Henry David Thoreau
Henry David Thoreau foi um autor estadunidense, poeta, naturalista, pesquisador, historiador, filósofo e transcendentalista. Ele é mais conhecido por seu livro Walden, uma reflexão sobre a vida simples cercada pela natureza, e por seu ensaio A Desobediência Civil.
Imagem: Lucinda Lovering · BY-NC · Openverse
O pai de Thoreau era um pequeno fabricante de lápis, sua mãe, uma dama que contratava pensionistas. Formou-se na Universidade de Harvard em 1837. Tornou-se discípulo de Ralph Waldo Emerson, com quem manteve uma amizade profunda, como também o fez com outros pensadores transcendentais. Próximo a essa concepção, seu reformismo partia do indivíduo, e não da coletividade, e defendia um estilo de vida em contato profundo com a natureza. A morte de seu irmão John, ocorrida em 1842, foi uma grande dor para ele. Escrever o livro de diário A Week on the Concord and Merrimack Rivers (1839-1849) o ajudou em sua tentativa de superar a perda de seu irmão e manter sua memória viva. Forte crença no princípio da reencarnação, que perpassa toda a obra por digressões precisas sobre as filosofias orientais e o interessante uso simbólico do rio como elemento de renascimento e continuidade, presente tanto nas filosofias oriental quanto ocidental. Em 1845, para vivenciar uma vida simples e como forma de protesto contra o sistema (desejo de se libertar das obrigações e constrangimentos da sociedade, de não se deixar contaminar pelos resíduos que o trabalho inevitavelmente produz), instalou-se em uma pequena cabana construído por ele mesmo perto do lago Walden, perto de Concord (Massachusetts). Aqui ele pôde se dedicar em tempo integral a escrever e observar a natureza. Após dois anos, em 1847, ele deixou lago Walden para viver com seu amigo e mentor Ralph Waldo Emerson e sua família em Concord (Massachusetts).
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Thoreau ecologista
Thoreau era um amante da natureza. É considerado, junto com os povos indígenas, um dos avós do movimento ecológico que ganharia forma nos anos 1960. Seus textos e discursos falam sempre sobre as vantagens da vida natural e livre. Sendo assim, Thoreau buscava impedir o massacre e extinção de indígenas e de animais selvagens, defendendo a ideia que a natureza selvagem (wilderness) servia como reservatório de nutrição intelectual aos humanos e por isso protegê-la estaria intimamente ligado à própria preservação da civilização humana. Ele sempre associava natureza e liberdade e, neste aspecto, sofreu forte influência de Jean-Jacques Rousseau e de textos orientais.
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Parte do imaginário coletivo norte-americano acreditava que era destino dos EUA realizar sua expansão territorial, tinha-se a crença de que a Providência Divina demandava dos norte-americanos uma postura civilizatória, em oposição às forças europeias que supostamente desejavam frear o crescimento da América. Pouco a pouco, essa crença se transmutava num nacionalismo norte-americano, numa visão exaltada de si próprio como povo e Nação. Em Massachusetts, o sentimento para com a guerra se desenvolveu de forma a se afastar desse nacionalismo, parte dessa população não apoiava o embate com os mexicanos. O estado de Massachusetts caracterizou a empreitada americana como uma “guerra de conquista” que dizia interesse para os fazendeiros escravistas. Dentre as pessoas que desaprovavam a guerra México-americana, a oposição mais conhecida é a de Henry David Thoreau, pois “não foi apenas um crítico a guerra como agressão ao México, mas também se negou a pagar impostos como protesto (...)”. Nesse cenário, Thoreau escreveu se escrito mais popular “A Desobediência Civil”, um ensaio no qual criticava os maus governos e propunha um modelo de combate à tirania.
Thoreau anárquico
Influenciou fortemente o anarquismo e os admiradores desta filosofia. Seu ensaio "A Desobediência Civil" é a base de ação para libertários e anarquistas, além de ter sido posto em prática com sucesso por Mahatma Gandhi. Seu pensamento libertário é complexo e não pode ser resumido facilmente. Entretanto, algumas das passagens mais famosas de seus livros condensam sua visão de mundo: A crítica à relação entre as classes ricas, que se tornam privilegiadas do governo, e o Estado, bem como à vida abundante em posses materiais mas desprovida de valores espirituais e éticos: "Mas o homem rico — sem querer fazer uma comparação invejosa — está sempre vendido à instituição (Estado) que o torna rico. Falando em termos gerais, quanto mais dinheiro, menos virtude (...); ao passo que a única nova questão que ele se coloca é a difícil e supérflua de saber como gastar o dinheiro. Assim, seu terreno moral é tirado de sob seus pés".
Pacifismo e abolicionismo
A prisão de Thoreau se deveu justamente ao fato de ele ter deixado de pagar impostos ao governo americano. Além de suas tendências anárquicas, Thoreau explica que não queria financiar um Estado escravocrata e tampouco uma guerra. Naquela época os EUA mantinham negros como escravos e estavam em uma guerra imperialista contra o México, com o objetivo de anexar territórios. A posição de Thoreau como abolicionista e defensor da causa negra está registrada em seus textos. Mas não somente isso: ele teve atuação na Underground Railway (ferrovia subterrânea), uma rota de fuga que levava escravos negros para uma vida livre no Canadá. A cabana de madeira que Thoreau construiu nas imediações do lago Walden não existe mais. Hoje, em local aproximado onde se situava há uma réplica, ponto de visitação de turistas.
Thoreau e o minimalismo existencial
Em uma entrevista proporcionada ao IHU On-Line, Kelly Dean Jolley promove uma perspectiva de Thoreau como um minimalista existencial. A partir da entrevista, Jolley ressalta que Thoreau defende uma vida de abnegação e simplicidade, cujo objetivo é obter uma melhor compreensão da existência e do mundo que aparece diante de nós. De fato, a filosofia de Henry David Thoreau vai além da abstração das ideias, é um modo de conceber o mundo e reger uma vida a partir da constante relação com o real e com o verdadeiro. A vida, nesse caso, encontra-se em consonância com o verdadeiro, e o verdadeiro, para Thoreau, está fora das paredes da prisão invisível que grande parte da sociedade impôs com o avanço tecnológico e fortalecimento do capitalismo com seu consumismo excessivo. Dessa forma, é perceptível a busca da verdade através de uma forte crítica ao materialismo, cuja principal consequência é o ajuste da visão para o que realmente existe. Kelly Dean Jolley expressa tal questão sucintamente: .mw-parser-output .flexquote{display:flex;flex-direction:column;background-color:#F1F1F1;border-left:3px solid #C7C7C7;font-size:100%;margin:1em 4em;padding:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.flex{display:flex;flex-direction:row}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.quote{width:100%}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.separator{border-left:1px solid #C7C7C7;border-top:1px solid #C7C7C7;margin:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.cite{text-align:right}@media all and (max-width:600px){.mw-parser-output .flexquote>.flex{flex-direction:column}}@media screen{html.skin-theme-clientpref-night .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}@media screen and (prefers-color-scheme:dark){html.skin-theme-clientpref-os .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}
Imagem: Steve @ the alligator farm · BY-SA · Openverse
Muitas das obras de Thoreau não foram publicadas durante sua vida, incluindo seus diários e vários manuscritos inacabados.


