Haiua ibne Xurai
Haiua ibne Xurai foi um tabi egípcio, jurista e tradicionista de origem árabe. Pertencente ao ramo dos tujibitas da tribo dos quindaítas, estabelecido no Cairo, destacou-se como uma das principais autoridades religiosas do Egito durante o período omíada e o início do califado abássida. Recebeu ensinamentos de diversos estudiosos da geração dos tabis radicados no Egito, entre os quais Uqueba ibne Muçulme Tujibi, Abu Iunus Sulaime ibne Jubair Adauci, Becre ibne Anre Almaafiri e Iázide ibne Abi Habibe. Entre seus discípulos figuraram importantes estudiosos egípcios, como Abedalá ibne Almubaraque, Alaite ibne Sade, Abedalá ibne Uabe e Ibne Laia. Reconhecido por sua confiabilidade na transmissão de hádices, Haiua foi elogiado por críticos como Amade ibne Hambal, Iáia ibne Maine, Abu Hatim Arrazi e Alboácem Alijeli. Sua piedade, ascetismo e discrição tornaram-se igualmente célebres entre os biógrafos muçulmanos. Em 761, foi convidado a assumir o cargo de cádi do Egito, mas recusou-o apesar da insistência do governador. Diversas de suas tradições, transmitidas por cadeias de narradores consideradas elevadas, foram posteriormente incluídas nos Seis Livros.
Haiua ibne Xurai nasceu provavelmente no fim do século VII e era de origem árabe, pertencendo aos tujibitas, um ramo da tribo dos quindaítas estabelecido no Egito. Formou-se principalmente com estudiosos da geração dos tabis radicados naquele país, entre os quais Uqueba ibne Muçulme Tujibi, Abu Iunus Sulaime ibne Jubair Adauci, Becre ibne Anre Almaafiri e Iázide ibne Abi Habibe. Tornou-se uma das principais autoridades religiosas egípcias de sua geração, transmitindo ensinamentos de jurisprudência e hádice a discípulos como Abedalá ibne Almubaraque, Alaite ibne Sade, Abedalá ibne Uabe e Ibne Laia. Os principais críticos da tradição profética, entre eles Amade ibne Hambal, Iáia ibne Maine, Abu Hatim Arrazi, Alboácem Alijeli e Ibne Hibane, consideravam Haiua um transmissor plenamente confiável. Abu Hatim chegou a considerá-lo superior ao renomado jurista Alaite ibne Sade, enquanto Ibne Hibane o incluiu em sua obra Kitāb al-Thiqāt, dedicada aos narradores dignos de confiança. Muitas de suas tradições eram transmitidas por cadeias de narradores consideradas elevadas, e parte delas foi posteriormente incorporada aos Seis Livros. Em 761, o governador do Egito procurou nomeá-lo cádi da província, mas Haiua recusou o cargo apesar das repetidas insistências. Conhecido por seu ascetismo, piedade e discrição, Haiua levava uma vida desprovida de ostentação. Abedalá ibne Uabe, que frequentou suas aulas, afirmou nunca ter conhecido alguém que ocultasse tão cuidadosamente seus atos de devoção, ao passo que Abedalá ibne Almubaraque declarava que suas virtudes eram indescritíveis. Segundo a tradição, distribuía integralmente aos pobres a pensão anual de sessenta dinares que recebia antes mesmo de chegar à própria casa. Seu prestígio também lhe permitia aconselhar as autoridades egípcias. A um dos governadores da província recomendou que jamais deixasse o Egito sem armamentos suficientes, advertindo que não se podia prever quando coptas romperiam seus acordos, abissínios realizariam incursões, bizantinos invadiriam o país ou berberes se revoltariam. Haiua morreu no Egito em 775 ou, segundo outra tradição, em 776.


