Conflito basco
O conflito basco foi uma longa disputa armada envolvendo Espanha, França e o Movimento de Libertação Nacional Basco. Este movimento, centrado na organização armada ETA (considerada terrorista por alguns), buscou a independência do País Basco entre 1959 e 2011, com uma campanha de ataques contra a administração espanhola. O conflito, predominantemente em solo espanhol mas com presença na França, foi o mais prolongado da Europa Ocidental, sendo por vezes chamado de "a mais longa guerra na Europa".
Pontos-chave
- O conflito basco opôs Espanha e França ao Movimento de Libertação Nacional Basco pela independência.
- A ETA, organização armada central, realizou ataques entre 1959 e 2011.
- O País Basco, com cultura e língua próprias, busca autogoverno ou independência há séculos.
- O conflito foi o mais longo da Europa Ocidental, com episódios de violência intensa.
- A ETA anunciou o fim de suas ações armadas em 2011, com desarmamento completo em 2017.
O País Basco (Euskal Herria) abrange uma área geográfica na Baía de Biscaia e nos Pirenéus ocidentais, dividida entre Espanha e França. Atualmente, inclui a Comunidade Autônoma Basca (Euskadi) e Navarra na Espanha, e três províncias francesas. Com cerca de 3 milhões de habitantes, o povo basco preservou sua cultura e língua, mantendo um forte desejo por autogoverno ou independência. Historicamente, os territórios bascos desfrutaram de diferentes níveis de autorregulação dentro da Espanha. Apesar do atual alto nível de autonomia do Euskadi na UE, tensões sobre a relação com o Estado espanhol persistem desde a formação do país, alimentando confrontos como as Guerras Carlistas e a Guerra Civil Espanhola.
A evolução do conflito basco foi marcada por diferentes fases de atividade armada, repressão e negociações.
1959–1979: Primeiros Anos e Intensificação
Os ataques iniciais da ETA foram, por vezes, apoiados por setores da sociedade espanhola e basca, que viam na organização uma resistência ao regime de Franco. Em 1970, o 'Proceso de Burgos' condenou membros da ETA à morte, mas a pressão internacional reverteu as sentenças. A ETA ganhou força, culminando no assassinato de Luis Carrero Blanco em 1973. Em resposta, o regime intensificou a repressão, com confrontos letais e prisões em massa, como a de centenas de membros em 1975 após a infiltração de um agente duplo.
1980–1999: Instabilidade Política e Repressão
O período foi marcado pela tentativa de golpe de Estado em 1981, parcialmente motivada pela crescente violência da ETA. Após o fracasso do golpe, uma facção da ETA se dissolveu, com membros aderindo ao partido nacionalista de esquerda Euskadiko Ezkerra. As eleições de 1982 levaram Felipe González ao poder, enquanto o Herri Batasuna obteve representação. No País Basco, Carlos Garaikoetxea tornou-se lehendakari. Centenas de membros do Herri Batasuna foram presos, especialmente após manifestações consideradas desrespeitosas à monarquia.
2000-2009: Nova Onda de Violência e Proibição de Partidos
A ETA retomou a violência em 2000, com ataques a políticos como Ernest Lluch. Paralelamente, dezenas de membros foram presos e o apoio ao 'esquerda Abertzale' diminuiu. A trégua rompida levou à dissolução do Herri Batasuna e à formação do Batasuna. Divergências internas resultaram na criação do Aralar. Em 2002, a 'Ley de Partidos' permitiu a proibição de partidos que tolerassem o terrorismo, levando à proibição do Batasuna em 2003. No mesmo ano, o jornal em basco Egunkaria foi fechado sob acusações de ligações com a ETA, cujos jornalistas foram posteriormente absolvidos em 2010. O jornal Egin já havia sido fechado em 1998.
2010 a 2017: Fim da Luta Armada
Entre 2009 e 2010, a ETA sofreu perdas significativas com mais de 50 membros presos. Enquanto isso, o 'esquerda Abertzale' propôs um "processo democrático" sem violência. Em resposta a essas exigências, a ETA anunciou a cessação de suas ações armadas em setembro de 2010. Em 2011, a organização iniciou seu programa de desarmamento, concluído em 2017, marcando o fim definitivo da luta armada.


