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Hester Stanhope

Lady Hester Lucy Stanhope foi uma aristocrata britânica, aventureira, antiquária e uma das viajantes mais famosas de sua época. Encabeçou a primeira escavação arqueológica na terra santa.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 15/07/2026
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Biografia

Imagem: · BY · Openverse

Lady Hester Lucy Stanhope era a filha mais velha de Charles Stanhope, 3º conde Stanhope, e da sua primeira esposa, Lady Hester Pitt. Nasceu na casa do pai em Chevening, em Kent, e viveu lá até o início de 1800, altura em que foi enviada para morar com a avó, a condessa de Chatham, em Burton Pynsent. Em Agosto de 1803, foi morar com o tio, William Pitt, o Novo, onde assumiu a gestão da casa e o papel de anfitriã. Como primeiro ministro britânico, Pitt, que era solteiro, precisava de ajuda com a sua vida politica e social. Hester sentava-se na cabeceira da sua mesa e ajudava a receber os seus convidados; ela tornou-se conhecida pela sua beleza e capacidades de conversação. Quando Pitt não estava no seu escritório ela também actuava como sua secretária privada. Ela também foi responsável pela criação dos jardins no Castelo de Walmer enquanto o tio ocupou o cargo de Lorde Warden de Cinque Ports. A Grã-Bretanha concedeu-lhe uma pensão anual de 1200 libras, após a morte de Pitt em Janeiro de 1806. Após viver durante algum tempo em Londres, na Montague Square, mudou-se para o País de Gales. Após a morte do irmão o em Fevereiro de 1810, saiu definitivamente de Inglaterra. Diz-se que uma decepção romântica levou-a fazer uma longa viagem marítima.

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Viagem ao Oriente Próximo e Médio

A caminho do Cairo, o navio enfrentou uma tempestade e naufragou em Rodes. Ficaram sem nada o que levou o grupo a pedir roupas turcas emprestadas. Stanhope recusou-se a usar véu, optando por se vestir como um homem turco, ou seja, com um robe, turbante e chinelos. Na fragata britânica que os levou até ao Cairo, ela continuou a usar roupas muito pouco ortodoxas para uma mulher inglesa: comprou um manto de veludo roxo, calças bordadas, colete, paletó, sela e sabre. Assim vestida, foi saudar o Pasha. Ela continuou suas viagens no Oriente Médio a partir do Cairo. Durante dois anos, ela visitou: Gibraltar, Malta, as Ilhas Jônicas, o Peloponeso, Atenas, Constantinopla, a ilha de Rodes, Egipto, Israel, Palestina, Líbano e a Síria. Ela recusou-se sempre a usar véu, nomeadamente em Damasco. A Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, esvaziada de visitantes, reabriu em sua homenagem. Quando uma adivinha lhe disse que o seu destino era ser noiva de um novo messias, ela mostrou abertura para casar com Ibn Saud, futuro primeiro líder do primeiro estado saudita. Tornou-se na primeira mulher a visitar a cidade de Palmira. Apesar da estrada atravessar um deserto com beduínos potencialmente hostis, ela vestiu-se como um deles e conduziu a sua caravana de 22 camelos até lá. O Emir Mahannah el Fadel recebeu-a e ela tornou-se conhecida como a "rainha Hester".

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Expedição Arqueológica

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De acordo com Charles Meryon, ela encontrou um manuscrito medieval italiano num mosteiro da Síria, segundo ele, um grande tesouro estaria escondido sob as ruínas de uma mesquita na cidade portuária de Ashkelon que estava em ruínas à 600 anos. Em 1815, ela viajou até às ruínas de Ashkelon no norte de Gaza, e convenceu as autoridades otomanas a darem-lhe autorização para escavar no local. O governador de Jaffa, Muhammad Abu Nabbut recebeu ordens para a acompanhar. Esta foi primeira escavação arqueológica na Palestina. Apesar de ela não ter encontrado o tesouro de 3 milhões de moedas de ouro que diziam estar ali enterrado, os escavadores desenterraram uma estátua de mármore sem cabeça com mais de 2 metros. Numa acção que pode parecer contradizer as suas escavações meticulosas, Hester ordenou que a estátua fosse desfeita e atirada ao mar. Foi um gesto de boa fé para com o governo otomano, para mostrar que a sua escavação tinha como objectivo recuperar tesouros valiosos para eles e não para saquear relíquias culturais e enviá-las para a Europa, como muitos dos seus conterrâneos faziam na altura. A sua expedição pavimentou o futuro das escavações e do turismo no local.

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Vida entre os árabes

Lady Hester assentou em Sidon, uma cidade na costa mediterrânica, naquele que é agora o Líbano, a meio caminho entre Beirute e Tiro. Primeiro morou no antigo mosteiro Mar Elias, na aldeia de Abra, e no mosteiro Deir Mashmousheh, no sudoeste da Casa of Jezzine. A senhora Williams e o seu médico Charles Meryon, ficaram com ela durante algum tempo. Mas Williams morreu em 1828 e Meryon partiu em 1831, regressando para a visitar em 1837, ficando com ela até 1838. Quando Meryon partiu para Inglaterra, Lady Hester mudou-se para um remoto mosteiro abandonado em Djouni, uma aldeia a 8 milhas de Sidon, onde viveu até à sua morte. A sua casa, ficava no topo de uma colina e era conhecida como Dahr El Sitt, pela população. No inicio ela foi saudada pelo emir Bashir Shihab II, mas com o passar dos anos ela deu abrigo a centenas de refugiados de disputas inter-clãs e inter-religiosas e conquistou sua inimizade. A partir da sua residência, ela tornou-se na governante de facto da região. O controlo dela sobre a população local era tão forte que Ibrahim Pasha, quando se preparava para invadir a Síria em 1832, pediu que se mantivesse neutra. Ela trocava correspondência com pessoas importantes e recebeu vários visitantes que se desviavam do seu caminho para a visitar.

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Memórias

Em 1846, alguns anos após a sua morte, o Dr Meryon publicou as suas memórias em três volumes com o título: Memórias da Lady Hester Stanhope tal como foram contadas por ela em conversa com o seu médico. No ano seguinte, publicou três volumes sobre as suas viagens, completando as memórias por ela contadas ao seu médico.

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