Burquina Fasso
Burquina Fasso, Burquina Faso, Burkina Faso ou simplesmente Burquina, é um país africano limitado a oeste e a norte pelo Mali, a leste pelo Níger, e a sul pelo Benim, pelo Togo, por Gana e pela Costa do Marfim. Sua capital é a cidade de Uagadugu. Sua área territorial abrange 274 200 km2 com uma população estimada de mais de 15 757 000 de habitantes.
Anteriormente o país chamava-se "República do Alto Volta". O topônimo "Alto Volta" advém da era colonial, dado à colônia francesa do Alto Volta, como referência a sua localização nos cursos superiores do rio Volta (o Volta Negro, Vermelho e Branco). Embora o nome não tivesse uma conotação colonial explícita, havia um sentimento de não pertencimento ao termo na população burquinabé. O país foi renomeado para "Burquina Fasso" em 4 de agosto de 1984, pelo então presidente Thomas Sankara. As palavras "Burkina" e "Faso" provêm de diferentes línguas faladas no país: "Burkina" vem do more e significa "direito" ou "íntegro", mostrando como o povo se orgulha de sua honradez, enquanto "Faso" vem da língua diúla e significa "pátria" (literalmente, "casa do pai"). A junção das palavras gera o termo "terra dos homens íntegros" ou "pátria das pessoas honradas". O sufixo "-bè" adicionado a "Burkina" para formar o adjetivo pátrio "burkinabè" ou "burquinabé" vem da língua fula e significa tanto "homem" quanto "mulher" íntegra.
Tal como toda a África ocidental, o Burquina Fasso foi povoado em tempos remotos, com destaque para os caçadores-coletores da parte noroeste do país (12 000 a 5 000 a.C.), cujas ferramentas (raspadeiras, cinzéis e pontas de seta) foram descobertas em 1973. Entre 3 600 e 2 600 a.C. surgiram povoamentos de agricultores, e os vestígios dessas estruturas deixam a impressão de edifícios relativamente permanentes. O uso do ferro, cerâmica e pedra polida desenvolveu-se entre 1 500 e 1 000 a.C., tal como a preocupação com os assuntos espirituais, como é demonstrado pelos restos de enterramento que têm sido descobertos.
O Burquina Fasso é um país do Sael, sem litoral, que faz fronteira com seis nações: a oeste e a norte pelo Mali, a leste pelo Níger, e a sul pelo Benim, pelo Togo, por Gana e pela Costa do Marfim. Estende-se entre o deserto do Saara e o golfo da Guiné, a sul da curva do rio Níger.
Topografia
O país é predominantemente plano, com algumas colinas localizadas. Sua altitude média é de 400 metros, e a diferença entre seus dois pontos mais altos não ultrapassa 600 metros. O ponto mais alto do país é o monte Tenakourou, situado sobre a fronteira com o Mali, atingindo 747m. O terreno é verde no sul, com florestas e árvores de fruto, e desértico no norte. A maior parte do Burquina Fasso central fica num planalto baixo, coberto por savana, a uma altitude de 200–300 m, com campo aberto, bosques e árvores isoladas. As reservas de caça do Burquina Fasso — as mais importantes das quais são as de Arly, Nazinga, e do Parque Nacional W — contém leões, elefantes, hipopótamos, macacos, facocheros e antílopes.
Clima
O total de precipitação anual varia entre 1 000 mm no sul e menos de 2 500 mm no norte e nordeste, onde os ventos quentes do deserto acentuam a secura da região. As temperaturas chegam a atingir picos máximos de 44º C e mínimas de 10º C, embora as temperaturas extremas sejam localizadas na região norte do país, a temperatura média é de 32ºC. Por conta de sua localização, o país tem um clima tropical onde predominam duas estações. Uma longa estação de seca entre outubro e abril, com intervalos mais frescos entre novembro e fevereiro e o pico da seca entre março e abril. A outra estação é de chuvas, que acontece de maio a setembro.
A população de Burquina Fasso, em 2018, era de mais de 20 milhões de habitantes, pertencentes a dois grandes grupos étnicos-culturais do Oeste Africano: Gur e Mandês (cuja linguagem comum é diúla). Os Gur-Mossis compõem cerca de metade da população. Os Gur-Mossis migraram para a atual Burquina Fasso a partir de Gana, em 1100. Eles estabeleceram um império que durou mais de 800 anos. Predominantemente agricultores, o reino Mossi é liderado pelo Mogho Naba, cujo tribunal é em Uagadugu. Burquina Fasso é um Estado etnicamente integrado e secular. A maioria do povo de Burquina Fasso está concentrada no sul e centro do país, onde a sua densidade, por vezes, ultrapassa 48 hab/km2. Centenas de milhares de burquinabeses migram regularmente para a Costa do Marfim e Gana, muitos para o trabalho agrícola sazonal. Estes fluxos de trabalhadores são afetados por eventos externos, como a tentativa de golpe em setembro de 2002, na Costa do Marfim, e a luta que se seguiu fez com que centenas de milhares de burquinabês retornassem ao Burquina Fasso.
Línguas
Burquina Fasso é um país multilíngue. O francês, introduzido durante o período colonial, foi língua oficial até 2023. Atualmente, o francês é língua de trabalho das instituições administrativas, políticas e judiciais, dos serviços públicos e da imprensa. É a única língua usada para leis, administração e tribunais. Ao todo, estima-se que 69 línguas são faladas no país, das quais cerca de 60 línguas são autóctones. A língua mossi é a língua mais falada em Burquina Fasso, falada por cerca de metade da população, principalmente na região central em torno da capital, Uagadugu, juntamente com outras línguas gurunsi estreitamente relacionadas espalhadas por toda Burquina Fasso.
Religião
Burquina Fasso é um estado laico, onde predominam o cristianismo e o islamismo. Grupos armados jihadistas como o Ansarul-Islam e o JNIM, um braço da Al-Qaeda, disputam o controle de cidades, matando anualmente centenas de militares e civis.
A constituição do Burquina Fasso de 2 de junho de 1991 estabeleceu um governo semi-presidencial com um parlamento (assembleia) que pode ser dissolvido pelo Presidente da República, que é eleito para mandatos de cinco anos. Este prazo foi estabelecido numa revisão da constituição levada a cabo em 2000, que reduziu a duração do mandato que anteriormente era de sete anos, o que só será posto em prática em 2005 quando das eleições presidenciais seguintes. Outra mudança aprovada na revisão impediria o atual presidente, Blaise Compaoré, de ser reeleito. No entanto, uma vez que Compaoré foi eleito em 1998, não está claro se a revisão será aplicada retroativamente ou não. O parlamento consiste em duas câmaras: a câmara baixa (l'Assembléia Nacional) e a câmara alta (la Chambre des Représentants). Também existe uma câmara constitucional, composta por dez membros, e um conselho económico e social cujos papéis são principalmente consultivos.
O Burquina Fasso está dividido em 13 regiões, 45 províncias e 351 departamentos.
Burquina Fasso tem um dos menores PIB em valores per capita no mundo: US$ 1 500 dólares. A agricultura representa 32% do seu Produto interno bruto e é a ocupação de cerca de 80% da população economicamente ativa. Ela consiste principalmente da criação de gado. Especialmente no sul e sudoeste, as pessoas realizam plantios de sorgo, milheto, milho, amendoim, arroz e algodão, com excedentes para serem vendidos. Uma grande parte da atividade econômica do país é financiada pela ajuda internacional. Burquina Fasso foi classificado como o 111.º destino de investimentos mais seguro do mundo, em março de 2011, pelo ranking do Euromoney Country Risk. As remessas costumavam ser uma importante fonte de renda para Burquina Fasso até os anos 1990, quando a agitação na Costa do Marfim, o principal destino dos emigrantes burquinabês, forçou muitos a voltar para casa. As remessas representam hoje menos de 1% do PIB.
Transporte
O transporte em Burquina Fasso é dificultado por uma infraestrutura muito pouco desenvolvida. O aeroporto principal é o de Uagadugu e em junho de 2014, havia regularmente voos regulares para vários destinos na África Ocidental, bem como Paris, Bruxelas e Istambul. Há também um outro aeroporto internacional em Bobo-Diulasso, com voos para Uagadugu e Abidjã. O transporte ferroviário em Burquina Fasso consiste em uma única linha que vai de Kaya para Abidjan, na Costa do Marfim, via Uagadugu, Koudougou, Bobo-Diulasso e Banfora. A Sitarail opera um trem de passageiros três vezes por semana ao longo do percurso. Há um total de 12 506 km de rodovias em Burquina Fasso, dos quais 2 000 km são pavimentados.
Educação
A educação em Burquina Fasso é dividida em ensino primário, secundário e superior. No entanto, os custos do ensino médio são de aproximadamente 25 000 CFA (US$ 50) por ano, o que é muito acima das possibilidades financeiras da maioria das famílias burquinesas. Meninos têm preferência na escolaridade e, como tal, as taxas de educação e alfabetização de meninas são muito mais baixas do que os meninos. Foi observado um aumento na escolaridade das meninas por causa da política do governo de tornar a escola mais barata para as meninas e conceder-lhes mais bolsas de estudo. Exames nacionais de conhecimento são realizados com a finalidade de aprovar um estudante do ensino básico ao ensino médio, e do ensino médio para a faculdade. Esses exames são utilizados como pré-requisito para aceitação em todas as instituições de ensino superior do país, incluindo a Universidade de Uagadugu, o Instituto Politécnico de Bobo Diulasso e a Universidade de Koudougou. Há faculdades particulares na capital, Uagadugu, mas estas são acessíveis apenas por uma pequena parcela da população.
Saúde
Em 2016, a expectativa média de vida foi estimada em 60 anos para homens e 61 para mulheres. Em 2018, a taxa de mortalidade entre a população com menos de cinco anos e a taxa de mortalidade infantil foi de 76‰ de nascidos vivos. Em 2014, a idade média dos burquineses era de 17 anos e a taxa de crescimento populacional estimada era de 3,05%. Em 2011, os gastos com saúde foram de 6,5% do PIB; a taxa de mortalidade materna foi estimada em 300 mortes por 100 000 nascidos vivos e a densidade de médicos era de 0,05‰. Em 2012, estimou-se que a taxa de prevalência de HIV em adultos (15–49 anos) era de 1,0%. De acordo com o Relatório da UNAIDS, datado de 2011, a prevalência do HIV está diminuindo entre as mulheres grávidas que frequentam as clínicas pré-natais. De acordo com um relatório de 2005 da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que 72,5% das meninas e mulheres de Burquina Fasso sofreram mutilação genital feminina, administrada de acordo com os rituais tradicionais.
Culinária
Típica da culinária da África Ocidental, a culinária de Burquina Fasso é baseada em alimentos básicos de sorgo, painço, arroz, milho, amendoim, batata, feijão, inhame e quiabo. As fontes mais comuns de proteína animal são frango, ovos de galinha e peixes de água doce. Uma bebida típica de Burquina Fasso é o banji ou vinho de palma, que é seiva de palma fermentada; e zoom-kom, ou "água de grãos", supostamente a bebida nacional de Burquina Fasso. O zoom-kom tem aparência leitosa e esbranquiçada, tendo uma base de água e cereais, melhor bebido com cubos de gelo. Nas regiões mais rurais, nos arredores de Burkina, pode ser encontrado dolo, uma bebida feita de painço fermentado. Em tempos de crise, uma leguminosa nativa de Burquina, o zamnè, pode ser servido como prato principal ou em um molho.
Esportes
O Comitê Olímpico Nacional de Burquina Fasso (CNOSB), reconhecido pelo COI em 1972, enviou cinco atletas para os Jogos Olímpicos de Londres 2012: dois atletas de atletismo, dois nadadores e um judoca. As Olimpíadas Especiais de Burquina Fasso foram fundadas em 1991 e participaram de vários Jogos Mundiais das Olimpíadas Especiais. A associação registrou sua participação nos Jogos Mundiais de Verão das Olimpíadas Especiais de 2023 em Berlim. A delegação será apoiada pelo distrito de Gunzburgo como parte do Programa da Cidade-Sede antes dos Jogos. Um esporte popular em Burquina Fasso é o futebol. A associação nacional de futebol é a Federação Burquinense de Futebol (FBF), que foi fundada após a independência em 1960 e se tornou membro da associação mundial de futebol FIFA em 1964. Os maiores sucessos da seleção de futebol foram o segundo lugar na Copa das Nações Africanas de 2013 e o quarto lugar na Copa das Nações Africanas de 1998 em Burquina Fasso. Todos os anos, 16 clubes competem pelo campeonato burquinense, a maioria dos quais são de Uagadugu. Profissionais estrangeiros conhecidos incluem Charles Kaboré, Moumouni Dagano e Bertrand Traoré. A seleção nacional Sub-17 alcançou o terceiro lugar na Copa do Mundo Sub-17 de 2001.


