Samarcanda
Samarcanda, também conhecida como Marcanda (Markanda), é a terceira maior cidade do Usbequistão, situada no sudeste do país. É a capital da província homónima e uma das cidades mais antigas continuamente habitadas da Ásia Central. O município tem 89,4 km² de área e em 2020 tinha 513 572 habitantes. A área metropolitana tinha cerca de 950 000 habitantes. É uma das maiores atrações turísticas e um dos centros de comércio mais importantes do país.
Samarqand provém dos termos soguediano samar ("fortaleza") e kand ("pedra" ou "rocha").[a] Aquando da conquista de Alexandre, o Grande, em 329 a.C., a cidade era conhecida em sânscrito como Marcanda (मार्कण्ड), que foi transcrito em grego como Μαράκανδα (Maracanda). Mais recentemente, há autores que defendem uma origem etimológica anacrónica: Samarkand é um nome com origem no sânscrito e no persa antigo que significa "campo de batalha" — em sânscrito samar significa "batalha" ou "conflito" e kand ou kent "lugar" ou "área". Desta forma, o topónimo ilustra bem a posição de Samarcanda no limite dos mundos turcomano e persa.[carece de fontes?]
Da Pré-história até à conquista islâmica no século VIII
Embora não haja evidências diretas de quando a cidade foi fundada, algumas teorias propõem que foi fundada no século VIII ou VII a.C., pelo que, juntamente com Bucara, Samarcanda é uma das cidades mais antigas da Ásia Central. Desde os seus primeiros tempos que Samarcanda foi um dos principais centros políticos, culturais e comerciais da civilização soguediana. Durante o Império Aqueménida persa, a cidade foi a capital da satrapia soguediana. A sua localização, num vale fértil irrigado e na Rota da Seda, no caminho entre a China e o Mediterrâneo, ajudou a que prosperasse e em diversas alturas da história foi a maior cidade da Ásia Central. Ao longo da sua história, foi ocupada ou governada por diversos povos e teve comunidades religiosas muito diversas, como o budistas, zoroastristas, hindus, maniqueístas, judeus, cristãos (principalmente orientais, mas também católicos) e muçulmanos.
Da conquista islâmica do século VIII até ao XIX
No ano 96 A.H. (715), Cutaiba tomou a decisão de conquistar Casgar, a cidade chinesa mais próxima. Começou então a sua expedição, levou consigo as famílias dos soldados que deixou em Samarcanda, cruzou o rio Sir Dária e organizou um contingente para proteger a passagem e impedir que as tropas voltassem sem a sua permissão. Em seguida, enviou sua vanguarda para Casgar, onde fizeram saques e prisioneiros. Pôs-lhes a coleira de tributários e avançou com a expedição para o interior da China. O rei da China escreveu a Cutaiba pedindo-lhe que lhe enviasse um nobre árabe para informá-lo sobre os árabes e a sua religião. Cutaiba escolheu dez árabes, entre os quais Hohayra ibn Mochamraj al-Kilabi, e deu a ordens para que lhes fosse fornecido bom equipamento, roupas de seda e tecidos de ramagem, e quatro cavalos. Disse-lhes: “Façam-lhe saber que não partirei antes de pisar em solo chinês, acorrentar os seus príncipes e receber os seus saques”.[b]
Domínio russo e soviético
Samarcanda foi conquistada pelo Império Russo em 1868, após a cidadela ter sido tomada pela força pelo coronel Konstantin von Kaufman. Pouco tempo depois a pequena guarnição de 500 homens foi cercada por tropas do Emirado de Bucara e várias tribos usbeques. O ataque contra os russos, liderado por Abedal Maleque Tura, o filho rebelde do emir de Bucara, pelo begue de Xacrisabez e Jura Beg de Kitob, foi repelido com pesadas baixas. O general Alexander Konstantinovich Abramov foi nomeado o primeiro governador okrug (distrito) militar que os russos estabeleceram ao longo do curso do rio Zarafexã, cujo centro administrativo era Samarcanda. A parte russa da cidade foi construída depois destes acontecimentos, na maior parte a oeste da cidade antiga.[carece de fontes?] Em 1886, a cidade tornou-se a capital no então formado oblast de Samarcanda do Turquestão Russo e ganhou ainda maior importância quando passou a ser servida pela Ferrovia Trans-Caspiana em 1888.[carece de fontes?]
Samarcanda está situada no nordeste do Usbequistão, num oásis do vale do rio Zarafexã. Está ligada a Carxi pela autoestrada A-380 (160 km a sudoeste) e pela estrada M39 (200 km). A estrada M37 liga Samarcanda a Bucara (270 km a oeste) e a estrada M39 liga a Tasquente (300 km a nordeste). A capital tajique, Duchambé, fica 300 km a sudeste por estrada, e Mazar e Xarife, no Afeganistão, 485 km a sul.
Clima
O clima de é do tipo mediterrânico (Csa na classificação de Köppen-Geiger), muito próximo do tipo semiárido (BSk), com verões quentes e secos e invernos relativamente chuvosos, com tempo variável, com alternância de períodos de tempo quente ou ameno e períodos de tempo frio.[carece de fontes?] Os meses mais quentes são julho e agosto, com temperaturas que chegam a ultrapassar 40 °C. Os mês mais frio é janeiro, quando a média da temperatura mínima é -1,7 °C, seguindo-se dezembro e fevereiro. Os recordes de temperatura registados desde 1936 foram 42,4 °C (em julho) e -25,4 °C (em janeiro). Entre novembro e março neva pelo menos dois dias por mês.
Demografia
Em 2019, Samarcanda tinha 513 572 habitantes (densidade: 5 744,7 hab./km²) e a sua área metropolitana tinha cerca de 950 000 habitantes.[carece de fontes?] Segundo os dados oficiais, a maior parte dos habitantes de Samarcanda são usbeques, os quais são uma etnia turcomana. Todavia, muitos dos que se declaram usbeques de facto são tajiques, uma etnia iraniana. Aproximadamente 70% dos residentes na cidade falam tajique, uma língua iraniana ocidental. [e] [f] Os tajiques moram principalmente na parte oriental e mais antiga da cidade.[carece de fontes?] Tal como Bucara, Samarcanda é um dos centros históricos do povo tajique. Segundo fontes independentes, os usbeques são o segundo maior grupo étnico e moram sobretudo na parte ocidental. Os dados demográficos exatos são difíceis de obter, pois os cidadãos do Usbequistão identificam-se como "usbeques" mesmo quando usam o tajique como primeira língua, frequentemente porque são registados como usbeques pelo governo central apesar da sua identidade e língua materna tajique. Segundo o historiador britânico Paul Bergne (1937–2007), durante o censo de 1926, uma parte significativa da população tajique foi registada como usbeque. Oficialmente, em 1926 havia 43 364 residentes usbeques e 10 716 tajiques, o que contrasta com os dados do censo de 1920, segundo os quais na cidade residiam 44 758 tajiques e apenas 3 301 usbeques. Em várias kishlaks (aldeias) do okrug (distrito) de Khujand, cuja população foi registada como tajique no censo de 1920, como Asht, Kalacha, Akjar i Tajik e outras, no censo de 1926 foram registadas como usbeques. O mesmo se pode dizer em relação aos oblasts de Fergana, Samarcanda e especialmente Bucara.
Islão
O islão chegou a Samarcanda no século VIII, com a invasão da Ásia Central pelo Califado Omíada. Antes disso, praticamente todos os habitantes da cidade eram zoroastristas, havendo também muitos cristãos nestorianos e budistas. A partir dessa invasão, os governantes das muitas potências muçulmanas que controlaram a cidade nela construíram numerosas mesquitas, minaretes madraças, santuários e mausoléus, muitos deles ainda existente atualmente.[carece de fontes?] Na cidade nasceram ou viveram vários eminentes teólogos e juristas islâmicos, como Albucari, o académico do século IX que redigiu o Sahih al-Bukhari, considerado pelos sunitas uma das mais autênticas coleções hádices, e o Al-Adab al-Mufrad, outra compilação de hádices. O seu mausoléu é um dos monumentos de Samarcanda. Outro proeminente académico islâmico samarcandiano quase da mesma época é Almaturidi (852–944), fundador da al-Māturīdiyya, uma das principais escolas teológicas sunitas, que também tem um mausoléu na cidade. Outro santuário importante de Samarcanda é o do Profeta Daniel (ou Mausoléu de Khoja Doniyor), venerado não só pelos muçulmanos, mas também pelos judeus e cristãos.[carece de fontes?]
Cristianismo
O cristianismo foi introduzido na cidade quando ela fazia parte de Soguediana, séculos antes da difusão do islão na Ásia Central. Samarcanda foi um dos centros do nestorianismo na Ásia Central. Nesse tempo a maioria da população era zoroastrista, mas como a cidade estava num cruzamento de rotas comerciais entre a China, a Pérsia e a Europa, era um local de tolerância religiosa. Durante o domínio dos califados Califado Omíada, no século VIII, os zoroastristas e nestorianos foram perseguidos pelos invasores árabes. Os sobreviventes fugiram para outros locais ou converteram-se ao islão. Nenhuma das várias igrejas nestorianas que existiram em Samarcanda chegaram aos nossos dias. Os restos de algumas foram encontrados no sítio arqueológico de Afrassíabe e nos arredores da cidade.[carece de fontes?] Em 1329, com apoio do cã mongol de Chagatai Eljiguidei,[carece de fontes?] foi criada a diocese católica de Samarcanda, a qual serviu vários milhares de católicos que viviam na cidade até 1359. Segundo Marco Polo e Johann Elemosina, Eljiguidei converteu-se ao cristianismo, foi batizado e patrocinou a construção duma igreja dedicada a São João Batista em Samarcanda. Porém, pouco depois o silão suplantou completamente o cristianismo.[carece de fontes?]
O Mausoléu de Bibi Canum começou a ser construído por ordem de Tamerlão depois da sua campanha militar de 1398–1399 na Índia. O mausoléu tinha originalmente cerca de 450 colunas de mármore que foram transportadas e montadas com a ajuda de 95 elefantes que Tamerlão trouxera da Índia. A cúpula foi projetada e construída por artesãos e pedreiros indianos, dando-lhe a sua aparência distinta dos outros edifícios locais. Em 1897 as colunas foram parcialmente destruídas por um sismo e não foram completamente restauradas na reconstrução subsequente. O Mausoléu de Tamerlão (Gur-i Amir) é provavelmente o monumento mais famoso de Samarcanda. O monumento apresenta influências de muitas culturas, civilizações antigas, povos e correntes religiosas, principalmente as do islão. Apesar da devastação causada pelos mongóis, a arquitetura islâmica pré-timúrida de Samarcanda foi restaurada, reavivada e recriada. A planta da mesquita, as suas formas e os seus detalhes, com as medidas precisas, atestam a paixão islâmica pela geometria. A entrada é decorada com caligrafia e inscrições em árabe, uma característica comum na arquitetura islâmica. A atenção meticulosa de Tamerlão para os detalhes é especialmente óbvia no interior do mausoléu, cujas paredes cobertas de azulejos são um exemplo maravilhoso de mosaico de faiança, uma técnica persa na qual cada mosaico é cortado, colorido e colocado individualmente. Os mosaicos do Gur-i Amir foram também colocados de forma a que neles se leiam palavras religiosas como "Maomé" e "Alá".
A cidade tem um sistema de transporte público municipal que opera desde os tempos soviéticos. Os táxis, que outrora eram modelos sobretudo das marcas soviéticas VAZ e GAZ, atualmente são principalmente Chevrolets e Daewoos; a maior parte deles são amarelos. Os autocarros são o meio de transporte mais comum e mais popular; a maior parte deles são das marcas Isuzu e SamAuto, esta última fabricada em Samarcanda. Desde 2017 que há várias linhas de elétricos. Desde o período soviético até 2005 também havia tróleis. Outro meio de transporte público são os marshrutkas, um tipo de táxi coletivo comum nos países do antigo bloco soviético; usam sobretudo minibuses Daewoo Damas e GAZelle.[carece de fontes?] Até à década de 1950, os principais meios de transporte na cidade eram carruagens e arabas (um tipo de carroça grande ou carruagem pesada, comum na Turquia), puxados por cavalos ou burros. No entanto, houve um carro americano (tranvia) a vapor entre 1924 e 1930 e elétricos entre 1947 e 1973.[carece de fontes?]


