Abderramão III
Abderramão III, Abdarramão III, Abderrahman III ou 'Abd ar-Raḥmān, foi o oitavo Emir de Córdova e, depois, o primeiro califa do Alandalus. É considerado o maior e mais bem sucedido dos príncipes da dinastia omíada na Península Ibérica. Ascendeu ao trono apenas com vinte e dois anos e reinou cerca de meio século.
A sua vida está de tal forma identificada com o governo do seu estado que acabamos por ter mais material biográfico sobre o seu antecessor Abderramão I, que sobre si, inegavelmente mais importante no plano histórico. Era neto de Abdalá, outro grande líder hispânico dos omíadas, a quem sucedeu. Chegou ao trono numa época em que toda a Espanha estava exaurida por mais de uma geração de conflitos tribais entre árabes e de escaramuças entre muçulmanos e descendentes hispânicos. A maior parte da população, de origem hispânica, composta por renegados e cristãos, assumidos ou não, era favorável à ascensão ao poder de um governante poderoso que os protegesse contra a aristocracia árabe. Esta última, composta por nobres muçulmanos politicamente incansáveis, compunha o principal núcleo de oposição a Abderramão. Logo a seguir, vinham os fatímidas do Egito e Magrebe, que reclamavam o Califado, justificando a pretensão com a sua descendência do profeta Maomé, procurando estender o seu poder a todo o mundo muçulmano. Abderramão conseguiu fazer face a todos estes adversários muito graças ao apoio de um exército mercenário, também constituído por cristãos. De facto, foi conhecido pela sua tolerância para com a comunidade cristã e judaica.
Imagem: José Luiz · BY-SA · Openverse
No início do século IX, os cristãos ganhavam terreno aos mouros. Governava o Conde Hermenegildo Gutierres o território da Galiza até Coimbra, tendo como centro o Porto. Contudo, o califa Abdelramam III, com um poderoso exército, fez uma violenta investida, cercando a cidade do Porto. O rei Ordonho II desceu em socorro do seu sogro, o conde Gutierres, conseguindo afastar os mouros e perseguindo-os para longe da cidade. Junto a um límpido ribeiro, em 824, travou-se a sangrenta batalha. Na memória do povo, ficou o sangue derramado que, de tão abundante, tingiu as cristalinas águas do rio, passando desde então a chamar-se Rio Tinto. No painel central de azulejos da Estação de Rio Tinto, podemos ler a seguinte inscrição "BATALHA EM 824 ENTRE ABD-EL-RAMAN KALIFA DE CORDOBA E O CONDE HERMENEGILDO".


