo. Haquedim tentou converter Tintai, matando-o quando isso falhou. Ámeda-Sion respondeu invadindo Ifate destruindo a capital da província e levando grande parte de sua riqueza. Ámeda-Sion continuou suas represálias por todas as suas províncias muçulmanas, pilhando Cuelgoré, Beculzar, Gidaié, Cubete, Fedsé Quedsé, Hargaie (as últimas cinca províncias ainda não identificadas) e Xoa, então habitada principalmente por muçulmanos da etnia Uerji, pegando gado, matando muitos habitantes, destruindo cidades e prisioneiros, que mais tarde foram assimilados.

06

Campanhas posteriores

Causas

As rebeliões nas províncias muçulmanas que ocorreram posteriormente surgiram pela ameaça de cristianização por parte de Ámeda-Sion, ampliada pela perda das grandes rotas comerciais nas campanhas anteriores. Esse desafio foi encorajado e talvez até instigado por líderes religiosos em Ifate e outras províncias muçulmanas. O "falso profeta" Belam que fugiu de Hadia durante as campanhas de 1316/1317 continuou a espalhar propaganda contra Ámeda-Sion a partir de Ifate, onde ele era um dos conselheiros de Sabredim (Sabredim), novo governador de Ifate após a queda de seu irmão Haquedim. Um segundo líder religioso é conhecido por ter fomentado problemas na região, especificamente em Adal e Mora. Chamado de Sale era descrito como sendo reverenciado e temido como Deus pelos reis e governantes da região. A crônica atribui culpa a Sale, afirmando que foi ele "quem reuniu as tropas, reis e governantes muçulmanos" contra o Imperador.

Primeira rebelião de Ifate

A rebelião de Sabredim não foi uma tentativa de alcançar a independência, mas de se tornar imperador de uma Etiópia muçulmana. A crônica real de Ámeda-Sion afirma que Sabredim proclamou: De fato, após sua primeira incursão, Sabredim nomeou governadores para províncias vizinhas, como Fetegar e Alamalé (parte dos "Gurage"), além de províncias ao norte, como Damote, Amara, Angote, Inderta, Begemder e Gojam. Ele também ameaçou plantar khat na capital, um estimulante usado pelos muçulmanos, mas proibido pelos cristãos ortodoxos etíopes. A rebelião de Sabredim, com seu apoio religioso e objetivos ambiciosos, foi vista como uma jihad, e não como uma tentativa de independência, e, consequentemente, foi imediatamente acompanhada pela província muçulmana vizinha de Deuaro (a primeira menção conhecida da província), sob o governador Haidera, e pela província ocidental de Hadia sob comando do governante vassalo local Ameno. Sabredim dividiu suas tropas em três partes, enviando uma divisão para o noroeste para atacar Amara, uma para o norte para atacar Angote e outra, sob seu comando pessoal, para o oeste para tomar Xoa

A Conquista de Adal e a segunda rebelião de Ifate

Após ter sufocado a rebelião de Ifate, as províncias muçulmanas vizinhas de Adal e Mora, ao norte, se levantaram contra o imperador. As tropas de Ámeda-Sion estavam esgotadas e desejavam voltar para suas casas, alegando que a estação das chuvas estava chegando. Ámeda-Sion recusou, afirmando que era o rei de todos os muçulmanos da Etiópia, e que iria vencer essa batalha ajuda de Deus. O novo governador de Ifate também pediu que ele voltasse, dando-lhe muitos presentes, afirmando que seu país estava arruinado e implorando que ele não "a devastasse novamente", para que seus habitantes pudessem se recuperar e trabalhar a terra para o Imperador. Ele prometeu a ele que, se deixasse, Ifate e seus habitantes serviriam ao Imperador com seu comércio e tributo e que ele e os muçulmanos da Etiópia eram os servos do Imperador, mas Ámeda-Sion rejeitou os apelos e partiu para a luta.

07

Últimas campanhas

Depois de terminar a campanha em Ifate, Ámeda-Sion levou seu exército para Guete, devastando essa cidade. O imperador então invadiu a região norte da atual Somália, onde derrotou o povo Harla. Ámeda-Sion então avançou para a cidade de Delhoia, ao chegar lá deparou com a seguinte situação, a maioria muçulmana de seus habitantes havia imolado o governador indicado por ele, junto com outros homens e mulheres cristãos. aos quais o Imperador devastando e saqueando a cidade. Ámeda-Sion continuou até a cidade de Dagu, matando vários pastores do povo Uerji da região, os mesmos que anteriormente se revoltaram e saquearam algumas áreas cristãs no início de seu reinado. Depois disso, Ámeda-Sion devastou a terra de Xarca e aprisionou seu governador José. Esses esforços estenderam o domínio etíope pela primeira vez através do rio Awash, ganhando o controle de Dauaro, Bale e outros estados muçulmanos.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando