Abedalá ibne Hanzala
Abedalá ibne Hanzala Algacil foi um tabi, tradicionalista e líder dos habitantes de Medina durante a revolta contra o califa Iázide I. Filho de Hanzala ibne Abu Amir, conhecido como "o Lavado pelos Anjos", e de Jamila binte Ubai ibne Salul, era membro da tribo dos aucitas. Embora tivesse apenas sete anos quando Maomé morreu, foi tradicionalmente considerado um dos seus companheiros. Abedalá gozava de grande prestígio entre os habitantes de Medina e, em 683, integrou a delegação enviada pelo governador da cidade a Damasco para renovar a lealdade ao califa Iázide I. Ao regressar, porém, denunciou a conduta do soberano, afirmando que este se entregava ao consumo de vinho, negligenciava as orações e levava uma vida dissoluta. Em consequência, a maior parte dos medinenses recusou-se a reconhecê-lo como califa e proclamou Abedalá seu líder, dando início ao movimento que culminaria na Batalha de Harra. Durante a batalha, combateu até o fim ao lado de um pequeno grupo de seguidores e morreu em combate, após a derrota das forças medinenses diante do exército omíada comandado por Muslim ibne Uqueba. As fontes o descrevem como um homem profundamente piedoso, assíduo em jejuns, orações e na recitação do Alcorão. Também transmitiu hádices preservados nas coleções de Abu Daúde, Atirmidi, Adarimi e no Musnade de Amade ibne Hambal.
Abedalá ibne Hanzala nasceu em Medina em 625, poucos meses após a morte de seu pai na Batalha de Uude, sendo, portanto, seu filho póstumo. Era filho de Hanzala ibne Abu Amir, celebrado na tradição islâmica como "o Lavado pelos Anjos" (Algacil Almalaíca), epíteto que lhe valeu o cognome de Ibne Algacil, e de Jamila binte Ubai ibne Salul, filha de Ubai ibne Salul e irmã de Abedalá ibne Abedalá ibne Ubai. Quando Maomé morreu, tinha apenas sete anos de idade, mas, apesar disso, foi tradicionalmente contado entre os companheiros do profeta. Embora as fontes preservem poucos detalhes sobre sua juventude, registram que desfrutava de grande prestígio entre os habitantes de Medina, circunstância que explica sua inclusão na delegação enviada pelo governador Otomão ibne Maomé ibne Abi Sufiane a Damasco para reafirmar a fidelidade da cidade ao califa Iázide I. Segundo os relatos tradicionais, Iázide recebeu cordialmente a delegação e distribuiu presentes aos seus integrantes. Contudo, ao regressarem a Medina, Abedalá e os demais afirmaram que o califa consumia vinho, negligenciava as orações e passava os dias entregue aos prazeres, concluindo que não possuía as qualidades exigidas para exercer o califado. Abedalá destacou-se como o mais veemente crítico do soberano e foi escolhido pelos ançares para liderar a oposição, enquanto os coraixitas de Medina confiaram a chefia de sua facção a Abedalá ibne Muti. Em consequência, a maior parte dos habitantes de Medina rompeu com Iázide e reconheceu Abedalá como seu líder mediante juramento de fidelidade. As fontes indicam ainda que esse movimento provavelmente estava articulado com Abedalá ibne Zobair, então estabelecido em Meca, onde pouco depois seria igualmente reconhecido como califa pelos habitantes do Hejaz. Após o fracasso das tentativas de reconciliação conduzidas por Anumane ibne Baxir Alançari, Iázide ordenou o envio de um exército composto pelas tribos árabes da Síria, sob o comando de Muslim ibne Uqueba, para reprimir a revolta.


