Pesquisa · Mapa mental

Parábola do filho pródigo

O Filho Pródigo é talvez a mais conhecida das parábolas de Jesus, apesar de aparecer apenas em um dos evangelhos canônicos. De acordo com Lucas 15:11–32, a um filho mais novo é dada a sua herança. Depois de perder sua fortuna, o filho volta para casa e se arrepende. Esta parábola é a terceira e a última de uma trilogia sobre a redenção, vindo após a Parábola da Ovelha Perdida e a Parábola da Moeda Perdida.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 07/07/2026
01

Contexto e Interpretação

Esta é a última das três parábolas sobre perda e redenção, na sequência da Parábola da Ovelha Perdida e da Parábola da Moeda Perdida, que Jesus conta após os fariseus e líderes religiosos o terem acusado de receber e compartilhar as suas refeições com "pecadores". A alegria do pai descrita na parábola reflete o amor divino, a "misericórdia infinita de Deus" e "recusa de Deus em limitar a sua graça". O pedido do filho mais novo de sua parte da herança é "ousado e insolente" e "equivale a querer que o pai estivesse morto". Suas ações não levam ao sucesso e ele finalmente se torna um trabalhador por contrato, com a degradante tarefa (para um judeu) de cuidar de porcos, chegando ao ponto de invejá-los por comerem vagens de alfarroba. Em seu retorno, o pai trata-o com uma generosidade muito maior do que ele teria o direito de esperar. O filho mais velho, ao contrário, parece pensar em termos de "direito, mérito e recompensa" ao invés de "amor e benevolência". Ele pode representar os fariseus que estavam criticando Jesus.

02

Celebrações

Imagem: Carlos Luis M C da Cruz · BY-SA · Openverse

Ortodoxos

A Igreja Ortodoxa tradicionalmente lê esta história no chamado Domingo do Filho Pródigo que, no ano litúrgico ortodoxo, é o domingo antes do "Domingo do Juízo Final" e por volta duas semanas antes do começo da Grande Quaresma.

Católicos

Em sua exortação apostólica intitulada Reconciliatio et Paenitentia (latim para "Reconciliação e Penitência"), o papa João Paulo II se utilizou desta parábola para explicar o processo de conversão e reconciliação. Enfatizando que Deus Pai é "pleno de misericórdia" e sempre pronto a perdoar, ele afirmou que a reconciliação é um "presente de sua parte". João Paulo II afirmou ainda que, para a Igreja, a "missão de reconciliação é a iniciativa, cheia de compaixão, amor e misericórdia, deste Deus que é amor". Ele também explorou os questionamentos levantados por esta parábola em sua segunda encíclica, Dives in Misericordia (latim para "Pleno em Misericórdia"), publicada em 1980.

03

Interpretação Espírita

Imagem: Carlos Luis M C da Cruz · BY-SA · Openverse

Segundo o Espírito Joanna de Angelis, através da mediunidade de Divaldo Pereira Franco, a Parábola do Filho Pródigo é um conjunto de lições psicoterapêuticas e filosóficas: "Na sua mensagem não se encontram quaisquer tipos de censura a nenhuma das atitudes dos dois filhos, nem reproche ou dissimulação diante das ocorrências. Tudo se dá de maneira natural, em júbilo crescente, porque aquele que estava perdido, foi encontrado, e porque estava morto, agora se deparava vivo. A alegria da autoconsciência é esfuziante, porque ocorre depois do reencontro, na volta à casa, ao lar, ao abrigo emocional seguro, que é a conquista de paz e da correção dos atos." Joanna de Angelis analisa ainda a conduta do filho ciumento: "Por fim, chegando a casa, o filho recebe um manto que o iguala ao pai e ao irmão, ele que desejara ser recebido como um pária, um servo, um suspeito de confiança, torna-se, dessa maneira, um igual, alguém querido que merece respeito. (...) Em casa, não há lugar para a inferioridade do retornado, porquanto o amor a todos iguala, dando-lhes oportunidade de crescimento e de iluminação. (...) Mas aquele Pai misericordioso também não reclama da conduta do outro filho ciumento, em difícil trânsito da adolescência para a vetustez da maturidade, porque a dor que experimenta já é uma forma de punição em referência à sua conduta. Esforça-se por diluir-lhe a mágoa, justificando que tudo que tem é dele, que ele tem estado ao seu lado, portanto, desfrutando de segurança e de alegria".

04

Nas artes

Artes

Das trinta e poucas parábolas nos evangelhos canônicos, esta é uma (de quatro) que foi representada na arte medieval quase que à custa total das demais, e ainda de maneira independente das narrativas sobre a Vida de Cristo (as outras foram as Dez Virgens, o Rico e Lázaro e o Bom Samaritano. Além delas, a Parábola dos Trabalhadores na Vinha também apareceu muito nas obras da Alta Idade Média). A partir do Renascimento, as quantidades se ampliaram um pouco e as diversas cenas - a boa vida, cuidando dos porcos e o retorno - do Filho Pródigo se tornaram favoritas indiscutíveis. Albrecht Dürer fez uma famosa gravura do Filho Pródigo entre os porcos (1496), um assunto popular no Renascimento Setentrional. Rembrandt representou diversas cenas da parábola, especialmente o episódio final, que ele gravou, desenhou ou pintou em diversas ocasiões diferentes em sua carreira. Pelo menos uma de suas obras, "O Filho Pródigo na Taverna", um retrato de si como o Filho, se divertindo com sua esposa, é, como muitas outras obras do artista, uma forma de dignificar a vida nas tavernas - se é que o título é de fato a intenção original do artista. Sua obra tardia, "O Retorno do Filho Pródigo" (1662 - 1669, atualmente no Museu Hermitage de São Petersburgo) é uma de suas obras mais populares.

Teatro

Nos séculos XV e XVI, o tema era suficiente popular a ponto de peças sobre o assunto serem vistas como um sub-gênero das peças morais inglesas. Exemplos incluem The Rare Triumphs of Love and Fortune ("Os raros triunfos do amor e da sorte"), The Disobedient Child ("A criança desobediente") e Acolastus. Adaptações dignas de nota pelo resultado incluem um balé de 1929, coreografado por George Balanchine com música de Sergei Prokofiev, um outro, de 1957, por Hugo Alfvén e um oratório de 1869 por Arthur Sullivan. Várias destas adaptações adicionaram consideravelmente ao material bíblico para estender a história; por exemplo, o filme de 1955, The Prodigal, tomou diversas destas liberdades, como adicionar uma tentadora sacerdotisa de Astarte à história.

Literatura

Rudyard Kipling escreveu um poema dando uma interpretação para o ponto de vista do irmão mais moço.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando