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Abedalá ibne Abede Almotalibe

Abedalá ibne Abede Almotalibe foi um membro dos haxemitas, clã dos coraixitas, conhecido principalmente por ter sido o pai do profeta islâmico Maomé. Era filho de Abede Almotalibe e de Fátima binte Anre, dos maquezumitas, e marido de Amina binte Uabe. As fontes fornecem poucas informações seguras sobre sua vida e divergem tanto sobre sua cronologia quanto sobre ter morrido pouco antes ou pouco depois do nascimento de Maomé, embora a tradição mais antiga favoreça a primeira possibilidade.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/08/2026
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Vida

Origens e juventude

Abedalá pertencia aos haxemitas, um clã dos coraixitas de Meca. Era filho de Abede Almotalibe e de Fátima binte Anre, pertencente aos maquezumitas. As fontes atribuem-lhe diferentes cúnias, entre elas Abu Cutame (أبو قثم, Abū Qutham), Abu Maomé (أبو محمد, Abū Muḥammad) e Abu Amade (أبو أحمد, Abū Aḥmad). Hixame ibne Alcalbi situa seu nascimento no 24.º ano do reinado do xainxá sassânida Cosroes I (r. 531–579), correspondente aproximadamente a 554, embora existam dificuldades e contradições na cronologia transmitida pelas fontes. Abedalá é frequentemente apresentado como tendo cerca de 25 anos quando morreu, por volta de 570. Diversas narrativas tradicionais foram associadas ao nascimento e à juventude de Abedalá. Uma das mais conhecidas está relacionada a um voto atribuído a seu pai. Segundo o relato, durante os trabalhos de redescoberta e restauração do poço de Zenzem, Abede Almotalibe, que então dispunha de poucos filhos capazes de defendê-lo diante dos demais notáveis coraixitas, teria prometido sacrificar um deles caso chegasse a ter dez filhos homens que atingissem a maturidade. Quando essa condição se realizou, um sorteio teria indicado Abedalá como a vítima. A família e outros membros dos coraixitas teriam impedido o sacrifício e recomendado que fosse procurada uma solução alternativa. Segundo a versão mais difundida, uma arrafe de Medina aconselhou Abede Almotalibe a realizar sorteios sucessivos entre o filho e um número crescente de camelos. Começando com dez animais e acrescentando outros dez a cada resultado desfavorável, o número teria chegado a cem quando o sorteio finalmente indicou os camelos, que foram então sacrificados em lugar de Abedalá. A historicidade dessa narrativa é controversa. Watt a caracteriza como uma história conhecida e pitoresca, mas provavelmente com pouca base factual. A própria tradição apresenta dificuldades, entre elas a afirmação de que Abedalá seria então o filho mais novo de Abede Almotalibe, embora Hâmeza e Alabás sejam geralmente considerados mais jovens. Autores muçulmanos propuseram diferentes soluções para a discrepância, entre elas a possibilidade de Abedalá ser o mais jovem dos filhos então vivos ou o mais jovem entre os filhos de sua mãe. A tradição vinculou ainda o episódio à fixação em cem camelos do valor da compensação por uma vida humana e ao relato segundo o qual Maomé teria sido chamado de "filho dos dois destinados ao sacrifício", em referência a seu pai e a Ismael.

Casamento com Amina

Abedalá é descrito pela literatura biográfica islâmica como um jovem particularmente belo. Algumas narrativas atribuem ao seu rosto uma luminosidade extraordinária, posteriormente interpretada pelos autores de sira como a "luz da profecia", que teria passado dele para Amina quando Maomé foi concebido. Também se relata que diferentes mulheres, entre elas uma irmã de Uaraca ibne Naufal, teriam proposto casamento a Abedalá. Esses elementos pertencem às tradições desenvolvidas em torno de sua juventude e da concepção de Maomé. Por iniciativa de seu pai, Abedalá casou-se com Amina binte Uabe, dos zuraítas, e teria passado os primeiros três dias do casamento na casa dela. Watt observa que os relatos sobre o casamento foram amplamente ornamentados pela tradição, mas sugere que a união pode ter feito parte de uma aliança entre Abede Almotalibe e os zuraítas, uma vez que o próprio Abede Almotalibe casou-se na mesma ocasião com uma mulher desse clã. Abedalá e Amina tiveram apenas um filho, Maomé.

Morte

Abedalá morreu ainda jovem, embora as fontes divirjam quanto à data e, sobretudo, quanto a sua morte ter ocorrido antes ou depois do nascimento de Maomé. Segundo o relato considerado preferível pela TDV, durante o retorno de uma expedição comercial à Síria, possivelmente procedente de Gaza, Abedalá adoeceu ao passar por Iatrebe. Permaneceu doente durante aproximadamente um mês entre os aditas, clã ao qual pertenciam parentes de seu pai por parte materna, e morreu na cidade. Abede Almotalibe, ao receber a notícia da doença, enviou seu filho mais velho Alharite a Iatrebe, mas Abedalá morreu antes da chegada do irmão. Foi sepultado no pátio de uma residência conhecida como Dar Anabiga (em árabe: دار النابغة, Dār al-Nābigha), embora alguns autores deem ao proprietário da casa o nome de Tabia. Um túmulo em Medina tradicionalmente identificado como o de Abedalá, situado a cerca de 500 metros da Mesquita do Profeta, foi demolido durante as obras de ampliação da mesquita em 1976. As fontes registram cronologias muito divergentes para sua morte. Algumas a situam cerca de sete meses antes do nascimento de Maomé, enquanto outras afirmam que este já tinha até 28 meses quando o pai morreu. Watt considera que a morte ocorreu pouco antes do nascimento de Maomé ou alguns meses depois, observando que a referência à condição de órfão do profeta na sura ad-Dhuha está relacionada à perda precoce de seus pais. A TDV assinala que as fontes mais antigas tendem a preferir a tradição segundo a qual Abedalá morreu enquanto Amina ainda estava grávida, posição também adotada por autores posteriores como Alalai, Ibne Hajar de Ascalão e Açuiuti. Nessa reconstrução, Abedalá teria provavelmente cerca de dezoito anos quando morreu, embora outras tradições lhe atribuam aproximadamente 25 anos.

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Tradição islâmica

A morte de Abedalá antes do início da missão profética de seu filho suscitou posteriormente discussões entre estudiosos muçulmanos acerca de seu destino após a morte. Segundo Topaloğlu, a maioria dos estudiosos islâmicos sustentou que Abedalá, por não ter vivido até a missão profética de Maomé, não estaria sujeito à punição e alcançaria a salvação, discussão relacionada ao conceito de fatra.

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Fontes consultadas

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